Escritas

Lista de Poemas

Teu olhar


Ao teu olhar meu coração se aquece, 
Fogo que minh'alma incendeia, 
Abrasar contínuo de tal afeto, 
Que não se acaba com a morte, 
Consorte de amores de afago finito, 
Memórias da eternidade, 
Joia do amor padece. 

Ao teu olhar, 
Basta-me o teu querer, 
Solene confissão da intimidade, 
Segredando a beleza, 
Desta existência em vendavais, 
Imitando a serenidade das coisas, 
Nos ventos incompreensíveis. 

Ao teu olhar me encontro, 
Reinvento-me feito poesia,
A cada verso afeito em sonhos,
Em seus paralelos humanos, 
Premissas dos borbotões da vida,
Descalços pelo caminho.

Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
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Inanidade

O dia desliza por entre as nuvens, 
O sol vai cortejando a lua, 
Beijo diáfano de lábios reluzentes, 
Declamando estrelas invisíveis, 
Interlúdio perene dos astros, 
Memorável poesia celeste. 
Regressa a noite confidente, 
Desabrochando os sonhos, 
Bailando cerimoniosa no infinito, 
Orbe fantástico sobre faces incendidas, 
Tênue viagem ao decrépito sentir. 
As paixões cálidas alegóricas, 
Acenam ao platônico amor, 
A flertar a fidelidade melancólica, 
Que enrubescida ao caprichoso afeto, 
Canta ao vento suas memórias, 
Lírica melodia de tons aturdidos. 
As vozes reprimidas silenciosas, 
Ecoam enigmáticas nas trevas, 
Lamuriando o volúvel desejo, 
A gemer em suas voláteis aventuras, 
Seduzindo a dúbia vontade consentida, 
Ao lúgubre abraço excitado. 
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Vestígios

Gritei teu nome em silêncio, 
Muitas noites tentando entender, 
Porque nos perdemos apaixonados, 
Tantos momentos juntos, 
Sepultados no esquecimento, 
Perfumado pela dor da saudade. 

Tantos olhares entre sorrisos, 
Céu azul confidenciando sonhos, 
Noites desenhando sabores, 
Gestos em promessas corporais, 
Tudo se foi num piscar de olhos, 
Deixando apenas a tempestade. 

Lugares cintilantes na memória, 
Detalhes de uma linda história, 
Pincelados no quadro da vida, 
Agora borrado pela angústia, 
Diante de uma música triste, 
Dançando ao vento da recusa. 

Quantas vezes não me ouviu, 
Nem se quer enxergou-me, 
Tornei-me invisível ao seu descaso, 
Este incansável mundo de enganos, 
Que friamente sangrou-me, 
Enclausurando-me ao amor.


Sirlânio Jorge Dias Gomes
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Beijo

Beijo o amor em teus lábios,
Céus asas do desejo,
Ocluso olhar confidente,
Corpo em delírios,
Voando em pensamentos,
Íntima alma afagada,
Suspirando delícias,
Beijo o teu querer,
Ardente afeto idílico,
Sussurrando intensidade,
Meneios do coração,
Vislumbres difusos,
Afagos da paixão eclodida.
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Apego

Afeição terna afago,
Versos perenes enlevo,
Desejos em pétalas,
Amada flor perfuma,
Asas do amor,
Plácida alma inebria.
Amado amor bendito,
Faces de mim em ti,
Enredado afeto aporta,
Ao resoluto cais infindo,
Beijando o distinto mar,
Cujos lábios me veleja.
Sou amor do teu amor,
Puro desvelo do céu,
Casto idílio das nuvens,
Imitando meus pensamentos,
Ao buscar-te no vento,
Leme dos meus encantos.


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Polimorfia

Gira o ponteiro do relógio em sua toca,
Invisível e real celeiro de ferozes seres,
Alados, decapitados, amordaçados,
Ilustres moradores do tempo,
Abraçados aos seus cadafalsos,
Amontoado silêncio gélido,
Ilustrando os pálidos tesouros,
Abrigando criaturas infestas.
Funesto caminho irrompe a alma,
Assaz perdida no tempo,
Redemoinhos de fantasmas,
Atemorizando suas fiéis imagens,
Com seus gritos enfadonhos,
Gruir da infinda morte,
Sob asas do pesadelo,
Ambíguos infernos,
Aos olhos de quem os criou.
Ao longe a canção sidérica,
Se faz ouvir no mutismo dos mundos,
Vibrações de plasmas quiméricos,
Recriando submundos indefinidamente,
No imenso caos da casualidade,
Onde os infernos se fundem,
No desalinho de cada vontade,
Consentido querer ao livre-arbítrio,
Condenado desejo decaído,
Sob o contínuo girar do ponteiro,
Em suas portas exequíveis.
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Abra a janela

Abra a janela,
Veja o mundo invisível,
Rodeado de medo e caos,
Sorrisos mudos de contrastes,
Precipício de almas fúnebres,
Beijando a vida em borrões.

