Escritas

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Capeta

Capeta


Ó tu, que andas a esmo nas sombras oculto
Porque não vens trazer à luz tua sabedoria?
Acaso é medo? vergonha ou cobardia!...

Ó tu, que te dizes ser douto nas magias
E vives às expensas de embustes e trapaças
Não adianta disfarçar, porque, não disfarças.

Ó tu, que no mal assentas o teu reinado.;
Num poder ignóbil, sóbrio, tenebroso,
Teu vil caráter de um mortal vergonhoso.

Ó tu, audaz capeta, vil salafrário
Que só na desgraça encontras tua ventura
E tua glória, na tua mísera diabrura.

Ó tu, hei!...ó vós, oh! almas endurecidas
Diabos. Segundo a crendice popular
Nunca é tarde, vinde!... vinde!... vamos orar.

São Paulo, 25/06/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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VISÃO DO FUTURO (soneto)

VISÃO DO FUTURO 

Avancei minha janela do tempo, 
Projetei minha visão no futuro ! 
Visualizei não um mero passatempo... 
Mas sim um porvir ainda muito duro ! 

Não foi bom ter ultrapassado a janela 
O preço que se paga pela inobservância 
Às regras imutáveis de nossa estrela 
É um pesadelo na alma, que causa ânsia. 

Significou minha grande decepção 
Ter cruzado as fronteiras invisíveis 
Quisera eu, não tê-las ultrapassado. 

Teria afastado este fantasma do meu lado. 
É no que dá, querer metas impossíveis... 
Carregar medo e uma grande frustração. 

São Paulo, 19/05/2005(data da criação)
Armando A. C. Garcia

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A  Fome

A Fome

Negra!
Negra é a fome,
A miséria que mata
Que aniquila
Que desespera
Que inanima
Que debilita
Negra é a fome
Negra,
Negra
Cruel
Que mata
Corroendo
Ressequindo.
Negra é a fome,
Que não perdoa
Pobres orfãos
Pequeninos
Abandonados,
Corpos ao léu,
De bocas abertas
Pedindo ao céu!...
Clamando!
Mas tu não perdoas
Não te condóis.
Os pobrezinhos
Trêmulos,
Mal alimentados
Caminham, quase arrastados.
Quase impelidos
Por força invisível
Tu os persegues
Os atacas,
De pedra deve ser teu coração
Que não te condóis,
Não tens compaixão
De um pequenino,
De um infeliz,
Desventurado,
Que veio ao mundo
Amargurado,
Para pagar,
Para ressarcir
O seu pecado
Que em outras era
Praticou.
Mas tão pequenino,
Ainda,
Como podes tu, não perdoar!
Mas tu és pedra,
Pedra,
Pedra,
Pedra,
Negra,
Negra,
Sem coração.
Que não perdoas
Ante as bocas famintas
Escancaradas,
Tu não perdoas,
Não perdoas.
Assim vais matando,
Sacrificando,
Em holocausto.
Matas a vida da vida,
Tiras a seiva vital,
Desses pequeninos,
Miseráveis...
Deixas morrer à míngua
Sem dó,
Sem piedade,
Tantos corpos sadios,
Com que tens saciado tua gula,
Tua gula hiulca,
Sagaz!
Como podes tu, oh! fome!
Continuar impune?
Monstro,
Monstro negro!
Monstro sem coração.
De hoje em diante,
Regenera-te,
Tem compaixão
Se dás ao rico,
Não deixes faltar ao pobre o mesmo pão.
Regenera-te,
Regenera-te,
Serás um monstro de coração.

São Paulo, 08/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Poder

Poder


Poder, ó vil paixão, ó ambição,
Ó deleite opulento, vil magia.
Ó cátedra, ó cedro da mania
Que, arrastas o homem à perdição.

Poder ó grandeza vá, ó inglória,
Ó anelo veemente dos mortais.
Ó aferro adido aos anais
Que, relatam os nomes na historia

Poder, ó atavio, ó adorno,
Ó orgulho, vaidade de mandar.
Ó egoísmo déspota de reinar
Onde a glória perde-se no suborno.

Poder, ó vil auréola, ó fama,
Ó cobiça, ó plexo de mazela.
Ó esplendor, ó brilho de donzela
Que, a vaidade arrasta à lama.

Poder, ó vil desejo que, jamais,
Ergueste a bandeira da vitória,
Para tanto olhemos a história,
Onde só vemos tiranos irracionais.

São Paulo, 13/06/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Forças da Afeição (soneto)

Forças da Afeição

De vis amores tenho a alma consumida
Contingência de dedução de razões
Que exsurgem na mente tão sofrida
Olhando a fria noite, sem opções

De tantos amores o que me resta agora
Senão desilusão, descontentamento
Por ter experimentado, o que foi bom, piora
Ante a solidão, aumenta o meu tormento

Quem não sofre, sem o mal de si ausente
Por mais rara que seja tal ironia
Nunca saberá o que minha alma sente

No sentir noutro amor, noutra esperança
O doce tempo que a saudade faz lembrança
Hoje caduco, débil, cheio de agonia.

