Escritas

Lista de Poemas

Idílio

Em teu amor me aninho
Te amando deixo que me leve,
Desejando que não seja breve
O amor neste infindável caminho.
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Cela

Aqui,
Neste canto de minha liberdade,
Te ofereço meu abraço,
Arraigando das entranhas a timidez;
Balada solitária de um ser em melancolia.
Teu olhar se apagou,
Quando na insensatez,
Matou meu amor,
Ao lançar no esquecimento minha face.
Meu coração escarlate pranteia na escuridão,
A flor não colhida do jardim,
Sufocada na imensidão do desatino.
A beleza se foi sem meu consentimento,
Levando consigo a esperança;
Que despediu-se com um sorriso irônico.
Aqui...
Nesta tempestade de vultos,
Vou sangrando lentamente,
Girando feito redemoinho que logo se extingue.
Num canto qualquer desta dor,
Vai-se o ser e fica a fera;
Devorando insanidades.
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Sem fronteiras

Corpos fustigados,
Em suas cores assombrados,
Mutilados em suas dores,
Em discursos abstratos,
De promessas inexatas,
Nas exatas compulsões,
Do ser em seu decurso,
Concussões de feridas soturnas,
Em fronteiras taciturnas,
Versos melancólicos invisíveis,
Subindo aos céus de matizes absurdas,
Estas orações escarlate,
Disparate em corações tolhidos,
De sua liberdade obstruídos,
Destituídos de sua nacionalidade,
Cuja honra o deus da guerra tragou,
Na feroz batalha das almas enegrecidas,
Em suas lutas interiores,
Farpas de horrores exteriores,
Nas razões mórbidas dos senhores,
Em seus tratados infernais,
Lodaçal envolvente nas mentes frias,
Confraria de gênios maledicentes,
Gente entre as gentes,
Espalhando sementes do medo,
Mortal enredo do mundo,
Sepultado antes de morrer,
Nas confabulações do caos,
Em trincheiras de vento.
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Um poeta nunca morre

Um poeta não morre,
Apenas imita a morte,
Inspiração incrível do universo,
Unindo-se a criação fazendo versos,
Enquanto a vida em outra vida,
O molda em rimas,
Poesia eterna de lembranças.
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Veneração

Dê-me teu beijo até o céu,
O sentirei em teus lábios,
Este amor celeste véu,
A fazer de mim um astrolábio.
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Quebra-cabeça

Complexa angústia ,
Traços mórficos da agonia,
Cruel enigma das ilusões;
Por que nos persegue?
A miséria das tentações nos ferem,
Mata os sentidos e os ressuscitam,
Metamorfoseando o arrependimento;
Escárnio pútrido do perdão.
Diga-me vil senhora,
Qual é o suplício de tal fatalidade?
Lamentos ecoam pelos ares,
Ruídos para ouvidos desatentos;
Canções para os indiferentes.
Onde estão o que nos ouvem?
Será que pereceram antes da chegada?
Cegos e surdos vivem suas eternidades finitas,
Mortos em suas razões tragicômicas.
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Desígnio

À tua jornada abre-te a vida, 
Nômade viajante infesta 
Esta prisão enegrecida, 
Incêndio interior indigesta. 

Teu rastro punhal funesto, 
Vendaval açoite homicida 
Abismo carnal fratricida, 
Vulgar sentimento lesto. 

Teus pés afiada lança, 
Infiel andeja de trilha incerta 
Esperança chorosa teu olhar alcança, 

Lodoso moribundo apresta, 
Infame sepultura desonra 
Ilude tesouro arresta.
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Psicodrama monológico

A morte vem dançando tempestuosa,
Furiosa em seus ritos sem fronteiras,
Estendendo suas asas sobre a alma,
Ótica onírica dos vales mais profundos.
O corpo enegrecido pelo abandono,
Se perde na dimensão do seu sopro,
Nas visões eternas em seus lapsos.
Monstros famintos brotam da terra,
Submundo catatônico indizível.
As estrelas fundem-se aos olhos,
Universo descortinando-se ao eu,
Deixando-se tocar em seus alicerces.
Tudo é tudo absurdamente,
Labirintos fatídicos fantasiosos,
Vendavais silenciosos,
Mutável na velocidade da luz,
Explosão ultra sentimental épica;
Catalisadora de mentes segreda.
No grande palácio dormem os sábios,
Frágeis celas de escuridão,
Escrevendo em seus pergaminhos,
Registros invisíveis das rotas de liberdade.
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Inclinação

A razão que te encontrei,
Foi meu olhar em teu olhar,
Que sorrindo me libertou,
Fez meu rio desaguar no teu mar,
Oceano de desejo unido ao céu,
Supremo horizonte do amor.

As intenções amou a avidez,
Destino preciso do meu refúgio,
Este coração abrasado de afeto.

Admirando a noite te percebo,
Em cada brilho de uma estrela,
Certo que pela manhã,
Teu beijo iluminará meu dia,
Desabrochando as flores matinais,
Do nosso horto de encantos.
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Reflexo

Se queres uma poesia,
Não tenhas medo,
Olhe-se no espelho,
Verás os versos fiéis da sua vida;
As rimas mais francas,
A métrica mais que perfeita,
Verdade dos teus sentimentos;
A rebuscar no tempo.
Se queres,
Pode mudar tudo,
A seu gosto,
Evoluir em suas atitudes,
No seu estilo,
No fim de tudo;
Sorrir ou chorar,
A poesia é sua,
O final, é você quem edita.
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!