Escritas

Lista de Poemas

Para um velho poeta no Peru

Porque nos encontramos ao escurecer
Debaixo da sombra do relógio
da estação
Quando minha sombra visitava Lima
E seu espectro morria em Lima
rosto velho precisando fazer a barba
E minha barba juvenil brotando
magnífica como os cabelos dos mortos
nas areias de Chancay
Porque por engano pensei que você estava
melancólico
Saudando seu pé de 60 anos de idade
com o cheiro de morte
das aranhas no assoalho
E você saudando meus olhos
com sua voz de anisete
Por engano aChando-me genial
por eu ser tffo moço
(meu rock and roll é o movimento de um
anjo voando na cidade moderna)
(seu obscuro arrastar os pés é o movimento
de um serafim que perdeu
suas asas)
Beijo-o na sua gorda bochecha (mais uma vez amanhã
Debaixo do esplêndido relógio de Disaguaderos)
Antes de eu partir para minha morte num desastre aéreo
na América do Norte (há muito tempo)
E você partir para seu ataque do coração numa rua
indiferente da América do Sul
(Ambos rodeados pelos gritos
de comunistas com flores
enfiadas no cu)
—você muito antes de mim —
ou numa longa noite só num quarto
no velho hotel do mundo
observando uma porta negra
...rodeado de pedaços de papel
MORRE COM GRANDEZA NA TUA SOLIDÃO
Velho ,
Eu profetizo a Recompensa
Mais vasta que as areias de Pachacamac
Mais brilhante que uma máscara de ouro batido
Mais doce que o gozo dos exércitos nus
fodendo no campo de batalha
Mais rápida que um tempo passado entre
a velha noite de Nasca e a nova Lima
ao anoitecer
Mais estranha que nosso encontro junto ao Palácio
Presidencial em um café
fantasmas de uma velha ilusSo, fantasmas
do amor indiferente —
A OFUSCANTE INTELIGÊNCIA
Emigra da morte
Para oferecer-te novamente um sinal da Vida
Bravia e bela como uma trombada de automóveis
na Plaza de Armas
Eu juro que vi essa Luz
Não deixarei de beijar sua horrenda bochecha
quando seu caixão for fechado
E os carpidores humanos partirem
para seu velho e cansado
Sonho.
E você despertar no Olho do
Ditador do Universo.
Outro milagre estúpido! Estou
enganado mais uma vez!
Sua indiferença! meu entusiasmo!
Eu insisto! Você tosse!
Perdidos no vagalhão de Ouro que
escorre através do Cosmos.
Argh, estou cansado de insistir! Até logo,
eu vou para Pucalpa
para ter visões.
Seus límpidos sonetos?
Eu quero ler seus mais sujos
e secretos rascunhos,
sua Esperança,
na Sua mais obscena Magnificência. Meu Deus!

19 de Maio de 1960
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A Kerouac no Hospital

Gentis nos faz a morte; a dor que mata
a besta abate o hostil orgulho do destino
de saúde e desatino
Morta a besta, sua alma está liberta.
Um poeta na companhia de santos,
você deita e esconde o fumo que bafora.
Como num sonho conhecido: você,
exausto do hospital da vida,
conheceu a enfermidade eterna.
Não desejo,
Jack, que você melhore, pois há sempre
uma ferida; cujo corte mais profundo
é a consciência fútil da espera
vaidosa pela sua felicidade

Eu lhe desejo apenas necessidade.

Dezembro, 1945
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Notícia de morte

Visita a W.C.W. circa 1957, os poetas Kerouac Corso Orlovsky no sofá do living room indagavam palavra sábias, William enfermo apontou pela janela acortinada da Main Street, “Há muitos bastardos lá fora!”.

