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Samuel da Mata

Samuel da Mata

DEIXA-ME CHORAR

Deixa-me chorar, te peço, não me acalentes!
Minh'alma almeja suas mágoas dissipar
E não inquiras as angustias que ela sente,
são turvas águas que anseiam ir ao mar

Deixa-me chorar, te peço, os desalentos,
os devaneios, as loucuras e a solidão
Trazer ao peito adormecidos sentimentos,
regar em lagrimas meu espírito em sequidão

Deixa-me chorar, te peço, sem alarido!
Nenhuma compaixão quero despertar
Sufoco e silencio o meu gemido
Somente as lágrimas não consigo segurar

Deixa-me chorar, te peço, não me seques o rosto!
Que adianta minhas mazelas ocultar?
Se lá no íntimo o meu ser morre em desgosto
e o meu pranto é a tristeza a suspirar?

Deixa-me chorar, te peço, pras desventuras
lá do âmago de minh'alma eu desvendar
Buscar vestígios de tristezas e amarguras
pra nas recamaras do silencio as apagar

Deixa-me chorar, te peço, pois só em meu pranto
posso a doçura da vida reencontrar
Lavando em lágrimas de minha vida os desencantos,
pra em sorrisos o meu viver recomeçar


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5
Heloisa Melo

Heloisa Melo

Desavenças

Tu aí
Eu aqui
Nesse desafeto tão incerto
Olhares avessos
Caminhos inverso
Vidas contrárias
Mas coração na mesma direção
Amor que toca a alma numa só harmonia
Desavenças acontece,
Solidão aparece
Mas o Amor permanece

807
5
1
DréOz

DréOz

Filho da desilusão

Eu sou o fruto



Que o desespero criou



O eterno luto



Que a morte não aceitou







Sou aquele que a felicidade recusou



Que viu a luz



E que num êxtase se apagou



Como a solidão que me conduz







Sou o filho prometido



Que meu povo apedrejou



O fruto proibido



Que o corpo envenenou







Sou o filho do desespero



Que a solidão abandonou



Há tanto tempo que espero



A vitória que nunca chegou







Vens ter comigo



Mesmo com tudo o que fizeste



Como é que ainda me chamas amigo



Depois de tudo o que disseste







Caçador de histórias



Sonhador até na escuridão



Estas são as memórias



Do filho da desilusão
488
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1
Edson Fernandes

Edson Fernandes

No Silêncio, nos amamos

Mãos que afagam as mãos que escrevem
Boca que cala no silêncio do beijo
Restando um olhar, simples e meigo
Num momento que só sente a respiração

Dos corpos colados, num mar de prazer
Mãos que percorrem os corpos, inundados de desejo
Na busca de matar a saudade num pranto de alegria

Súbito e infindável, és o êxtase de uma noite tão esperada
Dois corpos, que se entrelaçam tornando-os um único ser
Bocas que se unem no silêncio, buscando sua essência
Tão raro prazer, tão sublime o momento

De grande exatidão nos movimentos, na busca da perfeição
Na troca de carinho, com certo cuidado
De que seja único e duradouro
Excedendo nossos limites a cada encontro

Tornando assim, essa volúpia intensa
Para que a cada encontro, seja como o primeiro
Dotado de imagináveis sensações
De que nunca será o último

Edson Fernandes
710
5
1
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Nas Orações dos Homens em Jerusalém

Uma noite fabricou Salomão um palácio
Resplandecente e em segredo.
Fez-se por todo o império
Silêncio e desde logo cedo

Ninguém teve alívio;
Até nos séculos vindouros,
Não mais nasceria ali, um veio
De água ou desaguaria nos rios,

Nada mais senão sangue e guerra.
Uma noite fabricou Salomão um palácio
E a dor nunca mais foi doutra era,
Menos estrangeiro ficou o receio,

De ser feliz naquela amarga terra.
Uma noite fabricou Salomão um palácio,
E tal foi o peso da bera amargura,
Que ainda hoje têm um vazio,

As orações dos Homens em Jerusalém...

