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João de Castro Sampaio

João de Castro Sampaio

Certamente, mais do que nunca

Saber quem estava certo, nesse caso,
Mostrou-se de assaz importância para o tal do sujeito.
Porém, apenas a terrível ideia de estar, de
Ser alguém, ali no momento, de fato, o incomodava.
O sujeito era de um tipo,
Desses que não se explicam,
E morrem de medo de estarem errados o tempo todo.
Na verdade era improvável:
Ninguém poderia dizer;
Ou sorria, ou chorava, jamais descansava o rosto.
Queria ter a cor do sal na ferida,
Queria respirar, mas estava envolto em volúpia e tirania;
Lá estava ele, pobres dos que foram ver!
Fazer tais exigências não significou nada.
Tudo se resolve no tempo
E o tempo é o mundo
E o mundo é inconstante
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laertgoulart

laertgoulart

“E agora”

Pra entender a vida 
foi preciso pensar na morte,
pensar sobre morrer….
Como deve ser morrer?
Morte bonita,
morte providencial,
morte tranquila,
morte anunciada,
morte inesperada,
morte acidental!
Quem sabe?
Apenas sei 
que se pudesse 
gostaria de morrer dormindo,
pra não saber!
Mas morrer,
morrer deveria ser 
uma passagem lúdica,
assumida,
consentida!
Apenas aguardar 
a derradeira hora!
Permitir aos entes 
sentir saudade,
não a angústia 
do “e agora”....

Petrópolis 09/07/2020

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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Porque me fazes chorar?

Porque me fazes chorar,
porque me fazes sofrer,
Já não sei mais como estar,
esta dor já esta cravada dentro do meu ser,
Eu que nunca chorei,
muito menos chorei por um amor,
te dei o meu carinho,
e tu levaste a minha paixão,
te amei tanto que hoje só de pensar em ti,
sinto a dor da desilusão...

Luzern, 05.08.2017, tsunamidesaudade63
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laertgoulart

laertgoulart

Pensamento.

Não sei 
o que passa na sua cabeça...
Interpreto 
palavras e atitudes,
mas como saber a conexão...
A conexão 
entre palavra e atitude
deixa à vista
uma impressão...
Impressão que,
como age
ou, o que fala,
está distante 
do que pensa!

Petrópolis 24/06/2020
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rfurini

rfurini

NÓS DOIS!!

Nos perdemos...
Sem percebermos, criamos uma barreira de silêncio entre nós!
Não importam os motivos,
Não importam os porquês,
Sem nos darmos conta, nos afastamos!
Não cuidamos de NÓS,
Recuperarmos o que deixamos de viver,
é impossível,
Nos falta tempo para olharmos um ao outro,
Nos falta tempo, para cuidarmos do que sentimos,
O afastamento é algo presente, e inevitável.
A vida não espera...segue,
E vamos deixando de viver o que sentimos!
Vão ficando só as lembranças, um vazio, e uma solidão, que dói demais sentir.
A solidão nos fragiliza demais,
Mas é o orgulho, e o medo que nos destroem,
Esses dois sentimentos fazem um estrago gigante, não perdoam,
E dizer adeus, parece ser o próximo passo, 
Mas algo em mim, se recusa a te perder,
Como dizer adeus ao meu melhor abraço?
Como deixar de deitar no teu colo, se é ali que me sinto em casa!?
Como deixar de olhar nos teus olhos, se é
neles que enxergo o melhor de mim!? 
Como deixar de te cheirar, se é no teu cheiro que me sinto completa!
Como deixar de ouvir tua gargalhada, se nela está minha alegria!? 
Como seguir sem você, se é ao teu lado que me sinto inteira!?
Como deixar de te querer, se cada dia que passa, eu te amo mais!?
Como te esquecer?
Desisto...tudo o que quero é estar contigo,
O tempo que tivermos, 
Que seja sempre bem vivido!
Então...não me deixa ir...
Me busca de volta,
Me prende em teus braços,
Não estou preparada para seguir sem você!!

RFurini
Julho/2020
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Carlos Silva

Carlos Silva

VEM PRO GUETO

Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia


Sociedade
é a virtude da cidade
Vou vivendo sem maldade
na luta para vencer

Eu pago um preço,
ser feliz até mereço,
e assim eu enalteço
O lugar que me viu crescer

La na quebrada,
tenho a historia revelada,
reunindo a malocada
para um churras informal


Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia

Cola com a gente,
aqui só tem mano decente,
bom de papo e de mente
Só do bem nada de mal

Filosofando,
estudando vou rimando
por ai sigo cantando
construindo minha historia

Sou mais ou manos,
dou um salve faço planos,
sem terror e sem enganos
preservando a memória

Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia

Venha somar
Dar rizada, espante a zica,
Mais bonita ainda fica
se voce souber chegar

Traga uma rima
que é a matéria prima,
vem com tudo vem pra cima
A festa vai começar

Perifazendo
perifase abstrata
Jogo o verbo assim na lata
Esse é meu expressar

Sou da quebrada
Filosofia
Sou doutorado
Psico periferia


Letra de RAP - Carlos Silva.
849
glaucio

glaucio

Coração Externo

Embora inexplicável, tento manifestar
A transformação assaz imensurável
Que conceber herdeiros irá lhe provocar.

