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Josimar Heureca

Josimar Heureca

Indefesos

Até quando crianças, mulheres e idosos serão vilipendiados?
Até quando os algozes ficarão impunes?
Até quando haverá brechas nas leis para deixar livres os assassinos facínoras?
Até quando existirão advogados para defender monstros atrozes?
Até quando pagaremos por prisões abruptas?
Até quando clamaremos por segurança?
Até quando o sangue dos inocentes será derramado?
Até quando ?
by Josimar Alves, publicado em 22/06/2011 no blog: http://josimaralves.blog.uol.com.br/
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António Guerreiro

António Guerreiro

Luna

Luna, gostava de te explicar
Assim - simples e claro
Que há em todo o Amor
Um quê de estranho... e um quê de raro.

Começa tudo a brincar
Sem qualquer má intenção
Com pormenores a brilhar
No meio da multidão.
Inicia de mansinho
Sem pressas ou agitação
É uma piada. Um carinho.
Um gesto ou uma atenção.

Fica a fotografia, lá guardada na memória
Mais um detalhe ou papel no sótão da nossa História.

Não ligamos à partida...
Já passamos por aí!
Temos história, temos vida
Mais pesos e regras aqui.

Pouco tempo. Pouco espaço.
Menos paciência e fervor.
Mas não contamos com o traço
Que dá à vida o Amor.

Não fosse ele reaparecer, sem razão ou fundamento
E o Tempo aumentaria o baú do esquecimento.
Mas estranha coincidência e rara conjugação
Levam a que este baú no Amor não tenha mão.

Não querendo isto dizer
Que é destino ou está traçado,
Pois em tudo o que é viver
A Condição é o fado
Cabendo-nos apenas escolher - e nem sempre com saber
Se entra Acaso deste lado.

Dizia eu:
Após o seu doce toque
(suave som, breve sopro)
Põe o Mistério a reboque,
Chama o Azul que há no outro.

A Imaginação, o Riso, o Perigo
Unem-se a ele a brincar.
Ternura, Sorriso e Sentido
Fazem fila pra ficar.

E nesta conjugação de factores
Estranha, rara e de passagem
Renascem velhos valores
Ganham espaço, criam cores
E alteram a paisagem

Tudo joga em euforia
Quando o encontro acontece.
Tudo é a fantasia
Da Urgência e d' Alegria
No frenesim que enlouquece.

*******



Ao encontro seguem-se outros...
E outros... e outros ainda.
Todos igualmente loucos,
Cada qual com a sua rima.
Difíceis de entender,
Sem qualquer explicação
Excepto aquela de viver
Tendo o Sol como Paixão...

Na perfeita perfeição
Desta instintiva vontade
Entendemos a razão
Do Mundo e da Liberdade.

E nesta viagem única
De leveza e de prazer
Reconhecemos que a Vida
É bonita de viver...


*******

- E Depois?
Depois se verá...
Faz já parte de outra estória
Não tão forte, não tão quente,
Se não me falha a memória...

Mas Luna - fica o resto e a eterna esperança
Já cansada... meio vaga...
Que será diferente a lembrança:
Neste caminho, outra estrada.
1 331
António Guerreiro

António Guerreiro

De Vez em Quando

De vez em quando paramos,
Deitamos fora o já velho e sem notar, recomeçamos...
Novos trilhos mais sentidos - que o sentimento é mais forte
Mais intenso e colorido. Nova arte, nova sorte.

Alteramos as rotinas, sorrimos ao acordar
Reganhamos a energia de viver e de sonhar.

De vez em quando acontece... Despertar do dia a dia.
E mal daquele que não troca
O linear pelo incerto. A tristeza pela alegria.
E o real pela fantasia.

Recuperamos o sentido. Deixamos o Sol entrar...
Sabemos, intimamente, que vale a pena mudar......
1 329
Chico Lira

Chico Lira

Ciclo vitalício

Que me invada um dia,
A depressão
De ser depressivo;
A alegria
De ser alegre;
A tristeza
De ser triste;
O medo
De ser medroso;
O desânimo
De ser desanimado;
A ira
De ser irado;
A inveja
De ser invejoso;
A ansiedade
De ser ansioso;
O amor
De ser amado;
O estresse
De ser estressado;
O ciúme
De ser ciumento;
A vergonha
De ser vergonhoso;
A loucura
De ser louco, louco, louco...

Eu quero mesmo
É que me acometa um dia
Uma ação viva.

