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Isabel Pires
Às vezes basta
às vezes basta
uma palavra
uma flor ou apenas uma pétala
um sorriso
o voo rasante das gaivotas
não sentir e não me importar
uma colher de arroz-doce, mas com a parte da canela
o cheiro a mar
uma pinta na folha
o frio da pedra e o quente de uma respiração
o fumegar do café
importar-me com o teu sentir
o lápis de cor amarelo, para pintar o sol
aqueles teus fios de música que fazem estremecer
uma impressão, mesmo que vaga, de felicidade
o ondulado da seda negra
a lembrança sempre presente de ti
para a vida prosseguir

Mark Power | Paris. Palais Garnier. Stage curtain. February 2004.
Jorge Santos (namastibet)
I’nda ontem…

I'nda ontem...
I'nda ontem era em azul o tom das tuas íris
E imensa a solidão dos teus dias/meses, dirias
Inúteis os malmequeres e os campos verdes
Ou o regresso das estações q'inda ontem eram
Certas, azuis e bege como os planetas que vias
Luzindo, Sírius Pólux Arcturus, em torno
De ti paisagem, ontem azul hoje bocados lembram
A natureza que não fala que não tenho, pensar
Não pertence a ninguém nem a mim mesmo,
Natureza somos todos, cremos na passagem,
I'nda ontem pensava assim das coisas que digo
Como se faltasse dizer ainda alguma coisa,
Interpretar os sentimentos, ter opinião capaz
De governar uma sociedade ou tornar lúcido o instinto,
I'nda ontem era em azul o tom das tuas íris.
A solidão tem dias tal como a alma tem figura,
A gente nega o que são vultos negros no chão,
Por serem negros, porque o são, sombra é ruído,
Regressa com as estações do ano ou uma roda partida,
O barulho do sistema solar sem freio,
Luzindo, Sírius Pólux Arcturus, Betelgeuse,
Cephei, em torno de mim paisagens de quanto
O deserto me faz chorar e se parece comigo
Até ao mais ínfimo grão de areia,
Assim os malmequeres nos campos verdes,
Inúteis ao meu ver ...
Jorge Santos(07/2107)
http://namastibetpoems.blogspot.com
alexandre montalvan
Não Deixem
de reinventar um novo coração
uma perene historia de amor. . .
de escrever sobre ardente paixão.
Ou a embriagante tensão do desejo
escrever um verso como fosse um beijo
dado no canto da boca, na boca todinha
um beijo de língua, escancarado no verso
linha a linha.
Não deixe que me tirem o pranto
a tristeza que evoca a minha alma
a dor da perda, do desencanto
dos amores perdidos de outrora
Sei que vou morrer a morte dos esquecidos
sem ninguém. . . parentes ou amigos
sou ave errante e sem ninho
e neste mundo indiferente e cruel
resta-me apenas, memórias, um lápis e um pedaço de papel.
Queridos amigos com esta poesia eu fiz um vídeo que postei no youtube fiz com mto carinho se puder faça-me uma visita vou ficar mto feliz,
http://www.youtube.com/user/processolento
Ella Lorenza
Amaldiçoada vida
sem diferença no ser e no não ser,
dicotomia maldita das vidas amortecidas.
Sem querer viver mais assim,
tão doído,
Peço: Entidade que me guada a existência,
petrificada dentro do coração que me judia,
sangue invenenado,
Deixa eu ficar, dormido em mim.
Me priva do mundo que não me conheço,
que não me conhece.
Me deixa, em qualquer sonho mais vivo,
mais algo,
mais que esse não sei o que morto,
que acidifica a vida e a condena
em potência infinita.
ania_lepp
Explosão da dor...
e a mordaça se rasga,
se parte, despedaça
em mil fragmentos...
...e a dor explode
em mil gritos alucinados,
não mais abafados
em prantos escondidos...
...e o choro eclode
e aos turbilhões
verte, desagua
como cascata incontrolável...
...e o coração sangra
ferido, debilitado
trêmulo ofega,
pulsando ainda por ti...
