Lista de Poemas
Os Biombos Nambam
A história alegre das navegações
Pasmo de povos de repente
Frente a frente
Alvoroço de quem vê
O tão longe tão ao pé
Laca e leque
Kimono camélia
Perfeição esmero
E o sabor do tempero
Cerimónias mesuras
Nipónicas finuras
Malícia perante
Narigudas figuras
Inchados calções
Enquanto no alto
Das mastreações
Fazem pinos dão saltos
Os ágeis acrobatas
Das navegações
Dançam de alegria
Porque o mundo encontrado
É muito mais belo
Do que o imaginado
1987
Habitação
Antes do prédio
Antes mesmo da antiga
Casa bela e grave
Antes de solares palácios e castelos
No princípio
A casa foi sagrada —
Isto é habitada
Não só por homens e por vivos
Mas também pelos mortos e por deuses
Isso depois foi saqueado
Tudo foi reordenado e dividido
Caminhamos no trilho
De elaboradas percas
Porém a poesia permanece
Como se a divisão não tivesse acontecido
Permanece mesmo muito depois de varrido
O sussurro de tílias junto à casa de infância
Ó Poesia — Quanto Te Pedi!
Terra de ninguém é onde eu vivo
E não sei quem sou — eu que não morri
Quando o rei foi morto e o reino dividido.
Medeia
Três vezes roda, três vezes inunda
Na água da fonte os seus cabelos leves,
Três vezes grita, três vezes se curva
E diz: «Noite fiel aos meus segredos,
Lua e astros que após o dia claro
Iluminais a sombra silenciosa,
Tripla Hecate que sempre me socorres
Guiando atenta o fio dos meus gestos,
Deuses dos bosques, deuses infernais
Que em mim penetre a vossa força, pois
Ajudada por vós posso fazer
Que os rios entre as margens espantadas
Voltem correndo até às suas fontes.
Posso espalhar a calma sobre os mares
Ou enchê-los de espuma e fundas ondas,
Posso chamar a mim os ventos, posso
Largá-los cavalgando nos espaços.
As palavras que digo e cada gesto
Que em redor do seu som no ar disponho
Torcem longínquas árvores e os homens
Despedaçam-se e morrem no seu eco.
Posso encher de tormento os animais,
Fazer que a terra cante, que as montanhas
Tremam e que floresçam os penedos.»
O Primeiro Homem
Confundindo com o ardor da terra a sua vida,
E no vasto cantar das marés cheias
Continuava o bater das suas veias.
Criados à medida dos elementos
A alma e os sentimentos
Em si não eram tormentos
Mas graves, grandes, vagos,
Lagos
Reflectindo o mundo,
E o eco sem fundo
Da ascensão da terra nos espaços
Eram os impulsos do seu peito
Florindo num ritmo perfeito
Nos gestos dos seus braços.
Painéis do Infante
Por quem chamava nos longínquos céus nocturnos
A verdade das estrelas nunca vistas.
A vossa face é a face dos elementos,
Solitária como o mar e como os montes
Vinda do fundo de tudo como as fontes
Dura e pura como os ventos.
O Vazio Desenhava Desde Sempre
Todas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência
Deus Puro, Apolo Musageta
Deus sem espinhos e sem cruz,
Ofereço-te a plenitude secreta
Em que bebi e vivi a tua luz.
Ofereço-te a minha alma transbordante
De mil exaltações,
Purificada em mil confissões
Da sua longa tristeza delirante.
Ofereço-te as horas deste dia completas
No teu sol tocando as coisas materiais,
Ofereço-te as nostalgias secretas
Que se perderam em gestos irreais.
Passam Os Carros E Fazem Tremer a Casa
A casa em que estou só.
As coisas há muito já foram vividas:
Há no ar espaços extintos
A forma gravada em vazio
Das vozes e dos gestos que outrora aqui estavam.
E as minhas mãos não podem prender nada.
Porém eu olho para a noite
E preciso de cada folha.
Rola, gira no ar a tua vida,
Longe de mim…
Mesmo para sofrer este tormento de não ser
Preciso de estar só.
Antes a solidão de eternas partidas
De planos e perguntas,
De combates com o inextinguível
Peso de mortes e lamentações
Antes a solidão porque é completa.
Creio na nudez da minha vida.
Tudo quanto me acontece é dispensável.
Só tenho o sentimento suspenso de tudo
Com a eternidade a boiar sobre as montanhas.
Jardim, jardim perdido
Os nossos membros cercando a tua ausência…
As folhas dizem uma à outra o teu segredo,
E o meu amor é oculto como o medo.
