até quando

Hoje de novo
no parque nascente para café tomar,
café pedido
mesa á espera,
dia de verão, calor imenso,
gente da estrada e do calor fugindo
aqui se refugiando,
vestidos coloridos provocando,
mulheres passeando
seus corpos bem bronzeados
e eu bebendo o meu café
por entre risos inocentes,
por entre palavras que não entendo,
emigrantes de vozeirão forte
francês arranhado


e vejo, passeio
e desfruto
este emaranhado de gente que de longe vem,
deixando o trabalho e suas privações
ao descanso aqui chegando
mas eis que entre este rodopio de gente,
de caos controlado
me dou conta que na televisão
uma noticia salta,
sim, é do Nepal que estão comentando,
cheias enormes,
gente sem recursos,
gente perdida sem saber que fazer,
implorando...
implorando
a maioria de nós sem sensibilidade
seguimos nas compras sem necessidade,
na recusa de atenção prestar
a estas vidas que nem sequer começam
e deixamos andar...
até quando


situações dramáticas,
gente pendente do sabor das tempestades,
das chuvas,
do sol,
das guerras
de impotência perante tais atrocidades
e sem nada...
...até quando?


vidas sem esperança,
crianças sem pão,
mães chorando desesperadas e sem lágrimas,
falta de nossas vontades
...até quando?

e aqui estamos pensando no sol,
na praia,
no creme de baixa ou grande protecção,
nas compras,
nas roupas com desconto de estação
e noutro lado a cada momento tudo se acaba
sem um pedaço de esperança
por ter tão pouco de nada,
...até quando?

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Comentários (2)

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2012-01-13

Que coisa linda!<br /> A sua reflex&atilde;o numa x&iacute;cara de caf&eacute;....parab&eacute;ns!

sonia
sonia
2011-10-08

Tentei comentar no teu blogger, n&atilde;o consegui, n&atilde;o abre a caixa para coment&aacute;rios. Depois de muito tempo, li alguns de teus poemas, est&atilde;o sempre muito bons, mas nesse momento meu estado de esp&iacute;rito se coaduna com a s&eacute;rie quero descansar....<br /> um abra&ccedil;o