Lista de Poemas
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W.Poi
A indescência
Será que foi breve demais
o prazer que ficou no ar,
sussurrando em minha pele
o desejo de querer mais?
Quero mais —
do toque, do instante, do tempo que se desfaz.
Será que é indecente esse pedir constante,
essa fome que retorna, delirante?
A vontade insiste, se refaz:
realmente… quero mais.
"W.Poi"
W.Poi
sombra
Sombra
Me escondo desta luz,
com ódio da emoção,
ao perceber que era uma sombra
da minha própria ilusão.
— W. Poi
Pedro Rodrigues de Menezes
paradoxo de Banach-Tarski
pudesse eu
quadrado
arrancar
a raiz
quadrada
da vida
menos com menos
dá mais
incoerência
disseram
menos com mais
dá menos
confusão
disseram
mais com mais
dá intervalos
de desconfiança
restauro
rasteiro
paradoxal
(Pedro Rodrigues de Menezes, "paradoxo de Banach-Tarski")
profgeoardds64
Meu mundo, meu universo
Meu mundo, meu universo
Meu mundo, meu universo
Quando acordei, pensei que havia perdido você.
Seu mundo parecia não ser mais o meu.
Quando me dei conta, a casa estava vazia,
apenas soava no ar uma voz que ecoava pelas paredes,
que um dia foi cúmplice da sua voz.
Engano meu: no meu íntimo eu te escutava.
Foi apenas um sonho passageiro, um pesadelo que se foi.
Quando acordei, de fato, me dei conta de que nada estava perdido;
não era um pesadelo, e sim o seu corpo ao meu lado,
o seu perfume, o seu cheiro me acalentando.
Chorei intimamente no meu mundo e falei com o meu eu:
“Por onde anda o meu amor?”
A depressão, por um instante, tomou conta de mim.
Lacrimejei, senti que o amor estava por completo em mim.
Essa sensação de perda e de amor poucos sentem,
e outros não.
Acordei: era um pesadelo.
O amor estava em mim e ao meu redor.
Meu mundo, meu universo é você.
Professor Antonio Raimundo Dias Dos Santos
22 de agosto de 2025
1
leal maria
o poema naquele entardecer
na memória de que o tempo é feito,
na eternidade de um suave entardecer;
tenho o meu poema perfeito,
nessa tarde em que julguei ver em ti o amor acontecer...
o olhar brilhava-te no corpo irrequieto,
preso por um sorriso;
emoldurando toda essa penumbra de luz que te banhava;
e posso dizer que nessa tarde vislumbrei o paraíso:
porque tive a exacta noção da imensidão do quanto te amava.
amava-te! amo-te! amar-te-ei?!...
que interessa isso para aqui agora!?
se o tempo da memória é tão eterno que o não contei;
e não se rege pela simples e corriqueira hora…
só sei que tenho o meu poema perfeito,
e habitas-me em permanência o peito
regendo-me os sonhos com a força das tuas marés…
José António de Carvalho
OUTONO POETA
Coletânea "ENTRE O SONO E O SONHO", Chiado Books, ed. XVII, 2025
OUTONO
POETA
O poeta vive a natureza.
Naturalmente, se apaixona
por toda a sua beleza.
Paixão que não abandona.
Vive a viajar nos astros
sem o pé sair da terra,
a gastar sapatos gastos
num sonho que não encerra.
No Inverno canta a neve
na ânsia que o frio passe,
e nos versos sempre pede
que a primavera o abrace.
Esse amor à primavera
é sentimento tão forte
que o leva pela quimera
sempre fugindo da morte.
Tem o seu auge no verão,
mas em si já tudo chora
p'la vinda doutra estação,
a que no próprio mora.
Ventos leves vão soprando
na alma, de si, entristecida,
e o outono vai chegando
empurrando-o mais na vida.
José António de Carvalho, 24-setembro-2025
W.Poi
Mestre da Luz
Mestre da luz,
venha até mim;
dentro deste corpo,
crescimento sem fim.
Mestre divino,
venha assim,
lindo e meigo,
me fazendo sentir.
Mestre inocente,
venha aqui;
do meu ventre querido,
faça-te surgir.
