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David Lobo Cordeiro

David Lobo Cordeiro

Sonho de voar

À revelia de todos os meus sentidos
Meu espírito abraçou a rebeldia
O momento chegou e nem o sentia
O dia estava calmo, sem ruídos

Tal paz me invadiu, inconsciente
Dormente, minha atenção nem pressentiu
A razão posta de parte consentiu
Tal acto irracional mas coerente

E quando lá do alto me atirei
Por milagre ganhei asas e voei
A vontade venceu gloriosa a gravidade

Hoje sei que nem a morte apaga a vida
Se sonhar for realidade conseguida
Hoje sou alma etérea, luz branca sem idade

No momento da verdade
Salta de encontro à vontade !
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Sergio de Sersank

Sergio de Sersank

APOCALIPSE (O Poema Indesejável)




"... E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existia."(Apocalipse, XXI : 1)

... Ainda há pouco ouviram
(os que se debatiam, agonizantes, em meio aos escombros),
grande explosão nas nuvens.

Depois, a sucessão interminável
De estrépitos menoresno solo em estertores.

Da mais temida tempestade
as derradeiras luzes
vergastam, vigorosamente,
a crosta planetária.

Exibem para os sóis na Imensidade
o horror do grande ocaso,
o imenso caos.

Por fim, instaura-se, lenta,
a mais negra e pesada das noites.
Frio terrível.
Estranhos odores
alastram-se aos uivos do vento da morte.

Assim,
a interstícios,
domina o silêncio.
Absoluto.

Não mais o pulsar do tempo.
Nem uma luz peregrina
no imenso e profundo abismo
que os mais aptos
filhos da vida
chamavam de Terra...

22 de abril de 2012 (DIA MUNDIAL DA TERRA)

(Da coletânea "Estado de Espírito")




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Isabella Nascimento

Isabella Nascimento

De hoje em diante

De hoje em diante
Meus olhos não olharão mais
Teus olhos
Minhas mãos não entrelaçarão mais
Tuas mãos
Meus ouvidos não ouvirão mais
Tua voz
Até doce do teu sorriso
Será esquecido
Não quero mais ouvir
Tuas palavras vãs
Não quero mais sentir
Tua respiração
Agora eu vou
Pegar meu coração de volta
Pois dele tu zombastes
Ristes
Brincastes
Perdestes




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Jacqueline Batista

Jacqueline Batista

No tempo da minha infância

No tempo da minha infância
Brincávamos descalços na rua
Rua de terra empoeirada
Mas que era a alegria da molecada
No tempo da minha infância
Os brinquedos eram fabricados
E sempre compartilhados
Quando ganhávamos alguma coisa
Era motivo de festa na calçada
Reuníamo-nos ao final da tarde
Depois da escola e juntos
Íamos descobrindo a novidade
As mães sempre gritando e ralhando
Chamando para dentro
Apontando o dedo e dizendo:
- Ah menino vou te dar uma sova
Se você não entrar correndo.
Mas no tempo da minha infância
Podíamos ficar na rua
Fazer estripulias e macaquices
Ao final de uma bronca vinha sempre
Um belo pedaço de bolo que fora preparado,
Ao longo do dia, com o máximo carinho
No tempo da minha infância
Dizia-se obrigado, com licença, desculpe...
Jamais interrompíamos a conversa
Dos mais velhos e ai se o fizéssemos
No tempo da minha infância
Corríamos debaixo da chuva,
Brincávamos de pique esconde,
Queimada, amarelinha, bilboquê, passa o anel,
E tantos outros...
Nas noites  quentes e de lua cheia
Tinha sempre alguém contando história
E disputávamos quem lia mais rápido.
Quantos livros fizeram parte
Do tempo da minha infância...
Hoje o tempo já vai longe
E as lembranças, sempre saudosistas,
São memórias desse tempo de minha infância
Quando a idade não recobria de marcas
As belas faces de meus pais
nunca se pensava a vida sem eles
Hoje não há mais infância
Apenas saudade e a certeza
Que o corpo parte,
Mas a alma será para sempre eterna
Como eternas serão nossas tardes
Iluminadas de laranja e perfumadas
De esperanças.
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Edson Fernandes

