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Fernando Cartago

Fernando Cartago

ILUSÃO

Sonhos... Sonhos... Sonhos...
Uma realidade individual
Uma verdade sem igual
Uma vontade escondida

Uma porta aberta para o meu EU viajar
Um passo para o universo
Um vazio a se alimentar
Uma forma, modelo ou apelo

Uma maneira de brincar
Um mimo, um jeito de amar
Um pedaço do espaço para passear
Um abrigo confortável onde o impossível não existe

O que existe e permanece vivo é a grandeza dos momentos
mais íntimos de defender nossas idéias, transformando nossas
ilusões em sonhos. E perceber que ilusão, nada mais é, que a
coragem de viver convicto que os obstáculos existem para
superarmos na magnífica história dos devaneios refletidos.

Fernando Cartago
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1
David Lobo Cordeiro

David Lobo Cordeiro

Virgem Maria Rita

Sabia tudo sobre mim
Fruto da brizomancia aplicada
Era eu o sonho e o escolhido para o fim
Da tal ''inocência imaculada''

A obcessão crescia como nunca antes
Perseguição cruel da harpia feroz
Então ouvi um silvo; era ela e sua voz
Lábios mel carnudos, olhos brilhantes

Expliquei-lhe então: ''que o amor
cresce em nós como uma flor,
e para isso é preciso uma semente
Entre a gente não houve calor,
e a raiz sem esse morno ardor
teria um fulgor decadente''


Dei-lhe um abraço, beijei-lhe a face e por fim
disse-lhe que não desistisse de outro amor assim.
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Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

encontros e desencontros

nos intervalos do amor não há nada
só o bolor

como pode o bolor queimar tanto como queima?



mas mesmo nas cinzas resta fogo

mesmo no fogo restas tu
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joao euzebio

joao euzebio

TORMENTAS


ONDE ESTÃO VOCÊS
QUE SILENCIARAM OS POEMAS
QUE QUEBRARAM OS ENCANTOS QUE AVIA
QUE DEIXARAM LEMBRANÇAS NESTAS NOITES
VAZIAS
E SE FORAM FEITO LENDAS ENTRE AS FENDAS
DESTA TORMENTA
ONDE ESTA MARIA, NANE, IATAMYRA, CRISTINA.
IZABELLA, LUA, ANDREIA, ALMA GORT.
ROSANGELA E MUITAS OUTRAS QUE SE FORAM
COM O VENTO
QUE DEIXARAM ESTES MOMENTOS TÃO TRISTE
ENQUANTO AINDA EXISTE MUITO AMOR PARA
DAR
PORQUE NÃO APARECEM NESTAS PRECES QUE
A NOITE TRAZ
E ESPALHAM SEUS POEMAS POR AI
FAZENDO RESSURGIR NOSSOS SORRISOS
POIS NÃO SOU SÓ EU QUE PRECISO DESTES
SONHOS DESTAS ILUSÕES
EXISTEM UMA INFINIDADE DE CORAÇÕES QUE
QUEREM PERCORRER PELOS SEUS VERSOS
VEM...
...APARECE DE NOVO POR AQUI
DEIXA SURGIR O SOL A LUA AS ESTRELAS
POIS VOCÊS FORMAM UMA CONSTELAÇÃO
NESTA IMENSIDÃO... QUE SÃO OS POEMAS.
1 279
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Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Pânico

Tomou-se-lhe um pânico de chão

Um medo irracional de pôr os pés no chão. Andava sempre aos pulos, ao pé-coxinho, por cima de mesas e tábuas. Acabou por se consumir e desfazer em fumo.

Está agora no meio de nós. é deus.
3 899
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Sergio de Sersank

Sergio de Sersank

O GRITO DA TERRA


Ahinsa!

Desde as eras primitivas
a Terra se nutre do fluido cósmico
que abre-lhe entranhas,
percorre-lhe inteira.
Na etérea poeira
de luz das estrelas
o fluido lhe vem.
Inunda-a de vida
esse mágico bem.
O sangue dos seres
que surgem e passam
Gaia o transfunde
noutros que, em ciclo
ascendente, sustém.

O espírito de Gaia
canta na Natureza
a música do Infinito.
Em culto à beleza,
exalta essa Fonte
da Vida que a anima.
e que ela sublima
ao multiplicá-la
no espaço irrestrito.

