Lista de Poemas

SER MULHER!

Eu sou uma mulher, apenas mulher,
                 simplesmente...
Tenho os sonhos mais loucos, de tudo um pouco,
                 somente,
Desse mundo o segredo, no peito esse medo,
                 em morrer de repente,
No coração a saudade, entre o peso da idade,
                 já se faz presente!

Ser mulher na verdade, é sofrer, é sorrir,
           com simplicidade,
É amar com pureza, ter uma única certeza,
           dessa realidade,
É viver vãos momentos , ser mais leve que o vento,
           num voo à eternidade,
É cantar com emoção, dar adeus: Solidão!
           com serenidade!

Ser mulher nessa vida, é ter méritos e poder,
                     uma forma divina ...
É ter uma força grandiosa , o perfume da rosa,
                    que a faz feminina ...
É no tédio e na dor, ter a fórmula indolor,
                   duma eterna heroína ...
Ter nas mãos a carícia, no abraço a malícia,
                  duma flor matutina!

Ser mulher é privilégio, de acordar nas manhãs,
            de alma nova, reluzente,
É ser uma criança, ter na mente a lembrança,
            duma infância inocente ...
É colher em novelos a neblina, que se faz cristalina,
            na vidraça transparente,
É ver tudo azul ou lilás , é sentir-se capaz,
            de ser bem diferente,
É conter sensações nunca tidas , ter razões
            de ser independente!

Ser mulher é não ter receios do escuro
            na noite ofegante,
É caminhar com leveza, confiança e beleza,
            com passos elegantes,
É correr descalça, é dançar uma valsa,
            com olhar penetrante,
É abraçar a ilusão, sem nenhuma intenção,
            de ser tão é inconstante!

Ser mulher é fazer-se amada e amante
            correr riscos sonhando,
Contemplar a natureza, ser a mãe da pobreza,
            cada filho embalando,
É ver na caridade o Dom da bondade
            de entregar-se doando,
É banhar-se de fé e amor, ter no Cristo o louvor,
            do seu olhar nos guiando,
É na Virgem Maria, imitar-lhe a alegria,
            aos céus murmurando,
Se és frágil mulher, num poema hás de ser,
            as mãos de Deus rezando!
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DUELO DE SENTIMENTOS

Eu, dar amor, já não dou. Mas, ele existe.
Pois, que em mim ainda não chegou...
Revesti-o de paisagens tristes
Que eu, dar amor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas, o cantar é belo!
Eleva a alma – suave acalanto
Quisera estar contigo – sempre e anelo
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, outonos e primaveras – solitários
Reprimo no abandono meu vazio
Corro ao sol – vejo outro cenário
Que jamais terei – morro de frio...

Eu, agosto, já não tenho. Mas, tu agosto
Vens com tuas mãos agourentas...
Prostrar meu olhar – só de desgosto
Que eu, agosto – visto essa cor cinzenta...

Que eu, amor já não dou...
Cantar, já não canto...
Ter a primavera – ser como as flores
Mas, se não amo – me desencanto
Como hei de viver sem as dores?
Num paraíso de amor, sem nenhum pranto!

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ALIMENTO DA ALMA

Basta-me apenas sonhar
Embora ter que chorar
Tantos sonhos em vão...
Não importa o que passou
Isso o tempo levou...
São coisas do coração!

Eu também sou filho teu
Universo! Me esqueceu?
Estou aqui, vou lembrar:
Desde o dia em que nasci
Sinto que me perdi...
Não consigo me encontrar!

Esbarrei em tantos planos
Tropecei em quantos danos
Em demasia eu chorei
Implorei o teu olhar
Gritei pra te acordar...
Mesmo assim, não te achei!

O’ Pai dessa imensidade
Em termos de afinidade
Quisera apenas te imitar
Nem que fosse só de longe
Pudera eu ser um monge
E assim te acompanhar!

Perdoa-me a insensatez
Talvez não chegue minha vez
De conhecer-te: Meu Pai!
Sou um pecador miserável
Desses, um inconsolável,
Uma vez mais, perdoai!

Dá-me tão somente a certeza
Conforto, paz e grandeza,
Sensibilidade e utopia,
Não deixes nunca morrer
Enquanto eu tiver que viver
Meu alimento: A Poesia!

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QUADRAS DE LAMENTO V

Ontem a noite eu sonhei
Que tu estavas voltando
Como uma bela imagem
Aos meus pés se ajoelhando

E como quem não entende
Essa tua aparição...
Tão deslumbrada eu fiquei
Que te peguei pela mão...
 
Caminhamos lado a lado
Como se fôssemos irmãos
Alma gêmea do passado
Amantes em tempos vãos...
 
Entre as flores do jardim
Juras de amor nós trocamos
Vemos fagulhas acesas...
Nos olhos de quem amamos

E nessa troca de olhares
Nos doamos ternamente
Um ao outro confessamos
O nosso amor como um crente

Embaixo da laranjeira
Nós ficamos abraçados
E quantos beijos nós damos
Como se fosse um pecado...

Os versos que tu me deste
Como se fossem violetas
Eu os guardei junto a mim
Tua inspiração de poeta!

Quando eu quis ser só tua
Num arfar eu suspirei...
Como num conto de fadas
Desse meu sonho acordei!
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QUADRAS DE LAMENTO IX

Não sei se lembras ainda
Do nosso encontro primeiro
Quando fomos apresentados
Por vias de um mensageiro...

Surgiu uma simples amizade
Como se fosse um arreio
Ficamos tão empolgados
Que foi preciso ter um freio...
 