São Paulo, 08/05/2005 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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A Natureza

A Natureza

Cruzas o mar, a terra, os céus e os montes
Em tudo que passas vês novos horizontes
Nos céus os planetas e o brilho das estrelas,
Na terra os horrores e as coisas mais belas
No mar, o azul dos céus e as águas a brilhar
Nos montes a natureza, a despontar

Em tudo tens um enigma a decifrar
Em cada coisa uma beleza, ou um pesar
No mar tem a água, o sal e as tempestades
Nos céus trovões e, também, as potestades
Nos montes, as feras, os rios e as flores
Na terra, os homens, os ódios e os amores

Se existem oásis no cálido deserto
E pequenas ilhas no grande mar aberto
E brotam gotas d água da rocha dura
Se abre o dia, se fecha a sepultura
É porque existe algo sobrenatural
É porque o mundo não é nosso, é divinal.

São Paulo, 27/02/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Ingratidão

Ingratidão


Cheia de cansaço a velha caminhava
Banhada de suor ao esforço que fazia
Arrastando carro de mão onde trazia
Armarinhos, que na feira negociava.

Um dia, o carro dum rico industrial
Cruzou com ela na rua e se deteve
E sem um cumprimento, ou um gesto leve
Pós nas suas mãos uma nota de cabral!

Após breve conversa, encabulado
Num gesto mudo, em seu carro se afastou.
Foi então, que a boa velhinha me contou:
Que é seu filho e vive dela envergonhado!

Mas se hoje é rico, poderoso, estudado,
Foi o seu suor e daquele humilde carro...
Que lançaram a semente que o tirou do barro
Onde não fosse por ela, ele estaria enterrado!

São Paulo, 30/03/1964 (data da criação)
Armando A.C. Garcia

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Fomentação ao mal

Fomentação ao mal


As grandes fortunas investem pesado
Nas bandeiras escarlate que se agitam
Prescindem da apostasia do legado
No apoio àqueles que mais gritam,

Subvertendo com esse entendimento
As ideologias diferentes de sua situação;
E com esse abjeto comportamento
Alimentam a torpeza da dominação

Abandonam a fé, triunfa o mal
O homem passa a ser escravo da facção
E é tratado como produto estatal
Sufocando a liberdade e a reação

É o declínio geral do ser humano
Subvertem os princípios legais
Aviltam a fé, apóiam o profano
Não há amor, são insentimentais.

Porque assim agem as grandes fortunas
Ironicamente contrarias à sua formação,
Do capital, amealhado em oportunas
Torpezas mil, de sua negociação

E é sempre o capital o gerador
do mal. Vejam o caso do bin Laden;
Das empreiteiras brasileiras, e o pior,
É que esse capital... produz o semên !

Porangaba, 12/03/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Chegada Da Cegonha

Chegada Da Cegonha

A cegonha anunciou...
E, logo às primeiras dores,
De alvoroço e alegria!
Nervosa fica a titia.
A futura mamãe aflita,
Já chora, blasfêmia e grita.
A titia cheia de pavor...
Corre a chamar o doutor.
No seu entender o parto,
Deve ser lento, sem dor!...
A vovó mais experiente,
Sorri, satisfeita, contente
Mais um neto, uma flor!
Que importa vir o doutor!...
............................
Mais uns minutos passados
Chega o médico atarefado
Logo em mangas de camisa
Vai fazer cesariana,
Mas constata! não precisa...
Pois naquela guerra ufana,
Nasceu uma bela menina.
........................
Pega a nenê pelos pés,
Na nádega da uma palmada
E num choro se desfaz...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
..........................
Nervoso no corredor,
O pai anda apavorado
De ouvir o choro lânguido,
Permanece angustiado,
Rói as unhas e se agita
Por todo canto da casa.
Sua mulher já não grita
Ele sente os nervos em brasa,
Nem a rezar se compraza
Pedindo pela mulher.
Teme que ela bata a bota
Sem saber o que fazer
Chega ao quarto, abre a porta!
Não encontra a mulher morta...
Pervagueia seu olhar,
Vê uma linda garota.
E, sua mulher absorta,
Mal sabe, se viva ou morta,
Assiste a tudo calada,
Pois a infeliz a coitada,
Não sente forças p'ra nada.
..........................
A casa num alvoroço,
Com visitas a chegar
Mais parece um nosocômio
Com crianças a berrar...

Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Nhé-é-é...nhé...é...é, nhé-é-é...
Em tamanha confusão,
O pai vai à garrafeira
Na pipa põe a torneira,
Trás presunto e salpicão
E... É tamanha a bebedeira
Que o médico tomba ao chão,
Bem aos pés da cabeceira.
Só no outro dia desperta
E então relembra a festa...
Põe o chapéu, cobre a testa...
E até logo meus senhores!...

São Paulo, 04/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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A Aldeia

A Aldeia

Nasce uma estrela, é noite, e a seguir a lua cheia
Já começa a despontar, tocando a linha do horizonte.
Os grandes carros de bois vêm chiando pelo caminho
Grupos de moços e moçoilas, tão frescos como arminho
Vão cantando à desgarrada pelas quebradas do monte
E na aldeia sossegada, vê-se o luzir da candeia.
Já nos beirais do telhado repousa a andorinha dormente
Pia o mocho arrepiado, naquele seu choro dolente
E já de regresso à aldeia, o pastor trás seu rebanho
O cabreiro desce a serra.; do prado vindo é o boieiro,
Já na capoeira o galo, tem subido ao seu poleiro.
Só de vigia estão só cães a um movimento estranho.
E na aldeia sossegada, vê-se o luzir da candeia.
Rompe o dia, é manhã cedo, de novo começa a vida
Já a cotovia do prado é distraída e contente
Da chaminé do telhado, sai o fumo espessamente
No sino do campanário a badalada é repetida
E é este todo o fadário de uma aldeia adormecida...

Portugal 21/09/1959 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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