Mas traz no seu canto
uma ária bem triste.
Sofre os excessos
dos filhos ingratos.
Está no limite.
Dá mostras de seus
sucessivos maus tratos.
Lamentavelmente,
comovem a poucos,
por certo, aos melhores
os duros apelos que emite.

Gaia está farta de sangue,
farta dos homens, talvez,
porque não cessa a ganância,
porque não cessa a violência,
esses cancros resultantes
da insensatez.

Ciclônico éolo a bramir,
convulsiona o oceano,
rebenta do solo, feroz.
Sofrem-lhe muitos a fúria.
Ouvem-lhe muitos a voz.

Há os que riem e bebem e comem,
com as mãos manchadas de sangue.
Sabem que a Terra prescinde do homem.
Nenhuma voz os confrange.

(Da coletânea "ESTADO DE ESPÍRITO")

AHINSA! (En Esperanto)

Serĝjo de Sersank

De la primitivaj tempoj -
kia profunda mister'! -
el kosma emanaĵo,
kiu plene ĉirkaŭas
kaj ĝin trapenetras,
nutriĝas la Ter'.

Simile al l'etera pulvo,
devenas tiu ĉi fluido
el la senfina stelar'
kaj ĝi alportas la vivon -
miraklo ja sen kompar'.

La sango de ĉiu estaĵo,
tuj naskita jam pasanta,
transfuzas Gaja en aliaj,
tio ĉi en ciklo kreskanta.

Tial, la animo de Gaja
aŭdigas en la Naturo
la muzikon de l' Senlim'.
Tiele, ŝi laŭdas la dian belecon
de l' Vivofonto kiu vigligas ŝin
kaj kiu sublimigas ŝî per disdonad'
en ritmo intensa,
eble sen fin'.

Tamen, la kanto de Gaia
nune fariĝas ia tristega ario.
Pro tio ke agresojn de nedankaj filoj
jam multe suferas,
nun ŝi kantadas en frua agonio.

Ve, bedaŭrinde, nur kelkajn homojn
la plibonajn, certe, kortuŝas la petoj,
kiujn, averte, elĵetadas ŝi .
Jam Gaja satiĝis je sango.
Eble je la homoj ankaŭ satiĝas,
ĉar ne ĉesiĝas la homa perforto,
eĉ la homa ambici' ne ĉesiĝas.
Ho, furnaj ŝankroj de l' homa nesci'!

Ciklona Eolo, blekante feroca,
diskrevas el la subgrundo,
agitas la maron, subite.
Multaj suferas sian furozecon,
multaj aŭdiĝas sian voĉon, aflikte.

Ja multaj, malgraŭe,
ridegas kaj drinkas kaj manĝas,
je sango malpurajn havante la manojn .
Tiuj sciadas: la Ter' sin aranĝas:
neniel bezonas la homojn.
Tamen, nenia voĉ' ilin tuŝas.
Nenia far' ilin ŝanĝas.

(El la poemaro "SPIRITOSTATO")




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3
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Victor Azevedo

Victor Azevedo

Oração a Baco

Deus da ebriedade, Baco, adorado
Toque sua música, sensual, cativante
Enquanto caminhamos, passos largos,
Ao abismo, encantado, da saciedade.


Toque sua flauta demoníaca,
Que seduz a mais formosa
Das Helenas recatadas.
Na noite que reina voluptuosa,


Dê-nos seu vinho mais forte
Pra produzir efeito amargo,
Deixar-nos num estado
De felicidade desdenhosa.


Coloque à mesa um banquete!
Qual festim do pecado primeiro,
Engana-nos por inteiro e faz
morrer a saudade, o desterro.
3 493
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Lua Barreto

Lua Barreto

Hoje

Ontem eu estava mal
Ontem eu precisava de você
Ontem eu quase implorei por uma palavra sua
Ontem

Hoje, passou.
Hoje não preciso mais
Já sacudi a poeira
Hoje,
O que ficou de ontem são só
Memórias

Podia ter sido a lembrança de um abraço
Uma palavra de consolo
Mas, pena
Foi só o vazio
Uma pontinha de mágoa
E uma imensa solidão.
1 103
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

CAFÉ

Bom, forte, gostoso,
degustado nos momentos de
distração.

É o mesmo que imaginar
o beijo da pessoa amada.
Explode dentro do coração,
uma enorme tensão, os olhos dilatam
de excitação.

Quando sua voz murmura
uma paixão
que aquece o fogo,
que
esquenta a água para o café.

