Lista de Poemas
A viagem
Avança o carro, pela pista.
E para mim que estou sentado.
Aproveitando a inconstante vista.
Ela se move enquanto estou parado.
Mas não viajo pelo mundo que estou.
Mas em um tão grande quanto.
Que vai para todo lugar que vou.
Mas só se expressa neste canto.
Nele sou construtor e construído.
Decido onde estou, mas fico perdido.
Pois até o invisível ou impossível.
Tanto é possível quanto é transponível.
Se fora estou parado, observando.
Dentro sou livre, e estou voando.
Se fora me faltam dons.
Dentro só escrevo poemas bons.
Se resume em quatro simples versos.
A primeira viagem descrita.
Mas precisaria de uma poesia infinita.
Para descrever os incontáveis universos.
Que surgem a partir da minha mente.
Livres, diferentes, dispersos.
Confusos, fantásticos e controversos.
Dentro de mim, viajo por eles livremente.
Sou um universo que faz versos.
👁️ 296
Estórias em rimas mistas(ou não). Poema 1: o conto da princesa.
Era uma princesa
muito respeitada,
Tinha graça e beleza
nunca superada,
Princesa única da corte,
já sem rainha,
Ao rei chegava a morte,
de casar-se ela tinha.
Eis que, ao seu castelo,
sua sorte lhe mandou
Um príncipe nobre e belo
por quem se apaixonou,
Casou-se na mocidade,
aos quinze somente,
Engravidou em baixa idade,
ainda adolescente,
Outros quinze anos foi feliz,
e também sua terra,
Mas eis que o marido lhe diz:
- Tenho de ir à guerra.
Foi-se abaixo de pranto
da mulher e dos herdeiros,
Deixou-lhes só o seu manto
e alguns poucos guerreiros,
Na guerra foi derrotado,
não viu quem o matou,
Seu pescoço foi cortado,
sua cabeça voou,
Seu súditos foram dominados,
sua mulher, capturada,
Seus filhos foram separados,
a casar-se era obrigada,
Foi à força, pois não queria,
o noivo não amava,
Obrigou-a a escravaria
que seus cabelos puxava,
Na noite de núpcias se ouvia
a princesa chorar e bradar,
E, quase implorando, dizia:
- Não quero de ti, engravidar.
E, aquele homem, à mão,
deixou a princesa calada,
Seu corpo, puxou de arrastão,
A princesa foi estuprada,
E, até o filho ter por nascido,
viveu como uma propriedade,
Dos seus filhos e marido,
restou-lhe só a saudade,
Seu novo esposo a batia,
xingava e agourava,
E a fez duma iguaria,
que à noite desfrutava!
Sofreu de grave sangramento
no dia que o filho nasceu,
Deu-se o fim do sofrimento,
durante o parto morreu.
Eis a história de uma monarca
cujo nome se perdeu,
Que a história não abarca
o reino que era seu,
Nasceu, viveu, cresceu,
amou e se casou,
Chorou, sofreu e morreu.
E assim a história acabou.
muito respeitada,
Tinha graça e beleza
nunca superada,
Princesa única da corte,
já sem rainha,
Ao rei chegava a morte,
de casar-se ela tinha.
Eis que, ao seu castelo,
sua sorte lhe mandou
Um príncipe nobre e belo
por quem se apaixonou,
Casou-se na mocidade,
aos quinze somente,
Engravidou em baixa idade,
ainda adolescente,
Outros quinze anos foi feliz,
e também sua terra,
Mas eis que o marido lhe diz:
- Tenho de ir à guerra.
Foi-se abaixo de pranto
da mulher e dos herdeiros,
Deixou-lhes só o seu manto
e alguns poucos guerreiros,
Na guerra foi derrotado,
não viu quem o matou,
Seu pescoço foi cortado,
sua cabeça voou,
Seu súditos foram dominados,
sua mulher, capturada,
Seus filhos foram separados,
a casar-se era obrigada,
Foi à força, pois não queria,
o noivo não amava,
Obrigou-a a escravaria
que seus cabelos puxava,
Na noite de núpcias se ouvia
a princesa chorar e bradar,
E, quase implorando, dizia:
- Não quero de ti, engravidar.
E, aquele homem, à mão,
deixou a princesa calada,
Seu corpo, puxou de arrastão,
A princesa foi estuprada,
E, até o filho ter por nascido,
viveu como uma propriedade,
Dos seus filhos e marido,
restou-lhe só a saudade,
Seu novo esposo a batia,
xingava e agourava,
E a fez duma iguaria,
que à noite desfrutava!