2 078
Josimar Heureca

Josimar Heureca

O mundo

O mundo pode ser melhor
O mundo pode ser
O mundo pode
O mundo
O


Josimar Alves
2 498
António Guerreiro

António Guerreiro

Bicho

Tenho razão - ouviram? TENHO RAZÃO!
Vós tendes o mundo, o trabalho e a moral...
Pintais com cores mortas a imensidão
Das coisas, dos seres e do que é universal.

Viver convosco cansa sobremaneira
Desgasta qualquer um que só queira
Passar um tempo, beber bom vinho
E não deixar rastro nem caminho.
1 406
Taís Silva

Taís Silva

A Areia e a Pedrada

Areia rosa

Virei à água em suas mãos

Parei e a desejei...

O tempo corre dentro da ampulheta

A água da torneira não volta mais

A areia rosa presa no vidro

Parei e a desejei...

Seu corpo,meus olhos percorrem;

Por enquanto prefiro ficar assim

Olhando a areia rosa da ampulheta

A mercê das suas indecisões

Virei à água em suas canções

E as pedras?

995
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

AS ROSAS CHORAM

Quando as rosas choram
As lágrimas transformam
As palavras em silêncio
Os sonhos ficam quietos
As pétalas perfumam o ambiente
E os amantes vivem momentos
Loucos de euforia apaixonante
Numa linguagem que só elas percebem
E quando as rosas choram
Os beijos são carícias perfumadas
E os abraços são desejos em volúpia
4 364
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

AMOR EU JÁ...

Eu já plantei rosas de algodão
No teu corpo nu com o meu
Eu já te abracei sem te tocar
Com os meus braços sem sentires
Eu já reguei o teu corpo
Com as lágrimas da felicidade
Eu já te desenhei no meu corpo
Tatuando o teu nome em mim
Eu já te beijei sem te tocar
Com o meu pensamento em ti
Eu já te amei sem te ver
Com o meu peito a palpitar
Eu já plantei rosas de algodão
Na nossa cama só para amar-te
Veste-me o corpo meu amor
Com o beijo que me despe a alma


1 205
Cristina Miranda

Cristina Miranda

Ponta da língua




Desenha-mo-nos
lentamente
percorrendo flancos
lambendo o desejo
que corre pela pele.

Desejo-te!
Arrepio-te a vontade
de me teres agora
toda.

Deseja-me!
Arrepias-me vontade
de te ter agora
todo.

Bebo-te!
Bebe-me!

Cresce a ânsia
de te desenhar
de me desenhares
com lápis de cera de lua.
As bocas são o palco
onde as línguas vão dançando
ao nosso sabor
sem critério...

Esboçam
o abrir das minhas pernas
o afastar das tuas
e as línguas
percorrem-nos
bailam em nós
ávidas!

Cai amor pelo chão
enquanto nos tocamos.
Néctar!
Pingam gestos
estalactites
na gruta onde nos escondemos.
É de pó
de cumplicidade
esta delícia que bebemos
celebrando as festas
das danças dos corpos
desenhados pelas nossas línguas.

À flor da pele
da minha
semeias arrepios.
À entrada da pele
da tua
deponho este frio
moldado
soprado a quente.

Amaciamos o silêncio
num jogo de luzes
de olhares.

Recolhe-te em mim.
Vem passear-te
sulca o trilho
percorre-me
deixa que eu use e abuse
que de todo me lambuze
te levante cada pedaço de pele
pousando neles
meus olhos nocturnos
te percorra os silêncios
com os meus gemidos
me derrame
me desnude
mas
no instante em que nos despirmos
vamos vestir-nos

tu
eu
tanto
de nós!
1 604
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

BRINCAR PORQUÊ

Porquê brincar com as palavras
De um texto em ordem na melancolia
Porquê brincar com as letras
De um texto que se estende ao infinito
Porquê brincar com as vírgulas
De um texto mergulhado deste abismo
Porquê brincar com os pontos
De um texto de sublime cor da ternura
Porquê brincar com as páginas
De um livro inacabado por escrever
Porquê brincar e não ler, porquê.