Amor, cumplicidade, a mistura do açúcar com o pó
homogênea relação que sacia docemente o prazer de um corpo
só.

Fernando Cartago
928
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Alexandre Rama

Alexandre Rama

JARDINEIRO

Era uma vez um jardineiro que tinha uma verdadeira paixão por suas flores.
Todos os dias ao se levantar vestia suas roupas de trabalho e começava seu ritual quase que sagrado de como bem cuidar delas.
Com elas estava sua alegria. Sua satisfação. Estar com elas era como estar em paz. Elas o entendiam e só ele as compreendia. Sem elas, ele era solitário e triste, mas com elas tudo no mundo florescia com mais cor e brilho. Ele era feliz assim!
Cuidar delas era sua verdadeira vocação. E sua vida nunca foi tão completa e cheia de sentido, pois, ali estava o sentido da sua existência. Porém num belo dia de primavera o jardineiro não se levantou e junto com ele suas flores, já que com o passar do tempo ambos eram apenas um e não sabiam viver sem o outro.
No seu enterro ninguém compareceu para chorar aos seus pés e na sua tumba só restavam flores tristes de plástico.
1 165
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Danilo  de Jesus

Danilo de Jesus

Janela

Sinto-me vaio como o sereno da madrugada, que não tem a quem se não o silêncio; e tão sozinho, como se olhasse o mundo pela janela do universo e não visse mingúem lá em baixo. Corre na minha alma, nesse momento, vento e silêncio como poeira no deserto. Mas eu como um lobo rouco perdido de sua alcateia, apenas grito um grito sem dor. E a pesar de não querer, hoje devo me esconder!

As promessas que eu fiz para mim ficaram para depois, como se fossem um doce de chocolate guardado para a visita de logo mais. Mas as visitas foram embora e nem perguntaram o que tinha! Então eu tive que comer só e também sem minguem ao meu lado e despejar o pote todo no papel para acabar mais rápido! Não há motivos, mesmo assim, hoje é necessária minha ausência!

A minha vida toda sonhei como um palhaço que não soube fazer graça, mas que sempre desejou o circo cheio.a minha vida toda correi como cavalo doido; e tudo isso porque só queria ser adestrado. Então, de repente, foi golpeado de surpresa diante o meu mais alto fracasso, e gostei do golpe mas goste do golpe mesmo porque foi bom e foi um milagre também. Por isso soube que pisei em tanto espinhos e também me entupi de tantas magoas por besteira, meu de Deus - por besteira! Não sei se é certo, mas hoje vou dormir mais cedo, só para não me mostrar!

O pior de tudo é se eu desistir... - Mas eu não devo não! E ainda se assim for... - Será por pura insegurança! porque no meu erro está certo pensar assim! ah...! e se eu tivesse deixado o meu cheiro e o meu abraço, mas o que eu não deixei ficou comigo aqui, preso na fuga de hoje!

Mas também puderá !perdi tanto tempo sendo ruim comigo e mal e vil que não soube ser bom. Por causa disso sei que não deixei nem ficção de lembrança e se quer a minha humildade conseguiu algo também. Hoje não devo, porém prefiro não aparecer!

Se amanhã perguntarem onde eu estive... - direi que estive sendo feliz! Mas hoje estou um pouco triste por saber que foi só isso!
1 013
3
1
Samuel da Mata

Samuel da Mata

MÃE ROSEIRA

Diria que és rosa em perfume e beleza,
delicada e serena no seu jeito de ser
Mas se vista de perto, te digo: és roseira
em amor e afeto, abnegado viver

Os perfumes e as flores que enfeitam o jardim
são as tuas carícias dedicadas a mim
O ciúme o cuidado com que viver a me olhar
são agudos espinhos o jardim a guardar

Os botões que florescem com inefável vigor
são os rebentos do ventre, frutos do teu amor
Os insetos e pássaros na roseira a pousar
são amigos cativos de sua graça sem par

Cabelos assanhados em meio a aflição
são pétalas que voam sob o vento da dor
Teus olhos cansados por mais um serão
são folhas que murcham no abrasar do calor

As mudas tiradas, pondo o tronco a sangrar,
são teus filhos e filhas que pra longe se vão
E aqueles que partem para não mais voltar
são seus brotos tosados a tesoura e facão

Raízes profundas te fazem resistir
às intempéries que te vem açoitar,
Mas ao raiar da aurora tu já estás a sorrir
em perfume e em flores, o jardim alegrar



624
3
Fernando Almeida dos Santos

Fernando Almeida dos Santos

SoLidão Povoada


Toda vez que um coração é despedaçado
Toda vez que seu Amor é desperdiçado
Nesse mundo louco, temos que
nos recuperar pouco a pouco


E voltar a sair!
Tentar se distrair
Conversar...beber e rir
Na falsa esperança de se divertir...


