Escritas

Lista de Poemas

Fim

Venha meu amor,
Sente-se aqui ao meu lado,
Segure as minhas mãos,
Calejadas pelo tempo,
Me afague neste leito.
De ti quero o melhor beijo,
O melhor abraço,
O melhor aconchego,
Impressões da minha eternidade.
Dê-me o seu perdão,
Receba minhas lágrimas,
Este casto arrependimento,
Que do meu coração flameja,
Abrindo as portas da luz,
Á minh'alma fugidia.
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Indivisível afeto

Te tenho em meus laços,
Este afeto condizente amor,
De olhares diamantes,
Brilhando ao valor de si,
Embebido de venustidade.

As rosas te imitam na primavera,
Quando me perco em teus campos,
Beijo o delírio nos teus encantos,
Feito um colibri enamorado,
Delicada cura do meu fascínio.

Teus movimentos labiais,
Escarlate ternura consentida,
Abraça-me o coração seduzido,
Absorto de amores em ardor,
Paraíso infindo dos teus seios,
Libido adorno que me deleita.

Tamanho apego meu ser inflama,
A doce voz que de tão bela,
Os meus ouvidos se acalantam,
Metrificando o meu sentir,
Perdidamente em versos,
Poesia solene que me declama.

Em teu colo me aninho,
Este regaço que me apetece,
A desabrochar no meu peito,
Flores joviais de felicidade,
Enquanto juras de amor,
Confidenciam segredos,
De um amor de verdade.

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Desembaraço

Sem saber sigo em frente,
Estes medos?
Apenas provações,
Entre as estações da vida,
Se oscilo ou me firmo,
O que importa?
Portas se fecham,
Portas se abrem,
E janelas se fazem,
Na sutileza da alma,
Essência de um despertar.
Se a tempestade furiosa,
Ruir a minha casa tão frágil,
Lutarei para outra construir,
Desta vez mais forte,
Mas ainda sim quebradiça,
Mas que guarda em cada canto,
Os sonhos mais belos,
Os mais absurdos,
Tal qual os pesadelos,
Ali enredados em silêncio.
Não me interrogue a beleza,
Nem tampouco a feiúra,
Das dúvidas vividas,
Pútridas feridas,
Das chagas do meu caos,
Encharcados de sentimentos,
Das minhas lágrimas,
Ou quem sabe do meu sorriso.
O que importa?
Sinceramente não sei,
Mas a estrada é longa,
Destino concebível.
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Albatroz

Sentei-me no alto da montanha,
Ouvindo o vento de olhos fechados,
Absorvendo a natureza em si,
Doce aconchego nas asas do vento,
Imaginando-me um albatroz,
Deslizando pelo espaço infinito,
Abraçando oceano e mares,
Amplexo sagrado da vida,
Em suas extinções,
Renascimentos olvidados.
Senti os mortos em seus gemidos,
Nos remotos sentidos da imbecilidade,
Daqueles desprovidos de amor,
Em seus egoísmos perniciosos,
Rindo-se da própria desgraça,
Imbuídos de perjúrios em suas faces,
Enquanto apodrecem ainda vivos.
Ainda em minha quimera,
Pensei que o mundo,
Imitando tão bela ave,
Pudesse também,
Instituir em seus corações,
Uma relação monogâmica com a paz.
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Considerações

Hoje acordei e olhei para o céu,
Sabe o que eu vi?
Nada além de nuvens,
No meu corpo,
Uma moleza gigantesca,
Me possuindo pelos poros,
Fazendo-me espreguiçar,
Olhando para fora da janela,
Sem saber para onde,
Totalmente ignoto.
Adentrei-me à sala,
Liguei a TV,
Deparei-me com o de sempre,
Desliguei-a num instante,
Não desejava aumentar o meu desânimo,
Diante de um cenário nada positivo,
Tragédias difusas,
Tal qual minhas incertezas.
Sem pestanejar,
Acendi um cigarro,
Sentei-me na varanda,
A olhar os transeuntes,
Em suas máscaras de ferro,
Afoitos e corriqueiros,
Em seus traços mórbidos,
Herança da morte,
Em olhares contrafeitos,
De uma subsistência em farrapos.
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Adjutório

Vá minh' alma,
Pegue esta pena,
Traduza-me,
Sem pressa em versos,
Me revele nos rascunhos,
Desta rude forma cataclísmica.
Venha minha amiga,
Salve-me de mim,
Não deixai que eu me afogue,
Nos rios caudalosos de minhas lágrimas,
Há tanto vertidas em silêncio,
No labor desta vida contenciosa.
Acalentai em seus braços celestes,
Esta criança frágil,
Maculada nos rastros do mundo,
Prenúncio da morte,
De um destino invisível.
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Primeiro amor

Não sabia o que era amor,
Mas gostava de estar perto,
Adorava nas horas livre,
Brincar ao seu lado,
Me sentia feliz,
Coração acelerado,
Olhar iluminado.
Mandei te entregar um papel,
Escrito gosto de você,
Nunca me respondeu.
O tempo passou,
Mas hoje sei,
Que mesmo sem eu saber,
Foi meu primeiro amor.
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Não vou dizer te amo

Não preciso dizer te amo,
Para provar meu amor,
Basta somente que o que sinto,
Pelas minhas atitudes,
Não deixe qualquer dúvida,
Do valor que lhe tenho,
Ao doar minha vida,
Em favor da tua felicidade,
Espelho da nossa cumplicidade.
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Ósculo

Levemente toquei teus lábios,
Senti-me igual ao sol tocando o mar;
Sou uma carta apaixonada,
Nobre amor ao seu destino,
Em você bela rosa,
A desabrochar no meu jardim,
A melhor primavera,
No meu eu de encantos.
Ao teu ósculo me rendo,
Sorrindo ao céu,
Neste inspirado momento,
Poesia suave dos teus carinhos,
Este aconchego de felicidade.
Versejando nossa alma em silêncio,
Enquanto o meu corpo no teu,
Decifra o gosto da volúpia,
Ondas de emoções manifestas,
A nos confessar mutuamente.
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Transição

Esta árvore um dia frondosa,
Vai aos poucos secando,
Já produziu frutos,
Lançou sementes,
Agora vai findando,
Sentindo as folhas caírem,
Os galhos tenros,
Se quebrando.
As raízes outrora tão fortes,
Vão se desprendendo aos poucos,
O tronco se prepara em sua jornada,
Para ao chão dar o último beijo,
Se juntar a outras memórias,
Nas visões que a conceberam.
A seiva vertente entre as estações,
Vão se tornando escassas,
Até se tornarem lágrimas invisíveis,
Exaurindo-se ao vento,
Transmutação natural das coisas.
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!