Escritas

INDECISO

Paulo Sérgio Rosseto

De manhã quebro um ovo
Na borda da frigideira

A clara branca se espalha
Como pensamento impreciso Ele me olha com seu olho amarelo
De que o comerei apenas porque preciso

Além da janela
Um pombo discute com outro
A posse de uma migalha de nada

Eu também quero uma migalha de nada
Mas um nada feito do pão com o ovo
Que não discutem quando mordo

Apenas mato a fome
E indeciso esfarelo