Lista de Poemas
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Mônica Leite
Eu poeta
é lembrar-se do outro
Autoria: Mônica Leite
Disponível em: www.escritas.org/pt/n/monica-leite
Mônica Leite
Mar meu
Lembro-me daquela noite, da lua, da brisa
Teus braços enlaçando-me...
Beijos afáveis, olhos penetrantes
Foi quimérico.
Não falávamos quase nada, sentíamos o mundo
Vivacidade sagaz perpetuou aquele momento
Fez-me perceber que a vida é um rio
E tu és o mar no qual deságuo.
Raquel Ordones
Tanto, tanto que as teclas desbotam...
Recursivo eu, quando ao digitar-te.
Gostar-te é meu verso intransitivo.
Objetivo maior meu: deleitar-te,
'Start' no coração; superlativo.
Adjetivo à ti, nunca me falta,
É pauta; na minha alma substantivo,
Seletivo de mim, minha tez salta,
Assalta-me víscera em coletivo.
Afetivo meu e teu num esbarrão.
É emoção, botão apagado; ativo.
Paliativo não. Nós, profusão.
Ação de corpos. Corpo a corpo: vivos!
Abrasivos: ideia e sensação.
Digitação e sentires, taxativos.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
simone_moura3
DECEPÇÃO
Sensações no peito afloram
Apertam firmes agora
Por um romance torpe
Ruído, acabado...
Não há contrariedade
Nem amor
Só ansiedade
E falta de valor...
Julgas-te superior
Não és nada
És apenas mais um
Vai-te embora!
Não o quero mais
Agora...
Simone Moura
aleomar_fbi
A VIAGEM
A VIAGEM
Não tão longe dessa, vi outra, que era muito gorda, quase a se explodir, a qual tomava bastante espaço no estreito caminho e, antes que eu perguntasse, foi logo me dizendo: “A mim já conheces bem. Meu nome é Impaciência.”. Mais alguns passos, e vejo alguém toda maquiada e vestida em uma bela roupa, mas algo era estranho: tinha terra sob as unhas, e os dentes alvos deixavam precipitar as facetas expondo seu amarelo natural. Então, sem que olhasse direto nos meus olhos, respondeu-me ao ser indagada: “Meu nome é Mentira, lembras?”.
A partir daí, enfrentei um longo trecho de estradas difíceis. Subi morros, atravessei vastas colinas, mas notei que a pouca luz que irradiava ia ficando cada vez mais intensa. Enfim consegui enxergar alguém ao longe que, desesperada, acenava pra mim. Ao me aproximar, disse que estava a me esperar havia algum tempo, pois achava que eu já não iria mais procurá-la. E com um sorriso amedrontado, temendo não me agradar, me disse: “Olá! Sou a Humildade. Quanto tempo...!”. Mais ao alto, quase inalcançável, encontrei uma que estava encolhida, semideitada, cansada de me esperar. Essa já não falava mais e pra se identificar escreveu no pó que cobria o chão: ”Meu nome é Empatia.”.
Notei, então, que quanto mais longe eu ia, mais difícil ficava o caminho e menos familiar me eram as pessoas que encontrava.
Chegando ao fim da viagem, um senhor que estava à porteira, de pés rachados e beiços estalados me indicou um caminho mais curto pra voltar. Disse que se eu fechasse os olhos para o que é feio na estrada e olhasse somente aonde ela pode me levar, eu jamais teria que ir tão longe pra atingir o que está bem perto. Que se eu me abaixasse de vez em quando pra ouvir aqueles que penso estarem abaixo de mim, talvez encontrasse respostas para as perguntas que carrego sozinho lá em cima. Disse que se eu usar sempre a verdade como fundamento para os meus anseios, obterei resultados reais e mais duradouros pra minha vida. Disse, ainda, que quando eu achar que não careço mais daquilo que os outros carecem, não terei de novo a deliciosa sensação do atingir, a menos que eu supra a necessidade de alguém que ainda nada tem. Então me despedi e perguntei: “E a ti, como te chamam? De onde vens?”. Ele então me respondeu com um sorriso que me fez sentir como o tolo que procura, desesperado, o chapéu que sombreia a própria cabeça: “A mim, só me chamam Mestre e estive aqui o tempo todo. Nunca me vias porque estiveste sempre lá em cima do pico que nunca existiu, do pedestal que criaste para ti próprio.”.
Então, envergonhado, voltei.
16alkaspoetry
POEMETOS - CURTOS
Belas músicas
acendem
luzes
que aos céus
conduzem...
