Escritas

Lista de Poemas

Epistêmico

A imperfeição é o lado bom desta vida,
Nas feições multicoloridas da alma,
Ilustrando o mundo em suas interpretações,
Chuvas de emoções de poetas anônimos,
Cantando no silêncio de si mesmos,
Os sentimentos invisíveis de ser humano.

Quantos rastros se perderam no caminho,
Sangrando abraçado aos seus sonhos,
Gritando o nome do sonhador emudecido,
Ao esquecimento do mundo em desalinho,
Na esperança que o universo imprima,
A grandeza de um bem interrompido.

O mar guarda os seus tesouros,
Joias seculares coros de inocentes,
Lançados aos oceano sem piedade,
Longe do berço dos seus ancestrais,
Junto a tantos que nele adormeceram,
No profundo cemitério das águas.

A terra se abre colhendo os seus filhos,
Irmãos profanando o próprio sangue,
Guerra de vaidades insanas esbraseadas,
Alimentado os cães famintos do coração,
Perdidos na escassez do amor,
Profanando a morte natural das coisas.

A imperfeição é o lado bom desta vida,
Espantosa deformidade da liberdade,
A esquartejar o livre arbítrio mutilado,
Atormentado pelo viés da violência,
Pacto malfazejo de demônios humanos,
A saquear a grandeza da afeição. 






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Perenidade


Naquele dia inesquecível, 
Colhi do teu jardim a flor do amor, 
Senti o perfume das pétalas cheias de orvalho, 
Deixei meus lábios repousarem gentilmente, 
Íntimo abrigo do meu ósculo embevecido, 
Acolhido ao desejo trêmulo dos teus laços. 

O teu colo poetizou-me em sua rima, 
Versejando aos meus ouvidos teus versos, 
Murmúrios rítmicos ao lóbulo ébrio de paixão, 
Condizente súplica ao solícito encanto, 
Música envolvente do teu ser, 
Afogueada fidelidade, glamoroso viço. 

Naquele inesquecível dia, 
Seduziu-me a felicidade jubilosa, 
Promessas finitas intérmina aliança, 
Inundando a alma de lealdade, 
Canção paradisíaca de dois seres, 
Formidável afeto ao afago sublime. 

Naquele dia, 
Naquele inesquecível dia, 
Soube que seria eterno o que sentia, 
Quando meus olhos deixou cair a última lágrima,
Estando de mãos dadas contigo em meu leito, 
O seu olhar não disse adeus, apenas até logo. 




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Ressurgência

Desconhecia a saudade até você partir, 
Deixando atrás de si a dor do amor, 
Este inflamado desejo do teu beijo, 
Do teu corpo claustro da minha solidão, 
Procurando insistentemente teus lábios, 
Na memória, beleza da nossa intensidade. 

O teu perfume é a brisa que abrasa, 
Um sorriso irônico da tristeza penalizada, 
Ardor em meus olhos plangentes, 
Abraçando a tua imagem no espaço-tempo, 
Delicadeza ao meu despojado coração, 
Adormecido na estrada perdida da vaidade. 

Meu olhar juntou-se a chuva, 
Ansiosa esperança que assim te toque, 
Ambiciosa criação da minha ilusão, 
A buscar teu corpo além da serenidade, 
Universo mágico da utopia em meu peito, 
Guardião do teu calor nele acalentado. 

Tantas estações vivemos juntos, 
Restou-me a aridez da despedida, 
A última semente luta para sobreviver, 
Neste solo castigado sem a tua presença, 
Contemplando a morte inevitável em mim, 
De tudo que aqui ficou do teu encanto. 

Conheci, amei e deixei ir talvez sem querer, 
Deixarei em cada passo um pouco de ti, 
No final do caminho já com a alma lavada, 
Permitirei que alguém me ame, 
Cortejarei a felicidade a cada descoberta, 
Sutil vivacidade do recomeço. 

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Ondular

Meu juízo flerta com a vida,
Mesmo sem saber se aqui estarei,
Ao amanhecer da minh'alma,
Exata ambiguidade do meu amor,
Nos sentimentos mais profundos,
Gritando aos sussurros do meu coração.

A ilusão felicitou o funeral do tempo,
Presenciando a fé em seus infortúnios,
Crendo no infinito amor,
Absolvição de uma vida inteira,
Esperança vigorosa da liberdade,
Entre os pedregulhos do caminho.

Não vou olhar o que se perdeu,
Seguirei sob os prantos da saudade,
Absorvendo o que valeu a pena,
Lutando contra as sombras,
Matreira provação aturdida,
Covil das mortais ilusões.
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Remissão

Meus pensamentos são albatrozes, 
Voando sobre o mar de ilusões, 
Mergulhando no sentimento infindo, 
Trazendo à superfície o alimento d'alma, 
Nesta monogâmica vida afeita de sonhos, 
Ambíguo desejo de dois mundos. 
Meu espírito gérmen da minha morte, 
Sorri ao meu corpo em dilúvio, 
Concatenando-se na minha multiplicidade, 
Miserável riqueza pobre sinuosa, 
Flertando com a labiríntica humanidade, 
Promíscua evolução caótica. 
Minhas certezas são miragens, 
A indagar os ventos que a levam, 
Peripécias do tal destino, 
Brincando de esconde-esconde, 
Aguardando o tempo gritar meu nome, 
Enquanto sigo caminhando. 
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Vínculo