1 601
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

ALEGRIA EM FAMÍLIA

Hoje o dia chegou mais cedo
Com ele a alegria das crianças
A casa está cheia de amor dos risos
Inocentes das crianças
De onde os sonhos são flores
Perfumadas de felicidade e carinho
Anjos doces amados que desejam
Ser lembrados e querem ser amados
Hoje o dia veio cheio de paz
Onde o respeito e a sinceridade andam
Sempre juntos de mãos dadas, casa cheia de amor
Onde pode faltar tudo menos a esperança e alegria!
4 934
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

É SÓ EM TI

É só no silêncio
Que oiço o sofrer do meu coração
É só no silêncio
Que a chuva lava o meu lamento
É só no silêncio
Que na minha angústia te sinto
É só no silêncio
Que o vento consola-me
É só no silêncio
Que o sol queima-me a pele
É só no silêncio,
Que a esperança se sente
É só no silêncio
Que as nossas almas se falam
É só no silêncio
Que a saudade deixa marcas
É só no silêncio
Que choro, sofro, rio
É só no silêncio
Que amo, desejo, suspiro por ti.


3 972
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

BRISA DO MAR

Sinto no meu corpo
Uma força que me leva até ti
Quando o vento passa e acaricia o meu rosto
Sinto que são as tuas mãos a tocar no meu corpo
Amo-te com os teus defeitos, não sou perfeita
Vieste como a brisa mar eu quero beijar-te
E levar-te ao céu sentir o teu calor
Amar-te é entregar-me de corpo e alma
Tu és fascinante é quero perder-me em ti amor
Quero beijar-te a noite toda e sem pressa
Sentir o sabor da tua boca, querer sentir
O teu corpo e o meu estremecer de prazer de amor.
3 375
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Ao menos que sobre o antes ...

Ao menos que sobre o antes,
Se a própria Terra ainda chora,
A má memória das suas gentes,
ao menos q'a minha fé nelas, não morra
Ao menos que só sobrasse o antes,
Porque manhã-cedo haverá guerra,
E acabemos por colher as únicas flores,
No morro ond'ausência de Deus já mora.
Ao menos que sobrasse do ontem...
A liquidez do dia, a noite anuncia mau tempo, vento,
Má sorte ao pobre que nem lar tem,
E um pote d'ouro, á porta do nobre convento.
Ao menos que sobrasse do ontem
Pão, quando não havia fome de trigo,
Agora as florestas entristecem,
Por não morrerem de pé e inclinarem cedo, ao machado.
Ao menos que sobrasse do inda'ontem,
O não haver medos.
Pois dos tempos qu'aí vêm,
Ecoam já os gemidos,
d'outros bem mais antigos.



Jorge Santos (02/2012)
http://joel-matos.blogspot.com
3 240
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

DIA AREIA QUENTE

Amo-te ao luar, amo-te à chuva
Senti-te na praia, na areia quente
O corpo queima, na noite esquecida
Sacias a sede, cansas a mente, cansas o corpo
É nos teus braços que eu amo estar
Fresca a tua boca sabe a romãs, cheio de amoras
Brisa do mar, seca o deserto do nosso alento
Choro ao sol, choro ao vento
Desta tempestade da nossa vida
Um homem que não veja as lágrimas
Derramadas de uma mulher é tonto
O homem que despreza o coração de uma mulher
Doce e pura é um tolo sem dúvida.!
4 620
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

JESUS

Jesus Cristo tu és a minha vida
Tu és o meu amor
Bendito sejas que entraste
Na minha vida
Para me salvar das trevas
Sangue de Jesus Cristo salvai-me
3 710
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

MADRUGADA QUENTE

É de madrugada quente de verão
Dorme a cidade, a vila, a aldeia
Dormem os lobos e o homem
Dormem as flores do meu jardim
Dormem as aves em cima da arvores
Dormem os peixes no fundo do mar
Dorme a minha alma cansada de dor
Dorme o meu coração protegido e quieto.
3 451
afonso rocha

afonso rocha

SONHO II


Uma adaga
trespassou
minha carne...
e roubou
o que restava
de minha alma
................
Meu corpo
nu
transformou-se
em pigmento...
inpregnando
o chão
como uma
tela negra
................
O Cheiro...
já não é
mais cheiro...
O Olhar...
se dilui
na distância...
e a música
em acordes
indefinidos...
envolve
meus Tímpanos...
cansados
e gastos...
Minha Boca
secou...
de palavras
vãs...
aradas
em terra seca...
................
e
minha Cabeça
se soltou...
tocando
meu coração
gelado...

