Escritas

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Eclipso

Eclipso

Música

A vibração dos compassos no espaço  
Do som as letras, palavras e frases  
No ar estoura em gargantas vorazes 
Faz com que valha o ouvir cada traço 
 
Faz com que brilhe o ler a cada parágrafo  
Continuágrafo  
Faz com que valha ler neologismo  
Quebrar a métrica ou o silogismo  
Permanecer em rimar com o "ismo"  
Por quatro versos num perfeccionismo  
 
Principiei inspirado em música
Fui escrever sem usar a palavra
Logo notei: nada rima com "música"
Joguei sementes sem antes a lavra
Foda que agora eu já tô é regando 
E a surpresa crescendo e formando

Em decorrência de todo o descrer 
Com o futuro de um maldito texto
Que nesse pobre, horrível contexto 
Sem um vocábulo ou mesmo pretexto
Um ruminar que acaba no cesto
Tem de rimar bem no fim com um crer

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Suelem Silva

Suelem Silva

Eu morri

Eu morri... Morri quando descobri que você só me usou, quando todos os nossos planos eram mentiras.
Eu morri... Morri quando fui obrigada a te matar de novo, quando meu peito não aguentava mais olhar outras pessoas é não comparar elas com você , você me deixou além do fundo do poço, é ainda e lá que eu me encontro ainda, eu morri e meu assino  foi você 😭

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1
Alberto de Castro

Alberto de Castro

Tinta Ressecada

Através do vidro translúcido 
de tinta ressecada, 
vislumbro dentro da fogueira 
o lume do carvão em brasa 
e, na imperfeição da noite, 
saboreio as estrelas. 
 
E ao romper da aurora, 
exiladas na terra, 
bagam as sementes do trigo, 
e no abismo dos meus sonhos 
o turbilhão dos ventos 
faz a essência do poeta 
ter a mente esquecida.

92
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Carla Pedro

Carla Pedro

Depois

Depois veio uma tempestade e tatuou-me nos olhos uma chuva miudinha.
992
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Pedro Rodrigues de Menezes

Pedro Rodrigues de Menezes

teoria da gravidade afectiva

quando o erguido baobab
for o último que se ergueu
terei realmente compreendido?
que espaço e tempo cósmicos
serpente vítrea das almas
não terá logrado o objectivo 
porque não há destino incurvável
porque a serpente e o astro
aniquilados em desafio de honra
terão destrambelhado o destino
do baobab e da outra coisa
que talvez seja eu
que poderia ser eu
que posso ser eu
a outra coisa 
que foram unidos 
no sangue secular
e que seguram
a força física da física
a reacção química da química 
potência das potências 
provavelmente matemáticas 
este baobab e esta coisa
cessarão ambos no tempo
ao mesmo tempo.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "teoria da gravidade afectiva")

Poema dedicado a Catarina Pereira do Nascimento 

 

121
1
ANTONIA K

ANTONIA K

Descrença

Quando já não creio em nada,
nem nas promessas, nem nas leis,
nem nos templos erguidos por mãos cegas,
nem nos tronos dourados de vaidade,
nem nas verdades que mudam conforme o vento —

sinto a dor antiga do humano,
essa ferida que não cicatriza.

O vazio me habita,
ecoando entre ruínas e telas,
entre o cansaço dos dias
e a desesperança que nasce
do excesso de lucidez.

E ainda assim —
busco um fio,
um lampejo,
um sentido ínfimo,
para continuar existindo.

 AntôniaK

81
1
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Uma nova felicidade

 

 

Preciso urgentemente de uma nova felicidade.

Há tempos tenho utilizado das mesmas que adquiri na vida,

Mas embora ainda brilhem, estão desgastadas, carcomidas

E exploradas minuciosamente em seus conteúdos.

Preciso sentir-me leve, livre, isento do passar das horas

Despercebido das noites e dos dias

Esquecer de olhar para os ponteiros do relógio,

Na espera de acontecer, sem saber exatamente, o que...

Sorrir livremente, sentir uma vontade enorme de correr.

Olhar e ver os jardins, os pássaros, as pessoas.

Sentir-me ao mesmo tempo participante

E estranho ao mundo e seus grilhões.