Jorge Santos (05/2012)
http://joel-matos.blogspot.com
913
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Adriano Moreira

Adriano Moreira

ESTIGMA DE LUZ NO CORPO DA MULHER AMADA

Eis meu corpo em teu corpo

E todas as ilusões remanescentes.

Eis meu desejo insofismável

E lapsos de sonhos pulsantes.

No negror da madrugada

Só a luz do teu corpo.

Na escuridão do teu quarto

Só a luz do imortal desejo.

Ah!Esplêndida mulher

Dorme em teu corpo meu anseio

Repousa em teu corpo devaneios

Em tua face meu dourado sonho.

Ah!Nada em mim fenece

Ao toque do teu corpo envolvente.

Estigma de luz crescente.

Guia-me ao insólito amor.

Em teu corpo trépido e febril

Armazeno o pólen da vida eterna.

Estigma de luz que ainda existe

No corpo da mulher que amo.
1 261
5
1
tais rocha silva

tais rocha silva

SONHO DE POETA!

QUERO ESCREVER O QUE SINTO
E VER ALGUÉM SORRINDO
LENDO O QUE ESCREVI
QUERO SABER QUE ALGUÉM ME ENTENDE
E QUE COMPREENDE TUDO QUE VIVI.

O POETA É MAL COMPRIENDIDO
UM ETERNO LOUCO..
UM MALVADO SONHADOR.
A VERDADE É QUE TODO PORTA ESCONDE
EM SEU PEITO UMA GRANDE DOR.

NO PAPEL TENTA ESPRESSAR
TUDO QUE O SILENCIO
O EMPEDE DE DIZER
E AO CONTRÁRIO DO QUE SE PENSA
O POETA ABRAÇANDO A INOCÊNCIA
PASSA HORAS A ESCREVER.

O PAPEL É SEU AMIGO
ESCREVER É UM ABRIGO
NAS HORAS DE SOLIDÃO
O POETA,O ERODITA DESTA VIDA
SABE COMO DESCREVER
UMA BELA PAIXÃO.

O SONHO DE POETA
É TER O MUNDO DE MENTE ABERTA
PARA PODER LHE DIZER O QUE SENTE
TODO POETA É LEAL
TEM UM DOM DESCOMUNAL
E APESAR DE UM FINGIDOR,CERTO É QUE NÃO MENTE!

725
5
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Pro scrito

Dou por mim mendigo de porta em porta; como sem querer,
Abro caminho numa estreita paisagem escrita,
Não que seja uma perfeita, secreta, ou passagem metafísica,
Como as passagens têm eternamente de o ser,

Mas a paisagem do meu ser é restrita e reescrita,
A meu bel-prazer.
Só pode ser consumada se acedida por dentro,
Sempre por uma embocadura estreita.

Assim que passo por ela, sinto o coração doer, doer...
E não sei d'onde essa dor resulta,
Sei que vem do fundo da passagem do meu querer,
Num silêncio frio de natureza morta.

E onde no vento alado se transporta
Todo o desejo de encontrar em mim a paz ?
Vou por aí como uma vela que se apaga,
Ficando apenas a paisagem vaga por traz.

Abro ainda e de novo a janela
E de fora, apenas a noite, me fala
De um invisivel veto,
Que cala tudo aquilo por que existo...

Joel Matos (09/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
815
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Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Segunda-feira

é segunda-feira.
Há árvores céu e estradas sem fim.
Existe uma normalidade rectilínea em tudo o que me cerca
e no entanto choro.