Edson Fernandes

O Criador, o Poeta

Oh! Sublime Criador, Tu que do nada
Criaste os universos siderais,
A abóbada celeste, recamada
Das mais formosas pedras orientais;

Tu que criaste a rosa perfumada,
Criastes nossas almas imortais,
A vasta natureza enflorada
Encheste de harmonia divinais

E criaste a mulher, cujo sorriso
é capaz de mudar um paraiso
Todo reino das trevas e da dor

Fazes supor que, além de seres Deus
E de ocupar o trono lá dos ceus,
és tambem um poeta, um sonhador...


Edson Fernandes
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

OLÁ

Olá!!!!

Bom dia sol
Bom dia!!!
Este dia que me ilumina reluz a alegria
de poder encontrar você e sentir a harmonia
ouvir a melodia dos pássaros que me arrepia
de saber que seu dia
pode estar ligado ao meu.
é um dia, como qualquer outro,
mas a energia que me contagia
tem nome, rosto e até sabor que outrora não tinha.
O seu sorrir me fascina e ilumina a cada novo dia
de saber que mesmo de tardezinha
posso te ouvir dizendo: Olá minha linda flor do dia...


Fernando Cartago

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olharomar

olharomar

QUE

Que o sonho de ser eu me aconchegue
Ao teu olhar irrequieto
Metade de mim é agua,
a outra metade deserto

Que todos os ventos de mudança
Se soltem em gritos universais
Metade de mim é mar,
a outra metade teus sinais


Sfsousa/olharomar
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

MISTÉRIOS DO VENTO

Um fenômeno natural que, em cada momento, está sempre presente,
às vezes, passa um sentimento de maneira dormente,
um desejo caliente, que faz correr pela mente
fantasias de luxúria e excitantes satisfações.

Um vasto mundo de ventos e vendavais,
que passam por nós e em cada arrepio, um calafrio!
Que tira a respiração e inflama, aquece o corpo,
e o sopro leve da maresia parece trazer uma gostosa sensação,
que envolve de tal forma, que estas loucas fantasias
se transformam num frenesi alucinado...

E o sensível fica cheio de vida, os seios rijos, a boca seca...
E vem a vontade de beber em pequenos goles
a seiva humana que afugenta qualquer pudor.

A louca e gostosa vontade cria volume na ação de desvendar
Cada pedacinho do corpo ali quente e, assim,
vivo pedindo por muito prazer e por um sexo selvagem
para que, nos mistérios do vento e da vida, o gozo seja primordial.

Fernando Cartago
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

ADORAÇÃO

Novos dias sem ver o amanhã.

Dançar, cantar e rir com harmonia.

Em loucas fantasias na alegria de tocar os céus,

com o espírito cheio de luz.



Passear nos encantos da imaginação.

Brindar a magnitude de ser uma gota no oceano da

convivência, de novas experiências.



SER e ESTAR, apenas HUMANO



Adorar é nada mais que o comportamento de estar

com os braços abertos, festejar os segundos da vida com pureza.

Respeitar o ar que inspiramos na compreensão de

que esta Divindade é a verdadeira glória da alegria em se viver bem com o

mundo.



Fernando Cartago
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Alexandre Rama

