Escritas

Lista de Poemas

Não Se Preocupe, Querida, Vou Dar Um Jeito

ele a viu em uma loja de bebidas
e isso mexeu com ele
mexeu mexeu mexeu
igual a came de tubarão ainda viva à luz do sol remexendo-se.
ele lançou seus olhos sobre ela,
um milagre, a ouviu falar com ele,
ela era divertida, ela o fazia dar risadas, ela o fazia sentir como se
todas as portas estivessem abertas para ele.
foi fácil. ela voltou com ele para sua casa.
eles conversaram. foi fácil. ela era uma foda gloriosa. eles
foderam 3 vezes. ela
ficou.
"Smaltz", telefonaram-lhe do serviço no dia seguinte,
"o que você está fazendo, por que você não veio?!
nós temos a encomenda da Granger-Wently para despachar:
45 rodos de seis pés e 90 galões de
tinta Day-Glo ultramarina! Db
"estou ocupado," ele disse, e eles responderam,
"podemos conseguir um despachante de cargas
em qualquer lugar!" ele desligou, a virou e
a fodeu
de novo.
não foi a mesma coisa que com as outras:
toda vez que acabava ele sentia que ainda queria mais.
quando ela se dirigia ao banheiro era como se ele
não a tivesse tido realmente, e qualquer coisa que ela vestisse,
um chapéu feito de jornais, um par das suas meias, ela parecia
gloriosa, divertida divertida, diabos, ela o fazia sentir-se bem,
tudo o que ela dizia, porra, era uma
piada, ela encostaria aquele seu corpo contra o seu toda manhã e
diria, "ah, não vá pro trabalho, Eddie querido, fique comigo!"
"Eu não posso ir trabalhar, meu bem, eu não tenho mais emprego", ele
diria,
e eles começariam tudo
de novo.
e assim chegou o dia: sem aluguel, sem café, sem vinho, sem
cigarros. o senhorio declarou: mais um dia;
resolva ou caia fora -!
"merda, eu achei que você sabia o que estava fazendo",
ela disse a Smaltz, pela primeira vez ela não estava
divertida.
"não se preocupe, querida, vou dar um jeito", ele lhe disse,
e partiram para uma última das boas.
sorte, ele tinha a .32. pensou, loja de bebidas, não, eu vou
meter a mão na massa, ela vai ter de
tudo, ela é minha, para mim, chapéu de papel, todo esse
rebolado, deus, não há nada
igual.
ele tentou o banco. aquele grande e cinzento lá perto.
ele entrou. estava pronto: a .32, o saco de papel, o bilhete:
"um assalto. quieto e você não morre. nada de apertar o botão, ponha
dinheiro no
saco. eu estou desesperado e vou matar. por favor, deixe nós dois
vivermos".
ela esvaziou a gaveta no saco. ele viu:
monte de notas de cem, de cinquenta, minha nossa. uma viagem a Paris.
a caixa do banco também parecia boa. ele gostaria de fodê-la,
quem não gostaria.
ele estava quase na porta
quando sentiu que ela havia disparado o botão
de alarme. eles até haviam afastado a
multidão. o guarda na porta foi fácil -
era tão gordo que Smaltz não teve como errar:
ele caiu como um boneco.
lá fora ele viu o carro da polícia:
a coisa estava indo na contramão da
rua - como podiam fazer aquilo? -
acompanhando-o enquanto ele corria
e disparando tiros em seu rabo,
chegando perto; ele subiu correndo por um beco sem saída,
mas alcançou um elevador de carga
parado. "sobe! SOBE!"
ele berrou para outro esquisitão
mas o esquisitão ficou parado
olhando para a sua .32, e ele atirou no esquisitão,
não havia mais nada a ser feito,
e ele estava mexendo nos controles, tentando
fechar as portas
quando eles o alcançaram ali, atiraram nele,
atiraram dentro daquele elevador vagabundo; ele não conseguia dar
um tiro de volta. eles o pegaram, pegaram o saco de papel da sua
mão.
na noite seguinte ela estava dormindo com o dono de uma
loja de ferragens, Harry, uma renda boa e sólida, 2 dedos
faltando em sua mão direita - acidente de caça em Indiana,
1938.
você consegue outro despachante de carga
em qualquer lugar.
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Mais Um Poema Sobre Um Bêbado e Depois Eu Deixo Vocês Irem Embora