Choro lágrimas anormalmente rectilíneas
vazias de árvores céu e estradas sem fim.
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5
susete evaristo

susete evaristo

Paixão antiga

Paixão antiga

Da vida nada quero,
nada espero
A não ser esta
paz, esta alegria
De saber que o
tempo não matou
Aquele amor que
foi nosso um dia
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Samuel da Mata

Samuel da Mata

QUEM SOU EU

Não sou o clamor da miséria,
Sou alma além da matéria
Que ao corpo em dor esvazia

Não sou o vento do Norte,
Apenas alma que a sorte
Abrasa em sol de meio-dia

Não sou pobreza nem fome,
Apenas a dor de um homem
Que ousou amar algum dia

Não sou do ódio uma chama
Sou só o poeta que clama
E de seu amor faz poesia

Não sou mentira ou verdade,
Sou só lembraça e saudade
Que eternizam a nostalgia

Não sou do olhar a tristeza,
Sou o contemplar da beleza
Que o teu olhar irradia

Não sou mais desesperança,
Sou um sorriso de criança
E em teu regaço, a alegria


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5
3
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Daquilo com quem simpatizo

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Não é um defeito, um rito ou um mau-olhado de bruxo
Que exceda a cota de quem sou, tento gozar dum rio d'sorriso
E da simpatia dos outros, esse imesurável fluxo.

E torno sempre, mais tarde ou mais cedo,
Escorreito e escavo consoante o vaso em que me aprovem
E à substancia mais dócil, da qual ele foi talhado.
S' inda ontem fui greda, hoje sou margem de ninguém.

Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Transforma-me no leito de quem, leve passa e na lembrança
De que não é minha esta versão que abraço da arriba vazia,
Aborrecido de simpatia falsa faça ela o ruído que faça.

Quer Seja uma flor ou uma ideia abstracta
O que sinto no pensamento, serve de monumento
Ao que não perdura ou não existe, ao poeta isso basta
P'ra fazer sentido, apenas esse segmento de tempo,

Em que a água baça do rio por ele passa.

Joel Matos (04/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
750
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Inquietação sem fugas

Se eu mandasse, voltaria ao contrário a curva do tempo,
Sentiria replicar na alma fria e vaga o sentir profundo,
Onde é mar batido, afundava aí o meu corpo
E nas ondas me envolvia, desse vagar de mar vagabundo

E ainda acabava por ter aquele odor, que tem do lodo, o sargaço
Da maré-baixa; talvez por nada ter de salgado esta outra vida,
Teria no cheiro algo imenso e um nobre pertenço
Como se outra fosse, não esta minha, " brisa plagiada ".

Da curva fútil do tempo, onde a realidade é feita em céu
Continuo sendo um nada, nem a sombra do mar morto
Reconheço como sendo vestígio meu,
Sendo apesar de tudo o cais onde eternamente me acosto.

Se eu mandasse, voltaria ao contrário o mundo,
Na beira punha os olhos e os mares no fundo do coração
E eu andava nu por essas estradas sem curvas, velejando
Na minha inquietação, sem fugas...

Joel Matos (10/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
1 203
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1
joao euzebio

joao euzebio

O COMEÇO O MEIO E O FIM

TUDO COMEÇOU COM O VENTO SOPRANDO
AVANÇANDO PELAS ONDAS DESTE MAR
ENQUANTO O LUAR SE ESPALHAVA POR AI
TENTANDO EMERGIR
DE DENTRO DE UMA TEMPESTADE
ENQUANTO A SAUDADE SE DESMANCHAVA
POR ENTRE OS ROCHEDOS
FEITO SEGREDOS DE UMA LEMBRANÇA
DESCRENTE
SERRANDO OS DENTES
AO CAIR NO ESQUECIMENTO
E NO MEIO
DESTES DESEJOS QUE OS TEUS BEIJOS
DEIXARAM
AS ESTRELAS SE APAGARAM
DEIXANDO O CÉU NO ESCURO
NESTA LUZ QUE PROCURO
QUE ME TRAGA OS OLHOS TEUS
POIS O FIM SE APROXIMA
JÁ NÃO É MAIS UMA MENINA
O TEMPO PASSA
SOMOS ALMAS QUE SE ARRASTAM
PELO ESPAÇO
NESTA NOITE QUE ME REFAÇO
QUERENDO EM TEUS BRAÇOS COLIDIR
ENQUANTO VEM SE EXIBIR
COM AS ASAS QUE ESTE SONHO... LHE DEU
POIS PODEMOS RECOMEÇAR
ASSIM VI RESSOAR... A VOZ DE DEUS.
1 160
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Pedro Olavo II

Pedro Olavo II

Secopoema





O poema está seco

Não há uma gota dáagua

Em sua palavras.