Alexandre Rama

CONTO DE NATAL

Era noite de natal e um velho homem cansado e desgastado pela vida, vagava pelas ruas da
cidade sem saber para onde ia e nem de onde vinha, apenas caminhava pela noite a observar tudo a sua volta. E caminhando viu diferentes tipos de pessoas, pessoas que se divertiam com copos nas mãos, jovens na flor da idade fumando e rindo como se nada mais lhes importassem na vida. Meninas muito mais jovens que os rapazes desgastando suas vidas com coisas que, seus olhos cansados pelo tempo, sabiam muito bem que não levaria a nada, mas era um velho tolo e já havia quebrado à cara muitas vezes para saber que naquele momento eles mandavam
no mundo e não estavam dispostos a ouvir um simples velho.
O velho entristecido continuou a andar e viu famílias que estavam juntas por estarem, mas que
prefeririam estar em qualquer lugar, menos ali, e se lembrou da sua própria família e como foi feliz em tempos passados e como naquela época não tinha dado o devido valor às pessoas que amava. Vendo isso ele se sentiu cada vez mais sozinho e perdido sem saber para onde ir.
Mas continuou sua caminhada. E caminhando se deparou com uma Igreja e resolveu ir ver o que estava acontecendo, observou e percebeu que estava havendo uma missa e se lembrou
de que a muito não entrava numa Igreja e, assim, resolveu ficar um pouco mais.
Algumas horas lá dentro conseguiu notar que ali não era muito diferente do que vira lá fora, pessoas que simplesmente estavam ali por estarem, sem expressão, sem alegria, olhos impacientes olhando os pulsos a gritar pelos segundos correntes do tempo que se estendiam ali. O velho permaneceu ali em silêncio, apenas observando, até restar somente ele. Só, resolveu por fim sentar-se, já que não havia outro lugar para estar e o mundo lá fora estava ocupado de mais nos seus barulhos caóticos aproveitando a véspera de natal. E sozinho, faltando poucos minutos para o natal, ficou olhando Jesus na sua cruz e pensando que no fim de tudo ele continuava sozinho, durante sua vida, na cruz e mesmo depois dela, continuou sozinho como o velho se sentia naquele momento. E ali dentro daquela Igreja num misto de pensamentos e lembranças foi acordado com o sino lhe dizendo que já era meia-noite e que o natal, enfim, havia chegado e com isso acordando o velho de seus sonhos de olhos abertos. Assim dando uma ultima olhada para a cruz resolver seguir para fora e caminhar para onde isso o levasse, mas quando estava preste a se levantar ainda com os olhos fitos em Jesus, Jesus em sua cruz olhou para o velho e lhe pediu com uma voz cansada e solitária “não se vá você também, fica comigo essa noite”. E o velho olhando para a cruz voltou a se sentar e chorou por toda a humanidade.
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1
Fernando Cartago

Fernando Cartago

CONHECER-TE

Às vezes pensamos que o tom da pele mostra toda a
beleza, de um ser.
O sorriso radiante distingue o tamanho da alegria
na alma.
O timbre suave da voz traz o encanto.
Cada pessoa assim carrega sua parte mágica, nesta
vida cheia de pessoas boas e más, não conseguimos intuir o quanto elas possam
nos fazer felizes ou tristes.

Meu espírito cresce assim com curiosidade de
descobrir no cheiro natural da sua pele o quanto me entorpece.
No fino brilho do seu sorriso, o quanto me enche
de alegria.
No som aveludado da sua voz, o quanto me faz
apaixonar.

Conhecer-te é uma forma ainda não inventada, de
simplesmente estar longe e ter a certeza que seu coração pertence a mim.
Eu sou este imaturo romântico.
E você quem é?

Fernando Cartago
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guiga

guiga

Mesma História

Chega a hora que tudo cansa
São as mesmas histórias, as mesmas juras:
Trocam-se as pessoas, trocam-se as figuras
permanecem os fatos.

E fazem juras como a morte, esse amor
Amor que na verdade nunca existiu
existiu apenas uma carência cadenciada,
de dois seres que amaram apenas as juras trocadas
juras que com o vento partem, e se adentram no coração de outros,
outros os quais tentam amar, mais uma vez.
E revivem a morte de amar assim
sem saber que, na verdade, não se ama.
Apenas com palavras.
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lcarlos coelho

lcarlos coelho

Voce


Quando penso que estou sonhando - estas aqui
A mensagem é de sonho e de gloria.
Quando estou só, preencho o vazio com sua foto
Tudo é real quando penso em voce! 