"W.Poi"
Gebher Malakl
Ser
Ah, quanta mentira cabe no Ser
obsoleto olhar temporal, sensato
Quanta falta sinto de mim mesmo...
conjurando o verbo Ser
teremos a mais tenra hipocresia
Ser, estar, parecer
Facetas da condição humana
máscara módica do existir
manopla de um deus corruptor
Ainda sou, estou, tedioso
e agora o deus do homem morreu
Seu conspirador sorrir entrecortado
porque também é criatura
e na cativa alma humana
descreve seu tormento
como um coloquio místico
Eu sou, estou, notívago
numa peleja dialética conheçi a Morte
filha bastarda da Criação
negada por seus pares...
consumida por seu rancor
desconhece o Ser; Criador
lhe resta apenas zombar
desta patética odisseia humana
paródia feita pelo tempo para distrair seu Pai
O Ser Cria...dor
e pérpetua vaga minha alma furibunda
esperando silenciosa
o último dos dias"
Gebher Malakl
A poesia de JRUnder
Esse pensar
E de só ter um pensamento, que se possa dizer claro, límpido, iluminado e terno.
Seu rosto.
Passa o tempo, passa a vida, passam os momentos.
Só não passa, esse pensar.
MariaManuelaFerreira
Às vezes, com medo de deixar cair o poema
Às vezes, com medo de deixar cair o poema
fora do mapa,
cerro os dentes,
levo-o até casa na boca.
E enquanto ele se escoa lentamente
junto à porta de entrada,
abre ecos pelos degraus
e ganha formas ao fundo,
eu sonho em arrastá-lo
como um gato até
ao resto do mundo.
Núria Marques
A infância que queria recuperar
Os sonhos que tinha quando criança
Não sobreviveram à mudança
Envelhecer obriga-nos a ver
Que o mundo não é como pensávamos ser
Eu era irrealista e sonhadora
Pensava ter experiência no mundo
Mas era uma mera amadora
Com um desejo muito profundo
Desejava crescer rapidamente
Para que me tratassem de forma diferente
Este é o meu maior arrependimento
Querer crescer antes do tempo
Agora o meu desejo é poder voltar atrás
E dizer ao meu passado para não se precipitar na idade
O pequeno “eu” não sabia que as pessoas eram más
E nem sequer que existia algo chamado maldade
W.Poi
UM POETA EM ASCENSÃO
Sou Poeta por opção,
empreendedor por vocação.
Pai — no amor encontro meu norte.
Evangélico por fé,
harmonia que me veste,
beleza que me guia.
Amo a arte, reverencio a natureza.
A música nasce em mim,
o poema é meu descanso,
o amor, meu maior argumento.
Sou um momento…
e sou instantes.
"W.Poi"
Carla Pedro
Fool’s game
desafogada e húmida
uma foice que resvala
de encontro à costa
de amores não-perfeitos
que perdem gás e rumo
no comprimento dos dias
na falta de pose e de garganta
quando o que mais queres
é uma comparação maior
um motivo para dizeres
que o amor também se usa.
Carla Pedro
Um nada mais
O azul da fachada desmaiou e fingiu já ter partido.
Ela pressentiu a fuga e aceitou. Faltavam pinceladas, não iria atrás.
Levantou-se e seguiu caminho, à procura de um pouco mais de fulgor.
O senhorio, quando visse a não-cor, teria que pintar tudo de novo.
E era esse o destino de um prédio cujo tom não encaixou na sorte
de ter que decorar mais um pouco de céu.
A poesia de JRUnder
ÚNICA
Única
E a vi, cabelos entregues ao vento, mistificando seu rosto.
No esvoaçar de suas vestes, a sensualidade dos elixires e das cores.
E a chamei “princesa” e fiz reverências ao momento.
E a vi sob o sol, corpo dourado de verão, a desfilar sobre a areia.
E a chamei “deusa” e tornei-me seu servo fiel.
Quando a vi no jardim e o luar cobria de prata o seu sorriso,
Derramando sobre as flores da mesma luz com que a enaltecia,
Conheci finalmente da paixão, o mais profundo sentido.
E a amei.
A poesia de JRUnder
Momentos
Assim, a suave brisa da noite,
Tocou nossos corpos e aquietou nossos corações.