Parecia exagerado sempre que ouvia
Que filhos trazem consigo um bocado
De zelo, preocupação e extrema alegria...

Mais que isso, tornamo-nos diferentes.
Do mais sensível ao mais impassível,
Ninguém consegue ocultar o que sente.

Coração externo, pulsando em outro ser,
É a sensação constante do amor paterno.
Que como seu próprio, sempre irá proteger.
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yuri petrilli

yuri petrilli

poema vazio

Mergulho no engulho do orgulho,
Desfeito às três da madrugada,
Quando o tudo de antes é nada,
E os narcisos morrem no entulho.

Mergulho e me busco e me dano,
Incapaz de singrar-me são,
A bordo do meu coração,
E no mar do tempo me fano.

Navego, naufrago, repito.
Quantas, oh, quantas embarcações
Partidas nas recordações
Das nuas agruras que fito...

Três da madrugada, dezembro.
Vou reclinado no sofá,
Viajando, entre o que há e não há,
E o que nunca houve, e o que lembro.

Saudoso, me dispo de mim,
Vejo-me nu e inteiro, quebrado
Sobre as areias, constelado
De estrelas de angústia sem fim.

Afinal, que sou senão isto?
Isto, que em si se afoga e verte,
Que em outro que é em si se perverte,
Que vejo, e me perco e me disto?

Sufocantes águas insanas,
Mãos que me afogam e me ferem,
Que me rejeitam e me querem...
Que sou senão águas profanas?

Quatro. Madrugada sem nada.
Cravada na sala de estar,
Minha alma segue a navegar
Presa em meu corpo e estagnada.

Passam as horas, logo, eu passo...
E tudo é um sagaz contratempo;
A minha alma presa no tempo
O meu corpo preso no espaço.

Mergulho no engulho do orgulho,
E o relógio sugere a aurora...
E tudo o que recebo agora
É uma angústia em lágrima, embrulho,

Por sobre os lábios ressequidos,
Que amargos ainda se franzem,
Cobrindo os meus dentes que rangem,
Saudosos de risos perdidos.

Mas tenho inda algo de vivente,
Algum resfôlego no mar...
Algum consolo, algo que dar,
Algo de belo e decadente;

Talvez o couro do navio
– A carne deste coração –,
Nas rimas que disperso em vão
Cá neste poema vazio...
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helbertalves

helbertalves

Simplesmente assim.

Mais uma pergunta
Uma curiosidade veio nascer
A cada dia vivido 
Nova lição a aprender
Dar tudo o que sabemos
Por algum outro ser
Não faz mal a meu interior
Só quero saber como viver
Paisagem que surgem
Neblinas que vêem a aparecer
Esperança no meu coração
De um grande amor sobreviver
Por amor vale tudo
As vezes até chegamos sofrer
Ninguém sabe o sabor
Só amando para saber
Nunca esquecerei não faz mal
Não quero te fazer entristecer
Esse e meu pedido
Faça sol ou o anoitecer
Esse sentimento rouba a cena
Esse sim tem o poder
Será que volto para trás
Ou sigo sem querer
Mais ele tem um poder
Que me faz cada vez mais querer
Talvez nunca ouça
Ou nunca veio a perceber
As vezes um beijo na testa
Pode ser a forma de dizer
No momento único
Nosso amor irá prevalecer
.
280
ANTONIA K

ANTONIA K

Corpo I


Seus corpos nunca se entrelaçaram, feito a dupla hélice do DNA
Nem respirado os odores
O que compõe o gosto?
Os beijos ardentes ausentes.

As mãos tocando-se
Encadeamento de corpos
Encontro de almas.

Sim, toca-me
Em cada parte desse território-corpo
Fica morando dentro aqui
Te quero
Vivia um deserto, até te achar
Meu oásis
Te levo para eternidade.

AK
423
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

sede sedente


Gostava de poder descrever o que sinto,
mas tudo é tanto e muito mais.
parece que não tenho nenhum sentimento,
será que há uma agonia,
que me toma o peito?
Ela é leve como a brisa,
mas constante!
Será chuva? Será vento?
Amor não é certamente!
O que sinto é uma sede sedente,
e à mistura uma saudade ardente...

Luzern, 01.08.2020, Joao Neves...
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adrianoperalta

adrianoperalta

Violência policial - Cíclopes modernos.

Pedro é policial numa das regiões mais violentas do mundo – a América Latina. Juntamente com o Caribe corresponde a apenas 8% (oito por cento) da população mundial, mas é a fatia planetária onde ocorre um terço  dos mais de 437 mil homicídios registrados anualmente.

De origem proletária, perseguiu seu sonho de se tornar um agente da lei.

Ele vive da segurança em meio à insegurança; sabe que a probabilidade de ser morto em um assalto chega a ser 6.000% (seis mil por cento) superior à de um cidadão comum. Também sabe que o número de roubos no continente onde vive é absurdamente alto.

Quando entrou para a polícia lhe prepararam para a guerra. Os testes físicos eram rigorosíssimos. Teve que fazer curso de sobrevivência na selva ficando quatro dias sem se alimentar e tomando água da chuva. Os sentimentos mais primitivos da evolução humana afloraram do seu interior naqueles dias.

