Escritas

Lista de Poemas

Circunstância

Lasciva forma de amor confesso,
Natureza aquosa cintilante,
Manando no infinito das coisas,
A revelar o absoluto pulsante,
A rotacionar o corpo que emerge.
Beija a quimera os seus lábios,
Deleitoso seio que me repousa,
Imitando o meu sôfrego desejo,
A desaguar na esperança do teu mar.
Abarque meu espírito o teu ser,
Despetala-me num gozo profundo,
Enquanto a noite nos apadrinha,
Convidando estrelas a dançar,
Ao refúgio inflamado que nos ostenta.


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Soledade

Porfia em meu peito certo alento, 
Tão grandioso quanto as estrelas, 
Amando a vida em suas trovas, 
Fantasiando o coração n'alma, 
Sentindo de perto a paz das cotovias, 
Nas montanhas inertes, 
Dos meus sonhos além da morte. 
Sigo a imortalidade por meus umbrais, 
Beijo da felicidade fiel legado, 
Cintilando pelo universo infindo, 
Repleto de sentidos ouvindo a noite, 
Esperança da alvorada sorrateira, 
Acariciando o céu lentamente. 
Dos meus suspiros nascem flores, 
Rimas da última poesia do meu encanto, 
Indivisível recato ao abraço do tempo, 
Beleza da árvore da vida, 
Recriando o paraíso ao gosto arbítrio, 
Enquanto se abre a porta do destino, 
Deixando a sombra do que se foi. 
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Entusiasmo

O meu olhar no seu olhar, 
Proba invenção do desejo, 
Reinventando mundos afeitos, 
Ócios da noite entre abraços, 
No doce regaço da paixão, 
Deslizando o amor afogueado. 
O teu colo agasalho da minha sede, 
Adora Afrodite em seus lábios, 
Adornada em suas lúbricas súplicas, 
Gotejando no corpo o perfume do prazer, 
Impiedoso feitiço corpos acesos, 
Queimando ao sabor da intimidade. 
Abre-se a flor num ato sublime, 
Impelindo pétalas suaves de primavera, 
Estação poética que me arrebata, 
Coroando-me o rei sol, 
Inflamado de desejo ao diáfano toque, 
Notória lisonja em deleites concupiscíveis.
 
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Natal?

Feliz natal!
Feliz ano novo!
Seguem todos em felicitações,
Tenho fome,tenho sede,tenho frio,
Estou cansado,tenho saudade,
Sinto tristeza,sinto dor e solidão.
Onde está o meu abraço?
Quantos pobres ricos!
Quantos ricos pobres!
Tantos natais vazios sem o aniversariante,
Que deixado de lado chora baixinho,
Limpando o caminho para os que o ignoram.
Onde está o verdadeiro natal?
Vivemos dias de trevas,
Adorando um "deus estranho"
Na magia desconhecida do bom velhinho,
Com suas fantasias esmagadoras,
Num toque sutil de engano.
"Amar a Deus sobre todas as coisas,
E ao próximo como a ti mesmo"
Temos muitos natais por aí,
Nas esquinas,becos,vielas e mansões,
Precisando que alguém os percebam,
No verdadeiro espírito da vida:
O amor incondicional!
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Incidência

Há tantos amores  no mundo, 
Arraigados em seus corações confessos, 
Despojados de si em razão do outro, 
Feitos flores e frutos, 
Amadurecendo entre as estações da vida. 
Há tantas juras de amor quanto o ódio, 
Seres envaidecidos em suas certezas, 
Viés da morte em discursos vazios, 
Apontando a espada ao próprio peito, 
Digladiando com seus demônios interiores, 
Enquanto vomita insanidades. 
Há tantos rumores que o homem anda perdido, 
Buscando fora de si o que dentro está, 
Bússola invisível da alma, 
Ponteiro certeiro do tempo, 
Mostrando a direção sob os vendavais, 
Emanações humanas controversas, 
Herança das civilizações perdidas.
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Arbítrio

