Escritas

A Tua Morte

António Pereira Vieira Da Silva
Aceito a mágoa do desprezo de uma canção

Aceito o cheiro que não é cheiro do ar,

O veneno de um ardente coração

Que não é música nem tão pouco o luar,

Aceito a fórmula de enregelar a voz

De cheirar o que tu não cheiras,

O que vem de mim, de ti de nós

Sem saber cantar quando choras,

Choro de chorar

E nada choro quando já não sei chorar,

Se morro por amar

Ou se vivo sem te beijar,

Já nada importa se não te cantar

Nada importa se morrer,

Nada faz voltar atrás

Quanto te enterrei e tive de sobreviver.

Sem ti

Apenas sem ti meu amor,

Não sei o que vai ser de mim

Para lá desta dor,

Não te vejo como queria

Não sonho o que sonhava,

Já nada faz magia

Eu pobre sem lume, na rua a vaguear,

Se antes morria por nada

Agora morro por tudo,

Tenho a vida quase acabada

Contigo, levaste o meu mundo.