Lista de Poemas

AMOR EM METAMORFOSE

Quem diria?
Houve um tempo de nós dois...
Que eu te implorei consciente
Por tua ausência
Por teu afastamento
Por tua distância...
Para que eu me sentisse mais segura...

Quem diria?
Houve um tempo de nós dois...
Que eu te procurei carente
Por tua amizade
Por tua compreensão
Por teu carinho...
Para que eu me sentisse mais alegre...

Quem diria?
Houve um tempo de nós dois...
Que eu te ignorei indiferente
Por teu egoísmo
Por tua desconfiança
Por teus excessos...
Para que eu me sentisse mais leve...

Quem diria?
Houve um tempo de nós dois...
Que eu te imaginei perfeito
Por teus sonhos
Por teus pensamentos
Por teus poemas...
Para que eu me sentisse mais viva...

Quem diria?
Houve um tempo de nós dois...
Que nos descobrimos um ao outro
Sem imaginar o abismo entre os dias
Que nos separavam
Que nos aproximavam
Que nos conduziam...
Para que nos sentíssemos menos sós...

 

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INFERNO DE TE AMAR

Quem me veio despertar?
Este querer – este inferno de te amar!
Essa chama que me embaça a alma
Que me consome e destrói a vida
Como veio me crestar?
E derramar-se em sonho, talvez!

Quando ela haverá de se apagar?
Noite e dia esperou-me – embalde
Em qual paz serena haverá de dormir?
Ninguém chorou meu pranto, ninguém!

A outra vida que vivi – do meu passado
Já não me lembro o que foi sonho, ilusão
ou pesadelo. O que foi princípio, meio e fim.
O que me restou desse mundo inteiro?

Ao sol paciente estive arquitetando
Um ninho – de sentimentos e arrulhos
Feito os passarinhos – alma sem asas
Presos em gaiolas sem poder voar...

Nós paramos de súbito nessa longa estrada
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
O pensamento ferve – arde e sangra
Num deslumbramento de quem sofre
A palavra pesa – o perfume inebria
O que de nós consola – a vida se declina!



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O HOMEM QUE ME AMAVA...

O homem que me amava...
Veio do meu mundo inconsciente
E trouxe consigo as dores
Do tempo que nos conhecemos
Presos, num labirinto perdido,
Onde tudo era maldito
Onde tudo era pecado
De nossas almas em conflito...

O homem que me amava...
Veio do meu mundo diferente
E trouxe consigo os amores
Do tempo que nós vivemos
Unidos, num templo esquecido,
Onde tudo era bendito
Onde tudo era passado
De nossas vidas em atrito...

O homem que me amava...
Veio do meu mundo inconstante
E trouxe consigo fantasias
Do tempo que nos amamos
Juntos, num paraíso perfeito,
Onde tudo era saudade
Onde tudo era lembrança
Em nosso mundo de intimidade...

O homem que eu amava...
Veio do meu mundo distante
E trouxe consigo poesias
Do tempo que nós sonhamos
Longe, num abraço estreito,
Onde tudo era serenidade
Onde tudo era esperança
Em nosso mundo de felicidade...
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EU NÃO TE AMO!

Eu não te amo, desejo-te, o amor vem d’alma
Trago em mim – toda a calma
Que bem me espera – na sepultura
Por isso, digo-te: não te amo, não!

Eu não te amo, desejo-te, o amor é tudo.
E tudo que sinto – é mudo
Como essa noite escura...
Por isso, digo-te: não te amo, não!

Eu não te amo, desejo-te apenas.
É uma pena que assim te queira
No meu peito a ânsia me devora
Sem chegar ao coração...

Eu não te amo, desejo-te como a vela
Mil velas que acende as estrelas
Sem deixar que tu vás embora...
Essa é minha condição?

Desejo-te, não te amo, eu não minto.
Não finjo – o sentir não é instinto
Debalde, tenho chorado...
Este sentimento insano!

Indigna sou, porque te desejo, e tanto.
Meus dias queimam, e, no entanto,
Tenho medo, tenho te invocado...
Mas, amar! Não te amo, não!

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VEJO NO TEU OLHAR...

Pelos cravos e hortênsias
Pelas borboletas a voar
Pelo som na melodia
Pelo vento a bocejar
Pela dor do sofrimento
Que vejo no teu olhar!

Pelas violetas e jasmins
Pelo vale a caminhar
Pelos pingos de chuva
Na janela a gotejar
Pelo sorriso e encanto
Que vejo no teu olhar!  

Pelas estrelas desse céu
De brilho farto, ó luar!
Pelas plantas trepadeiras
No meu jardim a trançar
Pela vertente caindo.
Que vejo no teu olhar!

Pelos rios e cachoeiras
Que descem a escorregar
Pelo cofre de segredos
Que guardo para te dar
Pelo sentimento oculto
Que vejo no teu olhar!

Pela brisa perfumada
Pela noite a serenar
Pelas grutas estreitas
Que não me deixam passar
Pela certeza de tudo
Que vejo no teu olhar!

Por tudo isso que fomos
Por tudo que vou calar
Eu juro que minh’alma
A tua irá se juntar...
Trago comigo a saudade
Que vejo no teu olhar!

Peço não se aborreçam
Com tantas rimas – ar –
Ouçam os meus lamentos
No coração soluçar...
Peço pela piedade
Que vejo no teu olhar!

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CLARA

Quando Clara no apogeu
Pôs-se do alto a imaginar...
Avistou uma estrela no céu
Avistou uma estrela no mar...

A fantasiar se esqueceu
Cobriu-se de luz solar...
Podia subir ao céu
Podia descer ao mar...

Nesse devaneio seu
Pôs-se do alto a cismar...
Ficava perto do céu
Ficava longe do mar...
 
Feito uma ave suspendeu
Em liberdade a planar...
Quis a estrela do céu
Quis a estrela do mar...

Nas asas criadas por Deus
Fez-se voo em pleno ar...
Sua alma seguiu ao céu
Seu corpo deitou-se ao mar...
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Comentários (1)

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jrunder
2020-08-02

Muita qualidade nos seus poemas.