2 323
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

QUERO SER COMO AS CAMÉLIAS

Quero ser como as camélias
Perfumadas de tanta beleza
Apenas quero cicatrizar
A dor que me assola a alma
Mortifero veneno que cospe
Em terra seca o meu coração
A tristeza é minha companheira
Caminha comigo nesta poeira
Nesta terra que me castiga
Sem esperança, sem nada dar
Sou escrava, prisioneira
Nesta terra seca sem fim
Selvagem de dura realidade
Aguentaria uma eternidade
Se pudesse ter liberdade
Camélia doce perfumada
Ela é cativa em terra seca.
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

LEIO-TE E SABOREIO-TE

Meu amor leio-te e saboreio-te
Laços inquebráveis, brisas perfumadas
Flutuam na tua pele, beijos de ternura
Estrelas nos lábios na boca levitada do meu ser
Medos, anseios, sobem a eternidade
Acaricias o meu corpo, tantas vezes ausente
Ausente de mim, juras em silêncio
Nos caminhos ao vento, tempestades conhecidas
Na solidão da noite, transparência nas asas
Onde a magia, foge e impede-me de dançar
Leio-te, saboreio-te. no fundo do meu peito
Palavras onde a alma encanta-se de desejo
Refúgio de laços na noite onde me elevo a ti
Eternidade feita em poemas de códigos indeferíveis
Meu amor leio-te e saboreio-te”
1 366
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

CORAGEM

A minha alma está partida, dividida
Despedaçada já sem forças, eu só peço
Que minha coragem vença o meu medo
Que o meu corpo não se quebre de pranto
Que a minha alma não se perca em agonia
Que a minha mente permaneça sempre erguida
Que os meus joelhos se dobrem à esperança
Que o meu coração não seja devorado pelos lobos
Que os meus inimigos me respeitem e não me temam.


1 459
Madalena_Daltro

Madalena_Daltro

Inteiro

Não quero um fragmento
ou uma citação que cause impacto
quero um poema inteiro
mesmo que seja ácido

Não quero uma esmola
quero o nada que dá impulso
o nada que move a força
a força que move tudo

Não quero uma cópia
quero o original
quero uma trova,
mas que não haja igual

Não quero ser mesquinha
conformada com quase tudo
Sacuda meu corpo com a simplicidade,
mas que seja inteiro.

Então dá-me uma música!
Quero a intensidade
O suspiro profundo
Sair desse mundo

Quero uma palavra
não abreviada
que seja inteira
distinta ou camuflada
Que me faça rir
que me surpreenda
que me faça refletir
que me compreenda
que me faça amante
que me encante
que seja inteira
que me faça inteiro.


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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Definição de Esperança

Definição de esperança


Breve, o dia em que decidi ser alguma coisa,
Espuma de mar cavado na sarração do vento.
Acordo no meio de uma conspiração d'ondas e horas
E dedico os últimos minutos a tentar definir o tempo
E lembro-me de não querer ser capitão d'coisa alguma
Sobretudo no dia de hoje que acabará d'manhã bem cedo,
Ainda me pus a olhar o futuro, sem solução à vista ou relógio d'pulso
E, na vigia baça da embarcação, abocanho um curto sonho,
Um sonho em vão, de quem espera horas e horas o fio,
Mas breve, breve como as ondas no bojo preto deste navio
Cargueiro. Vi passar o rápido, das nove e um quarto,
Branco, branco...Tinha na face, a expressão da glória antiga,
E eu aqui no porão, como um rato num ínfimo labirinto,
Hostil e angustiado sob o peso da máquina universal do atraso.
Ah, se eu estivesse atrasado dezoito horas na vida,
Começava tudo outra vez, à meia-noite e vinte em ponto
E seria mais um livro, posto na prateleira, sem paciência
Pra ser lido, contudo, sinto-me vivo como um nado-morto,
Embalado pelo dever de viver, ao lado de cada dia, de cada segundo,
Sem força para detestar tudo o que me é imposto,
Pela absurda tripulação de estibordo.
Ah, se eu tivesse ambição, provocaria um motim de praças
E partiria de malas feitas, por esse mundo sem fim,
Decerto seria alguma coisa, com mais sabor que não engodo
De peixe balão, batata de sofá, asceta gordo de time-sharing
Ou marajá da sanita. Descubro que sou, metade, tempo perdido,
Metade, escrita ilúcita e imaginação no intervalo, mudo de cor,
Ao estilo de camaleão do campo... sem título.
Breve, o dia em que decidi ser, coisa alguma,
Um zero, num fim metafórico de cena, uma réplica de sino,
Uma causa pequena, onde o vento, faz tempo não sopra
E dedico os últimos minutos, A TENTAR DEFINIR A ESPERANÇA.
Joel Matos
(01/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
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