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afonso rocha

afonso rocha

TEU CORPO


És

o meu Sol

de oiro

pela manhã

que perdura

ao longo do dia





Teus raios

de jasmim

penetram

meu coração

gélido

e fazem brotar

da minha boca

palavras

de magnólias

perfumadas

que se vão

aninhar

em teus seios...





E quando

chega a noite...

és Lua

e Mar

que inunda

meu corpo

já saciado

do teu perfume

onde meu pensar

faz amor...





e me envolvo

em beijos

de prata

e cheiros

do teu

sexo

como um jardim.




E assim adormeço...
para um acordar

renovado

onde

Sol e Lua

e Mar

brilharão um pouco mais

no meu universo

do porvir.
1 318
2
Edgardo Xavier

Edgardo Xavier

À Hora dos Cardos

À Hora dos Cardos



Chegas ao meu corpo

à hora agreste dos cardos

e sobes em maré
vermelha

alucinada

Ardo no teu fogo até que a sede
se cale

e o caminho se dilua na noite

serena



Só depois dispo o tempo

e a pele onde também te guardava



Persistes

A memória não se mata

nem se trava o coração




in" Corpo de Abrigo"

Edgardo Xavier

1 508
2
Renata Rimet

Renata Rimet

Produção

Mente e corpo trabalham incessantemente na busca do prazer
são máquinas interligadas
disparam à medida que a química exata, exala dos poros o combustivel,
o alimento

Desejo!

São instrumentos que entram em ação, primeiro movimentos leves de pouco ritmo, apenas aquecendo os motores principais,
que entram rapidamente em ação,
a movimentação agora brusca, embora ritmada,
a cadência perfeita, o encaixe de todas as peças...
a produção, a produção... a explosão...

Satisfação!

Mente e corpo atiçam ainda mais a máquina,
desejo de produzir mais, mesmo operários exaustos, retomam suas posições,
a quimica exala o aroma da indução,
feito um vício, a produção é retomada de imediato,
peças de encaixe ainda mais que perfeito,
lubrificadas, movimentam-se com maior desenvoltura,
até que a caldeira explode,
o ápice produtivo é alcançado
o néctar transborda sem prejuizo, por sob físicos exaustos,
de operários ávidos por cumprir sua missão...
não para...
não para a

Produção!


980
2
Poeta Alberto Araujo

Poeta Alberto Araujo

TODO AMOR

TODO AMOR

Sensações
felizes me contagiam
(certos sentimentos)
têm os olhos de pureza
e me golpeiam de paisagens belas
(no limiar, espessas músicas e afetos à flor da pele) 
Essas sensações aumentam
e escavam-me a entranha e o coração.
Ânimos e sem pecados, indagam:
- Isso é sagrado!
Pois estou aqui, somente,
de passagem
e o que me interessa,
somente, coisas santas (coisas divinas).
Assim, todo o sagrado me criva de estrelas
e tudo torna-se palpável.

©Alberto Araújo
21-05-11



648
2
Gi

Gi

Refeita

Tentei não chorar nem sofrer,
Inventei uma felicidade, por piedade.
Encobri a verdade.
Mas o aperto doído no peito,
Trazia-me de volta à dor.
Dor cruel e desesperadora,
Devastadora... Quase fatal.
Agarrei-me às últimas forças,
Sequei o meu pranto,
E me refiz.
Voltou minha paz,
Agora, com você... Feliz!!!




Gizelle Amorim

914
2
Ozias Filho

Ozias Filho

verdade submersa



trabalhar incessantemente a mentira da palavra



o discurso viola a abstracção



da boca que o pronuncia



a língua (precoce) permanece hipnotizada no seu túmulo



pelo encantador de serpentes



enquanto a verdade é só saliva no fundo do cesto





(do livro Páginas Despidas, Edições Pasárgada/2005)



666
2
afonso rocha

afonso rocha

CAMINHOS DO SILÊNCIO




Vou por caminhos desconhecidos
à procura de silêncio e flores...
que aconpanhem meu corpo híbrido
na noite suave...
escura


mas só ouço ruídos
no rastejar da minha consciência
adormecida.


