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Selma Coqueiro

Selma Coqueiro

Aguas cantantes

Aguas cristalinas que minam da terra







no alto das serras e correm nos vales,







e descem dos montes







em ondas cantantes,formando cascatas







e rios fluentes,no dorso da terra,







molhando as sementes







que brotam em rebentos







de árvores , flores e verdes gramados...,







que perfumam o ar,deslumbram o olhar,







e correm para o mar...















O mar... tão imenso!







de azul tão profundo







ou verde azulado,







diamante engastado







no seio do mundo...







Que encanto e magia,







sua luz irradia!... é tanta beleza







que a mãe natureza







com tanta alegria,







nos dá todo dia!















sscoqueiro 27.06.11























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2
Lua Barreto

Lua Barreto

Como?

Como dizer o que não pode ser dito?
Como demonstrar o que tem que ser escondido?

Como negar
O que está na cara,
Nos olhos?

Como esconder
O que sai pelas bordas
Transborda
Trespassa?

Como falar
O que não estava escrito
O que é tão avesso
E que não é permitido?
1 315
2
1
Emílio

Emílio

sobressaltos


no horizonte ilha refúgio vem à mente
deliciados instantes de recolhimento
inércia almejada de cansados neurónios
por longa e intensa jornada de meios séculos corridos
construtor de castelos de sonhos frustrados fui
muralhas de fantasia em areias desérticas movediças ergui
templos prazeres orgias rodearam-me em espirais triangulares
olhos ciliares de idolatria ciúme ódio mordomia vi
elevadas pírâmides efêmeras débeis doentes subi
dantescos labirintos em desumanas labaredas atravessei
na procura de puras almas que salvei
décadas sobre décadas caminhando
perfeito Ulisses navegando minha Ilha sem regresso busquei
peregrinando sonhos ideologias a quatro continentes aportei
tudo percorri na procura de mim
agora ilhado em Ilha do sem fim
liberto nas asas das palavras insubmissas da poesia
cálices de sentimentos submersos cristalizados no Tempo
em paz transbordam de mim
Emílio Casanova, in "palavras ninguém compra".
510
2
3
Adalto José Sousa

Adalto José Sousa

HAICAIS-3

CURIOSO
NOS TEUS OLHOS ENTREI...
NÃO PUDE MAIS SAIR!

PÁGINA VIRADA
DEPOIS DESVIRADA
POR INSTANTES VOLTOU AO ANTES...

DISCRETA,VOCÊ SAIU.
ATÉ NÃO DOEU
MAS EM MIM,ANOITECEU...

EMBARAÇADO PERDIDAMENTE
EM TEUS FIOS
DE DELÍCIAS E DOÇURAS...

TEU O PERFUME
MINHA A FEBRE
MISTURADOS NUM DELÍRIO...
1 007
2
Raquel Mesquita

Raquel Mesquita

Não Te Amo

Já não amo aquele que ama outra...
Ou que ama muitas ou qualquer uma.
Ou talvez que não ama ninguém.
Já não amo aquele que se ama a si e só a si...
Ou talvez aquele que não ama nem a si nem a mulher alguma,
Porque não sabe o que é amar.
Ou talvez tenha perdido a fé no amor.
Esse mesmo, já não o amo!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
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2
4
Karen Barbosa

Karen Barbosa

Quando nasce o poeta

O nascer do poeta é mágico,
observa cada gesto,
poeta escreve do belo ao trágico,
nasceu um poeta, nasceu manifesto.

O nascer do poeta é benigno,
ouve do silêncio ao barulho,
o nascer do poeta é digno,
ser poeta é ser orgulho.

Enxergar além dos detalhes,
Ouvir além dos sons,
nada passa dos olhares,
daquele que tem dom.

Ser poeta é se entregar,
não importa o momento,
no profundo mergulhar,
assumir o seu talento.

576
2
Paulo César Coelho

Paulo César Coelho

PSICOPATIA ILUMINADA

Dizem que sou louco...
Psicopata da ilusão
Dizem que alicio, seduzo
Produzo sentimentos em vão...

