A epopeia sem heroi.



Em um tempo cujo hoje é inimaginavelmente antigo.
Existiu um homem cujo todos os historiadores.
Buscam sem trégua o nome que carregava consigo.
Um homem cujos cabelos e pele não possuem cores.
Um homem cuja língua é tão antiga quanto ele.
É deste homem a história que aqui se passa.
Este cuja a vida foi de todos os confortos escassa.
Cujo a própria mãe não podia dizer o nome dele.
Pois esta não existia, seu berço foi a simbiose.
De um conglomerado de moléculas e proteínas.
Metais, ácidos, enxofre, oxigênio em grande dose.
Água, muita água, e outras soluções alcalinas.
Este cujo foi o heroi de sua própria terra solitária.
pois não possuia outro para assumir este papel.
Teve de viver sob a sentença triste e cruel.
A qual toda a esperança de seu ser mataria.
Mas havia, neste ser, algo que lhe firmava no chão.
Algo cujo não poderia esquecer, quisesse ele ou não.
Seus anseios oriundos de suas novas estruturas.
A fome e a sede, que foram suas primeiras torturas.
E com certeza as primeiras palavras da existência.
E então este homem lavantou-se de seu berço de barro.
Catou em sua mão uma madeira, deu o primeiro escarro.
E então foi aventurar-se sem nenhuma experiência.
Nas trevas do mundo sombrio no qual havia nascido.
Nunca tinha visto tão grandes matas, nunca havia nada
Antes visto,nunca tinha visto grama tão relvada.
Nem bicho que com suas garras o tivesse ferido.
Voltou para a sua gruta então, sangrando e faminto.
Quando se deparou com algum bicho de um palmo.
E atirou-se sobre ele, espalhando sangue no recinto.
Após este momento grotesco, ele ficou mais calmo.
Sentou-se, e com o primeiro arroto de sua curta vida.
Que por tão pouco não houve de estar para sempre perdida.
Pensou em como poderia tratar de seu braço rasgado.
Se é que sabia que estava pensando enquanto o fazia.
De certo é que seu corpo era para tais danos preparado.
Pois o sangue que dele saia, pouco depois não mais saía.
Deitou-se então, para que pudesse melhor descansar.
E para que a dor já fraca em seu braço pudesse passar.
Foi então que algo mais uma vez houve de perfurá-lo.
Uma pedra pontuda que no chão haveria de ter ficado.
Foi então que ele pensou: "se eu fui por isto perfurado.
Se ao pescoço do outro bicho fizer, hei de matá-lo".
Foi então que, munido desta pedra, saiu de sua gruta.
Buscando aquele que o havia vencido na primeira luta.
Não demorou muito para que achasse sua vingança.
Mas não o encarou de frente, fez juz a sua possança.
Furtivamente andou e escondeu-se no matagal.
Mirou a pedra de forma que lhe pareceu certa.
Acertou-a com sua parte pontuda na zona laringal.
O rugido, sem ar, se reduziu a uma respirção discreta.
O sangue espalhou-se pela relva em seu último suspiro.
E o homem, feliz pelo seu magnificentíssimo tiro.
Corre para buscar o animal e levá-lo para o seu lar.
Eis que, no caminho ele encontra, a perfeição angular.
As curvas que, por algum motivo o enlouqueceram.
Aquele ser que, sendo parecido consigo, tem toda a beleza.
De todas as flores que neste mundo já floresceram.
Ou melhor, era disto que a sua luxúria dava certeza.
Pois tão suja e tão machucada quanto ele ela estava.
Mas ele descobriu pela primeira vez em sua vida.
A força que sua engenhosidade faz por perdida.
As forças reprodutivas o martelavam como uma clava.
Exibiu então o animal que havia derrubado.
Ela, também faminta, cede ao desejo de sua barriga.
Tendo então a vontade da fome e da sede saciado.
Após um breve descanso, cedem àquela que não mitiga.
Deitaram-se emaranhados, como os animais o faziam.
E descobrindo o gosto da luxúria, de prazer ele berra.
E nestes movimentos libidinosos por onde eles iam.
Origina-se a pior espécie que já houve de habitar a terra.




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