Colho espinhos...
na beira de veredas já velhas
pelo passar do tempo


identifico-me
com elas.


Eles, os espinhos...
são o meu pão amargo
e doce...


que me alimenta as horas...
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2
1
Jacy Morais

Jacy Morais

OPZIONE

Da te
Non voglio
Niente
Se non
La tua
Vita...

Dalla vita
Non voglio
Niente
Che sia
Bianco
Freddo
O sterile

E non
Importa
Se assassino
La tua libertà
Con la mia
Poesia...

Non voglio
Incrinare
Il cristallo
Servendo
Resti
Di banchetto

Nemmeno la ruggine
Del tempo
Macchiando
La seta
Dell`anima

E se
Amare è
Dilacerare
Il pecho
Allora non
Esiste un outro
Modo

Preferisco sorbire
Ogni goccia
Di sangue
Che sopravvive
Nel carcere rozzo
Dell`ipocresia!

by*Jacy Morais
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2
Otávio augusto

Otávio augusto

A m o r f a b e t o

Amor,
Busco
Cheiro
Doce
Enquanto
Fode,
Geme.
Hoje,
Incendeio
Jorro
Lavo
Minha
Noite,
Ontem
Parto,
Quero
Rasgar
Sua
Tara
Umída
Vivo
Xote
Zonzo
714
2
Marc Santini

Marc Santini

Loucura

Vendo tuas curvas, amei-as.
Amando-as,
busquei-as e até agora faço assim.
Vejo-a toda a hora a hora toda...
Você inteira, nua pra mim.
Me arregaço, as mangas também
e me ponho a procurar
usando os sentidos todos.
Cuidadosamente,
meticulosamente através do tato,
olfato,
te ouvindo, vendo, experimentando...
te experimentando,comendo,
provando de tua carne,
do teu néctar, teu caldo, teu mel...
E são elas, tuas curvas,
enlouquecedoras,
que me sacodem,
me desequilibram,
me pondo de quatro por você.
Então, me leva...
Pois amo tuas curvas,
porém, ainda mais a dona de cada uma delas. (26/09/2009)
923
2
Haroldo de Sá

Haroldo de Sá

Calado

Calado
Triste amuado,sozinho abestalhado crucificado por si próprio
Calado,
Sozinho, maltrapilho, esmagado pelo mendigo que não pede esmola
Mendigo de chapéu.
Calado,
Viciado em amargura, amargo bebedor de sangue e autoconsumidor de carne, embebedado de chuva ácida, paixão tácita. Voa o pássaro sem asa e sem bico.
Calado
Todas as vozes do céu te incomodam.Porque são alegres.

06/05
376
2
Ava

Ava

Dividida

Sonho ou realidade
Fantasia
Ilusão
Angustia...
O que nos move
Nessa busca sem sentido...
Verdade ou mentira...
Em que queremos acreditar...
O que almejamos
De concreto e palpável...
Que ansia louca de meias verdades...
Que viagem imaginária
nos conduz a lugares
e vales perdidos
onde não achamos o caminho de volta...
Que mente é essa que domina nosso sentir...
E nos remete aos porões escuros da saudade de um amor idealizado
Jamais realizado!
478
2
Gi

Gi

Utopia é não amar

Sim, acredito no amor!
E deveria não crer?
Viveria para quê?
é minha energia,
Contagia!
é desejo do bem,
é alegrar alguém,
é doar paz...
é se ver capaz... De doar...
E não cobrar, nem receber.
Exercício diário, tentador,
Reeducar-se através do amor...
Fiz disso filosofia de vida,
E estou melhor,
Mais contente que o habitual,
Vejo o outro... Igual.
E é, somos, iguais.
Será que são todos vistos assim?
Como você, como veem a mim?
Será que alguém vê isso?
Eu vejo, e valorizo,
Seja no rosto que for,
busco um largo sorriso.