Andando de noite na estrada de asfalto
do campus ao lado do Instrutor Alemão com Óculos
W. C. Williams está morto disse ele com sotaque
sob as árvores em Benares; Eu parei perguntei
Williams está morto? Entusiástico e de olhos abertos
sob a Big Dipper. Parado no Pórtico
do bangalô Anexo da International House
insetos zumbindo em volta da luz elétrica
lendo o obituário Médico no Time.
“out among the sparrows behind the shutters”
Williams está na Big Dipper. Ele não está morto
pois as muitas páginas de palavras emoção em arranjo
com suas entonações fremem as bocas de crianças humildes
tornam-se sutis mesmo em Bengala. Assim
há uma vida movendo-se para fora de suas páginas; Blake
também “vivo” através de suas experienciadas máquinas.
Foram suas últimas palavras qualquer coisa de Negro lá fora
no quarto acarpetado da casa de madeira
em Rutherford? Me pergunto o que ele disse,
ou teria qualquer coisa restado nos reinos do discurso
após o ataque & a freme-cérebro ruína entrarem
em seus pensamentos? Se eu rezar por sua alma no Bardo Thodol
ele poderá ouvir a inesperada vibração de estrangeira piedade.
Quietamente desconhecido por três semanas; agora eu vi Passaic
e Ganges, um, consentindo sua devoção,
porque ele percorreu a margem de aço & rezou
para uma Deusa no rio, que ele somente inventou,
uma outra Ganga-Ma. Montando no velho
ferruginoso submarino Holland no andar térreo
do Paterson Museum ao invés de um crocodilo celestial.
Lamentai, Ó Vós, Anjos da Esquerda! que o poeta
das ruas agora é um esqueleto sob o pavimento
e não há outra velha alma tão doce e humilde
e queixo feminino e ele-olhos pode ver vocês
O que vocês queriam estar entre os bastardos lá fora.

Benares, 20 de março de 1963.
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Ácido lisérgico

Ele é um monstro múltiplo de um milhão de olhos
ele está escondido em todos os seus elefantes e eus
ele zumbe na máquina de escrever elétrica
ele é eletricidade ligada nela mesma, se tiver fios
ele é uma enorme teia de aranha
e eu estou no último milionésimo tentáculo infinito da teia, ansioso,
perdido, separado, um verme, um pensamento, um eu
um dos milhões de esqueletos da China
uma das partículas de erros
eu Alien Ginsberg uma consciência separada
eu que quero ser Deus
eu que quero ouvir a infinitésima minúscula vibração da harmonia eterna
eu que espero trêmulo pela minha destruição por essa música etérea do fogo
eu que detesto Deus lhe dou um nome
eu que cometo erros na eterna máquina de escrever
eu que estou Condenado

Mas na extremidade final do universo a Aranha sem nome com milhões de olhos
tecendo-se interminavelmente
o monstro que não é um monstro chega perto de mim com maçãs, perfumes, ferrovias, televisores, crânios
um universo que se come e se bebe a si mesmo
sangue do meu crânio
criatura tibetana de peito cabeludo e Zodíaco no meu estômago
esta vítima sacrificial incapaz de estar numa boa

Meu rosto no espelho, o cabelo fino, sangue congestionado em listas sob os olhos, chupador de caralhos, uma ruína, uma luxúria falante
um estalo, um rosnado, um tique de consciência no infinito
um miserável aos olhos de todos os Universos
tentando escapar do meu Ser, incapaz de chegar até o Olho
eu vomito, eu estou em transe, meu corpo é tomado por convulsões, meu estômago se revolta, água saindo da minha boca, aqui estou eu no inferno
ossos secos de miríades de múmias sem vida nuas na teia, os Fantasmas, eu sou um Fantasma
eu grito de onde estou na música, para o quarto, para quem mais estiver perto, você, É você Deus?
Não, você quer que eu seja o seu Deus?
Não haverá Resposta?
É preciso haver sempre uma resposta? responde você,
como se dependesse de mim dizer Sim ou Não
Graças a Deus que eu não sou Deus! Graças a Deus que eu não sou Deus!
Porém eu anseio por um Sim ou por uma Harmonia para penetrar nela
em qualquer canto do universo, em qualquer condição seja qual for
um Sim Há . . . um Sim eu Sou . .. um Sim você É .. . um Nós

Um Nós
e isso deve ser um Ele, e um Eles, e uma Coisa Sem Resposta
Ele rasteja, ele espera, ele pára, ele começa, ele é as Trombetas
da Batalha na sua Múltipla Esclerose
ele não é minha esperança
ele não é minha morte na Eternidade
ele não é minha palavra, nem a poesia
atenção à minha palavra