"cara", ele disse sentado nos degraus.
"seu carro precisa com certeza de uma limpeza e uma cera.
posso fazer por 5 pratas.
tenho a cera, tenho os panos, tenho tudo
que preciso."
eu lhe dei 5 e subi.
quando desci 4 horas mais tarde
ele estava sentado nos degraus, bêbado.
ele me ofereceu uma lata de cerveja.
disse que ia fazer o carro
no dia seguinte.
no dia seguinte ele estava bêbado de novo e
eu lhe emprestei um dólar para uma garrafa de
vinho. o nome dele era Mike.
um veterano da Segunda Guerra Mundial.
sua mulher trabalhava como enfermeira.
no outro dia quando desci ele estava sentado
nos degraus. ele disse,
"sabe, eu estava sentado aqui olhando seu carro
pensando como fazer melhor.
quero fazer bem feito mesmo".
no dia seguinte Mike disse que parecia que estava com jeito de chuva
e com certeza não faria qualquer sentido
lavar e polir um carro quando ia chover.
no dia seguinte estava outra vez com jeito de chuva.
e no outro dia.
depois nunca mais o vi.
vi sua mulher e ela disse,
"levaram Mike para o hospital,
ele está todo inchado, dizem que é de
beber".
"escute", eu lhe disse, "ele falou que ia polir meu
carro. eu lhe dei 5 dólares para polir meu
carro."
eu estava sentado na cozinha deles
bebendo com a mulher dele
quando o telefone tocou.
ela me passou o telefone.
era Mike. "ouça", ele disse, "venha para cá e
me busque. eu não aguento mais este
lugar."
quando cheguei lá
não quiseram me entregar as roupas dele
e assim Mike caminhou até o elevador em seu roupão de
hospital.
seguimos em frente e havia um garoto no
elevador comendo um picolé.
"ninguém tem permissão para sair daqui de roupão",
ele disse.
"você dirige esta coisa, garoto", eu disse,
"nós cuidamos do roupão."
parei na loja de bebidas para 2 engradados de meia dúzia
e então dirigi para casa. bebi com Mike e sua mulher até
as 11 da noite.
então subi.
"onde está Mike?", perguntei para a mulher dele 3 dias
depois.
"Mike morreu", ela disse, "ele se foi."
"sinto muito", eu disse, "sinto muito, mesmo."
choveu por uma semana depois disso e
imaginei que o único jeito de conseguir aqueles 5 de volta
seria ir para a cama com a mulher dele
mas você sabe
ela se mudou uns dois dias
depois
e um cara velho de cabelos brancos
se mudou para lá.
ele era cego de um olho e
tocava trompete.
de jeito nenhum eu faria aquilo
com ele.
assim, tive eu que lavar e polir meu próprio carro.
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A Galinha

passei por aqui, ela disse,
e pendurei essa galinha assada na maçaneta da sua porta
e dois dias depois ainda estava dependurada lá
balançando ao vento.
você devia ter visto aquela coisa!
e seu carro estava parado lá fora
e a galinha continuava balançando
e eu disse a meu marido,
o que é esse fedor?
ele deve estar morto.
o vento realmente estava fazendo aquela
galinha balançar, você devia ter visto aquela
galinha balançando, e eu disse a meu marido,
esse louco filho de uma puta deve estar morto
lá dentro.
e então ele pegou a chave e entrou.
e aí, eu disse, o que você encontrou?
só garrafas vazias e lixo. você
tinha ido embora. você não estava
lá.
você olhou em todos os armários?
nós olhamos em todo lugar, debaixo da cama,
em todo lugar.
onde será que eu estava?
sei lá. onde você arrumou essa ferida na sua cabeça?
eu estava assando um marshmallow em um cabide
e queimei minha
testa.
ah, achei que alguém havia batido em você.
ahã, eu disse, ahã.
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Café da Manhã

