Escritas

Lista de Poemas

Feeling

Aqui diante de mim,
Onde o meu olhar me sangra,
Me purifico em lágrimas,
Sei que não importa a culpa,
Desta desventura de amor.
Se tinhas amor não me deste,
Na proporção que te amava.
Nossos egos se perderam,
Na cegueira de desejos incertos,
Amordaçados na desleal volúpia,
Cativeiro de nossas almas vazias.
Dançamos ao vento,
Ao som do ruído da incerteza,
No descompasso da vida.
Aqui diante de mim...
Apenas os nós deste infortúnio,
Em suas percepções transitórias.
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Confabulações

Há quem diga o incondizente,
Num trago amargo de si,
Tropeçando sem rumo,
Nas próprias pedras da vida.
Há quem fira a língua na lâmina,
Fio mortal de dois gumes do desatino,
Falar cretino de vozes embotadas.
Existem tolos que quebram diamantes,
Ofuscado em seu próprio brilho,
Estribilho de vícios caricatos,
Sangrando o coração em seus torvelinhos.
Há jovens velhos e velhos jovens,
Doidivanas em seus baluartes de vidro,
Fragmentando a pedra dos pensamentos,
Costurando sonhos em frágeis retalhos.
Há sábios e loucos em seus atalhos,
Marcando passo no tempo,
Seguindo o rastro das horas,
Em suas marcações diminutas.
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Sonhos

Todo mundo tem um sonho,
Todo sonho tem um mundo,
Mundo entre outros mundos,
De vozes mudas ou surdas,
De palavras vivas ou mortas,
Esperando que se abra a porta,
Revelando as emoções.

Todo sonho tem um ser,
Ao menos deveria ter,
Do coração ao querer,
Um desejo que valha a pena;
Da alma a cantilena,
Em tudo não se perder.
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Ímpeto

Dê-me seu tesão,
Farei versos em teu corpo,
Rimas em teu beijo ,
Me farei senhor das letras,
Quando baixinho na hora do amor,
Sussurrar seu nome com loucura.
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Renúncia

Acordei bem cedo,
Bem cedo acordei,
Acordei com o destino,
Que leve minha desventura,
ventura desmedida,
Sem tino,
Para bem longe,
Onde a dor do amor se esconde,
Para nunca mais voltar.
👁️ 462

Singularidade do amor

Amar é se reinventar,
Amar a si na liberdade do outro,
Igual as flores no campo,
Em seus tons díspares,
Castas em suas criações.
Amar é redescobrir-se,
Cobrindo-se de finitude,
Sem medos e culpas;
Amar é ter esperança,
Desvendar novos caminhos,
Na imensidão da eternidade;
Num indagar contínuo,
Nos mares da incerteza,
Sob a tempestade do ser.
Amar é deixar seguir,
Esculpindo sonhos ao horizonte,
Dialogando com a solidão,
Flertando com as estações,
Enquanto o eu se enamora,
Em seus beijos utópicos.
Amar é infundir-se,
Murchar e reflorescer,
Após uma longa estiagem,
Onde a alma ignota,
Sepulta o pranto sombrio,
E se aconchega ao sorriso.
Amar é ser singular,
Ascender-se no imperfeito,
Acreditar no impossível,
Dar a mão ao amor,
Deixá-lo em seu coração,
Traduzir a vida em minúcias.
👁️ 863

Ponte do exílio

Quem te pariu filhos infiéis,
Quem são teus irmãos?
A sua terra chora por ti,
Onde seus ancestrais,
Apaixonados em suas feridas,
Prantearam seus filhos jogados ao vento.

Do alto mar,
Ouvem-se os gritos das sombras,
Em seus túmulos amadeirados,
Banhados pelas lágrimas dos esquecidos.

Oh! pesada morte,
Colham nos oceanos as flores da dor,
Em seu perfume fétido de horrores,
Sob agonia de gritos estridentes,
Entre silêncio e suspiros,
Enquanto os demônios humanos,
Devoram corpos em suas insanidades.

Este ...
Destino de dor e sofrimento,
Tormentos de uma casta deflorada,
Nas mentes nefastas de seus senhores.

Diga-me quem te pariu seres infiéis!
Que matam seus filhos,
Pela estranheza de suas mãos,
Sujas de sangue e desamor,
Desfilando riquezas amaldiçoadas,
Entre sorrisos frios,
Tal qual suas almas obscuras.

Das caravelas o luto,
Frutos selvagens de corações empedernidos,
Profecia de liberdades tolhidas,
Entre os séculos de faces putrefatas.
👁️ 458

Alucinação

Loucura?
Esta mistura de tudo,
Este ser em agonia.
Gritando dentro de si,
Revelando ao mundo seus ecos,
Brisas dolorosas da razão ferida.
Demente sabedoria,
Na voz silenciosa que se revela,
Sangrando em cada som,
Nos lábios amordaçados do estranho.
Os pensamentos vão serpenteando,
Debochando do caos na mente petrificada,
Pelas imagens de um calabouço tão frio.
As mãos cobrem os olhos em desespero,
Enquanto as lágrimas lavam a humanidade,
Entre seus labirintos de sobriedade.
Loucura!
Pesado delírio da alma,
Desaguando o furor da substância,
Relutando o profundo despertar,
Entre as fronteiras do eu peregrino.
👁️ 536

Humani Generis

Um mundo de outros mundos,
silenciosos leitos em seus umbrais,
Quem sois de mãos atadas?
De onde vens?
O que há além do monte?
Hei de escavar os sepulcros,
Tentar encontrar os preconceituosos,
Intactos em suas mortalhas,
Em seus discursos com a morte,
Defendendo a sua cor,
A sua pátria e posição.
Num olhar infortúnio,
Todos os males da perdição,
Sentença covarde de hipócritas,
Em seus trajes maquiavélicos,
Copiosos em suas lástimas,
Sábios em suas máximas.
Rompe-se o cordão umbilical,
Correm as feras para os campos,
Em suas imagens multifárias,
Abrindo as portas em seus cativeiros,
Recolhendo as presas paradoxais.
É tudo tão triste!
Tão vazio!
Estes vendavais humanos,
Mãos estranhas afagando o ódio,
Como deuses em seu tempo,
Parindo demônios de suas bocas,
Num rito cruento,
Escarnecendo do amor.
Há nas esquinas,
De mãos estendidas,
Todas as gentes de uma só casta,
Humani generis,
Sangrando,chorando,implorando,
Sonhando e prosseguindo,
Desejando em seus corações,
Que sejamos somente irmãos.
👁️ 711

Humana Flor

Humana flor latente,
De pétalas homicidas,
Que és do nascer ao por do sol,
Senão um diário da morte!?
O fim te aguarda sorrateiro,
Fino banquete das ilusões;
Cova dos sonhos e da soberba.
Os vermes devorarão sua carne,
Restando apenas impressões;
Deixadas nos rastros de vossa existência.
Sois o que sois,
Na cegueira dos seus dias;
Proferindo injúrias em si mesmos.
Da satisfação ao desagrado,
Procissão de murmuradores;
Nascidos mortos antes de nascer.
Humana flor latente,
Murchando vagarosamente;
Diante do caos que os açoita.
👁️ 548

Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!