Licroceh Usalsolo
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Edson Fernandes

Edson Fernandes

Amofinação

Rala o taco
Rala a cara
Rala o palco
Rala a tara

Rala no trampo
Rala no dia
Rala no campo
Rala na pia

Rala na ilusão
Rala na cama
Rala no coração
Rala na lama


Edson Fernandes
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Ave do Canavial

Sigo com atenção todas as minhas estranhas sensações,
Algumas, como tortura docemente aceite...
Outras, como um novo dia, sempre diferente.
Todas as versões eu vejo de longe, mariposas gigantes

Como gestos quedando-se nas janelas
Sem continuação pra'lém delas.
Estou sem forças pra desertar pra'lém d'mim,
Pra dizer a verdade, só a opinião dos outros me faz f'liz

Por isso imito outras profissões do universo
Das quais não abdico se a elas tudo me prende como visco,
Como uma ave que se balouça, mansa no caniço,
Sem ter pr'onde migrar, por ser já demasiado tarde...

Jorge Santos (01/2012)
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lcarlos coelho

lcarlos coelho

Um encontro

Quando tudo parecia igual, sem brilho e sem luz
deparei-me com a alma de barbara,tudo era um sonho
e passei a viver o momento do amor.
Encontro de sonhos, de vida e esperança.
Quando tudo parecia tao somente um sonho, uma quimera
Ela surgiu e deixou cair no meu espaço estrelas e luar
então voltei a sonhar no amor e no encontro
aguardado e esperado e sonhado e querido.
Então surgiu barbara em my life.


licroceh usalsolo
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

QUANDO ME ENCONTRAR

Pode pensar que não há nada de parecido entre mim
e você Talvez por acreditar que eu tenha sumido,
mas sempre observei de longe o seu modo de
viver.

Quem sabe isto seja admiração e, ainda assim,
pode até olhar em meus olhos e não entender
o quanto estou focado na imagem que reluz dos teus
e em um pequeno soluço, disfarçadamente,

deixo escorrer, garganta a dentro, a palavra molhada de paixão.
Sorrio para descontrair tamanha fascinação e, cuidadosamente, tento
aproximar meu corpo do seu e, sem freios,
cheio de euforia, me aninho num abraço teu.

Assim, sem controle e jeito, completamente entregue neste momento
de aconchego, sinto o meu coração acelerar pertinho do seu aprecio o
aroma da sua pele, os meus lábios tocam suavemente seu rosto e
lindamente percebo o chão sumir.

Quem sabe tudo pode acontecer de verdade quando me encontrar.

(Fernando Cartago)
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Emerson Mattos

Emerson Mattos

Uma Flor

Ao descortinar os olhos
Pude contemplar num vergel;
O surgir peculiar de uma flor

O céu a inveja
Não atem suas cores

A aura não jaz hílare
Já que lavra seu perfume

O choro da chuva
Não ablui sua beleza

A estação, a cada dia
Jovializa sua realeza

Ganha beijo dos pássaros
E sempre uma ária alada
Tem como oferta

Todo seu entorno
Vive em segundo plano

O sol realça suas cores
A lua serve de adorno

O mar...
Não pode chegar
Não pode salgar
Sua essência dúlcida

Todos são...
Observantes enlevados

Assim que te notei...
Minha linda flor!...
Apaixonei-me.
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joao euzebio

joao euzebio

FOTOGRAFIA


QUERO QUE OS TEUS OLHOS
ME FOTOGRAFEM
E QUE VOCÊ ME REVELE
E ME PASSE
PARA DENTRO DO SEU CORAÇÃO
CANSEI DE SER UM NEGATIVO
DENTRO DESTE TELEOBJECTIVA
QUE EM UM CLIC SE FEZ A REVELAÇÃO
APENAS DEIXE QUE O FLASH ILUMINE
OS OLHOS TEUS
QUE DENTRO DOS MEUS
BRILHOU
FEITO UMA FOTO QUE SE REVELOU
E NOS MOSTROU
ESTA IMENSIDÃO
QUE SÃO OS NOSSOS DESEJOS
ASSIM QUE EM UM BEIJO
VOCÊ ME FIXOU.
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Edson Fernandes

Edson Fernandes

Corpo e Alma

Busquei seu corpo, busquei sua alma
Encontrei a sublimidade de uma deusa
O seu sorriso que me acalma
Uma paixão que de seus olhos exala

Tu és a dama do meu desejo
Que a cada toque, há um encontro
Das mais belas sensações em cada beijo
Os corpos numa união desse reencontro

Por deveras, me encontrei em seus braços
Deslizando em seu suor, dois corpos em chamas
Levando um vulto teu, para meu íntimo agrado
És tu a mais bela das damas!