Nos tempos de preparação da academia foi submetido a todo tipo de humilhação. Eram trotes, pancadas, xingamentos, castigos e até sessões de tortura.

Foi doutrinado na certeza de que aquele que conseguisse passar por tudo isso estaria pronto para cumprir sua difícil missão e suportar os desafios da carreira.  Algumas pessoas também lhe disseram que tudo aquilo iria lhe causar traumas violentos e fazer com que ele descontasse no cidadão parte do que sofreu no seu treinamento.

 Pedro odeia o discurso de alguns sociólogos que dizem que o Estado treina uma polícia para a guerra e a coloca para trabalhar em atendimento ao cidadão.  Na sua concepção, a lida diária correndo riscos da profissão e enfrentando criminosos com fuzis e metralhadoras demonstram um estado de guerra urbana.

No mês passado ele trocou tiros e matou o assaltante de um supermercado. Há aproximadamente  seis meses ele auxiliou no parto de uma moradora de rua cuja criança nasceu dentro da viatura enquanto era levada para a maternidade pública. Pedro não é Deus, mas já trouxe uma pessoa à vida e levou outra à morte.

No bairro onde trabalha o índice de homicídios é muito alto. Em quase todos os seus plantões sempre atende a pelo menos um homicídio. São tantos os atendimentos que ele já não sente mais a compaixão pelo defunto – virou rotina, é algo muito normal.  Costuma dizer que o ruim desse trabalho é no dia que tem que enfrentar algum homicídio cuja vítima é criança; isso lhe estraga o dia, embora tenha medo de que a rotina também lhe transforme em um ser indiferente a um cadáver infantil.

Leu em um livro de autoajuda que o ser humano para ser considerado normal precisa despertar e ter o controle de todos os sentimentos (amor, ódio, paixão, compaixão, raiva, alegria, inveja, orgulho, piedade  ...).  Alguns desses ele já não tem, outros não consegue conter e o pior é que alguns se manifestam em ocasiões erradas.   Sua engrenagem cerebral de sentimentos parece estar um pouco desajustada ultimamente.

O meio em que vive não é nada favorável. Lida com pessoas alcoolizadas, entorpecidas, psicóticas, criminosas, vítimas chorando, gente gritando, famílias brigando, gente lhe xingando etc.  A jornada de doze  e às vezes de vinte e quatro horas corridas também lhe confunde o relógio biológico.    Quando trabalha à noite sente sono, quando termina o turno e vai para casa descansar tem dificuldade em dormir (fica pensando no próximo plantão).

A vida conjugal também não anda nada bem, mas isso é visto com normalidade, afinal, dos colegas de profissão ele é o único que ainda está suportando o primeiro casamento.

Alguns sinais de estresse já apareceram como a hipertensão e a diabetes; “nada preocupante” reponde ele, “é coisa do dia da dia e da alimentação de rua”.   Nos turnos de trabalho se alimenta  em lanchonetes ou restaurantes que dão descontos para  policiais. 

Nas madrugadas sombrias, Pedro e os demais ocupantes da viatura são a única presença e a representação  física do Estado.  Não tem julgador, legislador, fiscalizador nem consultor – os problemas surgem e o Estado age pelas mãos de Pedro e seus colegas de trabalho.

O salário não é grande coisa, mas ajuda a manter um padrão de vida diferenciado no bairro pobre onde mora. Ele se orgulha de ser  tentado à corrupção todos os dias e nunca ter cedido a ela.

Nos telejornais e nos sites de notícias aparecem analistas econômicos dizendo que Pedro e os demais servidores  são os responsáveis pelo desastre das contas públicas. Pessoas como ele são consideradas privilegiadas e que se aposentam cedo demais. Nos intervalos de cada programa surge o patrocinador: sempre um banco, uma financeira ou um operador de fundo de pensão que lucram fortunas emprestando dinheiro ao governo com juros estratosféricos.

Ontem à tarde o parceiro de trabalho de Pedro foi convocado para fazer a segurança do parlamento onde estavam sendo votadas as novas leis que regridiriam  o regime previdenciário dos funcionários públicos.  Havia um grande protesto nos acessos à casa de leis. No tumulto eles empurraram o amigo de Pedro que sacou a arma e atirou a esmo atingindo fatalmente um professor que lutava por seus direitos. 

Hoje o noticiário só fala desse assunto. Curiosamente, algoz e vítima estavam socialmente no mesmo lado – ambos seriam prejudicados com as alterações legais.

Provavelmente o policial continuará preso por mais algum tempo e será expulso do serviço público. Suas perspectivas futuras não são nada boas.

Pedro foi visitar o amigo e passou a refletir sobre os acontecimentos: está em dúvida sobre qual lado é o certo e qual é o errado.

Na expectativa de que Deus lhe desse uma palavra nesse momento, abriu a Bíblia aleatoriamente e leu um versículo  em 2ª Timóteo 4:7-8:

“ Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.  Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia ...”

Está confuso sobre qual seria o “bom combate”; como diferenciar as batalhas que devem ser  enfrentadas e as que não compensa combater ?

Pedro vivencia a saga de “Dom Quixote de La Mancha” imortalizado por Miguel de Cervantes. Ficou  mentalmente transtornado pelo descompasso entre seu idealismo e sua realidade de vida.