(ania)
(Tears From My Eyes - Detroit Blues Band)
https://www.youtube.com/watch?v=75xRuoQV_BY
natalia nuno
saudade de quem?!...
saudade de quem?!
ondulam fortes ventos numa melodia constante
e como eles meus pensamentos
num confiado sonho distante
como pássaros migratórios, levam de mim
saudade...
a vida começa como se nova fosse
numa plenitude difusa subtil e doce
entrego corpo e alma à brisa, à claridade
ao que nunca vem,
ao que não existe,
à saudade... saudade de quem?
caem folhas de outono moribundas
já mal me conheço,
chega a tarde declinante
é o fim do começo
aos meus ouvidos um ruído distante
passam os dias da minha vida
geme neles o silêncio e a escuridão
como se nunca mais pudessem ser
senão,
dias de solidão.
ficou para trás a primavera das amendoeiras
brancas,
que nostalgia!
extraviaram-se meus olhos
desse vínculo que me seguia,
permaneço com olhar de criança
perdido na lonjura,
e minhas mãos são asas de frescura
esqueço o outono da vida que se vai alterando
tento distanciar a pressa
e na emoção do caminho,
o amor sempre regressa
com tenacidade vou sonhando
e recordando o muito que vivi
pássaros ardentes, borboletas às cores
viajantes nas nuvens, amores,
boa parte das coisas simples que nunca esqueci.
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
trovas soltas...perdida
são ventos endemoinhados
pecadora fui tanto, tanto!
que trago os ventos mudados
despenho o sonho no vazio
torna-se a vida uma cascata
de repente já não é mar, é rio
ou ribeira que não se acata.
perdida andei...perdida!
lá no alto dum rochedo
andava de alma iludida
meu choro era segredo
posso dar asas ao vôo
quimérica onda, brancura
lá longe até onde eu vou
há oceanos de ternura...
memória já consumida
entre sonho e realidade
o tempo levando a vida
e eu morrendo d'saudade
caminhava à beira mar
gaivota olhou eu a olhei
ah...ter asas poder voar!
logo no sonho embrenhei
maré atrás d'outra maré
onda que vem, onda q'vai
ponho o pé retiro o pé
enquanto sussurro um ai
surgem notas ciciantes
vindas das ondas do mar
na praia beijam-se amantes
num leve e doce sussurrar
natalia nuno
rosafogo
Madalena_Daltro
Verso
que versa o avesso
do eu perverso,
em verbo pervertido
pelos versos
do universo em que habito,
ao avesso dos seus
versos certos.
LUCINÉIA_MAGRI
AI DE MIM
raiane_passos
Apontada
Mostre a todos como não tenho dignidade.
Piedade? Não preciso da sua bondade!
Não é porque sua religião é contra, que me julgo imunda assim.
Minha vida é cheia de mim
No fim, a felicidade vale mais do que sua opinião.
Vá! Pode julgar a forma como me porto, te "afronto", me devoro.
Minha ambição é ostentar amor e gratidão.
Quero tomar uma dose de sagacidade,
Dar um trago na liberdade
E gozar de toda a satisfação que é poder sentir.
Me sinto em constante movimento,
Flutuo sobre toda essa hipocrisia que tu vives a cuspir.
Como é viver com as pernas fechadas e os dedos a apontar?
Se pudesse lhe dar um conselho, diria pra relaxar e aproveitar.
E quando isso acontecesse, que não ligasse para o que lhe diriam
Sabe como é esse povo, né? Gritariam!
Contariam a todos o que fazia,
Mas com um sorriso sereno no olhar, teria uma resposta dada:
"Já apontei muito, hoje sou feliz por ser a apontada"
teka barreto
Sem sombra de duvida
Sem sombra de duvida!
Sem sombra de duvida!
Certamente, isso explica
Mas, não há calma!
Nem mesmo, acalma!
O que sobra ao final?
Sem sombra de duvida,
Restos... Do que não foi!
Sobras sombrias, do que seria!
Sombras sem função nem razão!
Com toda certeza e...
Sem sombra de duvida!
Sobras do que será um dia, uno com a luz!
Resquícios não manifestos, do que poderá virar, ser!
Então, não há duvida?
Sem sombra de duvida, não!
Sim, certamente... É o fim!
Sim, começo de todas as Incertezas?
Sem sombra de duvida,
Houve luz!
Ah, compreendi!
Teka Barreto
raiane_passos
Por detrás da navegação
E não pude mais sair
Espias permanentes
Me prenderam por aqui
As vezes suspendemos
Navegamos por mares revoltos
Superamos as tempestades
E voltamos ao nosso porto
A derrota que traçamos
Muitas vezes nos levam a lugar nenhum
Nos perdemos e nos encontramos
Como bússulas, nos auxiliamos
Navegar é preciso ou não?