acordando em uma daquelas manhãs no depósito de bêbados,
lábio inferior arrebentado, dentes soltos, miolos nadando em
uma cacofonia que não é sua, com
todos aqueles outros estranhos enrolados em farrapos, agora
barulhentos em seu sono louco, com nada para lhe fazer
companhia a não ser uma privada entupida,
um assoalho frio e duro
e a lei de outra
pessoa.
e sempre havia uma voz matinal, uma voz alta:
"CAFÉ DA MANHÃ!"
você normalmente não iria querer aquilo
mas se você quisesse
antes que pudesse pôr em ordem seus pensamentos
e ficar em pé
a porta da cela batia
e se fechava.
agora cada manhã é como um lento sonho
de satisfação. encontro meus chinelos, eu os calço,
vou ao banheiro, então desço a
escada com um turbilhão de corpos peludos, sou
o provedor, o deus, limpo as tigelas dos gatos, abro
as latas e converso com eles e eles se animam e
fazem seus sons ansiosos.
coloco as tigelas no chão enquanto cada gato vai para a sua
própria tigela, então reabasteço o pires com água
e olho todos os cinco comendo
em paz.
volto pela escada até o quarto
onde minha mulher ainda dorme, rastejo sob
as cobertas com ela, viro minhas costas para o sol
e logo estou dormindo de novo.
você tem que morrer algumas vezes antes de poder realmente
viver.
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Todas as Garotinhas

foi lá no norte da Califórnia
e ele estava em pé no púlpito
e estava lendo há algum tempo
estava lendo muitos poemas sobre
a Mãe Natureza e a bondade inerente
ao homem.
ele acreditava que tudo estava
certo com o mundo.
e não dava para reclamar dele:
era um professor de carreira que nunca havia
estado na cadeia ou em um puteiro;
cujo carro usado nunca morreu
na autoestrada; que
nunca havia precisado de mais do que
três drinques durante a mais louca
das suas noitadas;
que nunca havia sido fichado, execrado ou
levado porrada;
que nunca havia sido mordido por um cachorro;
que recebia regularmente cartas cordiais de Gary
Snyder, e cujo rosto era
amável, sem marcas e
carinhoso. finalmente,
sua mulher nunca o havia traído
muito menos sua sorte.
ele disse: "só vou ler
mais três poemas e depois vou
descer daqui e deixar
Chinaski ler".
"ah, não", disseram todas as
garotinhas em seus vestidos rosados e azuis
e brancos e cor de laranja
e lilases. "ah, não,
leia mais alguns, leia mais
alguns!"
ele leu mais um poema e então disse,
"este é o último poema que
vou ler".
"ah, não", disseram todas as
garotinhas em seus vestidos meio transparentes
vermelhos e verdes. "ah, não", disseram
todas as garotinhas em seus jeans
apertados com corações costurados neles.
"ah, não", disseram todas as garotinhas,
"por favor, leia
mais poemas!"
mas ele cumpriu sua palavra.
recolheu os poemas e desceu e
desapareceu em algum lugar. quando levantei-me para ler
as garotinhas deram risadinhas em
seus assentos e uma delas assobiou e
algumas delas fizeram observações interessantes dirigidas a mim
que usarei em um poema em alguma data futura
pois este maldito poema em particular
tem que terminar em algum lugar.
de qualquer modo, foi duas ou três semanas depois
que recebi essa carta do poeta William
dizendo que ele havia apreciado minha leitura.
ele era um verdadeiro cavalheiro.
eu estava de cama com uma
ressaca de três dias. perdi o envelope
mas peguei a carta e a dobrei em
um desses aviõezinhos de papel
que eu havia aprendido a fazer na
escola. navegou ao redor do quarto
e aterrissou entre um velho boletim de corridas de cavalo
e um par de shorts puídos.
não nos correspondemos desde então.
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Enfeitiçado em Nova York