Conhecer novas pessoas
ir para novos lugares
ter perspectivas diferentes
respirar novos ares


Ser quem quiser, só para impressionar
pensar muito bem antes de falar
e saber que a cada festa
Conseguirá um novo "par"


Novos jeitos
novos gestos
Novos beijos
e diferentes formas de afeto


Saímos das festas com a sensação de solidão
Andamos pela rua olhando para o chão
Com o ego nas alturas
mas nada no coração


de noite na cama um espaço vago
o duro sono chega , sem nenhum afago
nenhum beijinho surpresa no meio da madrugada
Essa é a triste realidade, de quem vive nessa
Solidão povoada!!




Fernando A.S
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Samuel da Mata

Samuel da Mata

A ORAÇÃO DE JÓ

Restaura-me Senhor, te peço, tira-me do opróbrio
Não de bens e de filhos, pois destes já nasci pobre

Livra-me das chagas n'alma, eternos aguilhões da dor
Dá-me candura e pureza, condições básicas do amor

Tira-me a amargura da abnegação vazia e do rosto cuspido
Apaga de minh'alma a desilusão, o nojo e o pranto contido

Faze-me esquecer o outono com o despontar da primavera
Quero prazer no que eu sou, não mais a dor de quem eu era


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3
Fernando Cartago

Fernando Cartago

FOGO DA PAIXÃO

Em um lugar escuro entre pequenos ruídos e sussurros, duas mentes repletas de sonhos e fantasias.

Na meia luz do quarto, fazem juras de amor eterno. Envolvidos na mágica audácia e muita nobreza as imagens criadas no manifesto único de duas almas se amarem no auge do prazer de se encontrarem num só corpo.
A boca seca pede um beijo molhado, a pele suada de satisfação grita por um toque de afago e carinho.

O corpo quente chora a distância, que aumenta o fogo ardente do abraço sonhado, que promete eternizar o enlace de você linda, nua, pura entregue as mais doces carícias rogadas para durarem até o fim de nossas vidas juntos, para além céus, com as estrelas de pajens e daminhas, o sol e a lua para testemunharem que no universo não há limite de amar e querer você bem pertinho de mim.

(Fernando Cartago)
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

O MEU ABRAÇO

Hoje é um dia comum simples como qualquer outro
mas para mim e você traz uma particular emoção.
Um emaranhado de sentimentos onde trocamos e dividimos
nestes poucos nove meses, multiplicando-se em lindos duzentos
e setenta dias de muita alegria, paixão e romantismo.

Todas estas pequenas histórias ascendem em jovens apaixonados
a verdade de permitirmos aprender um com outro na sóbria
satisfação de que a nossa invenção é estarmos despertando para o mundo e
o nosso universo com tanta nobreza de detalhes que mais parece um
conto de fadas.

Onde sou sua princesa e você meu príncipe ambos encantados,
mas é tanto Pra dizer que me perco em palavras frias, vazias deixando o
verdadeiro prazer sem respirar sem viver.
Definindo assim o sentimento compreendido por você e por mim
de quanto é doce e verdadeiro no calor de um abraço dado que resume
perfeitamente amar e ser amada. Beijos eternos e doces meu amado esperado.

Fernando Cartago
847
3
2
Emílio

Emílio

vou

Vou...

Por onde voas beija-flor

Sabes

Vou ao encontro de meus amores

Vou saciar-me deles

Empanturrar-me

Extasiar-me

Grudar-me nos afetos

E depois

Voltar a voar

Cheio de amor

Beija-flor

(Emílio Casanova, "Coisas do Coração)