Entre palavras de arminho
Ainda que fosse enleio
Ficamos a querer muito mais...
Que um olhar, num meneio...

O tempo com asas gigantes
Tratou de nos confortar...
Deu-nos dúzias de flores
Ficamos a nos consolar...

Entre tantos risos e prantos
Poemas, contos e prosas...
Num jardim todo florido
Como se fôssemos rosas

Fomos nos descobrindo...
Num mar de sonhos avulsos
Às vezes, nós nos amamos,
Às vezes, éramos confusos... 

Esse sentimento instigante
Que nos tornava quase Real
Às vezes, nos fazia bem...
Às vezes, nos fazia mal...

E quando tudo passava
Ficávamos a rir ou chorar
Não sei se é uma loucura
Essa maneira de amar!
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AMOR, NOVO AMOR!

De onde vem esse amor que me abraça?
Aos poucos me envolvendo serenamente
Como um manto celestial és Dom divino
Que me acolhe em teus braços angelicais
Que me embala num cântico harmonioso
Que me convida a sorrir, sonhar, viver!

De onde vem esse amor que me tonteia?
Que me desperta após a longa tempestade
Que me conforta o coração na ansiedade
Que me alimenta de esperança eternizada
Que me suporta nas horas vãs de revelia
Que me ouve os lamentos, todos os ais!

De onde vem esse amor que me surpreende?
Que alivia a minha dor e se apieda...
Que massageia o meu ego em pleno dia
Que satisfaz a natureza dos meus afagos
Que entorpece em beijos a minha Alma
Que acalma com carícias meu corpo inteiro!

De onde vem esse amor brando e ordeiro?
Se não te vejo, sinto de mim se aproximando...
Lentamente como quem vai invadindo...
Ao mesmo tempo o coração, o corpo, a alma,
E se agiganta em torno das minhas ilusões
Criando forma universal no espaço de mim
Vem em silêncio como a brisa mansamente
É tua, minha coroa de espinhos em botão!
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CURIOSIDADE

Em duas horas escrevo apenas uma palavra:
Saudade... saudade... saudade...
As visões que me perseguem nas noites
compridas – são sombras que se misturam
a realidade e me produzem calafrios...
As confissões de amor que morrem
na garganta – são como os espinhos
(as rosas que colhemos para serem pisadas).

À noite, fecho as portas – e sento-me
à mesa da sala de jantar: me iludo e sonho.
O pensamento longe – vaga na ociosidade.
Procuro-te em vão por todos os cantos
da casa e não te encontro. Há tantos cantos...

Nosso sonho nunca é o mesmo que vemos
quando abrimos a janela e nos defrontamos
Com um céu cinzento
Com um mar agitado
Com embarcações perdidas...
Em nosso subconsciente nublado de medo.

Ponho a saudade para repousar e vê-la
distante é o que mais quero – persuadi-la.
Que este não é o seu lugar – não comigo.
Tento arrastá-la pra bem além daqui...
Desviar seu curso, seu percurso, seu caminho
errado – como errado é meu viver – aceito.

Atiro-me, retiro-me, fico e parto...
Reparto-me em mil pedaços – reinvento
outra história menos ridícula que me revele
o quanto de cruel existe em se morrer de saudade.
Sem ao menos, poder conhecer a verdadeira razão
que nos levou a enlouquecer de tanta curiosidade...

 

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ROSA AZUL

Eu queria...
Ter uma ideia original
Criar o belo irreal...
Plantar uma rosa azul
De perfume quase natural
Que colhi em órbita
No fundo do meu quintal!

Eu queria...
Olhar esse trânsito meio louco
Ver todo mundo parar um pouco
Pra pensar na guerra mundial
Pra pedir a paz do mundo inteiro!
Pra sonhar com o bem puro e verdadeiro
Pra tirar o véu do rosto sério...
Pra aparecer na penumbra sem escudos
Pra sentir a pele nas mãos negras de veludo!

Eu queria...
Deixar uma mensagem de fé
Falar do amor incomum...
Que unem um homem, uma mulher!
Cantar uma canção proibida
Saber que pra tudo tem saída
Levar a rosa azul com vida...
Plantar de novo outra semente
No jardim do coração que se fez gente!





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AMOR ILUMINADO

Quisera que esse amor iluminado
Como estrelas a cintilar lá no espaço
Se fizesse luz do sol no teu abraço
Se transformasse num beijo delicado!

Fosse o ar puro de todas as manhãs
O orvalho a banhar risos e flores
Entre os canteiros da alma em cores
A bailar em claras luas como irmãs!

Devaneios que suspiro vez em quando,
Traz até aqui se estás me amando...
Como um sopro cálido da aurora;

Pus-me a olhar-te no espelho da saudade,
Enquanto a morte não me levar à eternidade,
Hei de buscar-te em mim de hora em hora!
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ANDORINHAS MORTAS

O meu sonho a evocar-se altivo e forte
Em coroas de ouro a palpitar delírios
Poentes de novembro, doces martírios
Ao pó do esquecimento até a morte!
 
Nesse horizonte de bruma opalizado
Onde mergulho a alma lírica e pagã
Falenas entontecidas, flor da manhã,
Rosais celestes em canteiros sagrados!

Pus-me a fitar o efêmero, o nada,
Em ritmos fleumáticos, extasiada,
A miragem fugidia do meu jardim;
 
Mísero pungir dessa chaga aberta,
As andorinhas mortas, a vida incerta,
A esvair-se em sangue dentro de mim!

 

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Comentários (1)

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jrunder
2020-08-02

Muita qualidade nos seus poemas.