Como lutar contra quando o opositor é o destino?
Como remover os grilhões impostos pela vida?
Vimos a distância se sobrepor aos nossos abraços
E a indiferença tomar o lugar antes ocupado pela nossa ansiedade.
Cada amanhecer traz suas diferenças, encantos e desencantos
E nem sempre o sol será de verão.
Hoje, estamos assim...
O tempo nos dirá das lembranças que alimentarão as saudades,
Ou nos motivarão a seguirmos rumo ao esquecimento.
Como será esquecer?
Agora parece impossível porque os momentos vividos ainda impregnam nossas almas,
Mas existirá o amanhã e com ele, novas esperanças.
A poesia de JRUnder
Pedro Paiva
O PODER ENGANOSO DO PECADO
Veste-se o pecado com luz sedutora,
prometendo prazer e falsa liberdade.
Suscita no homem a glória vã e enganadora,
para semear em seu caminho a iniquidade.
Qual fruta que se mostra à vista encantadora,
Oculta o amargor do fel, da dor e da vaidade;
Afasta o homem da glória sã e redentora
para prendê-lo nos laços feros da maldade.
Assim, por gozo breve, troca-se a verdade.
O escravo infiel nega e trai o seu Senhor!
E a soberba se levanta onde morre a humildade.
Da mentira contumaz, enfim, cai o véu sedutor;
E o mal já esvaído dá lugar a bondade
E vence ao vencido: Cristo, o Redentor!
(TEHILLAH)
Pedro Rodrigues de Menezes
algo-ritmo
o passado
o pássaro
quando voam
voam para longe
tão plana a escada
tão plena a escala
nelas caberiam a vida
o mundo inteiro.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "algo-ritmo")
leal maria
as palavras sem destino
nos poemas que vejo sobre ti a pairar?
porque foi a procura tão em vão
se é ainda tanto o meu amar?!
Porque teimas em ver os desertos
nos gestos contidos da minha mão?
se para ti tenho os braços tão abertos
e bate forte o amor no meu coração!
Ouço gritos num canto chamamento
em ritual de posse e de se dar.
orfandade do ambíguo sentimento
que é um permanentemente buscar.
A melodia que nos iluminava os dias
num desejo de a terra abraçar
eram um sentir a tecer-nos poesias
despertadas em parto do teu olhar.
Que faço eu agora com as palavras ditas?
a que porto as hei-de fazer aportar?
vão solitárias e tão sem rumo as desditas
que outro destino não têm que o naufragar…
…e só tu, meu amor
só tu as poderás salvar!
leal maria (todos os direitos reservados)
leal maria
o silêncio que me marcam as palavras…
o silêncio mastiga-me a palavra…
e tu, na ombreira dessa porta,
adias a partida…
olhas-me…
no teu olhar, vejo uma ensurdecedora cacofonia;
que num libelo acusatório,
de dedo apontado ao mais fundo de mim;
culpa-me da natureza que o tempo tem.
Mas meu bem…
que interessa a culpa, agora que chegamos ao fim?
não vemos tudo à nossa volta ruir!?
vai então!
senão… terei que ser eu a fugir!
e isso, seria revelar-te o que há muito em mim procuras.
verias que foram reais todas as minhas ternuras.
já não irias seguir esse caminho.
e eu… eu quero ficar sozinho!
quero sentir-me abandonado…
que o tempo é chegado!
a solidão chama-me pelo nome…
e há em mim tanta coisa que se some!
de ti, já só quero a memória esbatida pelo tempo.
um vago sabor do antigo sentimento…
a amargar-me os lábios.
que a vida me seja uma constante procura de sentido.
como um procurar de respostas junto de velhos sábios.
mas sempre, sempre; dar-me como perdido...
leal maria (todos os direitos reservados)
lealparaquedista@sapo.pt
Anatoli
Um Beijo!
Se recebi, houve paixão,
_umapoetisadesconhecida_
Um assovio
Foste como um assobio em meu peito,
um canto estridente no meu coração.
Eras o meu refúgio;
o meu coração pertencia a ti.
Se me olhasses por um minuto, saberias
o quanto estava entregue a ti.
