O escuro



Eis a cegueira que me inspira o canto!
Preenche os brancos da minha mente.
A negritude que motiva o pranto.
De fato,tudo o que detalhadamente vi.
Não imaginei, logo não escrevi.
Fato este que me faz dolente.

Se com o devido prazer imaginasse.
Tudo o que com meus olhos visse.
Talvez não visse as coisas como coisas.
Talvez, veria algum sentido na dor.
E nas ásperas urtigas veria rosas.
Brotando por onde eu for .

Não falo de sentimentalismo barato.
É a verdade pura, é um fato.
O mais íntimo prazer, o inconcebível.
Reside nas mais absurda fantasia.
Descontente com que lhe é impossível.
Aos que vivem no seu mundo espia.

Sonho belo, sonho mau, sonho puro.
Seja qual for, seu pai é o escuro.
O mesmo breu amedronta as crianças.
Cria em sua cabeça um mundo.
Que realiza desejos e revive lembranças.
Mas tu despertas e se desfaz de tudo.

É na luz que comemos e andamos.
Trabalhamos, odiamos e amamos.
Tudo humano, tudo corriqueiro.
Tudo limitado, nada por inteiro.
É na luz que se faz o imprescindível.
Mas é no escuro que se toca o inatingível.
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