“...Enfrentar o inimigo invencível,

Tentar quando as forças se esvaem,

Alcançar a estrela inatingível:

Essa é a minha busca.” (Dom Quixote)
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jaiamiranda

jaiamiranda

O que faz o sentido ter sentido

Faz sentido não esperar
Que seja apreciada
- Isto é sobre tudo -
Sobretudo quando se fala
De todas as coisas.
Escrevo às letras tortas
Para quê possas ajustar
Ao teu caderno.

Talvez nem haja risco,
Mas é um rabisco sincero,
essencial.

Faz sentido todas as constelações e
Como as luzes de cima
Nos chegam
Mas não faz sentido todas as coisas.
Faz sentido uma lamparina apagar
Por falta do que queimar
Mas não faz sentido todas as escuridões
[De pensamento].

Faz sentido um pássaro voar
Em busca de alimento
Mas não faz sentido
Todas as fomes.
Posso dizer que

Nenhuma delas.
A de palavras, a de curativos
De respirar, comer
Aliviar.

Muito na vida faz sentido
Muito não.
Pouco em mãos pequenas
Muito nunca, não.
Não se divide o particular.
Divide o ruim, o podre, sim

O bom, não.
O que é o bom
Que tenha sentido
Está escondido
Em poucas mãos,
Fica cego
Ou a vida perde
Quem vê.

Faz sentido que quem veja, fale
Mas matar a voz, não.

Enfim, um poema
É uma imensidão. 
Um poema escrito a meia noite 

é um arremesso
Na escuridão
mais ofuscante de luz.
450
Paulo Faria

Paulo Faria

PORTAS QUE SE FECHAM

Vai...
Deixa que eu cerro a porta
Vou certificar-me que a tua ida é para sempre,
Mesmo que queiras voltar...
A porta vai estar para sempre bloqueada
Vai embora...
Não há mais motivos para te segurar.
Sei que me queres ainda...
Mas tens medo de ser amada,
Tens medo de amar,
Tens medo de ser feliz e sofrer,
Não queres abrir mão de mim,
Não queres abrir mão da liberdade,
Não queres abrir mão de nada.
E no meio de toda  indecisão,
Abris-te mão de mim... 
A tua liberdade foi mais importante.
Respeito a tua decisão, 
O erro foi apenas meu...
Pensei que estavas pronta
Para levar este amor à sério. 

In "Palavras Guardadas"
Paulo Faria
429
glaucio

glaucio

Óleo Sobre Tela

Expressão máxima de realidade.
Artes plásticas são miméticas
Manifestando a identidade
Cultural de outras épocas.

História mundial revelada
Por meio de esculturas,
Em madeira entalhada,
Cerâmicas e gravuras.

Todavia, há uma técnica
Que deleita o olhar humano.
De uma forma magnética
Impelido a admirar um pano.

Banhado de tinta a óleo
Aplicado para representar
Com beleza o espólio
De populações pregressas.

Egrégios fatos históricos,
Ou fábulas e mitologias.
Um legado tão poético
O passado nos premia.
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ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

QUANDO NOS TORNAMOS RIOS POLUÍDOS

No ventre da nossa mãe somos um olho d'água que cresce e chega o tempo de jorrarmos para fora como um pequeno curso. Vamos nos avolumando até nos tornarmos rios de verdade, já deixamos para trás os costumes talvez de um manso riacho. Agora somos grandes e fortes, imponentes, longos; atravessamos cidades e estados em quase todos os tipos de terrenos. Aí é quando lançam sobre nós todos os tipos de dejetos, sujeiras que vão impactar-nos. Nos assoreiam, tiram as nossas forças, furtam os nossos valores, ainda assim continuamos carregando em nossas águas o peso da poluição que nos lançam. Muitos somos perenes, mas muitos já secaram e ainda vão secar. Difícil encontrar quem nos limpe e preserve, invadem as nossas margens e tiram-nos a privacidade, constroem edificações e nos sufocam. Somos rios poluídos pelo que levamos no curso de nossas vidas, as chuvas torrenciais somente pode limpar-nos por um período de tempo, é quando ficamos cheios e entornamos por todos os lados, devolvendo as sujeiras que nos lançaram.

Erimar Lopes.
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Carlos Silva

Carlos Silva

UMA TROPA, MUITAS SAUDADES

Justino, Ezequiel Melchiades encilhem as mulas verifiquem as ferraduras, os arreios e as caixas.

A jornada será longa até atravessarmos o rio, aproveitando que as chuvas nao vieram se não, seria impossível seguir viagem.

Assim, dizia o experiente Zaqueu Ferraz com mais de 40 anos de experiência tocando tropas nesses sertões de grandes segredos.
Os mantimentos eram conduzidos por um burro que só carregava as provisões.
Uma manta de carne do sol, toucinho defumado, rapadura, farinha, banha de porco, produtos para limpeza, querosene, um galão com aguardente pra temperar a guela e afastar a secura do pó da estrada.

O responsável pela guarda conservação e preparo das refeições, cabia ao velho Tião. SEBASTIAO HIPOLITO FERRAZ. Primo do velho Zaqueu.