Goyesca
Quase triste os veste,
Semelhante ao sabor
Que tem à noite o vento leste.
Bailam na doçura amarga
Da tarde brilhante e densa
E cada gesto que se alarga
Tem a morte em si suspensa.
Comentários (10)
kkkkkkk
Poetisa que deu a magia nos co tos da minha i fancia!
foi uma grande escritora /poeta e é pena que não esteja entre nós :(
tao admirador
Amei o poema
Documentário Sophia de Mello Breyner Andresen O Nome das Coisas
Há Mulheres Que Trazem O Mar Nos Olhos | Poema de Sophia de Mello Breyner narração Mundo Dos Poemas
Coral e outros poemas Sophia de Mello Breyner Andresen Leituras obrigatórias 2024 Vestibular UFRGS
Sophia de Mello Breyner Andresen - Joao César Monteiro 1969
Sophia de Mello Breyner Andresen: espiritualidade e religiosidade
Conheça a escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, no Trilhas Literárias
Sophia de Mello Breyner Andresen | Biografia
entrevista Sophia Mello Bryner Andreson
Sophia de Mello Breyner Andresen
MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GÂNDIA, Sophia de Mello Breyner Andresen - Rita Loureiro
Sophia de Mello Breyner Andresen em entrevista à Emissora Nacional em 1974
Porque | Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen com narração de Mundo Dos Poemas
Para Atravessar Contigo O Deserto... | Poema de Sophia de Mello Breyner narrado por Mundo Dos Poemas
Soneto À Maneira De Camões | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Evocação de Sophia de Mello Breyner Andresen I - Festa Literária Folha 2019
Julia Maria | O Velho Abutre | Sophia de Mello Breyner Andresen
"Em vão chamará pelo vento" | SOPHIA DE MELLO BREYNER
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
LIBERDADE - Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen - poesia narrada e legendada - AMO POEMAS
A Forma Justa | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Por Delicadeza | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Clara Mello | Sem Título | Sophia de Mello Breyner Andresen
"Sophia de Mello Breyner Andresen" (reportagem)
Quando (Sophia de Mello Breyner Andresen)
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESSEN - Poetas do Mundo #25
Cidade - Sophia de Mello Breyner Andresen
A Paz Sem Vencedores Nem Vencidos | Poema de Sophia de Mello Breyner narrado por Mundo Dos Poemas
25 DE ABRIL - Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen
519 - Inscrição - Sophia de Mello Breyner Andresen
Quando | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Poeme-se: Jorge Pontual declama Sophia de Mello Breyner Andresen
Pudesse eu, Sophia de Mello Breyner Andresen
AS PESSOAS SENSÍVEIS, de Sophia de Mello Breyner Andresen | #AventurasTodoDia
Sophia de Mello Breyner Andresen — Inscrição | Poesia Portuguesa #shorts
Sophia de Mello Breyner Andresen no Panteão Nacional
Sophia de Mello Breyner Andresen Para Atravessar Contigo O Deserto Do Mundo Cristina Branco
"Revolução - Descobrimento" - Sophia de Mello Breyner Andresen
Em Todos Os Jardins Hei-de Florir | Poema de Sophia De Mello Breyner, com Narração
ep. 147 "Navegações" Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen, Deriva VIII - Diogo Infante
"Sophia de Mello Breyner Andresen" (1969) - Parte 1
Apesar das ruínas e da morte - Sophia de Mello Breyner Andresen
Homenagem de Lisboa a Sophia de Mello Breyner Andresen
Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen
A vida de Sophia de Mello Breyner Andresen
#2 Dia Mundial da Poesia: Inês Pereira lê Sophia de Mello Breyner Andresen
#onossopoemário - "Apesar das ruinas e da morte" de Sophia de Mello Breyner Andresen
"Revolução", de Sophia de Mello Breyner Andresen
21 MAR 2020 | #ligadospelapoesia | Sophia de Mello Breyner Andresen, "Liberdade"
Terror De Te Amar | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Português
English
Español
Fuck my errors, important are my rights that are MANY
Porque tu tens toda a razâo na maioria of your assertions, are a great poetic genius, although I despise Blake for that concept, sometimes he, as his Tiger and engraves, must be considered. Girl, you are hot in poetry. Podia ter conhecido a tua excelsa presença, eu que sou de falar dos partidos e raramente nos vivos, normalmente na musica...Amo'te Mulher
Eu não estou morta servos! Hahaha
ameei,pena q ja morreu,mais ela tinha um talento enorme...
Sophia de Mello é um Icon da literatura portuguesa