Preciso urgentemente ser feliz

Feliz na alma, nas crenças e nos anseios.

83
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W.Poi

W.Poi

No Silêncio do Ventre

Vejo o quanto anseias
a semente a despertar,
o milagre da vida
em teu ventre a repousar.

Sonhas o impossível,
que o tempo há de tecer —
um poder tão divino,
de um anjo em ti crescer.

Vem o amor sem medida,
que ainda não nasceu:
o fruto em promessa,
no sonho que Deus te deu.

"W.Poi"
 

68
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Núria Marques

Núria Marques

O Inverno

O inverno é sinônimo de melancolia
Estação em que perco a noção do meu “eu”
Pois, a razão que antes via
Foi-se se apagando e desapareceu 

Os nevoeiros de manhã são constantes
O frio e a chuva regressam como avalanches
E o problema que no verão pensei estar distante
Volta a atingir-me de forma vibrante e gigante
Penso que não vou viver daqui adiante
Até me lembrar que o inverno passado foi semelhante

A minha motivação é que o inverno vai acabar
A primavera vai chegar e desabrochar 
E posso finalmente voltar a ansiar
Pelas estações que estão por chegar

Enquanto esse dia não acontecer
Os dias vão gradualmente escurecer
A minha vida vai me aborrecer
E lentamente vou entristecer
E assim vou permanecer
E a razão? É a estação que está a decorrer 

146
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Nunca

Nunca saberei dos teus lábios
E não ouvirei as batidas do seu coração.
Nunca sentirás meus dedos em seus cabelos
E não secarei as lágrimas em sua face.

Mas estaremos perto um do outro...
E nos cruzaremos nas calçadas
Nos tocaremos no aperto de algum elevador
E quem sabe dividiremos o gosto pela mesma música.

E seremos estranhos no mesmo mundo, 
Sob a luz do mesmo luar. 
Assistiremos o nascer do sol refletindo sua luz sobre o mesmo mar
E respiraremos do mesmo ar.

Passaremos um pelo outro sem nos reconhecermos, 
Mas nossas almas serão gêmeas.
Mesmo feitos um para o outro, 
Viveremos sós.

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1
                     Paulo Sérgio Rosseto

Paulo Sérgio Rosseto

FINALMENTE

           Paulo Sérgio Rosseto

Dá-me um gole da tua dor
Para que a tornemos discreta
E se possível mais amena
Como se um menor torpor
Daquilo que a alimenta
A ambos significasse

É assim que o amor se completa

Estúpido é quem acredita
Que solidão plena letra por letra 
Serve apenas a insanos
E se cura aos pedaços

Como se não bastasse
Vivemos daquilo que sentimos
E de tal forma nos complementamos
Que mesmo que um de nós
Vá ali fora morrer
Depois finalmente conversamos

@psrosseto

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MariaManuelaFerreira

MariaManuelaFerreira

Quando eu morrer, Cecília.

Quando eu morrer, Cecília,

talvez os galos não cantem mais à minha volta,

talvez não haja brisa, nem mãos delicadas,

que já não é moderno,

só pilares de cimento e frases largadas

de valas, pedras, pó, pás

e larvas na boca.

 

Quando eu morrer, Cecília,

não quero as mãos cruzadas no peito,

um sorriso de seda

e um vestido de roda bordado inglês,

antes uma tigela de marmelada na boca

a desafiar as formigas,

um pregão nos olhos

e as mãos soltas

para coçar os pés.

 

 

Quando eu morrer, Cecília,

diz-lhes que não precisam de me medir os quadris

para ajustar o tecido.

Lembra-lhes ainda, Cecília,

(talvez eles não tenham dado por isso)

que eu morri tanta vez

dentro do mesmo vestido.