O Nego Tião (como era chamado pelos companheiros) tinha os dons de ser poeta, Violeiro, cantador e bom de versos rimados, que animava os seus leais amigos de tropa.

Foi ele inclusive, quem deu um nome pro grupo: TROPEIROS DO VELHO FERRAZ.

As currutelas já conheciam o grupo, devido as cantorias do animado Tião, que fazendo uso de um berrante dos tempos que participava das comitivas la pras bandas de Miranda no Matogrosso do sul, sempre trazia como peça indispensável e muito importante nas jornadas percorridas. Ezequiel, vez em quando perguntava so pra ver o delirio melodioso da resposta: Nego Tião. -Diga Ezequié!

O que é que um grupo de tropeiros tem a ver com berrante Tiao? Ele soltava uma sonora gaitada e depois dizia com os olhos brilhando de intensa alegria como se revivendo um passado que lhe fora presenteado com tanto carinho: NADA! É só pra matar a saudade e fazer meu coração sorrir mais feliz.

Ao dizer isso, repetia a sonoridade soprante fazendo do seu choroso berrante, uma gaita pra todos ouvirem e saber que o bom Tião e o grupo TROPEIROS DO VELHO FERRAZ, estavam por ali rompendo campinas e desbravando os sertões numa lida secular, no verdadeiro ofício dos tropeiros, grandes contribuintes para o progresso do nosso brasil, mas que hoje (para a tristeza de muitos) já não existem mais.
Em cada currutela daquelas cercanias, existem placas que marcaram essa atividade comercial de esplendoroso valor, guardando em cada vereda, imortais lembrancas de um tempo feliz.

Tem uma que diz:

OS TROPEIROS DO VELHO FERRAZ, UM DIA POUSARAM AQUI.
Noutra mais adiante pode ser lido: O BERRANTE DO NEGO TIÃO, AINDA ECOA NOS SERTÕES E NOS NOSSOS CORAÇÕES.

Toca Nego Tiao, nesse vasto universo de sonhos, o teu berrante para que os anjos possam nos avisar que voce está em paz e dando suas gaitadas pra fazer do ceu, uma estrada de alegrias.
849
João de Castro Sampaio

