Escritas

Espelhos

Núria Marques

Gostava que não existisse espelhos
Quando as pessoas me olhassem com desdenho
Não saberia que era pelo meu rosto velho
Mesmo que tenha tentado ficar bonita com empenho

Pensaria que o problema não era meu
E que provavelmente era uma pessoa malvada
Que a sua cara já era assim quando nasceu
Iludindo-me que a minha não era errada

Viveria na ignorância
De ser a ovelha negra do imposto padrão
Como na minha infância
Quando brincar era a minha única preocupação

Como os espelhos existem
Sei do meu pequeno valor
E das pequenas inseguranças que insistem
Em ser o ápice da minha dor