Eis a questão!
Se o mar for o seu corpo
Meu porto é seu coração
Navegar é necessário
Mas atracar é a missão.
Raiane Passos
Gi
O Escorpião que não podia matar
No meio de uma mata
Havia um enorme buraco
Uma grande população de escorpiões,
E todos assassinos natos
Porém, um deles,
Não tinha a índole para matar,
Foi expulso por seus companheiros,
E pelo mundo foi a vagar.
E ao vagar pelo mundo,
Passou tempos ao pensar,
Descobriu que queria uma família,
Ser amado e também amar.
Mas sempre que se aproximava,
Todos corriam desesperados,
Com medo que aquele “terrível monstro”
Causasse algum estrago.
Triste, sozinho e cansado,
Encontrou uma Baratinha,
E docemente perguntou:
Por acaso estás sozinha?
Certa que iria morrer,
Ela suplicou aflita:
Por favor, Sr. Escorpião,
Não acabe com minha vida!
Ele suspirou baixinho,
Revelando toda a verdade,
Falou que era do bem,
E só buscava a felicidade.
A Baratinha olhou com temor,
E não escondeu a desconfiança,
Mas abriu um lindo sorriso,
Dando-lhe um voto de confiança.
Começaram a conversar,
E ficaram muito amigos,
E de repente ela indagou:
Quer vir morar comigo?
Chegando a sua toca,
As baratas se desesperaram,
A Baratinha anunciou
Um escorpião como namorado.
E assim foram vivendo,
As baratas e o Escorpião,
Que conquistou o amor de todos
Com seu enorme coração.
O Escorpião estava completo
Tinha tudo que queria,
Não precisou matar ninguém,
E era amado por sua família.
Mas nem tudo sai como esperamos,
E alguém viu o Escorpião,
E com medo de um ataque,
Organizaram um mutirão.
Muita gente juntou...
Cercaram a toca,
Queriam matar o Escorpião,
Pondo veneno em sua porta.
O Escorpião se desesperou,
Viu sua família em perigo,
Buscou uma solução,
Para tirar todos do risco.
Olhou para todos com amor
E imponente saiu da toca correndo,
Cravou seu ferrão nas costas
E matou-se com seu veneno.
As pessoas foram saindo,
E a todas as baratas salvas,
Mas elas o amavam tanto,
Que não admitiam sua falta.
Em um momento de silêncio,
Viu-se um clarão na mata,
Era o espírito do Escorpião,
Falando com as baratas...
“Eu nunca matei ninguém,
E só vivi para amar,
Por isso a minha arma,
Por ironia foi para salvar.
Não importa de onde vens,
E sim seu coração,
O amor é capaz de tudo,
Até dar alma a um Escorpião!
Gi Amor
natalia nuno
trovas soltas...cântico à vida
é mar da nascente à foz
e é Deus quem nos habita
suas mãos tocam em nós
com a terra, fauna e flores
um sonho nos confiou
dávidas belas, esplendores
um sonho maior criou...
como a água deslumbrada
rasgando com seu caudal
desenlaça a vida apressada
despenha-se no vazio é fatal
a vida é como a trepadeira
que quer alçançar seu enleio
rebelde não conhece fronteira
nem tantas pedras de permeio
os nós enlaça e desenlaça
num acontecer constante
o tempo passa sem graça
e a graça passa num instante
assim a vida é uma viagem
nada, nem ninguém a detém
mar de lembranças, passagem
arauta... da morte também.
natalia nuno
rosafogo
ania_lepp
Passado...(soneto)
de expectativas na ausência tua,
de sonhos a noite mirando a lua
a mente povoada de quimeras,
Não senti que solidão dilacera
que um coração só, não se habitua
a atrasos e tardanças, nem cultua
a desilusão que dele se apodera...
Não notei que essa minha indulgência
seria o fim, a cruel consequência
do teu alheamento, do teu enfado...
Porque me fiz só de complacência,
de flexibilidade e paciência,
não vi que o hoje já era passado...
(ania)
(Ouvindo Alone In The Dark - Flaer Smin)
https://www.youtube.com/watch?v=wXIqCbQqVls
natalia nuno
tempo ao tempo...
entre a memória é
o esquecimento
a mente já tão puída!
e o tormento
de ficar de mim esquecida
fatigada, digo em jeito de despedida
adeus ...
dou tempo ao tempo
hei-de voltar á minha serenidade
suspirar e voltar a viver com vontade
a vida é mestra, dá-nos o mel e o fel
deixa-nos sonhar
escancara-nos a porta
de par em par
para depois a fechar duramente
com um gesto finito
como se não pudesse adiar.
natália nuno
kwkonig
Madrugada de Inverno.
