CRATERAS DE UM CRÂNIO

Amedrontou-me...
A sensação de abandono
E fez-se tarde a inerência
Coercível do meu sono
A brisa mansa com bordados
Cor-de-rosa de outono
Acariciava a lua morna
Tardia noite sem pomos!

Fez-se poente ressabiar
De alguma seiva d'aurora
Do orvalho nupcial fez-se
A noiva, angelical Senhora!
O manto cobria-lhe o rosto
Na face pueril que cora
A veste purpurina cintila ainda
Doce menina que chora!

Fez-se raiar de outro dia
Sol em brios de seda
Sombras tangiam os sonhos
Vertente que desemboca na foz
Deságua nos mares medonhos
Nas alucinações que eu sonho
Estreitas crateras de um crânio!
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