Lista de Poemas
Perecimento
A flor da vida vai murchando
Levando a labuta indigesta;
Cuja senhora se apresta,
Aos poucos ir findando.
As horas vão passando,
Seja dor ou seja festa;
De tudo somente resta,
Ir a pobre alma levitando.
De pé ou na cama
Com amores ou dissabores,
Em lágrima fecha-se o olho.
Do espírito encerra-se a trama
Do bem feito aos horrores,
Da aparência o sobrolho.
Levando a labuta indigesta;
Cuja senhora se apresta,
Aos poucos ir findando.
As horas vão passando,
Seja dor ou seja festa;
De tudo somente resta,
Ir a pobre alma levitando.
De pé ou na cama
Com amores ou dissabores,
Em lágrima fecha-se o olho.
Do espírito encerra-se a trama
Do bem feito aos horrores,
Da aparência o sobrolho.
👁️ 398
Eu
Eu,
Paralelo universo,
Em suas criações,
De introversa criatura,
Nestas confabulações dúbias,
Polimórficas vontades no tempo,
Segredando individualidades.
Eu,
Multíplice hominalidade,
Em seus trajetos tempestuosos,
Mirando a calmaria adjacente,
Sob olhares de vidro,
Visões mórbidas contumazes,
Borrões da coragem,
Na tela da vida.
Paralelo universo,
Em suas criações,
De introversa criatura,
Nestas confabulações dúbias,
Polimórficas vontades no tempo,
Segredando individualidades.
Eu,
Multíplice hominalidade,
Em seus trajetos tempestuosos,
Mirando a calmaria adjacente,
Sob olhares de vidro,
Visões mórbidas contumazes,
Borrões da coragem,
Na tela da vida.
👁️ 480
Águas de mim
Meu ser ferido em lágrimas se desfazia,
Esvaindo-se em gotas das dores o ensejo,
Do alívio de tal penar o despejo,
No oceano do esquecimento a valia.
Dos sofrimentos a covardia,
Cálice amargo do amor ao desejo,
Notas de uma música triste o arpejo,
Canto inibido da vida em agonia.
Em meu desdém peço ao vento que leve
Do meu pesar o desalento
Que insinua que o meu coração não serve.
Minh'alma deságua em sentimento
Lavando-me enquanto meu sangue ferve
Queimando no calor do arrependimento.
Esvaindo-se em gotas das dores o ensejo,
Do alívio de tal penar o despejo,
No oceano do esquecimento a valia.
Dos sofrimentos a covardia,
Cálice amargo do amor ao desejo,
Notas de uma música triste o arpejo,
Canto inibido da vida em agonia.
Em meu desdém peço ao vento que leve
Do meu pesar o desalento
Que insinua que o meu coração não serve.
Minh'alma deságua em sentimento
Lavando-me enquanto meu sangue ferve
Queimando no calor do arrependimento.
👁️ 405
Ensaio
Ateste o desvelo em penoso fardo,
Do manancial ao fino trato,
Que de rancor não padeça;
Quem o amor ousou tocar.
Em versos exaltados,
Segue a alma em devaneios,
Solicitude enamorada;
Feito brisa a balouçar.
Do olhar a esperança,
Ensejo póstumo recolhido,
Vai o ser em seus ditames;
Regando as pedras do caminho.
Das lástimas o desalinho,
De murchas flores envolvido,
Deixa o mundo constrangido,
Sem saber do que se foi.
Do manancial ao fino trato,
Que de rancor não padeça;
Quem o amor ousou tocar.
Em versos exaltados,
Segue a alma em devaneios,
Solicitude enamorada;
Feito brisa a balouçar.
Do olhar a esperança,
Ensejo póstumo recolhido,
Vai o ser em seus ditames;
Regando as pedras do caminho.
Das lástimas o desalinho,
De murchas flores envolvido,
Deixa o mundo constrangido,
Sem saber do que se foi.
👁️ 528
Barca da ilusão
Despertai de ti mesmo,
Sinta o bálsamo que te consome.
Descei até o íntimo de vosso amor,
Sentimento confuso do teu infortúnio.
O rio de tua fúria te conduz,
Ao mundo infinito de tua insanidade,
A tua alma translúcida regenerai,
Monstros ferozes de suas fantasias,
Velejai e libertai vossos enganos,
Vícios que te aprisionam no inferno.
Resista heroicamente,
Aos espasmos de tua vontade,
Subjugue-as ao seu juízo,
De onde vem estas vozes,
Insistindo em meio as trevas?
Demônios assolam a sua coragem,
Querem roubar a sua sensatez,
Nestas águas sombrias.
Logo alcançará o seu destino,
Se fores forte,
Encontrarás a luz,
Dissipando a intemperança.
Sinta o bálsamo que te consome.
Descei até o íntimo de vosso amor,
Sentimento confuso do teu infortúnio.
O rio de tua fúria te conduz,
Ao mundo infinito de tua insanidade,
A tua alma translúcida regenerai,
Monstros ferozes de suas fantasias,
Velejai e libertai vossos enganos,
Vícios que te aprisionam no inferno.
Resista heroicamente,
Aos espasmos de tua vontade,
Subjugue-as ao seu juízo,
De onde vem estas vozes,
Insistindo em meio as trevas?
Demônios assolam a sua coragem,
Querem roubar a sua sensatez,
Nestas águas sombrias.
Logo alcançará o seu destino,
Se fores forte,
Encontrarás a luz,
Dissipando a intemperança.