Gizelle Amorim

http://giamor.blogspot.com/

758
2
Carlos_Gildemar_Pontes

Carlos_Gildemar_Pontes

BRINCAR DE TEMPO

Minha filha acha que o
dia demora muito

eu acho nada

minha filha estuda
brinca
brinca
brinca

eu quase nada

minha filha precisa me emprestar
a sobra dos seus dias
744
2
Marc Santini

Marc Santini

De tudo o que sei

De tudo o que eu sei...
Procuro guardar um pouco.
Sei, estou encantado...
Desde muito tempo você me tirou o chão
Como folha ao vento você me leva no teu ritmo,
No teu jogo, na tua dança.
Sensivelmente, suavemente, sensualmente...
É capaz
de me parar a respiração por um momento
e em outro me deixar ofegante,
com o corpo ardendo de vontade de você.
Fecho meus olhos e te imagino minha,
Inteiramente, completamente minha,
sem reserva ou fronteiras...
Busco você inteira no pouco que pude ter ...
Sondo teu corpo através de teus beijos...
Tenho buscado tua essência por meio deles
E deliciosa, te encontro pronta pra mim...
Não quero abrir os olhos,
Exercer meus sentidos agora,
Só se for pra te encontrar.
Te amo.
973
2
Jhones Rodrigues

Jhones Rodrigues

Última vez

É a Última vez para eu sonhar
É a Última vez para eu viver
É a Última vez
Tudo vais e acabar
Só tenho essa vida
Minha Única chance de viver
Nunca desperdiçarei um segundo da minha vida
por tristezas em vão
eu estou aqui por mera sorte
e por mera sorte ficarei ate o fim
vão
514
2
J L Silva

J L Silva

Queria ser teu amor

Queria ser teu amor
Ainda que por um dia
Cantar, rir-se da alegria
Sentindo o teu coração
Sussurrando junto ao meu peito
A nossa doce canção
Ah! Meu amor, como eu queria
Trançar minhas pernas nas tuas
Beijar tuas costas nuas
E com os dedos, sutis
Ir acariciando a tua pele
Com meus sonhos pueris
Beijar-te o ventre e o colo
Fazendo o tempo parar
Te acolher em meus braços
Te dar beijinhos, abraços
Quando o cansaço chegar
Quando o cansaço surgir
Me aninho em teu corpo quente
E entre beijinhos frementes
Me deito em ti pra dormir.
1 150
2
Marcelo Gaifem

Marcelo Gaifem

Louca Armadura

Difícil viver com o peso da honra
Ela é sua armadura que te protege e te cuida
As pessoas me olham como monstro
Por que tenho honra

Ninguém entende o meu peso, arrasto essa corrente chamada, conciência
Tento ser melhor do que fui, esse é meu defeito num mundo de zumbis
Sou um louco com a armadura! Que arrasta correntes de amor,respeito e honestidade

O louco que chora, que ri, que vive cada minuto com o peso que lhe foi dado por um Deus hipócrita e tão loco quanto eu, vejo os Zumbis correndo, chorando e rindo, mais lhe falta alma, a alma dos que vivem como loucos, os que são livres em suas armaduras pesadas e suas correntes longas

Não sabe que o peso ele te consome, como os vermes na terra de ilusões
Quer carregar meu peso? Quer ser livre? Você não consegue, ninguém consegue
Apenas os loucos, por que não entendem a lei da realidade, por que tem a força do coração livre
684
2
afonso rocha

afonso rocha

ALMAS GEMEAS


Beijo
teus cabelos
Perco-me
na
Planície
do desejo


Meu sexo
no
Teu sexo


Melodia
tocada
sentida
na pele
Húmida
de gritos
de
Prazer


Cheiro
almiscarado


União
de
Fluidos


Paixão


Jazz
sincopado
do teu
Corpo
Bailado
Terno


Orgasmo
no
Olhar


E lá ao fundo...
o swing frenético da cidade...