 

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 Luciana

Luciana

Vinho derramado

 

Eu derramei o vinho, minhas mãos tremiam

eu lambi o vinho do chão suado

com meu coração machucado

fluente em dor, sua voz treme em meu coração

o medo me afasta de tua boca

você estava nos meus sonhos, você era meu anjo

que bebia em meus seios

o vinho puro do amor

a noite escorre entre meus dedos

como o vinho derramado

manchas vermelhas nas paredes do meu peito

engasgo com as palavras não ditas

seus olhos são taças vazias

que não consigo preencher

danço sozinha em meio aos cacos de vidro

dos nossos silêncios

o gosto amargo da espera

fermenta em minha língua

você me embriaga mesmo ausente

meu corpo é uma adega abandonada

guardando memórias que ainda não aconteceram

de quando seus lábios provaram minha pele

como se fosse o último gole

agora tremo na abstinência de seu toque

enquanto as horas gotejam lentamente

como vinho em ferida aberta

e eu me afogo em sonhos 

Eu delirio nas nuvens te desejando.

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1
Núria Marques

Núria Marques

O Outono

O outono vibra dentro de mim
Especialmente na minha mente
Quando este chega a um fim
A minha vida torna-se insignificante novamente

Gosto de ver as folhas a mudar de cor
Lembrando-me que existe espaço para a mudança
E que esta não implica necessariamente dor
Podendo ser tão natural como uma dança

Gosto de voltar a usar cachecóis
E todos os tipos de roupa aconchegante
E quando é de noite corro para os lençóis
Como uma ingénua amante

A passagem para o inverno é triste
Período que ninguém gosta de recordar
Pois, o que viveste e sentiste
Demorará ainda outro ano a chegar

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Raquel Gonçalves

Raquel Gonçalves

Há encontros que nascem do nada

Há encontros que nascem do nada, 
se nos desse o tempo para entender, 
há histórias escondidas na estrada, 
e mundos inteiros por viver. 

O encontro traz tantas possibilidades, 
num mundo onde tudo é tão veloz, 
faltam horas, faltam verdades, 
e o instante escapa sem voz. 

Por isso, quando cruzam-se os caminhos, 
é preciso coragem para ficar, 
abrir o peito e aceitar os carinhos, 
antes que o tempo nos venha roubar. 

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                     Paulo Sérgio Rosseto

Paulo Sérgio Rosseto

INDECISO

De manhã quebro um ovo
Na borda da frigideira

A clara branca se espalha
Como pensamento impreciso Ele me olha com seu olho amarelo
De que o comerei apenas porque preciso

Além da janela
Um pombo discute com outro
A posse de uma migalha de nada

Eu também quero uma migalha de nada
Mas um nada feito do pão com o ovo
Que não discutem quando mordo

Apenas mato a fome
E indeciso esfarelo

60
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Pedro Rodrigues de Menezes

Pedro Rodrigues de Menezes

beija-mãe

não durmo bem
beijos são beijos
beijos são dados
dados rolados
tantas bocas
tantos beijos
de uma mãe 
vem a boca 
profunda
profundidade da boca 
mais profunda que a boca 
mais funda que a boca
mais alma que boca.

 

67
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Wildiley Barroca

Wildiley Barroca

Quando a Beijei

Quando a beijei,
o que soprava era o vento,
quase a impedir-nos de estar juntos.
Mas eu só beijava.
Beijei-a!
E no final do beijo, caímos.
Levantei-a,
beijei-a de novo,
e caímos outra vez.
Levantei-a e continuamos,
como se o mundo inteiro esperasse
só pelo nosso beijo.
Passava gente,
e eu não me importava.
Nada importava.
Porque o que queria
era apenas beijá-la.
Não quis que ninguém nos incomodasse,
só quis que ela me beijasse.
E assim fiz.
Beijei-a.

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sebastiao_xirimbimbi

sebastiao_xirimbimbi

O que mais importa

O que mais importa
não são as pedras de diamantes garimpadas, e lapidadas no caminho,
nem os ventos dourados que desviam a rota,
mas a bússola secreta do coração que direciona ao verdadeiro amor,
que dá sentido a vida.

O que mais importa
não são as coroas que o mundo oferece,
mas o carinho de quem caminha contigo, 
o beijo fervoroso do amorzinho,
e o abraço sincero do verdadeiro amigo.

O que mais importa 
é amar verdadeiramente e forte,
seguir na estrada da integridade,
carregar no peito a chama da fé que dá sentido a vida 
e ilumina até a noite mais densa e sombria.

