Escritas

Lista de Poemas

Decrepitude

O meu espírito bravio martírio
Faina que advoga o ócio,
Apogeu da velhice a vozear,
Cintilar do meu turvo olhar.
O vigor alquebrado fere,
Esperançoso manto verdejante,
Perecendo o delgado alvor da vida,
Face descorada que cultuo.
Intrépido amor impoluto,
Agonia velada em cada ruga,
Acerbo tempo lúgubre tedioso,
Adversa dor do meu lamento,
Adjutória esperança guarda.
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Tenacidade

Este resoluto porvir em máscaras,
Juras consentidas em meu destino,
Invulgar mesura aluada,
Doravante me perdi em teu amor esta noite,
Prostrado aos pés do fingimento.
A incerteza estampa meu revés,
Diabrura dos teus encantos,
Lástima enfermiça desfigurada,
Do amante que um dia amou,
Agora ermo em seus espinhos,
Condena-se ao báratro investido.
A lua rasgou-se ao meio,
Na ilusão do meu pesadelo,
Cruel desventura que me oprime,
Abafando a luz dos meus castiçais,
Plena oblação do meu zelo.
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Abissal

Andejamos ao poente,
À terra sucumbida,
Moribunda entre as estações,
Estranhamente entre os mundos,
Escabrosa trilha de pedras,
Homens inabitados,
Brados moucos,
Olhares invulgares,
Perdidos na selva,
Agudo punhal em sumos.
Onde estão os campos?
Reunimos ao redor da fogueira,
Arruinou-se a carne gélida,
Mostrai-me as criaturas,
Escondidas na tempestade,
Fel incolor entre as bocas,
Famintas sem beleza.
As bordas escorregadias do monte,
Sepulcro dos apáticos,
Soberanos em seus tumores,
Chaga de dores verminais,
Danação dos homens santos,
Em seus estupores irrequietos.
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Exílio

Diáfano nestas trevas rochosas,
O prado invade meus aposentos,
Avulta suas raízes primitivas,
Seivas onde faz-se o rito,
Acrisolando a vida aos cantos das aves,
No entoar dos rios o mantra das matas.
Infindamente a brisa celeste,
Beija a luz do sol,
Rico ornamento da matéria,
Ao chão de rastros em prece,
Sussurrando a alma atenta,
A opulência das asas.
Ás covas as promessas,
O último olhar de mãos estendidas,
Acariciando o junco da terra,
Na certeza de se tornar semente.
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Tango

Me dê tuas mãos,
Que a paixão nos queime,
Permita que meus lábios,
Te beije contínuamente,
Pândego ardor entre olhares,
Vertiginosos abraços a nos possuir,
Extasiados pela música em nós,
Nestes corpos ardentes,
Ímpeto de encantos,
Concêntrico bailar exaltado,
Giros de amor consentido,
Corpórea sedução em volúpia,
Quimérica sensualidade enlaçada.


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A prostituta

Quem sou eu?
Uma escrava de mim?
Um romance as avessas?
Alguma flor de petalas lúridas
Despetalando no jardim dos boçais?
Sou o mea-culpa de suas introversões,
O desejo descarado de sua fraqueza,
A desculpa do seu infortúnio,
Nos infernos que procriamos,
Em leitos presunçosos.
Sou a inveja dos fascínios proibidos,
Pernicioso afeto do seu capitalismo,
No obscuro sentir de sua identidade.
A minha paixão é transmutável,
Metamorfose da vida em suas réplicas,
Furor em conveniências,
Tal qual o reflexo de sua humanidade,
No juízo insensato do seu veredito,
Depositário da sua herança maldita.
Sou teu medo e desejo,
Vazão de sua violência esfíngica,
Em seus ócios escandalosos,
Proletária da sua sorte,
Vestida de tempestades invisíveis,
Ataviando as horas inconvenientes,
Até o despertar de sua santidade.
Te devoro e não me percebes,
Na loucura de tuas confidências,
Na fragilidade de tua desgraça,
Seduzida por suas mentiras,
Que me concebe sem entender,
O que realmente sou além da luxúria.
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Matizes

Fusão em teu corpo,
Contíguo pecado nativo,
Odorífera Tentação em idílios,
Irmana-me em seus suspiros,
Tonalidade em semitons,
Música dos teu gemidos.
Abra-se como uma flor,
E deixe que eu seja o vento,
Que te faz bailar livremente,
E perceber esta suavidade,
Álibi de minha procura,
Transição de almas.
Envolva-me em teu olhar,
Sereno igual a luz da lua,
Que toda nua,
Te reflete em meus laços,
Genuíno flertar de nossa caça.
Canto em torno de ti,
E danço em tua paixão,
Que também sendo minha,
Me devora insandecida.
Teus toques me atavia,
Enflorando meu querer enobrecido,
Sou príncipe em teu castelo,
Este manacial de devotado apego.
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Desamparo

Amada,esta alvéa imagem aos meus olhos,
Fino repouso de tua alegria,
Precioso sacrário que te aquebranta,
Ao meu regressar em galardão,
Obséquio condolente ao amor ausente.
Arqueja meu peito de apego,
Este melindre ao afã de tuas batalhas,
Entidade ávida de um orbe infinito,
Latíbulo florido em reminiscências,
Deste corpo um dia unido ao meu,
E agora apartado pelo destino.
Segue este coração golpeado,
Sentimento prescrito de tua ausência,
Eterno laço da verdade que me destes.
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O peregrino

Gracejo de mim nesta penumbra,
Histrião tragicômico de tal angústia,
Neste lamento de facetas contraditórias,
Fastioso sarcasmo de abrupta compaixão.
Zombo de mim neste caos,
Desdita vida em suas convulsões,
Náusea fremente em suplícios,
Desta boca maldita,
Rogações infestas de um réprobo.
Aos meus aís deixo o vento,
levar algures minha ruína,
Quem sabe também a culpa,
De não lutar diante da dor,
De um amor tão pálido.
Do chão fiz meu leito,
Imaturo jazigo em flor,
A despetalar meu último suspiro,
No grande espetáculo da vida.
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Cative o meu coração

Ao cair das trevas enreda-me em tua afeição,
Uma vez adormecido te descubra,
Na aurora a prismar o pejo do teu querer,
Esta obstinação que me queima,
Destruindo a fortaleza desta timidez.
Invada-me teus segredos,
Que o mel dos teus lábios,
Afugente minhas dores,
Me dê repouso,
Neste teu céu de deleites.
Meus olhos são teus,
Em teu olhar me apresso,
Olência que me encanta,
Nesta pele em brasas,
Sensualidade em vendavais.
Este ócio que me concedes,
Plasma meu sorriso ao teu,
Vem e toma este cálice,
Bebamos esta cálida devoção ,
Esqueçamos do tempo,
Sou teu e nada mais.
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!