A aridez roubou-lhe

Essa possibilidade



Quiçá no futuro

Haja

Uma gota de sangue

Em cada poema



E do sangue brotará vida

E então teremos novamente

Uma gota dáagua

Em cada palavra







732
5
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

O estado e a matéria

Apaguei o tom de magia e talvez dom do bom senso
Quando vi todos os doutos, acotovelados na dorna d'uma má atriz..
Açoitado p'lo juíz, fiz figura do criado coxo de laço no pescoço,
Quando tentei subir ao palanque, surgiu a tal mesma variz

Do tempo ao qual fui colado, esguia e inchada... ao cair quase me ouço
Girar no fundo do poço, tão fundo ele soa e o som se escoa
Como se fosse areia fina numa cuba de zinco,
Fria como cota de aço, e sem os louros da grei por coroa.

Sinto-me tão realizado com uma embriaguez tal como do fracasso
Do qual não recobro. Estou acorrentado a um tal estado, bem enterrado na terra.
E retomo da morte, repleto de enxertias sonhadas nesta vida bera.
Entre o que sonhei e onde estou, perdeu-se a noção íntima de tempo e espaço,

Bem podia o jardim do éden ser no quintal da frente
Que aos meus olhos seria tão longe como o fim do vasto horizonte
Essa é uma das razões porque não espreito pelos buracos no muro,
O medo de me lembrarem águas passadas e aceitar o futuro...

Jorge Santos (08/2012)
http://joel-matos.blogspot.com
981
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António Guerreiro

António Guerreiro

Salmo





Já foi azul o que hoje vês negro

Já foi florido o deserto de nós

Já foi audácia o que agora é medo

E música clássica o que hoje são dós.





Foi pouco a pouco que as flores secaram

E todos os seres perderam a cor

Foi pouco a pouco que os anos passaram

E se perdeu, algures, o amor.



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3
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Que visão tão estranha

Era duma figura esquálida e enxuta
Que lembrava o destroço do cabo negro,
Erguido encima de calhau sujo da costa
P'lo espectro esguio do logro,

Nem sabia se morava dentro dela,
Ou fora da fronteira da maldita nação,
Sabia pela voz dos velhos da cidadela
Que o horizonte era amplo e partilhava de igual chão

Com o roçar da erva e a flor da giesta cor de sol.
Assim... e a seu modo foi construindo,
De dentro para fora, um castro de pedra e cal,
Em região ascética, que nomeou como feudo,

(Bem longe da multidão estrangeira)
Foi-o revestindo de palha, fita, vidro
E do colorido mestiço da humana feira
E Terá ali sonhado incógnito, o futuro

Ele mesmo, sem data ...

Joel Matos (05/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
807
5
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Nas palavras que me fitam

Nas palavras que me fitam,
Sem pudor,
Infinitamente complicadas,
Abundam meadas,

Da minha ignorância,
Deslembradas trincheiras,
Em conflito
E em guerras alheadas

Das minhas dispersas fronteiras
E nos estilhaços
Das vidas que nem vivi.
A sombra,

Ameaça-me o pensar
E a lembrança,
Das coisas belas,
Que não pensei;

Deixei-me guiar por completo,
Como folha em branco
E ao natural vento,
Nele me espreguiço

E me rendo esquecido.
Nas palavras que me fitavam,
Só sobejo no que sinto,
Morreu o que desconheço

Se tudo o que sei
É o que procuro ser,
Como se tivesse lavado delas o sentido
Num rio de pedras quinadas.

Mais límpido e nítido,
Definido como gelo frio,
Incorporado como fluido nas veias.
Confesso-me confuso

Porque quando estas me fitavam
E encandeavam
E controlavam as minhas ideias,
Só elas me faziam chorar.