Sofreu de grave sangramento
no dia que o filho nasceu,
Deu-se o fim do sofrimento,
durante o parto morreu.
Eis a história de uma monarca
cujo nome se perdeu,
Que a história não abarca
o reino que era seu,
Nasceu, viveu, cresceu,
amou e se casou,
Chorou, sofreu e morreu.
E assim a história acabou.
👁️ 152
As pessoas da pós-modernidade e suas psicologias.
Quem aqui muito se estima, o estimado não o é.
Quem o amor muito dissemina, não ama ninguém.
Quem aos pobres muito se dirige, muita avareza tem.
Quem muito a Deus reza, quase sempre não tem fé.
Se muito aqui há belos sorrisos, também há xingamento.
Se muito aqui há conhecimento, também há alienação.
Se muito aqui há cumprimento, também há exclusão.
Se muito aqui há empatia, também há enforcamento.
O bom professor é bom porque não ensina.
O bom poema é bom porque não significa nada.
O bom português é bom porque a regra é mal aplicada.
O bom pensador é bom porque doutrina.
As pessoas que mais do óbvio falam são inteligentes.
As que falam sobre o corpo, não largam as colheres.
As que mais se prostituem são grandes mulheres.
As que pregam a moral são um bando de dementes.
Se tu constróis alguma lógica, mais precisas estudar.
Se tu tens bom argumento, é teu corpo que dirá.
Se tu queres ter razão, traz teus traumas para cá.
Se tu queres uma boa tese, tens de aos ouvidos agradar.
Por fim, não mais escrever quero, cansei minha mente.
Por fim, não mais falar vou, por escrever muito me irritei.
Por fim, por mais que queira, de xinga-los eu não hei.
Por fim, despeço-me, sem me rebaixar ao nível dessa gente.
👁️ 158
A epopeia sem heroi.
Em um tempo cujo hoje é inimaginavelmente antigo.
Existiu um homem cujo todos os historiadores.
Buscam sem trégua o nome que carregava consigo.
Um homem cujos cabelos e pele não possuem cores.
Um homem cuja língua é tão antiga quanto ele.
É deste homem a história que aqui se passa.
Este cuja a vida foi de todos os confortos escassa.
Cujo a própria mãe não podia dizer o nome dele.
Pois esta não existia, seu berço foi a simbiose.
De um conglomerado de moléculas e proteínas.
Metais, ácidos, enxofre, oxigênio em grande dose.
Água, muita água, e outras soluções alcalinas.
Este cujo foi o heroi de sua própria terra solitária.
pois não possuia outro para assumir este papel.
Teve de viver sob a sentença triste e cruel.
A qual toda a esperança de seu ser mataria.
Mas havia, neste ser, algo que lhe firmava no chão.
Algo cujo não poderia esquecer, quisesse ele ou não.
Seus anseios oriundos de suas novas estruturas.
A fome e a sede, que foram suas primeiras torturas.
E com certeza as primeiras palavras da existência.
E então este homem lavantou-se de seu berço de barro.
Catou em sua mão uma madeira, deu o primeiro escarro.
E então foi aventurar-se sem nenhuma experiência.
Nas trevas do mundo sombrio no qual havia nascido.
Nunca tinha visto tão grandes matas, nunca havia nada
Antes visto,nunca tinha visto grama tão relvada.
Nem bicho que com suas garras o tivesse ferido.
Voltou para a sua gruta então, sangrando e faminto.
Quando se deparou com algum bicho de um palmo.
E atirou-se sobre ele, espalhando sangue no recinto.
Após este momento grotesco, ele ficou mais calmo.
Sentou-se, e com o primeiro arroto de sua curta vida.
Que por tão pouco não houve de estar para sempre perdida.
Pensou em como poderia tratar de seu braço rasgado.
Se é que sabia que estava pensando enquanto o fazia.
De certo é que seu corpo era para tais danos preparado.
Pois o sangue que dele saia, pouco depois não mais saía.
Deitou-se então, para que pudesse melhor descansar.
E para que a dor já fraca em seu braço pudesse passar.
Foi então que algo mais uma vez houve de perfurá-lo.
Uma pedra pontuda que no chão haveria de ter ficado.
Foi então que ele pensou: "se eu fui por isto perfurado.
Se ao pescoço do outro bicho fizer, hei de matá-lo".
Foi então que, munido desta pedra, saiu de sua gruta.