O encontro dos lábios, o toque das faces
A parada para a troca de olhares
O sorriso de satisfação e a voz rouca
Foge a regra de uma poesia, entregando-se por inteiro

Cumprindo o destino nessa troca ardente
Por algo que outrora estava em pensamento
O destino assim fez querer
Que esse momento fosse único

Trocas de almas, de paixão e de carinho
Busca incansável pela realização
O prazer do seu jeito que me fascina
De uma noite inesquecível em meu coração
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Regina Célia de Jesus

Regina Célia de Jesus

VOCÊ ME FAZ SER MÚSICA

Quando me toca
faz carnaval em meu corpo
que dança com frenesi
na cadência do amor;
ao mesmo tempo,
que traz também a suavidade
como a melodia do piano.
Dedilhando meu corpo
faz em mim música
tocada por tuas mãos.
E, eu, que nem sei cantar,
sinto-me música,
uma orquestra inteira
a ressoar
ao tocar de teus lábios...
Faz-me delirar
e ter orgasmos tão doces
como a própria música em si...
Agora em mim!
(Poema de Regina Célia de Jesus/ Regininha Ilhabela)
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Alexandre Rama

Alexandre Rama

PASSOS

No princípio tudo era solidão.
Nascemos sozinhos e vagávamos pelo mundo completamente só.
O criador vendo sua criatura caminhar olhando para baixo, deu-lhe um tesouro para qual pudesse dividir o horizonte.
Neste instante o solitário se fez companheiro.
O que procurava se fez encontro.
O nada se fez tudo.
E a ausência se fez amor.
Juntos buscamos alcançar o horizonte. Olhávamos nos olhos e encontrávamos forças para seguir em frente. Com o tempo você se fez companheiro. Abrigo!
Sem perceber caminhávamos para um futuro, impulsionado por um passado e se amando intensamente num presente.
Assim se fez por toda a eternidade.
Mas como a areia que escorre em uma ampulheta, com ela também se foi a nossa vitalidade. Menos o nosso amor, este só fortaleceu.
Aprendemos com o tempo que existiam muitas formas de amar e em todas elas vivemos profundamente cada segundo do “agora” que se apresentava diante de nossa complexa realidade mortal.
Em todas essas formas de amar, eternas lembranças ficaram gravadas em nossa jornada histórica.
No fim quando o último suspiro vier nos visitar e a morte nos olhar nos olhos, não terei porque desviar meus olhos a procurar por algo, pois irei mostrar para ela do amor que na vida encontrei.
Sei que apenas fecharei meus olhos mortais, um pedaço de pele, mas minha história continuará ecoando por todo o sempre. E na minha lápide me reconheceram assim “Aqui jaz um homem que mostrou para a morte que o amor nunca morrerá.”
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

As outras coisas que de mim conheço

O universo

Torceu-me os sentidos, como uma mó de moleiro
Destroça o trigo e a sua presença dentro de mim,
É impossível de expressar nas palavras que me lembro,
Ou que esqueci como uma coisa ruim.

Mas porque continuamos nós falando ainda
Se não há nada na linguagem nossa a precisar ser dita
Ou que não tenha sido por demais esquecida,
Sem nos dar mos disso, conta.

Vou confessar em pensamentos o que não disse
De voz viva ou em atentos silêncios,
Sentados num jardim parado como se ele esperasse
Que finalizemos esta conversar a dois.

Torceste-me os sentidos como uma mó de moleiro
E por isso jamais chegarei ao derradeiro verso
E por mais que não diga o silencio universal; prefiro-o
Às outras coisas que por aí conheço.