a senhora foi a mais infiel e terrível que eu jamais havia
encontrado e eu sabia disso e ela sabia disso e ela era
as duas coisas, feia e linda ao mesmo tempo e as
duas dela estavam sentadas ali no peitoril
daquela janela aberta no hotel
em Nova York em
um dos dias mais quentes de todos os tempos, sem
ar-condicionado, sem ventilador, suávamos e sofríamos e esperávamos
algo
acontecer.
eu estava bêbado, ela estava nas drogas, havíamos acabado
de concluir uma copulação
rapidinha e logo depois ela disse, "seu filho da
puta, nós estamos encalhados aqui no inferno!"
"bom", eu disse.
então eu a vi cair da janela, estávamos
no quarto andar, eu escutei o grito,
seu corpo se havia ido.
então estava de volta, ela sentada no
peitoril da janela outra vez. "você viu isso?", ela
perguntou. "eu caí da janela!"
"bom", eu disse.
"mas de algum modo eu me empurrei de volta para dentro!", ela
disse.
"bom", eu disse.
"isso é tudo o que você sabe dizer?", ela perguntou.
"bom???"
"eu consigo dizer que acho você uma bruxa ou um demônio
e que seu ato na janela agora só prova
isso."
eu senti que por cair para fora ela havia melhorado meu
humor e que ela o havia estragado de propósito
ao subir de volta
para dentro.
"então eu sou uma bruxa ou um demônio, é? bem, então chega de
bunda para você!"
"bom", eu disse.
às vezes você vive e fica com uma mulher e não tem ideia
real do porquê.
com ela eu sabia: era o simples, fascinante,
inexorável mistério e terror
de ela ser assim.
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Sopa, Cosmos e Lágrimas

conheci muitas mulheres loucas
porém a mais louca foi
Annette
e parece que quanto mais loucas são
tanto melhor trepam,
e que corpo elas
têm. Annette sempre viveu com
chineses
mas você nunca os via
e era isso o que metia medo.
até a Máfia tem medo dos chineses -
"cadê o dragão, garota?"
"está tudo bem. ele sabe que está tudo bem com você."
"tem certeza? quando põem o X em você,
então você pode muito bem
esquecer."
"eu disse a eles que está tudo bem com você. isso é tudo que
eles precisam."
Annette tinha incenso queimando,
toda espécie de mapas e livros malucos,
ela sempre falava sobre os deuses
ela tinha uma linha direta com os deuses.
"você foi selecionado pelos deuses", ela me
disse.
"está bem, garota, vamos transar
então."
"agora não. quero que você experimente esta sopa especial
que eu fiz."
"sopa especial?"
"sim, tome-a e você herdará as forças da
terra e do sol, o cosmos
inteiro."
lá fui eu e tomei a sopa. francamente, o gosto era bom,
embora meio enferrujado. nem queira saber que diabos ela
pôs lá dentro. eu a tomei
toda.
"eu me sinto como um homem de aço
agora."
"você herdou a força", ela disse, "os deuses estão
orgulhosos de você."
no sofá eu finalmente a
agarrei. debaixo daquele leve vestido cor de laranja
havia bastante mulher para matar um
boi.
"morei naquele hotel em Paris", ela disse. "dormi com todos
eles. Burroughs, a turma
toda. conheci Pound em St. Liz."
"você dormiu com Ezra?"
"mais do que com qualquer outro!"
"ora, vá se foder!"
"vá", ela riu, "em frente."
foi uma boa
sopa. aqueles rapazes de Paris e
Ezra haviam conhecido uma boa
égua.
eu saí
dela.
quando ela voltou do banheiro estava
com uma garrafa na mão e começou a me salpicar
com o
conteúdo.
"ei, que porra é essa?"
"as lágrimas dos
deuses."
"as lágrimas dos deuses?"
"sim, as lágrimas dos
deuses."
eu fiquei lá deitado até que ela
terminasse.
então eu me levantei e me
vesti.
"quando posso ver você
de novo?"
"em 2 horas ou
amanhã"
eu saí em direção à porta.
"você caminha como um
poema", ela disse.
"vejo você em 2
horas", eu lhe
disse.
a porta se fechou. o que um homem tem que aguentar por
um rabo
nestes tempos modernos é
altamente
suspeito.
👁️ 1 110