👁️ 478
Cavalo de Troia
áureo panteão de ilusão dormente,
Da ferida a panaceia enredado,
Pétrea dor em corpo dilacerado
Ventre maculado pelo ópio silente.
Néscio infame de morte eloquente,
Pretensa paz ao fim aguardado,
Burlando o silêncio aclamado
De gemidos e violência estridente.
Da beleza ao canto funesto
Anjo Fastio de face assombrosa,
Soprou agonia na alma que parte.
Das maledicências o vil gesto
Colhendo em ódio a vida majestosa
Do inimigo o furor, da arte; a guerra.
Da ferida a panaceia enredado,
Pétrea dor em corpo dilacerado
Ventre maculado pelo ópio silente.
Néscio infame de morte eloquente,
Pretensa paz ao fim aguardado,
Burlando o silêncio aclamado
De gemidos e violência estridente.
Da beleza ao canto funesto
Anjo Fastio de face assombrosa,
Soprou agonia na alma que parte.
Das maledicências o vil gesto
Colhendo em ódio a vida majestosa
Do inimigo o furor, da arte; a guerra.
👁️ 448
Chocolate
Fino fruto olmeca delicioso,
Amêndoa adorável de sedução.
Da descoberta o doce saborear,
Evolução deliciosa num degustar.
Das flores a prole em sensações,
Viciante gosto ao palato sublime.
Lábios anciosos do teu beijo provam,
Sabor divino de intenso capricho.
Dos amores o perfume do teu cheiro,
Convite irrecusável ao primeiro toque.
Afrodisíaco dos deuses aos mortais,
Tesouro milenar em mãos vorazes.
No céu o prazer da volúpia,
Irresístivel paixão em bocas ansiosas.
Amêndoa adorável de sedução.
Da descoberta o doce saborear,
Evolução deliciosa num degustar.
Das flores a prole em sensações,
Viciante gosto ao palato sublime.
Lábios anciosos do teu beijo provam,
Sabor divino de intenso capricho.
Dos amores o perfume do teu cheiro,
Convite irrecusável ao primeiro toque.
Afrodisíaco dos deuses aos mortais,
Tesouro milenar em mãos vorazes.
No céu o prazer da volúpia,
Irresístivel paixão em bocas ansiosas.
👁️ 468
Camafeu
Ao querer inconstante,
Fito os tons da minh' alma que se esculpe,
Revelando formas intangíveis do eu,
Saliências humanas em seus dissabores,
Emoções a ornamentar o caminhar impreciso,
Declinando entre abismos e certezas,
Estranhezas de um ser tão frágil,
Severidade da vida no interior que se ajoelha,
Lavrando o espírito que insiste em rebelar-se.
Fito os tons da minh' alma que se esculpe,
Revelando formas intangíveis do eu,
Saliências humanas em seus dissabores,
Emoções a ornamentar o caminhar impreciso,
Declinando entre abismos e certezas,
Estranhezas de um ser tão frágil,
Severidade da vida no interior que se ajoelha,
Lavrando o espírito que insiste em rebelar-se.
👁️ 522
Monólogo
A noite chega sorrateira,
Humanidade sob lágrimas,
Arrastando-me nesta solidão,
Retalhos da minha existência,
Neste solilóquio de contrastes.
Aproximo-me do espelho,
Esta imagem em suas interjeições,
Interpelando o ser do outro lado,
Labirinto de encontro e desencontros,
Marcado por emoções em segredo.
Cada expressão do meu rosto,
Marcas do tempo em seus açoites,
Diante de minha consciência;
Envolta em gritos e calmaria,
Estranhos deleites dos momentos vividos.
Mesmo com medo,
Sigo entre as estações,
Desafiando o compasso das horas,
Neste eu seduzido em suas distrações,
Personagem nos rastros do tempo.
Humanidade sob lágrimas,
Arrastando-me nesta solidão,
Retalhos da minha existência,
Neste solilóquio de contrastes.
Aproximo-me do espelho,
Esta imagem em suas interjeições,
Interpelando o ser do outro lado,
Labirinto de encontro e desencontros,
Marcado por emoções em segredo.
Cada expressão do meu rosto,
Marcas do tempo em seus açoites,
Diante de minha consciência;
Envolta em gritos e calmaria,
Estranhos deleites dos momentos vividos.
Mesmo com medo,
Sigo entre as estações,
Desafiando o compasso das horas,
Neste eu seduzido em suas distrações,
Personagem nos rastros do tempo.
👁️ 578
Serenata
Canta a alma ao luar infinito,
Finito da vida em noite de versos,
Janela de sentimentos imersos,
Doce concerto de ares bendito.
Mira o céu em si o pesar delito,
Amando a brisa em tom disperso
Livre das ilusões converso,
Rimando as estrelas o veredito.
Dito ao universo em seu deserto
Que não se cale o pranto,
Ao encontrar o amor que revelo;
As desventuras em total desencanto,
Recanto da esperança desperto
Na luz onde guardou-se o canto.
Finito da vida em noite de versos,
Janela de sentimentos imersos,
Doce concerto de ares bendito.
Mira o céu em si o pesar delito,
Amando a brisa em tom disperso
Livre das ilusões converso,
Rimando as estrelas o veredito.
Dito ao universo em seu deserto
Que não se cale o pranto,
Ao encontrar o amor que revelo;
As desventuras em total desencanto,
Recanto da esperança desperto
Na luz onde guardou-se o canto.
👁️ 588
Comentários (2)
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Zuleica
2019-08-10
Palavras que saem do coração
dionesbatista
2018-11-25
Belos escritos. Adelante!
Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
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