(As palavras que me fitam)

Joel Matos 03/2011
http://namastibetpoems.blogspot.com
779
5
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

É inútil povoar a conversa com todos este silencio

Corre um silêncio pela tarde afora,
Como se fosse ordenado
Recolher geral nesta terra,
-Onde ainda penso que resido .
 
(Precisamente no r/c esquerdo
Numero treze e meio-fundo)
Sinto o peso do mundo,
Destes mudos, cheio…
 
E penso desistir de querer viver,
No silêncio grosso,
D’esta vida por esclarecer,
Em que me roço e me coço,
 
-Se nem isso me aquece ou arrefece,
Nem me torna maior ou menor gente,
Nem sou propriamente quem a verdade conhece,
E faz dela o vento norte,
 
Nem vejo como útil, prolongar na surda rua,
 A minha muda conversa…








 
Joel Matos (11/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
991
5
tais rocha silva

tais rocha silva

LEMBRANÇAS!

DO PASSADO NADA QUERO
O PASSADO QUASE SEMPRE FAZ CHORAR
O PRESENTE É SEMPRE BELO
TEM MAIS SONHOS PRA SONHAR.

CADA MOMENTO TRISTE
FAÇO QUESTÃO DE ESQUECER
POIS CADA DIA TRAZ CONSIGO
SEMPRE UM NOVO AMANHECER.

QUEM NÃO LEMBRA O PRIMEIRO BEIJO?
A PRIMEIRA PAIXÃO,O DESEJO...
SEU PRIMEIRO AMOR?

LEMBRANÇAS SÃO POEMAS GUARDADOS
ENTRE VIRTUDES E PECADOS
NO PEITO DE UM SONHADOR.
727
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4
António João Ferreira

António João Ferreira

Quando

quando se abre a melancolia
e vagas as horas se fecham sobre mim
mesmo assim
corre-me nas veias de ti o cheiro
inteiro
que me arrepia
e conserva em calor o gelo do teu silêncio
266
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Helen Costa

Helen Costa

Aborrescência

Saudades tenho da minha infância querida.
Brincava com bola de gude, bicicleta e pipa.
Acordava pra brincar 
Brincava até dormir.

Pulava o portão de casa 
Se não pudesse sair.
Agora peço pra ficar,
Mas tenho que ir.
Durmo pouco...
Sonho muito...
Quero é mais tempo pra dormir!

Dizem que aborrescente é gente estranha.
Escuto isso com tristeza tamanha.
O que dizer dos adultos?
Nos educam falando coisas bonitas
Quando crescemos só ouvimos insultos.

A vida é muito engraçada.
Nem tudo é como nos falam.
Se é assim, por que não se calam?

Ninguém é perfeito.
Até máquinas dão defeito
E nem tudo que 
Quebra tem conserto.
Será possível perdoar nosso jeito?

919
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

AutoGraphya

Actografia

Creio no universo como um homem vulgar,
Não tenho filosofia que me defina,
Nem lugar em que gostasse de falecer,
Não consinto a vida, assimilo-a como a morfina,

Recolho-a nos campos e onde me deixam colher.
Acervo, incorporo tal-qual cobra, a peçonha,
Hasteio-a na haste mais fina que houver,
Enquanto flor do estio, fonte do sol, neblina,

Embora possua um instinto próprio de mulher
É o corpo e não a frágil alma destas que me fascina,
Autista no que exijo e existo sem o que conheço eu, entender,
Como se tudo fosse uma farsa da negação minha,

Disposta a tudo e ao que deus quiser, se isso doer,
O sol-pôr é um analgésico, uma agonia Celestina,
Com ele me uno a disciplina de desaprender,
E as inocentes crenças do virar das'quina,

Verdades transitórias e de aluguer...
Porque, como disse, não faço uso da inteligência divina,
(limito-me à opinião por estabelecer)
Tenho a demência, como estranha e inexplicativa vizinha,

Profundamente hipócrita na sua naturalidade e ilusão de freelancer.
Estou cansado de ser forçado a querer,
Mas não creio no universo que me dizem existir,
Já que a máquina de mentir fui eu que a criei.

Serei realmente gente?

Joel Matos (02/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
991
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