Olhos Sem Cérebro

na manhã amarga
rosas altas crescem
e os sapos comemoram
vitória.
no balão vazio da noite
nada cresce;
a noite
mastiga e arrota
e a vitória só é comemorada
por senhoras indecentes
com as pernas abertas
e olhos sem cérebro.
ao meio-dia,
por exemplo ao meio-dia,
algo acontece
finalmente.
o farol muda
o tráfego passa.
a própria vida não é o milagre.
que a dor seja tão constante,
esse é o milagre -
aquele martelar da coisa
quando você não pode nem gritar nem chorar
e tudo fica em cima de você
olhando nos seus olhos
comendo sua carne.
manhã noite e meio-dia
o tráfego passa
e o assassinato e a traição
de amigos e amantes
e toda a gente
passa através de você.
dor é a alegria de saber
a menos generosa verdade
que chega sem
avisar.
a vida é estar só.
a morte é estar só.
até os loucos choram
manhã noite e meio-dia.
👁️ 1 145

Seis

10:30 da manhã
5 bebedores de café no Café Pickwick
os garotos que trabalham nas cocheiras
em Hollywood Park
dão voltas em suas cadeiras giratórias
juntos,
um, dois, três, quatro, cinco,
dão voltas
largando seus cafés que esfriam e seus
papos furados
para olhar uma garota que passa
e que chega para sentar-se em uma mesa separada.
dificilmente seria uma garota incomum,
apenas uma garota,
e um, dois, três, quatro,
quatro deles voltam a seus cafés;
o 50, um jovem loiro e saudável
continua a olhar
com seus olhos azuis belos e vazios.
então, enfim, ele retorna a seu café.
tem que ser mais do que parece, eu penso,
ah, sim, deixe-me ver,
eles estão pensando, essa aí é aquela que fodeu com Mick
atrás das cocheiras a noite passada.
sim, sim, é claro, eles a estão punindo
por não foder com eles.
garotos malvados; pequenos egos de bosta de cavalo.
todos eles acham que têm caralhos de garanhões.
"mais um café?", pergunta-me a garçonete.
"sim, obrigado", eu digo, pensando que eu deveria
dar uma olhada melhor
naquela garota.
👁️ 1 109

O Sonho, O Sonho

sempre há uma nova Carmem dobrando
alguma esquina
em algum lugar
mas então as Carmens nunca parecem
durar;
as Carmens dificilmente duram algum
tempo.
vejo isso nos olhos dos homens
em todo lugar -
homens sentados em balcões de lanchonete
homens dirigindo ônibus
homens fazendo discursos políticos
homens limpando dentes
homens em jaulas de tigres
homens que vejo em todo lugar...
o homem que vejo enquanto faço a barba
me devolve o olhar através de olhos semicerrados
sua Carmem também se foi -
este homem (eu) agora está
pensando no que esta
lâmina realmente poderia
fazer, o pensamento sempre está
ali -
mas o jogo nos faz
seguir em frente: há sempre alguma nova Carmem
à espera
em algum lugar
só dobrando alguma
esquina.
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Mário Quintana
Mário Quintana
2025-02-15

Mário Quintana