Ele é uma Armadilha Fantasma tecida pelos sacerdotes em Sikkim ou no Tibet
um telão no qual mil fios de cores diferentes
estão entretecidos, uma raquete espiritual de tênis
da qual quando a olho irradiam-se ondas etéreas de luz
energia brilhante passando pelos fios como por bilhões de anos
os feixes de fios trocando de tonalidade transformando-se um no outro como se a
Armadilha Fantasma
fosse uma imagem do Universo em miniatura
parte consciente sensível da máquina interligada
fazendo ondas que saem do Tempo até o Observador
exibindo sua própria imagem em miniatura de uma vez por todas
repetida minúscula cada vez menor com intermináveis variações através de si mesma
sendo o mesmo em cada parte

Esta imagem da energia que se reproduz a si mesma nas profundezas do espaço do próprio Princípio
naquilo que poderia ser um 0 ou Aum
e variações seguidas feitas da mesma Palavra círculos que se sucedem no mesmo molde da sua Aparição original
criando uma imagem maior de si mesma através das profundezas do Tempo
girando para fora pelas faixas de distantes Nebulosas & vastas astrologias
contidas, para serem fiéis a si mesmas, numa Mandala pintada na pele de um Elefante
ou na fotografia de uma pintura no flanco de um Elefante imaginário que sorri, pois com que o elefante se parece é uma piada irrelevante -
ele pode ser um Signo sustentado por um Demônio Flamejante, ou um Ogro da Transciência,
ou numa fotografia da minha própria barriga no vazio
ou no meu olho
ou no olho do monge que fez o Signo
ou no Seu próprio Olho que Se encara finalmente e morre

e contudo um olho pode morrer
e contudo meu olho pode morrer
o monstro do bilhão de olhos, o Inominável, o Irrespondível, o
Escondido-de-mim, o interminável Ser
uma criatura que se pars a si mesma
freme na sua mais recôndita partícula, vê simultaneamente por todos os seus olhos em cada qual de um modo diferente
o Uno e o não uno se movem por seus próprios caminhos
não consigo acompanhar

E eu fiz uma imagem do monstro aqui
e farei outra ele dá sensação de Criptozóides
ele rasteja e ondula sob o mar
ele está chegando para ocupar a cidade
ele invade o cerne de cada Consciência
ele é delicado como o Universo
ele me faz vomitar
pois eu tenho medo de perder sua aparição
ele aparece de qualquer maneira
ele aparece de qualquer maneira no espelho
ele escorre para fora do espelho como o mar
ele é uma miríade de ondulações
ele escorre para fora do espelho e afoga quem o olha
ele afoga o mundo quando afoga o mundo
ele se afoga a si mesmo
ele flutua para longe como um cadáver cheio de música
com o barulho da guerra na sua cabeça
um riso de bebê na sua barriga
um grito de agonia no escuro mar
um sorriso nos lábios de uma estátua cega
ele estava lá
ele não era meu
eu queria usá-lo para mim
ser heróico
mas ele não está à venda para esta consciência
ele segue por seu caminho para sempre
ele completará todas as criaturas
ele será o rádio do futuro
ele se ouvirá a si mesmo no tempo
ele quer um descanso
ele está cansado de se ouvir e se ver
ele quer outra forma outra vítima
ele me quer
elé me dá bons motivos
ele me dá motivos para existir
ele me dá intermináveis respostas
uma consciência para separar-se e uma consciência para ver
eu sou chamado para ser Um ou o outro, para dizer se sou ambos e ser nenhum
ele pode cuidar de si sem mim
ele é o Duplamente sem Resposta (não responde a esse nome)
ele zumbe na máquina de escrever elétrica
ele bate uma palavra fragmentária que é
uma palavra fragmentária,

MANDALA

Deuses dançam nos seus próprios corpos
Novas flores abrem-se esquecendo a Morte
Olhos celestiais acima do desconsolo da ilusão
Eu vejo o alegre Criador
Faixas elevam-se num hino aos mundos
Bandeiras e estandartes tremulando na transcendência
Uma imagem permanece no final com miríades de olhos na Eternidade
Esta é a Obra! Este é o Saber! Este é o Fim do homem!

SF, 2 de junho, 1959
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O retorno de Kral Majales

Nestas bodas de prata muito cabelo se foi da minha cabeça e eu sou o Rei de Maio
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!

25 Abril de 1990
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Escrito no meu sonho W. C. Williams

“Já que você
carrega

uma
conhecida

verdade
Mais

conhecida como
Desejo

Pra quê
vesti-la de

adornos
ou torcê-la até

ficar
sob medida

para ser
entendida?