João de Castro Sampaio

Um cenário causado por terríveis escolhas

Maldita voz!
Te chamas razão por acaso?
Então por que teimas em continuar
Possuindo minha mão,
Agarrando esta caneta e me
fazendo maldizer
As verdades incongruentes?
Adeus, velho amigo, adeus!
Eles nos pedem para esperar,
Mas esquecem de apontar qual é o caminho.
E então nos deparamos com este cenário arruinado,
Já não sabemos mais para onde ir,
nem o que fazer. Adeus! Estou partindo
Para as terras escondidas atrás dos Montes!
Mas antes que entristeças, saiba que um dia voltarei
Com a resposta eterna para o enigma que foram os sonhos que tivemos.
Como aquela vez na qual olhei para um par de olhos
e soube que estes compartilhavam o mesmo sonho que eu.
Gritando, surpresos, em uma espiral fantástica,
Correram até mim, mas não saiam do lugar;
Enquanto eu desaparecia em meio a uma combustão,
Os olhos desesperavam-se, temendo me perder, e,
No momento que as chamas transformaram-me em pó,
A marca impressa daqueles olhos ficou, como que me encarando,
Então eu acordei.
Qual é o tormento desse povo? Ousas me perguntar
Já sabendo a resposta, respondo mesmo assim:
Não sabem sonhar, se o sonho lhes agrada,
mantém-lhe este feitio eternamente, e depois,
caem na desgraça quando, inevitavelmente, são obrigados a
acordar.
Pois foram aqueles que mandam e desmandam,
Dando as ordens para estes pobres coitados.
Diziam: abra logo essa porta,
Quero ver o sol por um instante.
Já dizia aquele morto ali no canto:
Não me atento mais
Aos indeferidos desgastes da alma.
Seja o que for, estou à serviço dos que prestam.
verdade nenhuma é encontrada, apenas um turbilhão de esperanças e
Sentenças contraditórias.
Os meus camaradas no Jesus, pedindo para morrer, não temiam
Aquele mar de sangue que estava em baixo.
O céu, sujo e virulento, mandando raios e trovões para que caíssem lá em baixo,
no poço de eterno sofrimento.
Eu, nesse dia, não estava lá.
Quis ficar ocupado com qualquer coisa, coisa essa que
hoje, eu esqueci.
Ocupando-me, recentemente, de José de Alencar,
Observando esse cenário se transformando,
querido amigo, a única conclusão que chego é que, como diziam,
De fato, o amor resultou-se inútil.
Eis aqui um cenário causado por terríveis escolhas,
Onde as mágoas são eternas, inevitáveis, e é nele que se encontra
A impossibilidade de fugir, uma vez que
aqueles mortos de fome, tentaram, debalde, procurar um refúgio, porém
Não encontraram nada além de ruínas e pântanos e desertos e
Jamais encontraram a saída
Pois nunca a procuraram.
Pouco a pouco, já é sexta.
Que me ensinará? Nada que eu já não saiba.
Hoje eu já não lembro da valsa e nem do fado.
Aconselho que esqueças também, pois
Vivemos nesses desencantos, nessa terra desolada, na qual
Rútilos prazeres não conseguem nos proporcionar uma só
Experiência memorável.
Pensem só, agradáveis senhores, o que irá acontecer
Quando a semente do vosso futuro
Apodrecer no momento em que tocar o solo?
Pois esta terra já lhes deu frutos no passado,
Mas hoje se encontra infértil.
E te atentem, oh mestres gentis, antes que a salguem;
A fúria desses seus prodigiosos já é visível!
Entendam, a sucessão de fatos é uma fera inevitável!
Um dia lutaremos contra nossa glória derradeira,
E a voz da consciência, precedendo os limites da razão e do pensamento
Gritará no céu, para que todos possam ouvir: ei aí o novo
Arauto do glorioso progresso!
Voando pelos ares no formato de um colosso gigantesco,
Assombrará alguns e acalentará outros, dominado os corações e fazendo-os
Chorar. Este fato, oh generosos, entendam, é inevitável,
Chegará, com toda certeza, mas quando, isso eu já não sei dizer.
O que sei, porém é que apesar da inevitabilidade deste evento,
Sentimos ambos necessidade de adiá-lo.
Trabalhemos então nesse solo infértil, trabalhemos enquanto as asas ainda
não foram dadas ao colosso!
Elejam uma palavra, sigam um profeta!
Agradáveis senhores, são vossos filhos prodigiosos
Que, se dobrarem os joelhos, adubarão o solo,
Permitindo que a semente do vosso futuro
Germine em paz.
E os frutos dessa semente cairão no solo,
Transformando este cenário em belos campos.
Voltarão os animais; as ruínas e pântanos e desertos
Estarão cobertos pela Ofélia, a mais bela flor, qual jamais igual 
fora vista embaixo deste céu!
E muito anos se passarão dessa maneira.
O colosso será esquecido, a memória de um povo alimentado o
Sedimentará sob toneladas de lama, mercúrio e ouro preto.
Vivemos em festa desde então.
Ano após ano, sábados tornam-se mais puídos.
Ouve-se o silêncio nas ruas;
Percebe-se uma leve mudança na cor do céu.
Porém, não se sentiram acuados aqueles que lutaram
Contra essa tirania do destino.
Inventaram um novo jeito de sonhar e sonharam desse jeito
Todas as noites.
Comungavam entre si em meio aos gritos da Lua, dançando ao redor
de uma fogueira e bebendo vinho e se canibalizavam em meio às sangrentas
orgias e agiam violentamente uns contra os outros os homens e as mulheres e acordavam suados
e chorando e ainda com sono e com vontade de sonhar novamente.
Naturalmente, arrependidos, caminhavam até o Oráculo, descendente de
um antigo Profeta.
Ajoelhavam-se e contavam as histórias,
Estas que o nobre Oráculo ouvia com desdém.
Desdenhava pois já sabia o que se passaria depois,
Que nós não queremos mais acordar e que
Cansamos deste silêncio e que
O grito da Lua nos ensurdece e que
O céu jamais poderia ter outra cor 
Senão o azul.
Respondeu calmamente:
Arre! Que querem de mim?
Querem que eu lhes diga como fugir deste mundo por acaso?
Nem seu eu soubesse eu lhes contaria, pois é uma heresia
Desejar tal fuga!
Eis o que devem fazer: aprendam a amar, pois
Esta é a Lei desta terra!
Vosso mundo de sonhos não passa de um cenário lascivo, uma ilusão
Repleta de causas injustas e infames.
Continuai por este caminho e estarão tomando terríveis escolhas e de fato,
Este não é o desejo do nosso Profeta.
Reitero, aprendam a amar, sigam a Lei da nossa terra!
Ouçam o clamor das estrelas e dispam-se da carne, pois a carne,
A carne é uma quimera tentadora, que os devora pelo sonho!
E ouviram as estrelas e ficaram nus da carne, jurando abandonar o sonho.
Voaram para as terras atrás dos altos Montes,
Criaram um reino
E amaram para sempre
Até que o sempre os alcançou, e
Em um púlpito ardente, os exilados ganiram de desejo.
Precisaram esconder em um palácio flamejante
O segredo do sonho, para que andarilhos de outras terras
Não os perturbassem com nenhuma tentação.
É escusado dizer, que,
Após anos inteiros de chuva pesada,
Os exilados já não aguentavam mais a Lei que um Profeta
De tempos esquecidos
Havia outorgado.
Que fizeram então, se juraram perante ao Oráculo
Abandonar o pobre estado que se encontravam, na dimensão onírica e lasciva
Dos sonhos irrestritos?
O que fizeram, velho amigo, foi transportá-los
Para a então chamada realidade.
Mimetizaram os júbilos noturnos de outrora, aqueles que
