QUANDO NOS TORNAMOS RIOS POLUÍDOS
ERIMAR LOPES
No ventre da nossa mãe somos um olho d'água que cresce e chega o tempo de jorrarmos para fora como um pequeno curso. Vamos nos avolumando até nos tornarmos rios de verdade, já deixamos para trás os costumes talvez de um manso riacho. Agora somos grandes e fortes, imponentes, longos; atravessamos cidades e estados em quase todos os tipos de terrenos. Aí é quando lançam sobre nós todos os tipos de dejetos, sujeiras que vão impactar-nos. Nos assoreiam, tiram as nossas forças, furtam os nossos valores, ainda assim continuamos carregando em nossas águas o peso da poluição que nos lançam. Muitos somos perenes, mas muitos já secaram e ainda vão secar. Difícil encontrar quem nos limpe e preserve, invadem as nossas margens e tiram-nos a privacidade, constroem edificações e nos sufocam. Somos rios poluídos pelo que levamos no curso de nossas vidas, as chuvas torrenciais somente pode limpar-nos por um período de tempo, é quando ficamos cheios e entornamos por todos os lados, devolvendo as sujeiras que nos lançaram.
Erimar Lopes.
Erimar Lopes.
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