Boas ações,
e belas palavras
alimentam
o brilho das
estrelas...
alkas poetry
23/1/18
Paulo Sérgio Rosseto
ENTRE A PELE E A MEIA
Paulo Sérgio Rosseto
Quantos apelos há entre a pele e a meia
Serena seda que recobre a perna
Encanta os poros, esperta os olhos
Aveluda o tato, arrepia a penugem
Traz volúpia, seda os lábios
Navalha a carne, orvalha a alma
Tanto veneno está nesta candura rara
Que divisa a faixa, apreende à teia
Reaviva as margens, festeja as bordas
Margeia a taça, absorve a brisa
Rosa macia de pétala farta
Amordaça o senso, incandeia
Magna estrofe, carinhosa vasta
Mansa e plácida cheirosa lua
Tens a malícia sedenta exposta
Da serena vontade de mergulhar às cegas
Na onda abrupta entre o mar secreto
E a enxurrada arrítmica da vaga nua
@psrosseto
Honoré DuCasse
Luas
Antonio Aury
Poema para Adaíris
Juntos, frente a frente,
Tua boca ,de lábios carnudos,
torna a minha boca quente
e os meus lábios desnudos
Entrego-me ao teu beijo ardente
e o meu corpo uma chama quente
que em anabolismo se une ao teu
e o teu belo corpo se funde ao meu
Sinto-me em estado ascendente
O meu silêncio urge prontamente
e Em berros alcanço o teu odor
sinto no teu ventre,o gosto doce do amor
Tua beleza incomparável, tão feminina
Tuas curvas sinuosas, movimentos de felina
Teu prazer, me traz alegria e felicidade
És dona de mim, minha companheira e minha liberdade
...
Jorge Santos (namastibet)
Licença pra entender

Peço licença pra entender
Peço licença pra entender
Mais nada senão a verdade,
Para ver o mundo exterior
Como ele é e contemplar a
Vista e menos eu próprio,
Peço licença para fazer
Uma catedral de um piso
Com o impulso do corpo,
Que seja com o único fim
De sentir por vez única
O púlpito, se sagrado ele é
E útil aos outros mais que
Aos céus, peço licença pra
Ser eu a descrição do que
Sonho e a sensação vivida,
Peço licença pra saber
Quem ocupará o túmulo
Depois de eu morrer,se
O êxito barato ou o fracasso
Da força do simples querer
Já que agradar não me chega,
Não me faz cantar, apenas um abrir
E fechar exacto de maxilas
Enquanto passo as mãos pelos
Cabelos oleosos, rasos ...
Jorge Santos (06/2017)
HTTP://namastibetpoems.blogspot.com
Moacir Luís Araldi
Lembrar
Agradável é lembrar por vontade própria e não por ser impossível esquecer.
Moacir Luís Araldi
Surama
Acalme seu coração
Jorge Santos (namastibet)
Em que tons te tinges hoje, nua…

Em que tons tinges a tua blusa
Se te perguntarem os tons que tens nas vestes
Não respondas, por favor não o faças,despe-te,
Se te perguntarem porque escreves nas paredes
Não respondas, fecha a boca, por favor que o faças,
A menos que te saiam da boca súbitas pombas,
Que denunciem pla cor das asas em tons
Mil de matizes e nessas crenças prolonguem o arco-íris
Ao baterem umas de encontro às outras todas,
São sinal do presságio e denunciam o que de belo
Tu pensas, pra ti será tarde demais, nem que
Fujas e te escondas hão-de encontrar-te,
Mesmo nesse canto da dispensa que sabes
Só tu e não contaste a ninguém, nem mesmo
A mim, que sou a tua consciência e propósito
Se te questionarem a propósito dos dons que tens,
Que usas, não respondas, por favor não o faças,
As maldições só a nós mesmos dizem respeito,
A despropósito de saírem pombas pela fala,
São ultraje e ofensa pr'os que não percebem
A voz do Deus das cores com a áurea que é nossa,
Só nossa e deles, deuses da diferença em tantas,
Todas as nuas cores tuas...
http://joel-matos.blogspot.com
Joel Matos (04/2017)
Paulo Jorge LG
Não Consigo Mais
Não consigo deixar de te olhar,
Com as curtas horas a passar,
Para o teu rosto de Primavera.
Mal aguento a longa espera.
Não consigo deixar de te querer,
Tanto receio tenho eu de te perder,
Volta meu anjo que te espero,
Não me deixes em desespero.
Não consigo esquecer-te jamais,
Somos dois em um e nada mais,
As noites de paixão esplendorosa,
E os nossos corpos em polvorosa.
Não consigo mais dormir,
Vejo-te como que a partir,
Num pesadelo que tenho tido,
O de não ser o teu pretendido.
Não consigo mais viver sem ti,
A saudade tamanha que senti,
De beijar cada canto do corpo teu,
Como o destino um dia me prometeu.
Não consigo suportar a tua falta,
Comigo juntinha sob a Lua alta,
É o meu desejo mais secreto,
Quando és meu sonho amuleto.