Vai a alma sonhando com amor,
Com a inocência de uma criança,

Rebuscando o infinito em suas fantasias,
Esquadrinhando as memórias,
Brincando com as nuvens no céu,
Sabendo que não são mais de algodão,
Apenas um reflexo da pureza.
Vai o ser no silêncio da noite,
Tentando moldar as herméticas emoções,
Bolsões de uma humanidade em fúria,
Travestida de uma paz angustiante,
Camuflada em requintes de gentileza,
Chicoteando com seus lapsos transitórios,
Enquanto não chega a tempestade.
Vai a vida em seus contrapontos,
Dialogando com a vaidade capciosa,
Apaixonado enredo malfazejo,
Metamorfoseando a flor da juventude,
A flertar com a singular senilidade,
Envoltório do tempo apressado,
Sob flashes da pávida morte.
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Juramento

Ao teu olhar vi estrelas, 
Escutei-as em teus cantos celestes, 
Vestidas para as núpcias, 
A imitar a noiva dos meus encantos, 
Adornada de amor indelével, 
Flertando com a eternidade. 
Meu coração metrificou seus versos, 
Estrofes enamoradas altivas, 
Melódicas sensações de tal apreço, 
A sentir a inefável doçura dos teus lábios, 
Desenhando o paraíso nos meus, 
Solene invólucro do desejo. 
Minh'alma sorriu feito brisa pulsante, 
Acariciando as flores na primavera, 
Em seus beijos de matizes perfumadas, 
Singular paixão assentida, 
Entremeios do corpo exaltado, 
Na finitude do prazer indubitável. 
Ao teu olhar vi estrelas, 
Cintilante abraço do amor, 
Horizonte secreto da vida, 
Transbordando o sacramental viver, 
Aos propósitos do fiel sentimento, 
Apanágio Sagrado da promessa. 
👁️ 148

Tabernáculo

Vivemos segundo nosso arbítrio, 
Presos aos grilhões da mortalidade, 
Na esperança da ignota imortalidade, 
Sob penitências finitas da alma, 
Preço dos sonhos ao penoso fardo, 
Contrição aflita presságio da morte. 

Lá fora há um dia calmo, 
Trazendo em si também a tempestade, 
Um oásis com todos os seus perigos, 
Sorrindo aos prazeres nele contido, 
Na imensidão dos prelúdios inusitados, 
Soprando em várias direções. 

Não importa o modo ou a forma, 
Neste imbróglio de tantas solidões, 
Arrastando corações que se perderam, 
Correndo atrás da sedutora ilusão, 
Camisas de força aos loucos atrevidos, 
Surrando a própria vida em seus exames. 

Tantas vozes sem vozes em si, 
Gesticulando ao vazio de seus nadas, 
Vestidos de reis e rainhas, 
Príncipes e princesas de castelos falidos, 
Abraçados ao túmulo da nobreza, 
Espelho de suas pobrezas estupefatas. 

Quando ruírem suas casas de vidro, 
Sairão correndo de nada entender, 
Sem perceber a lança em seus peitos, 
Ardendo ao fogo da desgraça, 
Progenitora dos vícios inconstantes, 
Cadinho do mundo em conta-gotas. 

Há tantos sem teto em mansões, 
Errantes em seus labirintos intangíveis, 
Zombando dos ricos palácios dos pobres, 
Já condenados sob um único olhar, 
Apedrejados pela soberba língua, 
Repleta dos nós de suas quedas.
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Amenidade

O cio da noite em teus olhos celestes, 
Verte de mim o orvalhado amor, 
Beijando-me com teus castos lábios, 
A desabrochar a flor do desejo, 
No meu coração fecundo deleite, 
Inolvidável manancial de luxúria. 
Pulsa minh'alma feito estrela cintilante, 
Cortejando a lua reflexo da tua face, 
Imortal ternura semblante da eternidade, 
Murmurando teus versos infinitos, 
Carícias atemporais fiel doçura, 
Ao sutil êxtase da felicidade. 
Cantam os astros a paixão aludida, 
Formosa treva velado paraíso, 
Augusta serenidade retida, 
Inflamado de amores ao fino laço, 
Excitante colo abrasado, 
Ao teu corpo consumido. 
O cio da noite assaz atrevido, 
Trouxe de si os gemidos, 
Flamejando de mim os sentidos, 
Afável leito ardente,
Confidente véu de ternura, 
Ao convergente zelo vivido. 
👁️ 174

O tempo

Goteja o tempo pulsante, 
Exalando entre as estações, 
O perfume uterino da hermética vida, 
Maculada flor despedaçada, 
Deitada ao chão do infortúnio, 
Abraçada ao vício da aflição. 
Esvai-se a alma entre corpos sorrateiros, 
Vicissitudes de uma identidade ferida, 
Parida sob o caos de si, 
Enrolada no manto de espinhos, 
Aconchego da árida morte, 
Velado declínio espreitado. 
Vagueia o ser em seus amores, 
Constrangidos sentimentos infecundos, 
Cópula estranha ao toque da tristeza, 
Fornicada carência bastarda, 
Zombando da lucidez ultrajada, 
Torturada pela bárbara angústia. 
Gritam de suas prisões os solitários, 
Desconfiando da dúbia paixão, 
Espadas da facínora modernidade, 
Carregada de fascínios ardilosos, 
Açoitando o frágil querer, 
Acorrentando os corações pusilânimes. 




👁️ 219

Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!