Passado...(soneto)
de expectativas na ausência tua,
de sonhos a noite mirando a lua
a mente povoada de quimeras,
Não senti que solidão dilacera
que um coração só, não se habitua
a atrasos e tardanças, nem cultua
a desilusão que dele se apodera...
Não notei que essa minha indulgência
seria o fim, a cruel consequência
do teu alheamento, do teu enfado...
Porque me fiz só de complacência,
de flexibilidade e paciência,
não vi que o hoje já era passado...
(ania)
(Ouvindo Alone In The Dark - Flaer Smin)
https://www.youtube.com/watch?v=wXIqCbQqVls
Comentários (1)
Aplausos! Aplausos! Aqui vou dizer, o 'barroco' precioso desse soneto (inclusive o fecho de ouro) é muito mais que especial e notável: se destaca claramente acima do comum (ou do medíocre). Principalmente agora que estamos sofrendo com a temporada de crescentes safras de diletantes sem nenhum jeito para a coisa, aqueles que confundem desabafos juvenis rabiscados numa tira de papel higiênico com pseudo poesia, aqueles que jamais saber o que fazem, como farão a seguir ou o que foi que conseguiram fazer: o desejo de expressão, que não se expressa. Ou, apenas, exprime ninharias. Pois é, chega de tolerância. Chega de bonomia. É preciso aplaudir apenas os que realmente merecem. Não se avexe, então, de merecer um grau alto, uma nota dez por este soneto.
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