Abra a janela,
Há muito além das nuvens,
Jardins floridos em desertos,
Aridez de belas flores,
Travestidas de anjo da morte,
Na loucura de um pensar.

Abra a janela,
Ouçam os ventos,
Os poetas cantam,
Imitando a brisa leve,
Plagiando a tempestade,
Feito artesãos da vida,
Versando o imperceptível.

Abra a janela,
Sempre que precisar,
Siga o olhar,
Não se perca na cegueira,
Desejos surgem e se vão,
Igual o dia e a noite,
Surpresas da vida,
Elos inexplicáveis.







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Aparência

Quanta escravidão em nós!
Já nascemos escravos,
Escravos de um sistema inevitável,
Que nos aprisiona até a morte,
Escravidão de faces silenciosas,
Acorrentando nossos sonhos,
Poder irônico sobre nossa falsa liberdade,

Opressão sob a égide de um bem coletivo,
Pessoas se ferem em seus preconceitos,
Subjugadas em si mesmas,
Numa intensa prisão invisível,
Encarceradas em suas ignorâncias,
Insana superioridade fétida,
Excremento de mentes doentias,
Escravizadas em seus vícios.

O relógio gira incansavelmente,
Pessoas seguem suas doutrinas,
Trilhando labirintos ignotos,
Buscando refúgio para não enlouquecerem,
Em meio a tanto conhecimento desconhecido,
Alimentando as massas em suas fraquezas,
Enquanto a beleza das coisas murcham,
Diante dos nossos olhos desatentos.

Séculos diante de séculos,
Dos heróis apenas as memórias insistentes,
E a incerteza de algo que até então valeu a pena,
Numa realidade o tempo todo mascarada,
Levando-nos ao grande matadouro social,
Onde a pobreza e a riqueza não fazem diferença,
Somos reféns da natureza cíclica,
Mutando-se ao bem querer da evolução.

Não somos melhores do que a quem julgamos,
Fazemos parte de um imenso quebra-cabeça,
Tão infinito quanto nossa soberba,
Desfilando uma serenidade entediada,
Buscando o tempo todo transpor nossas fragilidades,
De algo que não temos nenhum controle,
Em suas dissimulações convenientes,
Iguais em tudo nesta umbrática humanidade.

Sirlânio Jorge Dias Gomes
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Simbiose

Abençoada arena da minha deformidade, 
Espelho inconformado do meu eu intimidado, 
Imitando as travessuras da minúscula vida, 
Provocando a insuportável alma, 
Aos pleitos inflamados do medo, 
Rasgando a dor entre laços, 
Cultuando a miserável luxúria, 
Covardia do ser abatido. 

Da altura da minha soberba despenco, 
Flutuando no espaço da mesquinha loucura, 
Vestida de vento debochando do escravo, 
Todo solene em seus nobres grilhões, 
Feito de tudo que é mais precioso, 
Possuindo tudo sem nada ter, 
Rindo da própria tragédia, 
Pronto a abraçar o seu infame destino. 

No meio do caminho grita o nome da morte, 
De braços abertos sem cobiçar as núpcias eternas, 
Galante encontro de mágoa contrita, 
Lançando flores no leito petrificado, 
Sentindo o gosto insentido do fel ultrajante, 
Abissal embriaguez do noivo aguardado, 
Em seus trajes estranhos ao banquete, 
Abstrato conúbio indelével. 

Sirlânio Jorge Dias Gomes


 




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Sentido

Poesia é a composição de si no outro, 
Esculpindo pensamentos de todas as cores, 
Duas coisas que n'alma se revela, 
Beijando a humana flor das emoções, 
A transpor o infinito das palavras, 
Realidade constante de sentimentos, 
Resvalando o lume da imaginação, 
Instigando a natureza enfermiça. 

Poesia são laços que se unem, 
Mosaico de ideias a refletir sensações, 
Maquiagem do abstrato nas mãos do artista, 
Êxtase da verdade retratada no silêncio, 
A dar vida ao que antes adormecia, 
Beleza diversa revestida de invólucros, 
Viajando entre o tudo e o nada, 
Aos olhos que tudo veem e nada percebe. 

Poesias são alegorias divertidas, 
Enigmáticas generosidades assentidas, 
Transmutando labirintos na mente louca, 
Dando vozes aos mudos falantes 
Visão aos cegos que tudo vê, 
Vagando nas inconstâncias da vida, 
Subindo as escadas do tempo, 
Pleiteando a imortalidade. 

Sirlânio Jorge Dias Gomes
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!