Buscando aquele que o havia vencido na primeira luta.
Não demorou muito para que achasse sua vingança.
Mas não o encarou de frente, fez juz a sua possança.
Furtivamente andou e escondeu-se no matagal.
Mirou a pedra de forma que lhe pareceu certa.
Acertou-a com sua parte pontuda na zona laringal.
O rugido, sem ar, se reduziu a uma respirção discreta.
O sangue espalhou-se pela relva em seu último suspiro.
E o homem, feliz pelo seu magnificentíssimo tiro.
Corre para buscar o animal e levá-lo para o seu lar.
Eis que, no caminho ele encontra, a perfeição angular.
As curvas que, por algum motivo o enlouqueceram.
Aquele ser que, sendo parecido consigo, tem toda a beleza.
De todas as flores que neste mundo já floresceram.
Ou melhor, era disto que a sua luxúria dava certeza.
Pois tão suja e tão machucada quanto ele ela estava.
Mas ele descobriu pela primeira vez em sua vida.
A força que sua engenhosidade faz por perdida.
As forças reprodutivas o martelavam como uma clava.
Exibiu então o animal que havia derrubado.
Ela, também faminta, cede ao desejo de sua barriga.
Tendo então a vontade da fome e da sede saciado.
Após um breve descanso, cedem àquela que não mitiga.
Deitaram-se emaranhados, como os animais o faziam.
E descobrindo o gosto da luxúria, de prazer ele berra.
E nestes movimentos libidinosos por onde eles iam.
Origina-se a pior espécie que já houve de habitar a terra.
👁️ 168
De falso para falsos.
Estes e estas, desta terra.
Hão de pregar a paz e o amor.
E hão de rir de tudo o que for.
Amor que lhe pareça dor.
E paz que lhe pareça guerra.
Estas vozes, que hoje os acolhem.
Quando o grito de apedrejar ressoa.
Não há lágrimas que os pés molhem.
Nem alma santa que os perdoa.
Terra hostil, que estes olhos roa!
Estes e estas, desta era.
Xingam com lábios de princesa.
Beijam com lábios de megera.
Se exaltam sua beleza ou riqueza.
Triste é o destino que te espera!
Estes estas, dos medos vossos.
Sabem abraçar carinhosamente.
E traem na ausência de remorsos.
Onde há honestos nesta gente?
De falso para falsos, quem mente?
Estes e estas ou mesmo vocês.
Não temam as traições que virão.
Estamos no rés do rés da podridão.
Onde os que não mentem morrerão.
Não há um que não o fez.
👁️ 169
A poesia nunca me deixa.
Há muitas semanas tenho esquecido.
Este impulso me tornar poeta.
Ir caminhando nesta linha reta.
Caminho que é de versos esculpido.
O poema é uma reta,o poeta é o cego.
Não vê, mas sabe até onde vai.
E este saber precioso lhe infla o ego.
Descuidado, tropeça e nas palavras cai.
A dor que me causa este tropeço.
Vicia-me como a um masoquista.
Vou caminhando de verso em verso.
Como caminho de pista em pista.
E de longos a mais longos passos peço.
Inspira-me ! E darei mais um passo.
Dê-me isto ou me devolva a vista.
Que vício incoveniente e nauseante.
Que a um tempo tenho esquecido.
Que achava eu, que havia se perdido.
Volta a mim neste sono agonizante.
Escrevo este canto como uma queixa.
Como quem reclama em uma carta.
Pois o talento sempre me faz falta.
Mesmo assim, a poesia não me deixa.
Este impulso me tornar poeta.
Ir caminhando nesta linha reta.
Caminho que é de versos esculpido.
O poema é uma reta,o poeta é o cego.
Não vê, mas sabe até onde vai.
E este saber precioso lhe infla o ego.
Descuidado, tropeça e nas palavras cai.
A dor que me causa este tropeço.
Vicia-me como a um masoquista.
Vou caminhando de verso em verso.
Como caminho de pista em pista.
E de longos a mais longos passos peço.
Inspira-me ! E darei mais um passo.
Dê-me isto ou me devolva a vista.
Que vício incoveniente e nauseante.
Que a um tempo tenho esquecido.
Que achava eu, que havia se perdido.
Volta a mim neste sono agonizante.
Escrevo este canto como uma queixa.
Como quem reclama em uma carta.
Pois o talento sempre me faz falta.
Mesmo assim, a poesia não me deixa.
👁️ 176
Se queres fala, pois sou bom ouvinte .