Arrisque-se –
Nariz

olhos orelhas
língua

sexo e
cérebro

atirados ao
público

Confie
no seu

próprio
taco

Escute
você mesmo

Fale com
você mesmo

e outros
o farão

felizes,
aliviados

de um fardo –
seu próprio

pensar
e pesar.

O que era
Desejo

terá ainda
mais brilho.”

23 de Novembro, 1984
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Fragmento 1956

Agora, para a vinda do poema, que eu seja digno dele
& cante santamente o pathos natural da alma humana,
a pele nua e original sob nossos sonhos
& roupagens do pensamento, a própria identidade perfeita
radiante de paixões e rostos intelectuais
Quem carrega as linhas, a dolorosa contorção
enrugada sobre os olhos, o corpo todo
respirando e sensível entre flores e prédios
de olhos abertos, autoconsciente, trêmulo de amor -
Alma que eu tenho, que Jack tem, Húncke tem,
Bill tem, Joan tinha e ainda tem na minha lembrança,
que o vagabundo tem nos seus trapos, o louco em sua roupa preta.
Almas idênticas umas às outras, assim como parado na
esquina há dez anos atrás eu olhei Jack
e lhe disse que éramos a mesma pessoa - olha
nos meus olhos e fala com você mesmo, isso me torna o
amante de todo mundo, Hal meu contra sua vontade,
eu já tinha sua alma no meu corpo quando
ele olhava zangado -junto ao lampião da 8? Avenida e 27ª
Rua em 1947 - eu acabara de voltar da África
com um vislumbre da visão que na verdade
viria para mim no seu tempo assim como viria para todos -Jack
o pior assassino, Alien o maior covarde
com uma faixa de amor amarelo atravessando
os meus poemas, uma bicha da cidade, Joe Army gritando
de aflição na prisão de Dannemora em 1945,
quebrando os brancos nós dos seus dedos nas grades
seu triste companheiro parvo de cela levando porradas dos guardas
um assoalho de ferro por baixo, Gregory chorando em Tombs
Joan com olheiras sob os olhos de benzedrina
escutando a paranóia pela parede,
Huncke de Chicago sonhando nas Arcadas
do infernal Pokerino de luz azul na pele de Times Square,
o pálido rosto aos berros de Bill King na janela do metrô
debatendo-se no minuto final do vão da morte para voltar,
o próprio Morphy, arqui-suicida, esvaindo-se em sangue
no Passaic, trágico e perplexo nas suas
últimas lágrimas, atingindo a morte naquele instante
humano, intelectual, barbudo, quem mais
seria ele nesse momento a não ser ele mesmo?
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Patna-Benares Express

O que quer que seja quem quer que seja
O homem sanguíneo todo cantante todo justo
Como quer que ele morra
Ele viajou em vagões de trem
Ele acordou à alba, na luz branca de um novo universo
Ele não poderia fazer diferente
Ele o esqueleto com olhos
levantou-se de um banco de madeira
sentiu-se diferente olhando os campos e palmeiras
sem dinheiro no banco de pó
sem nação além de inexpressivas nuvens cinza antes da aurora
perdeu sua identidade cartões em sua carteira
no riquixá careca próximo ao Maidan na seca Patna
Mais tarde olhou sem esperança levantando de um sono bêbado
boca seca na RR Station
entre engraxates adormecidos de tanga no concreto sujo
Corpos demais lotando estas cidades agora

Benares, 1 de maio de 1963.
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Quem Dominará O Universo?

Uma amarga fria noite de inverno
conspiradores nas mesas do café
                discutindo prisões místicas
A Revolução na América
        já começou não bombas, mas greves
                 assentamentos no topo de submarinos
        em calçadas próximas à Prefeitura —
Quantas famílias controlam os Estados?
        Ignorem o Governo,
                 enviem seu protesto para Clint Murchison.
Os Índios venceram a causa com o Juiz McFate
                                Peiote seguro no Arizona —
         Em meu quarto um junky enjoado
                                         treme no 7° dia
                                Choroso, renascido ao Inverno
Che Guevara tem pau grande
                                         as bolas de Castro são rosa —
O Fantasma de John F. Dulles paira
                                 sobre a América feito linho sujo
         posto sobre o rubro ocaso invernal,
         Fumos de Gás Inconsciente
                                 emanam de seu cadáver
                  & hipnotizam os intelectuais Egípcios —
Ele range os dentes em horror & cruza seus
                                  fêmures sobre o crânio
          Sopra poeira de seu cu
                   suas mãos estão cheias de bactéria
                                   O verme está em seu olho —
           Ele está declarando contrarrevoluções no Mundo-verme,
                    meu gato vomitou-o na útima
                                                        Quinta.
& Forrestal voou de sua janela feito uma Águia —
América está gastando dinheiro para destituir o Homem
                                    Quem são os dominadores da terra?