O amor passou, mas não morreu o que faria ele¿ oh meu deus, ainda triste em um bar, com suas dores a curar, as feridas abertas ainda doíam, mas a maior dor era lembrar, daquela maldita madrugada doce e fria de inverno.
K.W König
manoelserrao1234
SES’SEN’TA [Manoel Serrão]

Se por ti me fiz uma janela aberta sobre o mundo fechado afora;
o verbo errado para o acerto da borracha; quão o verso avesso arriado aposto à rima do Parnaso.
Se por ti me fiz busca além dos edifícios de concreto sujo e das minhas ruas descalças pela absolvição do cadafalso; o silente dorido que sofre, cala e berra, quão a diferença do ser que É ser-de-pois-quê, o ser que fala.
Se por ti me fiz verdade quase impotente para mentir? Quão o dom do ser criador, o dom que faz do desejo, sacrifício; o gosto desconhecido de água e sangue sem sabor, meu próprio gosto de ser existido;
Ó qu'eu por amor à ti vida, não fiz! Se por ti me fiz o sono leve, o sonho, e o pesadelo; a luz e a sombra. Se me fiz pouco a pouco a paz e a escuridão sem medo da noite;
Se me fiz o Sol, o céu preclaro, o sal, o cio, dias rútilos –, sementes; plantei-me em ipês de floradas amarelas. Se me fiz o modular do bem-ti-vi cantador, e o revoar do colibri beija-flor.
Águas... águas de abril, chuva benta, rios correntes, me fiz o vaivém das ondas e dos mares n'áreia: me fiz oceanos e os litorais. me fiz o protoplasma d’onde advém ao mundo: o homem.
Se me fiz creu, increu, o São Thomé descrente; a rocha fraca, o riso forte, o fogo-fátuo. Se me fiz o sulco-do-cenho, a lepra da face quão a cura no amor que grassa.
Fiz-me a [I]mago, a purga de Hades, o ósculo amagor, o Eden-, Fiz-me o Pai, o Filho, o Espírito, o Santo belo da dor.
Construção... obra em curso: o ninguém por merecer, valer a pena conhecer-, Fiz-me a essência, o existir do ser acontecer. Fiz-me prantos e revoados cantos, os “Todos” e os “Nenhuns” do meu onthos, - fiz-me o apego, o liberto, o desejo e o desapego. Ó incompreendido? Fiz-me ser a compreensão do Ser que se descobre até no aquilo que aparece como já tendo sido. Ó vida, tenho pressa.
Tenho pressa? Não vês que o tempo urge para o quê me resta?
Não vês que pó pra sê-lo uma só prece no poema é o que me presta?
Não vês que todo o homem não é mais que um sopro, tenho pressa? Ó tempo, diz-me: o que me resta? O que me resta?
Ó nada há mais são na minha carne, mas devora-me a carne? Nada há intato nos meus ossos, mas quebra-me os ossos?
Inda débil, couraça coberta de pelos e as cãs povilhadas de neves... Ó tempo, perguntas em aberto: o futuro? É o hoje! Ó não dei voltas, não escondeis da vossa face o oblívio da morte! Ó tempo, eu juro, à fé em D'us, sem pressa aos ses’sen’ta chega árdego sem espera! Ó onde nada mais se repete, já me pesas!

Esta obra, ora analisada, dispõe de um palavriado ‘alienígena’ muito pertinente às ideias diferenciadas de Serrão, em sua construção lírica. Até, muito pertinentes às escritas por Gaston Bachelard: "O exterior e o interior formam uma dialética de esquartejamento, e a geometria evidente dessa dialética nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos. Ela tem a nitidez crucial da dialética do sim e do não, que tudo decide. Fazemos dela, sem o percebermos, uma base de imagens que comandam todos os pensamentos do positivo e do negativo".
A beleza da obra de Manoel Serrão da Silveira não diz respeito, apenas, à solidão reencarnada de Horácio ou à metafísica do inconcluso construtiva ou desconstrutivo de Bachelard. Mas sim, na forma portentosa da criação, onde fatores ortográficos acabam não se misturando com o fator temático, quase que tecendo uma lírica sob efeito de uma – dialética (que) nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos - como escreveu esse filósofo e poeta francês em A POÉTICA DO ESPAÇO, pg. 215.
