Lista de Poemas

OLHOS DO AMADO

Ó meu amado...
Estes olhos teus
São noites raras
Sem verem os meus
São oásis d’alma
Estrelas soltas...
Nesse firmamento
Como esse adeus...

Ó meu amado...
Esses olhos teus
Secretos e belos
Ao lerem os meus
São tesouros presos
Que guardo e velo
São cantos breves
Não há nos céus...

Ó meu amado...
Esses olhos teus
São dois faróis
Feitos por Deus
Quisera fossem
Mistério das rosas
Perfumando tudo
No jardim dos céus...
 
Ah! Meu amado...
De olhos ateus
Traz-me uma ilusão
Para os olhos meus
D’algum dia verem
Alguma esperança
Um sentimento puro
Nesses olhos teus...
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OLHOS DA ALMA

Fitaste-me com os olhos da alma
Para que eu compreendesse
O quanto é vã a existência
Que eu aprendesse...
A ler no diário dos sonhos
A seiva da prece!

Sorriste-me com os lábios divinos
Para que eu entendesse
O quanto é fugaz os prazeres
Que eu renascesse...
Nas luzes, no outono da vida,
Que eu nunca morresse!

Beijaste-me com os lábios e a alma
Em soturna aflição...
A despir teu espírito em véus
De contemplação...
Transformando em taça de amargura
O meu coração!

Abraçaste-me com laços que prendem
As ondas do mar...
Na carícia dessas mãos delicadas,
Quando vens me tocar...
Tu me vês, me sorris e me beijas nos sonhos,
Se desejo te amar!
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TEU CORAÇÃO

Esse teu coração...
É pra mim revelação
De algum mistério profundo
Enche-me de sensações
Estranhas recordações
São as tristezas do mundo!

Esse teu coração...
É pra mim a provação
Os desafios de mim...
Tentando me encontrar
Comigo mesma me achar
Princípio, meio e fim!

Esse teu coração...
É pra mim a explosão
Dos sentimentos carnais
Às vezes, misteriosa,
Outras lamuriosas
Quase sempre irreais!

Esse teu coração...
É pra mim a solução
De todos os meus problemas
Os meus conflitos internos
O meu instinto hodierno
Que trago nos meus poemas!
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CRATERAS DE UM CRÂNIO

Amedrontou-me...
A sensação de abandono
E fez-se tarde a inerência
Coercível do meu sono
A brisa mansa com bordados
Cor-de-rosa de outono
Acariciava a lua morna
Tardia noite sem pomos!

Fez-se poente ressabiar
De alguma seiva d'aurora
Do orvalho nupcial fez-se
A noiva, angelical Senhora!
O manto cobria-lhe o rosto
Na face pueril que cora
A veste purpurina cintila ainda
Doce menina que chora!

Fez-se raiar de outro dia
Sol em brios de seda
Sombras tangiam os sonhos
Vertente que desemboca na foz
Deságua nos mares medonhos
Nas alucinações que eu sonho
Estreitas crateras de um crânio!
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CONSTRUÇÃO

Fazer uma poesia
Não é apenas miragem
Não é pura fantasia
Apertar nas mãos geladas
Uma ostra vazia
E deixar nela brotar
O dom de saber fingir
E não somente rimar
Deveras em cada poesia!

Não é apenas um toque
De magia original
Ou um emparelhar
De tijolo ornamental
Que se coloca um telhado
Um teto quase irreal
Que se constrói uma casa
Com jardins e um quintal
Que se transforma em verso
Qualquer sentimento banal!
 
É preciso muito mais
Do que mera inspiração
É preciso muita arte
Ter nas veias a emoção
Construir ao mesmo tempo
O pecado e o perdão
Um palácio de mil sonhos
O amor e a paixão
E nunca ficar sozinho
Com medo da solidão
Saber desenhar os traços
Bem firmes do coração
E ter a vida inteira... 
Pra fazer versos, rimar.
Recortar em mil pedaços
E dividir um a um
E seguir passo a passo
Dá um abraço e um beijo
Em cada verso que faço!


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DELÍRIO INCONSCIENTE

Como num delírio fico eu a imaginar-te
Junto a mim, de mãos dadas caminhando...
Frente ao mar, admirando as ondas que vão...
que vêm... levando todos os preconceitos
Os desencontros da alma que vive em nós...
Na procura incansável de tantos desejos!
 
Na areia alva banhada por lágrimas frias
São nossas pegadas presas aos sentimentos
São nossos pensamentos, equivocados anseios...
Que vagueiam sôfregos na imensidão do mar
Carregados por trôpegos lamentos adormecidos
Onde a força da natureza vibra por nós!
 
Eu escuto o murmúrio da tua voz suavemente
Aos meus ouvidos enclausurados de ternura
Na cega fobia que segreda dos pântanos...
No alvorecer da luz que ilumina teus olhos
Domina inteiramente meu ser condenado
A te amar incondicionalmente, e tanto!
 