1 356
2
Adelaide Monteiro

Adelaide Monteiro

Sorvendo a brisa do entardecer

Se ao menos pudesses ouvir o canto dos suspiros
De ansiedade para ancorar no cais
Se ao menos as tuas mãos sentissem a minhas
Trémulas as minhas mãos, agonizando em ais

Se ao menos tu sentisses os abraços
Guardados no silêncio dum refúgio
Se ao menos os teus passos
Seguíssem os meus passos
Sem desculpa de cansaço ou subterfúgio

Se ao menos veredas eu pudesse inventar
Para os espinhos não cortarem as palavras
Se ao menos eu pudesse segurar
O orvalho de frescas madrugadas
Deglutido por um outono a ameaçar
As mãos
Os braços
O cais em derrocadas

Se ao menos eu soubesse beber
Sorvendo
Na despedida dum sol que sempre volta
A brisa leve do entardecer...
1 497
2
1
Marc Santini

Marc Santini

Pedaço de bom caminho

Linda morena...
Menina linda.
Pedaço de bom caminho...
Vem! Me leva pra você.
Linda Menina,
Morena linda
me conta uma história,
me arrepia inteiro
com tua voz de tirar roupa.
Menina linda,
Linda morena...
Olha pra mim,
me enxerga por dentro.
leia meu coração.
Menina morena...
Linda, linda...
Tudo que já te disse
e um pouco mais
não traduzem nem a metade
do que existe em mim...
Te chamo em todo tempo
Te quero a toda hora
Te espero sem demora no tempo
que você tiver ...
Quanto a ele, o tempo,
torço pra que seja meu amigo,
a fim de que
quando tiver você pra mim,
ele pare para sempre.
1 280
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Lucas Munhoz

Lucas Munhoz

A Doce Menina delicada

A Doce Menina delicada

Dos teus olhares... Ó nudez que me sentes!
Vai-te a malva perfumosa nos teus braços;
Olho-te fortemente os mares dos laços,
Vem-me o anseio, a beijar-te os seios ardentes.

Ó desejo carnal! Dou-te as artes quentes...
Se este momento, que vens os meus abraços
Ontem à tarde, mas vens os fortes passos
Ó mil cabelos! Tens-me os doces presentes.

Hei de amar-te tanto amor mui deleitoso,
Dos meus amores... Ó frenesi sem dor!
Da beleza já vens amar-me o meu gozo.

Ó volúpia que me amas o sentimento...
De encher os corações em forte licor,
Tu, porque sentes a musa do acalento.

Autor:Lucas Munhoz
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Elvis

Elvis

Homem, vida e tempo

Pobre da poesia que vive sem verso
Sem palavras sinceras e sem razão.
Pobre da vida que vive ao inverso
Triste e sem nenhuma solução.

Pobre do homem que vive o desapego
Se afundando em sua própria ignorância.
Pobre mesmo da vida em desassossego
Juntos vivendo a sua arrogância.

Felizes são: o tempo e sua penitência
Que sozinho vive pedindo esmola.
Triste e a sua sentença:
As palavras que nunca o consola.

Elvis Silva
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José Roberto Tolentino

José Roberto Tolentino

Novo Mundo

Nessas horas em que tudo desaba
desmorona o cosmo sobre si mesmo
e do Ser e de Deus a idéia acaba
algum verso me escapa e segue a esmo.

Conduzindo um vago sentido d'alma
- desprovido que está de referências -
perambula por entre novas alas
do que agora se faz minha ciência.

Esse verso que anima a vida incerta
ao revelar sinais de um mundo novo
é como a pomba de Noé na descoberta
que põe Colombo em pé, em vez do ovo.
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