 
New York, 6 de janeiro de 1961.
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Kral Majales

E os Comunistas não têm nada a oferecer a não ser lentes e bochechas gordas e policiais mentirosos
e os Capitalistas proferem Napalm e dinheiro em valises verdes para a Nudez,
e os Comunistas criam indústria pesada mas o coração também é pesado
e os lindos engenheiros estão todos mortos, os técnicos secretos conspiram para seu próprio glamour
no Futuro, no Futuro, mas agora bebem vodka e lamentam as Forças de Segurança,
e os Capitalistas bebem gin e whisky em aeroplanos mas deixam milhões de morenos Indianos famintos
e enquanto as bundas de Comunistas e Capitalistas se embolam o homem Justo é preso ou roubado ou tem a sua cabeça cortada,
mas não como Kabir, e o pigarro do homem Justo sobre as nuvens na luz do sol é uma saudação à saúde do céu azul.
Pois eu fui preso três vezes em Praga, uma por cantar bêbado na rua Narodni,
uma chutado no passeio público da meia-noite por um tira bigodudo que gritava BOUZERANT,
uma por perder minha caderneta com opinões sobre sexo e sonhos políticos não usuais,
e eu fui expulso de Havana num aeroplano por detetives de uniforme verde,
e fui expulso de Praga num aeroplano por detetives de terno tcheco,
Jogadores de baralho saídos de Cézanne, os dois estranhos carneirinhos que entraram na sala de Josef K pela manhã
também entraram na minha, e comeram à minha mesa, e examinaram meus escritos,
e seguiram-me noite e dia da casa dos amantes aos cafés do Centrum –
E eu sou o Rei de Maio, que é o poder da juventude sexualizada,
e eu sou o Rei de Maio, que é indústria e eloqüência e ação em amour,
e eu sou o Rei de Maio, que é os longos cabelos de Adão e a Barba do meu próprio corpo
e eu sou o Rei de Maio, que é Kral Majales na língua da Tchecoslováquia,
e eu sou o Rei de Maio, que é a velha poesia Humana, e 100.000 pessoas procuram por meu nome,
e eu sou o Rei de Maio, e em alguns minutos aterrisarei no Aeroporto de Londres
e eu sou o Rei de Maio, naturalmente, pois sou de origem eslava e um Judeu Budista
que cultua o Sagrado Coração de Cristo o corpo azul de Krishna as costas retas de Ram
as guias de Xangô o nigeriano cantando Shiva Shiva de um jeito inventado por mim,
e o Rei de Maio é uma honraria médio-européia, minha no século XX apesar das naves espaciais e
da Máquina do Tempo, porque eu ouvi a voz de Blake numa visão,
e repito aquela voz. E eu sou o Rei de Maio que dorme com adolescentes sorridentes.
E eu sou o Rei de Maio, que tinha que ser expelido de meu Reino com Honra, como os velhos,
para mostrar a diferença entre o Reino de César e o Reino de Maio do Homem –
e eu sou o Rei de Maio porque eu coloquei o dedo na testa para saudar uma garota pesada e
luminosa que tremia as mãos ao dizer “um momento, Senhor Ginsberg”
antes um gordo garoto à paisana pisou entre nossos corpos –eu estava indo para a Inglaterra –
e eu sou o Rei de Maio, de volta para ver Bunhill Fields e caminhar em Hampstead Heath,
e eu sou o Rei de Maio, num aeroplano gigante que toca o céu de Albion tremendo de medo
enquanto o aeroplano urra para pousar no concreto cinza, balança e expele ar
e rola lentamente para uma parada sob as nuvens com parte do paraíso azul ainda visível.
E no entanto e eu sou o Rei de Maio, os Marxistas me bateram pela rua, me prenderam à noite
inteira na Delegacia de Polícia, seguiram-me pela primavera de Praga, me detiveram em
segredo e deportaram-me de nosso reino num aeroplano.
E por isso escrevi este poema num jato sentado no meio do Paraíso.

 07 de Maio, 1965
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