Dizem que sou louco...
Louco... É quem sente pouco
Quem tem cicatriz nenhuma
Coração fechado alma de graúna
É quem disfarça entre um riso e outro
A mágoa do próprio desgosto

Do não sentir vez alguma
O florir de uma paixão!

Dizem que sou louco...
Psicopata da ilusão
Dizem que alicio, seduzo
Produzo sentimentos em vão...
Psicopata... É quem sente nada
Nada afeta!
Nenhuma lágrima floresce, nenhum
Sentimento cresce diante a magia do poeta.
1 077
2
Cristina Miranda

Cristina Miranda

Sentados num muro

Interrompo o desfiar do corpo
pelos chãos verdes,
testemunhos que são
de passeios leves.

Neles se estendem agora
folhas brancas,
nuvens,
colocadas ali
com todo o cuidado
por deuses,
nos seus interlúdios merecidos,
prenhes da resposta
à pergunta que um poeta faz,
tão mais absorto está que as divindades.

Deleito-me ante aquelas sombras,
a tua,
a deles...

Olho-as e já as vejo
tornadas corpos cintilantes
pingando do céu
como que esvoaçando pelas noites cerúleas.

[Pareço divagar,
parece que nada do que digo faz sentido,
mas espera...
Apodero-me do que pensas,
procuro responder,
imaginando que são para mim
as perguntas,
todas as que não fazes, que adivinho.
Espera então,
porque já sou eu que me questiono
que descaradamente inverto os papéis.

Deixa-me continuar este devaneio,
retomar o fio
por em ordem o que penso,
o que te quero dizer,
fazer sentir.]

Vão ser lavradas,
sulcadas por pensamentos,
aradas,
as nuvens.
Vão alagar-se de suspiros
que choverão dos teus dedos
entrelaçados ludicamente nos meus...
Tornar-se-ão regadios que nos encherão,
tornando-nos campo exuberante.

Mas mesmo assim,
continuarão brancas,
enquanto,
incólumes,
nascerão de nós dias róseos,
nascerão de nós mais histórias,
onde correremos descalços.
Silenciar-se-ão por fim,
aquietar-se-ão,
aconchegar-se-ão
até adormecerem,
deixando-se apenas deslizar
pela pergunta,
margem de um rio que não cruzamos
com medo de nos afastarmos
do quanto nos queremos.

Se olharmos bem,
estarão dois vultos que se passeiam
na outra margem.

Se olharmos bem,
cruzaram o rio,
o receio ficou ancorado do lado de lá.

Se olharmos bem,
conseguiremos, até, vislumbrar uma cidade,
espécie de lugar onde ficaram as espadas...

E já é um jardim aquela margem,
um canteiro de cravos e de rosas,
e,
mais ao fundo,
um muro de pedra...

[Alonguei-me, perdoa,
mas valeu a pena.]

Se olhares bem,
pousada no muro
está a resposta,
está um lugar onde já estou sentada,
onde também já estás
e um outro lugar bem no nosso meio,
um espaço que espera, ansioso,
pela frase guardada.

Enchamos então o silêncio,
Meu Amor,
porque é nosso, por direito, o momento.

Vamos ver como um canteiro
pleno de cravos e rosas
vai ficar então completo
com o que nos diremos:
Quem somos na nossa memória?
Duas margens que se encontraram
num rio.

Afinal,
foi sempre parte integrante de nós.
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2
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Emílio

Emílio

De mim II



Na minha infância conheci

um padre ladrão,

roubava almas,

tinha alcunha de pata larga

e queria que lhe beijasse a mão.

Uma vez mãe manuela pediu-lhe conselho

...que fazer com joaquim estudar ou trabalhar...

...estudar qual quê...melhor é ir trabalhar...

...vai para oleiro....

afirmou padre sem arrepio

que da olaria era senhorio.

Bisavó maria afiançava que ele

no forno da olaria de satanás ardia.