Como uma sombra tu me persegues...
De tempo em tempo como um amuleto poderoso
Que ora me protege das más inclinações...
Que ora me possui com afabilidade
Que me conforta, me conduz ao precipício,
Onde o corpo tremula, a alma cintila e desce...
Elevando-me ao encontro de mim mesma
Como num delírio eu fico a imaginar-te!
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REVELAÇÃO

Tua foto... procurei entre os meus guardados
Por mais que me esforçasse não encontrei...
Se estava invisível aos meus olhos, eu não vi!
Se estava oculta na imaginação, eu não sei!
Onde tua imagem permanece intocável
A se projetar no espelho dessa alma minha!
 
Tua foto... imagino-te numa bela miragem
Sob uma moldura doirada retangular
Os traços delicados, face pálida de veludo
Teu olhar iluminado como raios de sol
Continha uma expressão sublimada
Dos anjos celestiais que habita a imensidão!

Tua foto... onde hei de encontrá-la? Onde está?
Se entre os meus guardados, os meus segredos
Não a descobri, nem sei se existe...
Se tu já me negaste quantas vezes?
Quantas outras hei de insistir se já não és... 

Tua foto... há de ficar retratada nos meus sonhos
Mesmo que não saibas, ainda que não queiras,
Estarás eternamente ao meu lado, no coração...
Hei de contemplar-te todos os dias, horas sem fim!
Perpetuar nossos momentos de cumplicidade
Onde o silêncio diz tudo que os olhos revelam
Quando a emoção confidencia nossos sentimentos
Não importa que estejas ausente de todas as formas
Estarás sempre presente como uma foto dentro de mim!
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CANTO AO POETA MAIOR!

O poeta se nutre da inspiração inesperada
Dos sentimentos que rege a humanidade
Alimenta-se do pão sagrado dos sonhos
Sacia sua fome na avidez do encanto
Mata sua sede na extensão da dor!
 
O poeta se expõe entre lágrimas e risos
Viaja em órbita na criação do universo
Vaga alucinado entre devaneios absurdos
Transformando em flores os desprazeres
Captando emoções perdidas no tempo!
 
O poeta se dilata entre a razão e a utopia
Flutua em ondas submersas, insinuantes...
Estende-se na sombra das ilusões esparsas
Adormece nas noites sonâmbulas...
Entre a fantasia e o receio do despertar!
 
Eu sou tua poetisa: O’ sol dos meus dias!
Tu és a correnteza que desliza mansamente
Na tempestade dos meus ais decadentes
Trazendo-me de volta a realeza dos sonhos
Coroando com rosas os meus desejos!
 
Tu és minha inspiração sublimada e pueril
Se sorrires, eu componho tua nobre beleza!
Se chorares, eu desnudo minh’Alma em prantos...
Se partires, eu seguirei tão só meu caminho...
Entre abrolhos a soluçar meus poemas!
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CANTO DA MONOTONIA

Segue-me por toda parte
Essa dor maldita
Geme o coração reparte
Meu peito grita...
Canto a minha arte
A vida imita!

Reprimo o pensamento
Cada agonia...
Íntimo isolamento
De monotonia
Dentre os fragmentos
Dessa poesia!

Passo dias após dias
Me consumindo...
Breves serão os anos
Me redimindo...
Virão depois os séculos
Estarei dormindo!

Essa sentença eterna
Jamais se acabe
Essa lágrima materna
Em mim desabe...
Dentro dessa caverna
Nunca se sabe!

De todos esses momentos
Que vivo agora...
Árduos sofrimentos
Da última hora
Conflitos, padecimentos,
Em mim aflora!

Deus! Olhai os pobres,
Iguais a mim...
Com vosso manto cobre
Meu rosto assim...
Com vosso Espírito Nobre
Apressa o fim!
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GENTE DE FATO

São pessoas que se cruzam
Pelas ruas não se olham
Não se tocam nem se falam
Só se calam...
São pessoas iguais a mim
Iguais a você também
Que sonha com o impossível
Que tentam ser mais livres
Mas continuam a ser
Apenas boas atrizes!

São pessoas de todo tipo
Raça, classes diferentes,
Umas moram em mansões,
Em edifícios gigantes...
Outras apenas se escondem
Em pequenos horizontes
Com a marca da solidão
Estampadas no coração!

São pessoas que passam
Umas pelas outras, num vai
E vem que não tem fim...
Num diálogo quase mudo
No corre-corre da vida
Não tem tempo para pensar
Se dividir, se entregar!

São pessoas que passam
Pela vida sem conhecer
O universo do outro
Preso a um mundo só seu
Do egoísmo que assusta
Muitas pessoas nem tentam
Ser mais gente, ser mais justa...
Morrem em completo anonimato
Sem ter vivido ainda
Sem ter nascido de novo
Sem ter sido apenas
Gente de fato!
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Comentários (1)

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jrunder
2020-08-02

Muita qualidade nos seus poemas.