Analogia do prisioneiro
Escrevo como faz o condenado.
A desfrutar de sua última refeição.
Foge, ao perdurar da satisfação.
Do futuro onde estará enforcado.
Façamos uma conclusão clara.
É inútil temer o inevitável.
Enquanto pensa na maldição incurável.
Esquece a benção que ainda o ampara.
É isto que faz o prisioneiro.
Esquece todas as suas certezas.
Esquece também as tristezas.
E valoriza o prazer derradeiro.
Uma simples necessidade.
O agrada mais que mil mulheres.
Quando se tornam para ti poderes.
Aquilo que fazia sem dificuldade.
E nesta analogia pífia eu disperso.
Meus pensamentos a ferver.
E neste simples ato de escrever.
Fujo do meu destino perverso.
A monotonia, fujo dela em cada verso.
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