803
3
Lua Barreto

Lua Barreto

Que gênio sádico e brincalhão

Que gênio sádico e brincalhão colocou teu corpo no meu caminho, teus lábios no roteiro dos meus e forjou teu beijo frio, que percorreu minhas veias e as fez caminho de eletricidade, desfibrilando-me um coração necrosado e ressuscitando meu desejo de amar?
1 176
3
cristina

cristina

teatro da vida

Neste teatro da vida
de guião duvidoso
todos somos personagens de carácter caprichoso
Nascemos livres e puros
mas logo nos atribuem a nossa personagem,
não tive escolha calhou-me a mãe coragem
todos os dias acordo
e visto esta pele
e passo anos a fio a desempenhar um papel
Chego à noite exausta
desejosa de despir esta maldita pele
e de terminar de vez com este meu papel
Exigem de mim uma força que não tenho
uma capacidade de suportar tudo quase nefasta
Tenho de ser a profissional perfeita
a mãe perfeita
a esposa ideal
uma mulher excepcional
Só uma Deusa o consegue
e eu quero ser uma mera mortal
quero fraquejar
quero pecar
sonhar
e chorar
e poder mandar a vida se lixar
quero que me vejam como sou
e não aquilo em que o teatro me transformou
deixem-me ser quem eu sou.
Parem, de exigir uma Deusa.
porque em mim também existe fraqueza
666
3
2
guiga

guiga

Maria II

Na monotonia do tempo
te espero para eu, quem sabe, chorar um dia.
Só por ti aguento o meu sofrer lento
esperando ter alegria e pena como eu tinha

Ao ponto em que espero para lhe falar
e durmo só pra sonhar contigo
me vejo, além de tudo, apaixonado
e penso, penso no meu azar
de a única forma de estar ao seu lado
é sendo um amigo.

Porém, mesmo com todo desencontro
continuarei sonhando ter você pra mim.
E mesmo com minha vida em escombros
minha ilusão de ti é sem fim

E se nasci para morrer
que eu morra de amor, Maria
para fazer de minha ultima dor
o meu maior prazer.







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3
Pedro Olavo II

Pedro Olavo II

SEDUÇÃO



Era humano o olhar

Fiquei desnuda.

Me fez fluído...

E o olhar compreendeu tudo.

764
3
Emílio

Emílio

Mulher

Mulher...

Jovem mulher "gazela"

Transportas na pele

Um suave doce odor

Quisera eu sonhar, pura donzela

Viver o grande amor.



Jovem mulher "felina"

Carregas em ti

Nas formas do teu corpo

Beleza

Duma sempre menina.



Jovem mulher "poeta"

Ensina-me a forma

A alma da letra

Lê para mim

Versos de encantar

Embala-me nos teus sonhos.



Jovem mulher "sereia"

Ninfa da minha ambição

Diz-me

Quem te penteia

Neptuno ou o dono

Do teu coração.



Jovem mulher "feiticeira"

Encanta-me

Enfeitiça-me com mistérios

De alquimia

Prende-me nas teias

Da tua magia

Afasta-me da solidão

Presenteia-me amor

Escreve-me poesia

Oferece-me paixão.



Emílio Casanova, "Coisas do Coração"

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Emílio

Emílio

Avião de lata 1950



Brinquedo de lata digno de pequeno príncipe
avião colorido de meninice
asas largas cinzentas de prata
riscas largas amarelas e verde
da cor da mata.

Sentado nele piloto garboso
capacete castanho óculos redondos
bigode fino sorriso vaidoso
piloto garboso.

Ele volta e rodopia
com seu trem de rodas grossas
na cauda esbelta a cruz vermelha pintada
na ponta das asas bolas encruzadas.

Trumtremtrumtrimtrum
roda a chave da manivela da corda
zumrzumzumrzumrrrzum
descola meu sonhado monomotor
rodando as hélices mágicas.

Ensaia saltos sobre voltas
que voltas...meu pai
como desesperei para o ter
quantas saudades tenho para o ver...

Emílio Casanova
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Lua Barreto

Lua Barreto

Epitáfio

Se eu morrer amanhã
Quero dizer aos meus filhos
Que leiam Fausto
Para tentarem entender
A teoria que eu tentei viver.

Que leiam Nietzsche
E Artaud
E vejam Van Gogh
E Dali
Por nada,
Só pra saber
O que eu ousei querer.

Se eu morrer amanhã
Quero que saibam
Que não me arrependo
De ter tentado a utopia
Até a última gota.

E que venha a morte
E me encontre inteira.

E que bom que veio
Antes da capitulação
Daquilo que eu quis ser.

(Poema escrito em 12/06/02, durante pesquisas de linguagem pra um espetáculo que talvez só sejam colocadas em prática em 2012.)
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