Tornavam-lhes homens e mulheres detentores
Da memória de um tempo antigo, e,
Refletindo em seus salões dourados toda essa
Energúmena lascívia, não fizeram mais que macular
Toda essa nova terra!
As terras escondidas atrás dos Montes;
Onde, em meio aos tais estava o Parnaso, o mais belo,
Testemunha dos poetas e do Profeta,
Que em derradeiro esplendor,
Abençoaram este mundo!
As terras escondidas atrás dos Montes,
Agora frígidas e inertes trataram logo de devorar os palácios,
Fazendo cumprir a Lei deste chão!
Os exilados, que em um átimo de lucidez, perceberam
aquilo que estava para acontecer, fugiram para longe.
Pararam ao ouvir as badaladas de um sino.
Haviam voltado à terra de onde partiram.
Irremediável era a vergonha que sentiam,
Foi necessário apenas o olhar do Oráculo
No alto da igreja, bastou apenas o julgamento daqueles olhos,
Para que eles dessem meia volta e voltassem a fugir.
E fugiram para sempre, velho amigo,
Pois o olhar do Oráculo marcou sua pele com uma maldição,
Fugiam ao mesmo tempo que seus corpos apodreciam, pois,
Se foi para o corpo que viveram, pelo corpo haveriam de morrer!
Eu fui e vi, e digo para você, que assim seja.
Enquanto embriago-me de vinho, escarneço de vocês, hereges!
Maldita voz!
Te chamas dúvida então?
Como ousas questionar a integridade da minha palavra
Sendo que fostes vós que me fizestes maldizer
As verdades incongruentes?
Adeus, velho amigo, adeus! Cá estou eu de volta
Mas hei de partir novamente,
Pois vejo só o que trouxe comigo:
É o sonho dos exilado, bem nas minhas mãos!
E é tão belo seu cheiro;
Um nobre elã de flor, tão doce e harmonioso!
Vou sorvê-lo, querido amigo, porque lhe prometi que voltaria
Com as respostas para os sonhos que tivemos.
Uma praia de areias turvas; dois exércitos se encontrando
Dia e noite, noite e dia nas areias, tão logo mancharam
As eflúvias águas salgadas que decompõe o infinito
Atado ao céu;
À oeste do meridiano azulado
Estão estacionados meus guerreiros,
Este é o cenário, velho amigo,
Eu sou o comandante, porém,
Agora, tornei-me um herói,
Pois quando fechei os olhos para ti,
Abri os olhos para eles!
Sinto a fina areia escorrer pela minha mão,
O plexo dos ventos assopra minha face,
Lanço-me furioso frente aos inimigos,
Estou, ao mesmo tempo, vivo e morto,
Estou, ao mesmo tempo, correndo e voando!
Foi necessário apenas um rígido balanço da minha espada
Para que todos na minha frente fossem derrotados,
E apenas uma estocada da minha lança
Para que se ajoelhassem aos meus pés!
Escravos construíram meu castelo no topo da montanha
Céu, Terra e Mar agora divididos,
E eu, o Homem, no meio, ponderando todos;
O Céu consultava-me quando queria chover;
A Terra pedia-me permissão para germinar;
E o Mar sempre me perguntava se podia elevar as marés.
Penso que já era noite quando os três decidiram me chamar
Até as areias da praia onde venci.
Foram os meus guerreiros me assistir.
Despi-me das minhas armas e brasões,
Olhei para o céu, era dia na verdade, porém,
A Lua cobria o Sol.
Olhei para o Mar, ele dizia, venha,
Eis aqui um presente para vós
Fui em frente e segui até que a água
Atingiu minha cintura.
O reflexo platinado da Lua no Mar
Levantou-se e cingiu o Céu, e eu vi
Um espelho que não refletia nada além 
Da escuridão.
Virei, dei nove passos em direção à praia, porém
Fui tragado pelo meu próprio reflexo.
Vi a Lua, vi Saturno, vi nove estrelas, o espaço e o infinito,
Cheguei no limite, estava nu, alguém que eu não enxergava
Me mostrou nove planetas e me disse,
Com uma voz inaudível,
Para apontar de onde eu vim;
E para lá eu fui,
Em uma sala comigo mesmo, eu me entreguei um papel.
Acendi a luz para ler, e quando li,
Vi que eram versos meus que haviam sido sonhados à muito;
E eu, que estava acordado, entendi que
Eu agora sou o infinito riolargo de três margens,
Eu sou eu, sou repartido em
Céu, Terra e Mar, e,
Olho para o palco à minha frente,
Com o olho do oeste eu sou um ator;
Com o olho do leste eu sou o diretor;
Com a mão esquerda eu empunho a espada;
Com a mão direita eu empunho o cajado,
E apareço nos céus como o Juiz,
Nos sonhos humanos,
Para edificar a Lei do meu Profeta!
Maldita voz!
E agora, importa como te chamas?!
Já não lhe ouço mais!
E o adeus, velho amigo, de fato,
Foi derradeiro, pois agora
O tempo passou e eu estou aqui,
Mas, você, só existe na memória.
Poderia revê-lo, é verdade,
Basta que eu imprima meu pensamento
Em uma folha de papel.
Só não o faço, velho amigo, porque estaria
Abusando da minha indústria.
E também lhe tenho consideração;
Tua ausência faz-se necessária agora
Assim como a minha fez no passado.
Meu olhar à oeste me dá a clareza
Necessária para me conformar, porém, resolvi
Misturar minhas elucidações dos dois olhos;
Vejo-o agora na minha frente,
Sem nenhum contraste temporal
Campos verdejantes rudemente cultivados,
Igrejas tombadas para dar lugar a edifícios,
A palavra do meu Profeta, há muito esquecida,
Porém, praticada, fora retomada, mas eram
Bocas hemofílicas que pronunciavam.
Dê um tempo, velho amigo,
Agora voltarei meu olhar para estes por um instante,
Foi o que eu disse, esperando encontrar consolidadas
As raízes dos meus versos sonhados,
Os quais, cheio de alegria, entreguei para eles em mãos.
Minha vontade fora desmentida
Para além das heresias cometidas
No cenário que lhes dei!
Arrancavam as flores no campo e
Reduziam a pó os Montes e
Assassinavam meu Profeta
Ao usar folhas brancas para cultuar
O recôndito da memória.
Luzes apagadas em toda cidade,
O grande salvador fora encontrado
E posto, em glória, no centro do mundo.
Acenderam-no com o pensamento
E gritaram para o Céu,
Comungaram sobre a Terra
E atiraram os corpos ao Mar.
O colosso falou-lhes sobre o sonho.
Não tardaram a usá-lo.
E durante mil anos o chão onde se deitavam
Fedeu a carne, lama, mercúrio e ouro preto.
Ignoraram os gritos da Lua.
Até que um dia, velho amigo, eu
Que descansava tranquilamente,
Ouvi novamente aquela
Maldita voz
Talvez estivessem cansados das orgias,
Pois ignoraram o fato de que
O colosso no centro do mundo
Já não mais os iluminava.
O céu desmoronava sobre suas cabeças,
A terra os engolia, e
O mar os inundava, e
Alguns mais desesperados, não contemplando solução,
Imolavam-se em um suposto ato de redenção, mas
Conseguiam apenas adiantar o próprio fim, pois,
Ninguém escaparia da fúria do Céu, Terra e Mar!
Eu apareci,
Senti alguma compaixão, talvez, mas de qualquer forma,
O que fiz foi explicar-lhes que tudo aquilo não passava de 
Um cenário causado por terríveis escolhas,
Causado pela sua própria consciência, sua falta, sua maldade!
Quis deixá-los, ir embora novamente,
Mas fui impelido pela minha própria presunção de salvá-los.
E foi a voz, que gritando e dizendo
Certas verdades incongruentes,
Que me fez abrir a porta
E descer a cortina.
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Maycon Douglas Silva Ribeiro