Emílio Casanova, in "ninguém compra".
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2
Emílio

Emílio

Triste

Triste...

Nesta triste e vil situação que atravesso

sinto o seu abraço de ternura

que me conforta...

No tumulto tortuoso dum quotidiano amargo

reavivo o seu cheiro perfumado

que me reanima...

Num viver sem vida, desértico e sombrio

reaprendo o seu amor quente e húmido

que me alimenta...

Até quando ... Até quando...



Emilio Casanova, "Coisas do Coração"

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nisinha

nisinha

Niil


A noite arrasta-me e confunde-me
onde estarei quando não for hoje?
Debaixo da mesma noite, porém diferente
abracada à mesma raiva, mas consciente
deste Ser que se altera e que de Mim foge.


O manto que me envolve é mais lato
sua Alma profunda já não atina
Com a mesmerice de actos e falas
Parei? Voltei`? Regresso às minhas alas
De onde parti, um dia, menina...


Entristece-me o anoitecer de Alma, esse sim
Enfurece-me o vazio que ficou do por fazer,
As palavras por dizer, a vontade de te amar,
Delirio de uma Alma que teima em voltar
E possuir-me, sem forma, na ansia de te ter


Vou ter à praia,a mesma, de seculos de espera
Onde a sombra do que foste me adormeceu
Sobre as ondas do que sinto ao te olhar
Ao te rasgar os silencios que deixaste e te dar
O tudo que te pertence e que outrora foi meu.


De Nada me edifico, niilismo nobre sobre
Um devir curvado às ansias que me vestem
Aqui fico, aterrada, nua, só, agarrada
á tua voz, à palavra inaudivel, sussurrada,
No tunel do meu peito, que ecoa e me sustem.
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2
Maria Tereza Armonia

Maria Tereza Armonia

A musa canta

Engano o meu coração com os teus versos.
Finjo que eles são meus, porque assim os sinto...
Faço de conta que sou a mulher que amas,
na esperança de fazer verdade o que pressinto.

Aceito os teus carinhos com prazer imenso,
viajo em tuas rimas, com a alma em festa...
Me visto da imagem que forjas da amada
e me entrego acariciada à pena que a modela.

Desejo ser o modelo vivo p'ra tua musa
e me pintar das tuas cores. Ah!, quem me dera
viver posando de amor p'ra tua tela...

e na tua batuta, a nota que compõe a música -
sacra e profana, lírica e sensual - doce cantata
que te ame e te acorde à noite em serenata...

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olharomar

olharomar

até quando

Hoje de novo
no parque nascente para café tomar,
café pedido
mesa á espera,
dia de verão, calor imenso,
gente da estrada e do calor fugindo
aqui se refugiando,
vestidos coloridos provocando,
mulheres passeando
seus corpos bem bronzeados
e eu bebendo o meu café
por entre risos inocentes,
por entre palavras que não entendo,
emigrantes de vozeirão forte
francês arranhado


e vejo, passeio
e desfruto
este emaranhado de gente que de longe vem,
deixando o trabalho e suas privações
ao descanso aqui chegando
mas eis que entre este rodopio de gente,
de caos controlado
me dou conta que na televisão
uma noticia salta,
sim, é do Nepal que estão comentando,
cheias enormes,
gente sem recursos,
gente perdida sem saber que fazer,
implorando...
implorando
a maioria de nós sem sensibilidade
seguimos nas compras sem necessidade,
na recusa de atenção prestar
a estas vidas que nem sequer começam
e deixamos andar...
até quando


situações dramáticas,
gente pendente do sabor das tempestades,
das chuvas,
do sol,
das guerras
de impotência perante tais atrocidades
e sem nada...
...até quando?


vidas sem esperança,
crianças sem pão,
mães chorando desesperadas e sem lágrimas,
falta de nossas vontades
...até quando?

e aqui estamos pensando no sol,
na praia,
no creme de baixa ou grande protecção,
nas compras,
nas roupas com desconto de estação
e noutro lado a cada momento tudo se acaba
sem um pedaço de esperança
por ter tão pouco de nada,
...até quando?