Não consigo mais por ti deixar de chorar,
A tristeza em mim acaba sempre por voltar,
As saudades tuas secaram-me as lágrimas,
Por imaginar um dia sem tuas belas rimas.
Não consigo mais ser o mesmo que fui,
Depois de te ter contemplado construi,
O nosso lindo sonho de amor e bonança,
És e serás sempre o meu sonho de criança.
Não consigo acariciar os teus cabelos,
Sem que ouças meus carentes apelos,
São suplicas minhas para te dar a mão,
Preciso delas como um faminto por pão.
kwkonig
O Sonhador e a Lua.
K.W König
Clareanna V. Santana
Viva vulva
Lília_Tavares
[Habitas-me]
LÍLIA TAVARES, in RIO DE DOZE ÁGUAS (Coisas de Ler Ed., 2012)
Habitas-me
como a uma casa
de um só quarto
no alto de uma falésia;
Como a ventania
irrompe na floresta, cavando clareiras
ou devagar vai esculpindo luas
nas areias.
PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?
vês como já há tanto tempo
me encontro?
Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?
Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,
outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,
e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;
e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
fernanda_xerez
HOJE AMANHECI ROMÂNTICA

Maria Antonieta Matos
A CHUVA
Chuva são gotas de água
Que caiem do céu
Como uma alvorada!
São nuvens carregadas
De gotas paradas
Que quando se rompem
Saem disparadas
E molham e molham
Quem não trás chapéu
E são muitas as vezes
Que fico molhada
Porque o vento soprou, o chapéu…
Para a retaguarda!
Eu gosto da chuva
Do encanto que trás
Mas não das travessuras
Que ás vezes faz!
Gosto de olhar
Por trás da vidraça
Ouvir á lareira
O tilintar com graça.
Gosto de olhar
As flores a vibrar
De contentamento,
Vejo-as a gracejar
Quando vem o vento
Gosto de contemplar
E ficar…
No meu pensamento
Maria Antonieta Matos 07-01-2011
Pintura de meu amigo Costa Araújo
John_Silva
Poema ao pai ausente
Caro pai,
os fogos de artifício
explodem no céu
iluminando a cidade
e a luz invade o quarto
onde sozinho eu assisto
um novo ano começar.
Outro natal
chega e rapidamente
se vai e sua ausência
ainda é uma ferida aberta
em minha vida,
mas saiba que não
o culpo por não ter
sido forte o suficiente
por não ter amado o
suficiente para ficar.
Caro pai
completarei dentro em breve
22 anos mas eu
não espero
mais o telefone
tocar
não espero mais
ouvir a batida na
porta, e também
deixei de mentir sobre
a falta que eu julgava
não sentir.
Creio que me tornei
uma boa pessoa
apesar de você
ter me dado todos
os motivos para seguir
o caminho inverso.
Pai, espero que
não tenha se afogado
nas garrafas de whisky,
e que também não
tenha perdido os pulmões
depois de tantos cigarros
acesos durante anos.
A essa altura você
deve estar sentindo
pena de si mesmo por
por não ter nenhum dos
seus filhos ao seu redor
enquanto você apaga as velas
do bolo.
Em minha vida,
você é a sombra que
desaparece na escuridão e
eu sou a sua imagem
e semelhança, pai:
um acumulador
de fracassos.
Caro pai,
adeus.
natalia nuno
poema efeméro
este poema que é meu segredo
e das minhas mãos a pureza
agora o partilho a medo
numa asfixiante incerteza
este poema é meu espelho
minha sombra escurecida
um sonho velho
palavras trémulas... mas com vida!
este poema é meu desejo e
meu capricho, a minha sede
abrasadora
o privilégio de seguir vida fora
com o fulgor do sonho
faz parte de mim, voa no meu sangue
é o meu pulsar na palavra
o sopro da minha voz
meu rio a chegar à foz
este poema é a harmonia
do meu instante
é o meu mundo partilhado
o agasalho que me cobre
- o meu fado!
este poema tem asas na minha mão
traz com ele a minha história
e sua efémera glória
de tão vasta imperfeição
ouve-se nele o rumor da tempestade
e da palavra sente-se a inquietude
- é a minha bagagem da saudade.
natalia nuno
rosafogo
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
ESPEREI POR TI
Porquê em mim
Apenas ficou o teu cheiro
fernanda_xerez
ALEGRAS SIM, O MEU VIVER

Amo amar o meu amor
Afinal sou a sua Flos
Apetece-me todos os dias
Acalantar minhas poesias
Abraço a vida com alegria
Assim entro em sintonia
Almejo viver plenamente
Amor meu, és um presente
Ah! nasci para te amar
Anelo todo dia te encontrar
Aproveito para te dizer:
Alegras sim, o meu viver!
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