Escritas

Vinho derramado

Luciana

 

Eu derramei o vinho, minhas mãos tremiam

eu lambi o vinho do chão suado

com meu coração machucado

fluente em dor, sua voz treme em meu coração

o medo me afasta de tua boca

você estava nos meus sonhos, você era meu anjo

que bebia em meus seios

o vinho puro do amor

a noite escorre entre meus dedos

como o vinho derramado

manchas vermelhas nas paredes do meu peito

engasgo com as palavras não ditas

seus olhos são taças vazias

que não consigo preencher

danço sozinha em meio aos cacos de vidro

dos nossos silêncios

o gosto amargo da espera

fermenta em minha língua

você me embriaga mesmo ausente

meu corpo é uma adega abandonada

guardando memórias que ainda não aconteceram

de quando seus lábios provaram minha pele

como se fosse o último gole

agora tremo na abstinência de seu toque

enquanto as horas gotejam lentamente

como vinho em ferida aberta

e eu me afogo em sonhos 

Eu delirio nas nuvens te desejando.