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2
Maria do Carmo Costa

Maria do Carmo Costa

Amor que passou

Despertei de um sono agitado,
Corpo febril,
cabeça em dores saltitantes.
Olhei ao redor.
Senti minha boca seca,
ventre dolorido,
sofrimento físico.
Sem razão eloqüente
lágrimas brotaram de mim.
E, no caminhar da noite,
madrugada afora,
vi-me na solidão
de minhas saudades
por um amor que
Já não mais é.
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azor

azor

Por favor

e quando as armas se calaram
e os corpos se contaram,
jazias amigo, curvado
entre a vida e o sol posto.
Entranhas abertas,
gemido forte,
olhar vidrado
fixado na morte.
Máscara de sangue.
E foi então,
todo em tremor,
num ultimo estertor
abrindo a mão,
(esgar de dor),
me pediste;
por favor...
entrega isto
ao meu Amor.
(e de mansinho, lá te foste!!!)
866
2
Marc Santini

Marc Santini

Dormir bem

Durmo querendo dormir pra acordar com você
ou seria dormir com você pra te acordar
ou acordar pra ver você dormir comigo ou
pra ver você acordar ou
pra simplesmente ver você
ou não dormir pra amar você
ou te amar pra dormir feliz e acordar melhor
por te amado você antes de dormir
ou isso tudo ao mesmo tempo
ou tudo junto,
um de cada vez
pra te sentir melhor e
te guardar detalhadamente
gestos, toques, suor, som, gemidos,
meu corpo no teu corpo no meu...
e nós num nó
pra sempre.
Assim, desse jeito... espero.
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Regina Maria de Souza Moraes

Regina Maria de Souza Moraes

Meu lado de sombras

Sombras vagueiam em minha noite.
Causam sustos e matêm-me aos sobressaltos.

Preciso me defender.

Penso em facas.

Até em meter bala.

Falo alto para espantar o medo.

Essa única e derradeira sombra de mim mesm
o.
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2
2
Stella Felippsen

Stella Felippsen

Medo do amor

Tenho medo
Medo de alegrar
E não ser alegrada
De sorrir e
Ver-te triste
De amar
E não ser amada.

Tenho medo
De dizer que te amo
E não ser ouvida
Medo de tudo
Pois tudo sem nos não é nada!

Tudo que um dia
Pensei em te dizer
Agora não falarei mais
Pois as palavras se sufocam
Com medo de fazer brotar
Um amor que agora
é impossível
Pois não te verei mais
E continuarei sentindo
A dor
De te amar...

Sinto uma dor
Dor que não pode ser curada
Pois é a dor de quem amou
E não foi amada!

Mas agora
Meu rosto diz que sou feliz
Mas por dentro
Ainda sinto aquela dor
A dor do amor não correspondido
A dor que não tem fim...
918
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Paula Regina Scoz Domingos Damázio

Paula Regina Scoz Domingos Damázio

Desalento da noite ou da morte da noite pela virgem

Minha noite escura, por que me procuras?
Quer o alento de meu calor?
Quer o profundo do meu suspirar?
A mancha do meu cobertor?

Noite fria, por que me crias?
Não vias pois minha máscara de ferro
Meus olhos em fogo devasso
A angústia do desejo aprisionado

Noite tola, por quem me toma?
Acaso a ti o palor é graça?
Oh noite! Meus lábios são taças
De transbordante anseio

Pobre tola não vejas a mim
A musa do teu passado morto
Pois sou filha do mundo torto
Carnal e carmim
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2
afonso rocha

afonso rocha

LIGA DES LIGA - A televisão é uma droga

07:00 ...desligaliga
08:05 desliga
12:30 liga
13:30 desliga
19:30 liga
19:45 desligaliga
20:00 desligaligadesligaliga
21:17 desligaligadesligaliga
22:00 desligaligaligaligaligaliga
24:00 desligaliga...des...ligaliga
02:00 des...des...des...des...liga...li...li...
li...li...li...des...des...liga...liga.....