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira
Curitiba, 14.02.2018.
Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br - Acredito eu que a POESIA e a Literatura especificamente, deveriam ter um tratamento mais razoável neste País chamado Brasil. Que não só os folhetins novelescos repetitivos e enfadonhos a se perpetuar, cada vez mais, no ilusório coletivo. A poesia deveria (como estamos tentando fazer em nossas publicações) ter um lugar especial. Por exemplo, Antonio Candido de Mello e Souza, sociólogo, literato e professor universitário brasileiro, estudioso da literatura brasileira e estrangeira, pensa igual: 'A literatura é pois um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem...'. Então, se não há produção literária, não há leitores e não havendo leitores, não sobrevive, por si só, a literatura.(...)" #domeulivro ML
Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br
ania_lepp
A chuva e você que me seduz...(soneto)
que lenta escorre pela vidraça,
dessa terna e doce melancolia,
dessa languidez que me abraça...
Gosto desse aconchego que acaricia,
desse estranho torpor que me enlaça,
desse sentir que a chuva propicia,
dessa tepidez que o vidro embaça...
Gosto das chamas...lareira acesa,
um cálice de vinho sobre a mesa,
velas...castiçal...tudo a meia luz...
Rosas vermelhas, bela surprêsa
você aqui me chamando tigresa,
ah... essa chuva e você que me seduz...
(ania)
(ouvindo Tango in Love)
https://www.youtube.com/watch?v=cEj3XaHEsBA
Manito O Nato
Deixei meu coração enfim morar na lua
Deixei meu coração enfim morar na lua.
Vi seu olhar, no céu sem fim planar, errante.
Vi-me espelhada a sorte eterna em brilho instante
Que na imensidão revela a essência Tua
Senti toda demência que na ciência atua
- Buscando pela essência Teu pairar constante
Sobre a mãe esfera - em atitude infante,
Pois tendo a Ti adiante segue improba e crua.
Vi do meu coração um longo olhar rendido,
Radiante e embebecido no esplendor da casa
Da Tua paz e da Tua luz, sem ter, sem dor, sem ruído.
Ouvi meu coração por fim bradar da lua:
“Dá-me fazer senhor, da imperfeição uma asa
Dom Jorge
OFÍCIO
a forma que antecipa o
poema. Quis na escrita
o sem nome que subjaz
os fonemas. No esforço
contínuo apago versos,
olho o rastro que ficou
da borracha, perscruto
na mancha a origem do
grito por trás da palavra
e encontro, no indizível,
uno silêncio habitando
a página.
Jorge Santos (namastibet)
Invejo aquele que nasce e não morre, o Tejo …

Tudo o que sorri me alegra
O rio, sobretudo o céu azul
Um barco, o embarque no
Cacilheiro, Porto Brandão
Cacilhas, ao raiar do dia
O Barreiro, parte de mim,
Ou o que eu mesmo fui.
Tenho no rio a quietude
E a surpresa se se pode
Chamar assim à tristeza
Que me dá quando vejo
Aquele que nasce e corre,
Como nas veias sangue
Verde/azul-cinza, mar
Tagus, tudo que sorri
Me alegra,sobretudo
O rio ...
Jorge Santos (07/2017)
HTTP://namastibetpoems.blogspot.com
Samuel da Mata
O NASCER DA POESIA
(Samuel da Mata)
A poesia nasce em mim nos dias tristes
Em que a névoa da ilusão se tinge em dor
E a minha alma faz florir em mil matizes
Buscar nos céus explicação pra o desamor
Nasce também na luz da cadente estrela
Que em novos olhos uma paixão faz florescer
E um céu de mágoas afugenta ao recebe-la
E dá à vida uma nova razão para se viver
Nasce a poesia no sorriso da criança
Que alheia às mazelas, apregoa amor
Ali renasce da humanidade a esperança
Que já há muito aos adultos abandonou

Alberto de Castro
ALMA DE POETA
Após tantos caminhos
e tantas jornadas,
tento me esconder na minha sombra.
Estou com a alma ferida
e o coração inquieto,
só consigo ver através
da paisagem sem folhas.
Após uma longa greve
dentro da minha alma de poeta,
consigo contemplar um novo rosto
e sentir que as minhas janelas
estão novamente abertas para o ar.
Nada é impossível de mudar.
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