Joel Matos (03/2012)
http://namastibetpoems.blogspot.com
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Cristina Miranda

Cristina Miranda

Vira do Minho

Tão belo, cheio de cor. Tão belo, cheio de música, pleno de
finais da tarde, pleno de noites para se bailar na eira, ao som dum
acordeão, duns ferrinhos, duma viola braguesa, dum cavaquinho.Demoramo-nos por aqui, onde o tempo nos dá o braço, nos puxa, nos rodeia a cintura e nos encanta, ausente de pressa.

Queria ser vilarejo,
Aldeia de casas caiadas,
Sardinheiras nas janelas,
Cheiro a flor de campo pelo chão!
Ser a fonte,
Beber de água,
Ser ribeirinha a correr,
Regadio de muitos prados.

Queria ser o "bom dia!",
Saudação bonacheirona,
Queria ser banco da venda,
Ser conversa,
Ser velhinho,
A sua boina,
Ser o grupo que ali se encontra,
Um jogo de dominó,
Uma boa gargalhada,
Ser uma história de avó,
Alvos fios de cabelo,
Ser semblante enrugado,
Ser olhos, ouvidos de neto...

Ser o sabor do estio,
O sol deitado p'los muros,
O chiado de duas rodas,
O cantar de carros de bois,

Ser o portão de uma quinta
Aberto de par em par,
Ser muitas arvores de fruto!

Ser o recreio de escola,
Ser meninos a correr,
Ser uma cantiga de roda,
Meninas de cabelo aos cachos,
Ser a alegria de uma boneca de trapos
Ser fisga de rapazinho,
Ser um pássaro, ser um ninho.
Ser tanque de água gelada,
Ser roupa branca a secar.

Queria ser feira,
Ser toalha,
Cântaro de barro,
Jarrinha,
Roupa interior colorida,
Gaiola de passarinho,
Ser morena,
Ser trigueira,
Ser tamancos, ser sapatos,
Chinelo de meter o dedo,
Ser tecidos,
Ser cadeiras, escaninhos,
Armários, mesas, panelas,
Discussão de lavradeiras,
Cestos de vime entrançado,
Ser a foice,
Ser ancinho,
O cabo de uma enxada,
Alguidares, jarros e loiça,
Vasos a abarrotar de flores,
Bebé no meio de mantas.

Ser domingo,
Saída da missa,
Ser chão do adro da igreja,
Um bonito fato engomado,
Ou vestido vindo da França...
O casamento a preceito,
Boda à sombra da latada,
Ser riso da jovem casada,
Ser dela o noivo bonito,
O galanteio guloso,
Uma flor na lapela.

Ser desejo, ser anseio,
Da vontade que não acaba
Ser só dele, dali a nada...
Queria ser um Arraial,
Foguetes de muitas cores,
Mesas com bancos corridos,
Tendinha de pano-cru.
Ser cheiro a sardinha assada,
Pão ensopado em azeite,
Vinho a pintar a tigela,
Boroa de forno de lenha,
Fêvera a grelhar no carvão...

Queria ser festa animada,
Um coreto engalanado,
Um rancho de folclore,
Uma chula, um vira do Minho,
Ser a dança ou rodopio,
Ser andar de braço dado,
Ser voz da rapariga animada
O olhar de moço cobiçado
Um beijo dado à socapa,
Ser lenço de namorados.
Ser ainda a última cantiga,
Ser as "santas noites!" a todos,
A porta da casa encostada,
Ser do sono a recompensa...
Ser o silêncio satisfeito
Ou céu pejado de estrelas.

Eu queria ser madrugada,
O galo a cantar no poleiro,
O chilreio da andorinha,
Ser povoação, ser um largo,
Ser aquele vilarejo,
Ser todas as casas branqueadas,
Um gato a dormir no colo,
A cortina da janela,
Ser caminho,
Ser um passeio.

Eu queria ser um ano,
Ser um mês,Ser só um dia,
Ser uma hora ou um minuto,
Ou ainda que por menos tempo,
Ser vida a andar com vagar,
Bordada a mil e uma cor,
Na barra de um avental!

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