...decorridos trezentos e quarenta e sete dias...
CEGOU.
Foi ao médico e em desespero,
pediu para colocar os seus ouvidos
em on/off.
Consta nos anais que a partir desse dia se refugiou
na floresta...
...e passou a falar com DEUS.

1 442
2
1
Gi

Gi

LadoB



Ela não faz nada...
Danada!
Seduz com sutileza,
Conduz o jogo com elegância,
Aceita o momento da alegria,
Se joga na aventura.
Separa a lucidez da loucura,
Duas faces com doçura,
Dama e puta depravada!
Com a cara deslavada,
Se orgulha de safada...
E vai...
Discreta em sua presença,
Surpreende ao transparecer,
Desejos inconfessáveis,
Revelados no seu lado B


Gizelle Amorim





















875
2
Stella Felippsen

Stella Felippsen

Saudade, amor ou amizade?

Meu coração bate,
Mas não ouço o seu bater.
Meu coração sente você presente
Mas não consigo te ver
Mas agora não importa
Não posso te dizer se era amor ou amizade...

Seu coração não esta presente
E mesmo se estivesse
Não saberia responder
Se era amor ou amizade
Mas no fundo acho
Que realmente é saudade.

Pois não passo um dia se quer
Sem pensar em você
Mas já que é assim que Deus escolheu
Seja feliz onde quer que esteja
Mas deixe seu coração para mim
Então quem sabe vou conseguir ser feliz
E jamais te esquecer...
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MARINA SATIRO

MARINA SATIRO

Introspecto

Na pressa do coração apertado, vejo a tua imagem translúcida, da dúvida, tão sem mim.
Na chuva que molha minh' alma, mas não arranca o que se instaurou de ti.
No sol que amordaça o pensamento, mas que não apaga esse furor.
A angústia que pesa no olhar, o ar que não quer respirar.
Nos lábios a súplica do beijo. Ávido, fervoroso.
O corpo nasce e renasce, mas padece inconsolável.
Nos teus passos e tão distante.
A lágrima petrificada há tempos, enfim escorre no sorriso inflamado.
E quando vejo o rosto cru, nu, tão próximo, tão incabível no que me anseias.
Vontade do amor que não consome, que devora.
Do toque que atordoa o juízo.
Da mão que invade o avesso de mim.
Do olhar que persegue o domínio da insensatez.
O aperto sôfrego do pulsar insusceptível.
Do engano mais perfeito que minha inverdade, mas que alimenta a esperança inexistente.
Da tristeza infinda, que habita tão ferozmente o vazio abandonado.
Na mesma intensidade que o teu olhar preenche por completo a fúria insana.
Saudade do passado tão presente, tão vivo. Da memória que não se esvai.
De ti! Enfim! Todo e veemente na sombra do meu corpo desvario.
Do toque árduo e firme na tez incansante.
Do teu suor, que escorre ininterrupto sobre o desejo profundo.
E o fracasso do medo...
E a tua voz que adormeceu nos meus anseios.
No teu perfume sobrevive o meu martírio.
E enleva nas nuvens da solidão.
No beijo ferido, que amarga na boca. Ainda derrama o doce do teu mel.
Nas pequenas migalhas de ti, reconstruo aos poucos a quimera do que se perdeu.
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J L Silva

J L Silva

Correnteza

Há nas minhas noites o cálido sabor de você
O ardente e molhado gosto do nosso beijo
O gesto intenso e macio do nosso toque
Há nossos corpos lúbricos, tão quentes,
Há o desejo fremente fito na tua boca
Existe o querer dos meus olhos no
Sim azul dos teus olhos sequiosos
E no ar, roçando a nossa pele nua,
Há uma volúpia, um sutil calafrio,
Que nos molha a pele em gozos
E escorre pelos nossos corpos
Como a eterna e intensa
Correnteza lasciva
De um rio
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