O teu olhar despê-me;
o teu sorriso paralisa-me;
o teu corpo contempla-me.
A tua fidelidade falante,
a tua educação oceânica,
o teu ser enlouquecedor —
tu és o ataque cardíaco que o meu peito lutará para sobreviver.
Meu dantes querido,—.
(que encontres alguém que te amou e te respeitou como eu.)
José António de Carvalho
CARTA AOS AMIGOS
"Coletânea - AMANTES DAS POESIA E DAS ARTES"
CARTA AOS AMIGOS
Amigos,
Sei que aos vossos olhos
posso parecer um pouco louco.
Sim. Apenas um pouco,
daquilo que é a loucura total
do mundo em que vivemos.
Uma normal loucura mundial.
Razões para dizer isto
todos temos, todos têm.
No entanto,
são sinais que vão e vêm
por esse mundo infernal fora,
que perde o futuro no agora.
O pior disso tudo
é que não consigo ficar mudo…
E se isto pode parecer pranto,
sabendo que não sou santo,
peço-vos com a maior mesura
que, antes de selarem a minha,
saibam o que é a verdadeira loucura.
José António de Carvalho, 19-novembro-2024
Luciana
Lasteir Missioux - Diário de um Homem Atormentado Parte 2: As Sombras dançam
O vidro do espelho estilhaçou-se com o impacto, espalhando reflexos cintilantes pela sala. Por um momento, tudo ficou em silêncio, como se o próprio tempo tivesse parado para observar o desfecho da minha loucura. O punhal ainda estava em minha mão, mas agora parecia mais pesado, como se carregasse todo o peso da minha culpa.
Minha respiração estava ofegante, os olhos fixos no vazio onde o espelho antes estava. E então, veio o som. Um sussurro, suave e arrepiante, como uma melodia tocada ao contrário.
"Por que fez isso, meu amor?"
Eu me virei, a voz era inconfundível. Sua voz. Ali, entre os cacos e as sombras, uma silhueta surgiu. Ela estava lá, ou pelo menos algo que parecia ser ela. Os cabelos castanhos esvoaçavam, mas sua pele já não era de seda — era pálida, quase translúcida, como se feita de neblina.
"Você me deixou", murmurei, sem conseguir controlar o tremor na voz. "Eu só queria me livrar da dor, me vingar daquela maldita cobra que tirou você de mim!"
Ela se aproximou, mas seus passos não faziam som. Era como se deslizasse pela sala, flutuando entre os fragmentos de vidro. Seus olhos, antes tão brilhantes como a lua, agora eram dois abismos negros que pareciam sugar tudo ao redor.
"Você acha que é a cobra que carrega sua culpa?" Sua voz era doce, mas cada palavra me cortava como lâminas. "Foi você quem trouxe o veneno para nossa casa."
Eu recuei, tropeçando em uma cadeira. As velas vacilaram, lançando sombras que pareciam gargalhar de mim. "Não... não pode ser verdade!"
Ela estendeu a mão, e por um instante, senti o toque familiar de seus dedos, mas logo aquilo se tornou um frio lancinante que percorreu minha espinha.
"Você se lembra, Lasteir. Não minta para si mesmo. Você é o criador do monstro que tanto teme."
Minhas memórias começaram a girar em minha mente, como folhas ao vento. Pequenos detalhes que eu havia enterrado vieram à tona: a discussão na noite em que ela morreu, o olhar de súplica que ela me deu antes de cair no chão... e o frasco.
Aquele maldito frasco que eu segurava.
"Não..." sussurrei, enquanto o punhal caía da minha mão, batendo no chão com um som metálico.
Ela sorriu, mas não era o sorriso caloroso de antes. Era algo frio, calculado, quase triunfante.
"Lembre-se, meu amor. Nós somos feitos de sombras. E agora, você faz parte delas."
Antes que eu pudesse reagir, as sombras que dançavam nas paredes começaram a se mover, deslizando em minha direção como uma maré negra. Elas me envolveram, e eu senti meu corpo ser puxado para dentro da escuridão, para um lugar onde nem mesmo a memória da luz poderia alcançá-lo.
E, no final, restou apenas o som suave de sua risada, ecoando no vazio.
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