Muitas vezes, escrevo o que não falaria.
Por qualquer motivo que seja.
Quando não, faço uma alegoria.
Finjo fazer o que não faria.
Não me importo com o que deseja.
Faço, porque faço, quando eu faço.
O fingimento constitui meu canto.
Meu lirismo é deveras escasso.
Há lamentos que ouço e passo.
Não me comoves o teu pranto.
E se isto for fingimento também?
Este é, para mim um enigma.
Não retiro a esperança de ninguém.
Nunca sei o que dizer a alguém.
Por isto escrevo este poema.
Pois de certo que devo ter escrito.
Alguma outra grande fantasia.
Que aqui, por esquecimento, não cito.
Mas que em seus versos, algo foi dito.
Que desmente inteira esta poesia.
Por minha indubitável irrelevância.
E minha apatia que faz dormir.
Me resguardo a insignificância.
Murmúrio baixo não vence a distância.
Me calo e ouço o que tiver de ouvir .
Se queres o meu eu verídico .
Me deixe calado, isso não é triste.
Me calo por argumentar ser fatídico.
Perigoso, pois sempre me prejudico.
Ao dar um único palpite.
Se queres fala, pois sou bom ouvinte.
Por qualquer motivo que seja.
Quando não, faço uma alegoria.
Finjo fazer o que não faria.
Não me importo com o que deseja.
Faço, porque faço, quando eu faço.
O fingimento constitui meu canto.
Meu lirismo é deveras escasso.
Há lamentos que ouço e passo.
Não me comoves o teu pranto.
E se isto for fingimento também?
Este é, para mim um enigma.
Não retiro a esperança de ninguém.
Nunca sei o que dizer a alguém.
Por isto escrevo este poema.
Pois de certo que devo ter escrito.
Alguma outra grande fantasia.
Que aqui, por esquecimento, não cito.
Mas que em seus versos, algo foi dito.
Que desmente inteira esta poesia.
Por minha indubitável irrelevância.
E minha apatia que faz dormir.
Me resguardo a insignificância.
Murmúrio baixo não vence a distância.
Me calo e ouço o que tiver de ouvir .
Se queres o meu eu verídico .
Me deixe calado, isso não é triste.
Me calo por argumentar ser fatídico.
Perigoso, pois sempre me prejudico.
Ao dar um único palpite.
Se queres fala, pois sou bom ouvinte.
👁️ 204
Analogia do prisioneiro
Escrevo como faz o condenado.
A desfrutar de sua última refeição.
Foge, ao perdurar da satisfação.
Do futuro onde estará enforcado.
Façamos uma conclusão clara.
É inútil temer o inevitável.
Enquanto pensa na maldição incurável.
Esquece a benção que ainda o ampara.
É isto que faz o prisioneiro.
Esquece todas as suas certezas.
Esquece também as tristezas.
E valoriza o prazer derradeiro.
Uma simples necessidade.
O agrada mais que mil mulheres.
Quando se tornam para ti poderes.
Aquilo que fazia sem dificuldade.
E nesta analogia pífia eu disperso.
Meus pensamentos a ferver.
E neste simples ato de escrever.
Fujo do meu destino perverso.
A monotonia, fujo dela em cada verso.
👁️ 224
O escuro
Eis a cegueira que me inspira o canto!
Preenche os brancos da minha mente.
A negritude que motiva o pranto.
De fato,tudo o que detalhadamente vi.
Não imaginei, logo não escrevi.
Fato este que me faz dolente.
Se com o devido prazer imaginasse.
Tudo o que com meus olhos visse.
Talvez não visse as coisas como coisas.
Talvez, veria algum sentido na dor.
E nas ásperas urtigas veria rosas.
Brotando por onde eu for .
Não falo de sentimentalismo barato.
É a verdade pura, é um fato.
O mais íntimo prazer, o inconcebível.
Reside nas mais absurda fantasia.
Descontente com que lhe é impossível.
Aos que vivem no seu mundo espia.
Sonho belo, sonho mau, sonho puro.
Seja qual for, seu pai é o escuro.
O mesmo breu amedronta as crianças.
Cria em sua cabeça um mundo.
Que realiza desejos e revive lembranças.
Mas tu despertas e se desfaz de tudo.
É na luz que comemos e andamos.
Trabalhamos, odiamos e amamos.
Tudo humano, tudo corriqueiro.
Tudo limitado, nada por inteiro.
É na luz que se faz o imprescindível.
Mas é no escuro que se toca o inatingível.
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