Ame o que deseja amar, 
Apenas ame, 
Não busque explicações, 
Amar requer somente amar, 
Amar simplesmente, 
Dê o nome que quiser, 
Amor,paixão,tesão ou loucura, 
O que importa a forma? 
Ou se é ou não amor, 
O que o seu coração interpreta? 
Razão ou desrazão, 
Dane-se o mundo em suas distrações, 
O tempo não para, 
Amanhã será um novo dia, 
Deixe as convenções para os puros, 
As lágrimas para o arrependimento, 
Se não houver amanhã,
Fez a vontade o seu destino, 
Digitais da consciência no infinito. 
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Absolvição

Regressei da noite pálida,
Beijando o açoite da solidão,
A castigar meu corpo silencioso,
Buscando abrir a janela da alma,
Rendição ao meu lamento.
Retornar de mim é um desafio,
Neste luto de revoluções absurdas,
Pleito da minha loucura,
Em seus êxtases invulgares,
Apedrejados pelo meu riso perdido.
Os meus lugares são estranhos,
Sem as pegadas dos meus pés,
Pois nunca estive lá,
Onde o vazio me retratava,
Sob as dores da incerteza.
Furtivamente olhei os rascunhos,
Antes de ousar novamente,
Desejar o amor nas entrelinhas,
Subliminar condição da felicidade,
Afeitas da mais variadas cores,
Cartas ainda sem destino,
Guardadas no coração do remetente.
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Volúvel querer

Amor fora do tempo não é amor,
É um desamor a si aviltado,
Na solidão doída infame rascunho,
Meneio do livre arbítrio oprimido,
Chorando desejos angustiantes,
Ferido pela razão enlouquecida.
Amor verdadeiro sem sentido,
Além das explicações,
Implicação do implacável destino,
Adestrando o caminho da felicidade,
Sentimento de faces eloquentes,
Pautando a vida aprazível admiração.
O amor aquece a alma,
E o coração apadrinha seus encantos,
Enlevo profundo do juízo amado,
Lisura do espírito que o concede,
Leveza do corpo num êxtase fiel.
Indômito animal é o corpo em chamas,
Abrasado pela compunção tardia,
Ao deitar-se num estranho leito,
Obsequiando a túrbida compleição,
Numa rendição capciosa.
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Peregrinação

Sigo arfante por esta estrada,
Levando na algibeira o pão da alma,
Feito com minhas mãos calejadas,
Com o trigo plantado na seca estação,
Sob o suor do meu rosto castigado,
E meus pés cansados de tanta lida.
Olho para o céu timidamente,
Pela aba do meu chapéu furado,
E depois para o chão meu último leito,
Num clamor silencioso do meu peito,
Sufocando o meu riso,
Escondido pela esperança corajosa,
Mulher companheira que me atina,
Na solidão do caminho cravejado de sonhos,
Feito pedras de todas as cores,
lavrada pelo vento sob o sol escaldante,
Límpidos tesouros atestados pela chuva,
Figura altiva das lágrimas vertidas,
Quando o canto tornou-se pranto,
No silêncio da noite de muitos versos,
A traduzir o infinito das coisas,
Nos áditos transitórios da vida.




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Dicotomia

Pingos d'água sobre minha cabeça, 
Caindo sorrateiros,
Fragmentos da vida feito lágrimas, 

Sinais de um coração tecido de sonhos, 
Ilusões transitórias da morte, 
Óbvios semblantes impetuosos, 
Travestidos de felicidade. 
Rasga-se o vento em mil segredos, 
Adejando vozes aos desatentos, 
Estropiando as entrelinhas das dúvidas, 
Pedras da incerteza livres no caminho, 
Causando seus tropeços quase invisíveis, 
Atirando a alma no deserto de si, 
Murchando a flor excitada. 
A respiração ofegante do medo, 
Estrangula a humanidade perdida, 
Indagando a consciência tresloucada, 
Insultando a casta beleza da existência, 
Insistindo que voe e redescubra, 
A certeza da própria voz sem fronteiras.
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!