Maycon Douglas Silva Ribeiro

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As vezes é preciso voltar aquela velha máxima de: Não faça com os outros aquilo que você não gostaria que fizessem com você.
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l_m2020

l_m2020

REALIDADE



Quase um mês de sofrimento sem fim,
em meus sonhos sempre a mesma imagem,
na paz da tarde consigo sentir o cheiro,
fechando os olhos sinto até o toque.

Os dedos que percorrem meu cabelo,
a leveza ao acariciar meu rosto,
o carinho em ambos os lábios,
Firmeza ao me agarrar pela cintura.

E então já começo sentir,
a boca quente em contato com a minha,
tudo calmo, aos poucos vai subindo,
uma frequência indescritível.

Não vejo a hora de abrir os olhos,
e enfim ver aquele olhar apaixonado,
admirar o sorriso, e até beijar,
mas assim que acordo.

Nada é real, apenas lembranças e sonhos,
a voz doce não escuto,
aqueles braços não me seguram,
e em meio toda tristeza.

-Eu te amo muito,
meu sorriso se abre,
coloco minha própria mão em meu rosto,
fechando os olhos, uma lágrima escorre.
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natalia nuno

natalia nuno

porquê calar?...

à minha volta o silêncio
é tudo o que sobeja
tomba em qualquer lugar
não há quem veja
só eu o vejo chegar,
cada vez fica mais perto
sobre mim debruçado
a ceifar-me o pensamento,
a levar-me ao esquecimento
como quem não tem outro remédio
nesta vida,
e se vê num beco sem saída.

tenho voltas a dar
sair deste silêncio, desta solidão
anima-me um pouco de contentamento
a morte prometida vou deixar
Deus assim me consente
a vida vale mais que este tormento
porquê calar se me perco a cada passo
quando o amor anda ausente?
distante, fantasma, sonho e nada
vida acabada,
nocturna solidão sem um abraço,
minha alma a ficar adormecida
é  tempo de nova idade.
idade de ter saudade.

natália nuno
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rianribeiro

rianribeiro

não me prive de te amar

Não me prive de ver a ti, porque tudo seria triste. Não me prive dos teus olhares, dando-os a outro, nem de habitar teu coração, chamando-te pelo nome. Deixa estar, minha fala aos teus ouvidos. Não me prive de te amar nunca.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

gosto de ti


O mais bonito é que eu não precisei de nenhum beijo teu pra gostar tanto de ti...
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ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

NÃO HÁ MAIS AS MEMÓRIAS DOS POETAS QUE DORMEM

Os poetas emudeceram, roubaram-lhes os pensamentos
Assaltaram-lhes todas as formas de poetificar
Não é mais direito dos homens saber os rudimentos
A poesia foi segregada da Terra e com Deus foi morar.

Não há mais as memórias dos poetas que dormem
Então vos consinto que façamos nossas partes
Enquanto houver dia, enquanto o sol e a lua nos velem
E mesmo que morramos, antes do fim, contemplem nossas artes.

Erimar Lopes.
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