O que mais importa 
é honrar a verdade
como se fosse um altar,
acolher os que amo
como flores eternas no jardim da alma,
e no coração os carregar.

E quando a morte me levar
e o tempo os meus passos na areia apagar,
que permaneça apenas a marca suave da bondade,
maior que eu,
mais viva que o silêncio.

Não são as riquezas nem os títulos
que conferem valor à nossa jornada,
mas o amor que nos guia,
a integridade que nos sustenta,
e a luz da honestidade que clareia cada passo que a gente dá.

Semear bondade que sobreviva ao tempo;
isso é o que realmente importa.


Por: Sebastião Xirimbimbi

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Anatoli

Anatoli

Amor Escrito

Se se expressasse o amor

Com lápis sobre papel,

As letras seriam trêmulas,

Mas com gostinho de mel.


Cada letra de uma cor,

Cada traço uma intenção,

Cada pausa a eternidade,

Cada ponto uma aflição.


Em uma folha sem pauta,

Deslizando pelo ar,

Numa queda sem destino

Sem saber onde vai dar.

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Núria Marques

Núria Marques

Espelhos

Gostava que não existisse espelhos
Quando as pessoas me olhassem com desdenho
Não saberia que era pelo meu rosto velho
Mesmo que tenha tentado ficar bonita com empenho

Pensaria que o problema não era meu
E que provavelmente era uma pessoa malvada
Que a sua cara já era assim quando nasceu
Iludindo-me que a minha não era errada

Viveria na ignorância
De ser a ovelha negra do imposto padrão
Como na minha infância
Quando brincar era a minha única preocupação

Como os espelhos existem
Sei do meu pequeno valor
E das pequenas inseguranças que insistem
Em ser o ápice da minha dor

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Antonio Raimundo Dias Dos Santos

Antonio Raimundo Dias Dos Santos

Meu mundo, meu universo

Meu mundo, meu universo
Quando acordei, pensei que havia perdido você.
Seu mundo parecia não ser mais o meu.
Quando me dei conta, a casa estava vazia,
apenas soava no ar uma voz que ecoava pelas paredes,
que um dia foi cúmplice da sua voz.
Engano meu: no meu íntimo eu te escutava.
Foi apenas um sonho passageiro, um pesadelo que se foi.
Quando acordei, de fato, me dei conta de que nada estava perdido;
não era um pesadelo, e sim o seu corpo ao meu lado,
o seu perfume, o seu cheiro me acalentando.

Chorei intimamente no meu mundo e falei com o meu eu:
“Por onde anda o meu amor?”
A depressão, por um instante, tomou conta de mim.
Lacrimejei, senti que o amor estava por completo em mim.
Essa sensação de perda e de amor poucos sentem,
e outros não.
Acordei: era um pesadelo.
O amor estava em mim e ao meu redor.

Meu mundo, meu universo é você.

Professor Antonio Raimundo Dias Dos Santos
22 de agosto de 2025

274
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Suelem Silva

Suelem Silva

A dor

A dor que você me causou novamente, nem eu imaginava que chegaria a tanto, tantas promessas sem termino, quantas vezes disse que estaria comigo até nos piores momentos, e quando chegou o pior você simplesmente virou as costas e sumiu , largou, não deu satisfação, não quis saber dos meus sentimentos , não quis saber nem da minha saudades e só ficou a dor , a dor que queima o peito , as borboletas dos estômago voltaram , e não foi de uma maneira boa.
Ah a dor de amar alguém e não ser correspondido e como uma espada atravessando o seu peito, e como você estivesse sendo apunhalado sem prevenção.
E depois de tudo que eu entreguei, só me restou a dor e a solidão 

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W.Poi

W.Poi

RENASCER

no silêncio que ficou
de tudo o que não veio,
recolho o que restou
do sonho e do anseio

não nego a dor antiga,
abrigo o que doeu;
é dela que consigo
criar o que sou eu

pois cada queda é rastro
de força que não viu
que dentro do meu peito
um mundo inteiro abriu

e mesmo quando a noite
insiste em me calar,
renasço — imperfeita, forte —
no ato de continuar

"WPoi"

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