Escritas

Lista de Poemas

causa

Nula é a vida adiante,
Outrossim vazia,
Umbrático refúgio,
Nebuloso pesadelo além,
Encruzilhada do mundo,
Cais de rostos abstratos,
Vagando sem rumo.
Beija a ausência a vaga morte,
Escárnio profundo aos tolos,
Desalmadas criaturas nuas,
Despojadas de si sem aviso,
Riso amorfo da despedida,
Caluniando a confissão tolhida,
Imagem do último olhar,
Lágrima a perpétua escuridão.

Sirlânio Jorge Dias Gomes
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Loucura

Tantas poesias de amor, 
Ousadamente tento expressá-lo, 
Na vastidão de pensamentos, 
Intenções, gestos e gostos, 
Identidade de amores confessos. 

Olhares apaixonados são cartas de amor, 
Abraço invisível do desejo namorado, 
Ao tato do primeiro encontro, 
A luz da lua de uma noite perfeita, 
Ou do escaldante sol do meio-dia. 

Quem sabe na correria pausa do destino, 
Encontros afeitos de sonhos 
Talvez sob uma música, 
Alguma coisa sem sentido, 
Peripécias do anjo cupido, 
Flechando corações despercebidos. 

Muitas palavras num simples olhar, 
Aqui e ali majestosa emoção silenciosa, 
Fazendo o corpo tremer baixinho, 
Suave voragem perda do tino, 
Canção dos lábios ao precioso destino, 
Pérolas da razão e loucura. 

Tanto canta o amor em versos, 
Os poetas e os flibusteiros, 
Trovadores em seus trajes modernos, 
Em seus cavalos de ferro, 
Audazes amantes intrépidos, 
A garimpar ouro de tolo. 

São tantos amores desafetos, 
Que o amor chora lá fora, 
Entre paredes silenciosas, 
Flertando com a morte, 
Aos prantos pelo amargo fruto, 
Banquete dos desalmados.

Sirlãnio Jorge Dias Gomes






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Epítome

Lá estava eu e a poesia declamando estrelas,
Os versos voejavam iguais as borboletas,
Beijando a primavera seduzidas pelo perfume,
Grato cintilar de beleza majestosa,
Idílico céu desenhando pássaros,
Imagem dos meus pensamentos.

O tempo é uma cotovia que me encanta,
Igual a ela faço meu ninho no chão,
Esperança da eternidade do corpo a murchar,
Brincando com o relógio matreiro,
Rodopiando a alma encabulada,
Jogando amarelinha distraída.

Peguei a mão do vento feito menino,
Subi correndo a montanha do destino,
E quando lá cheguei extenuado,
Sentei-me ,espreguiçando-me na beleza;
Magnífica paisagem se abriu aos meus olhos,
Sorri agradecido de felicidade.

Lá de cima pude ver a pequenez do mundo,
Cumprimentando a grandeza do meu espírito,
Borbulhando pedras pelo ar feito nuvens,
Brincando com o sentido das coisas,
Acenando a inocência tocando o infinito,
Saltitando entre os astros multicores.

Afinal o que é a vida?
Senão um livro de páginas simétricas!?
Aqui imerso e nem percebi a alvorada,
Vou me despedindo em meus versos brancos,
Pintando meus sonhos na ponta do meu nariz,
Direção do meu olhar alquebrado de sono.


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Trajeto

Confundi a lua com a noite, 
Tal era era sutileza do meu pensamento, 
Como um trem quase sem destino, 
Beijando as paisagens sem conhecê-las, 
Sem saber ao certo dos teus segredos, 
Amontoados em algum canto de tais paragens. 

Cada olhar deixava um tom de despedida, 
Imaginado os sonhos do coração desconhecido, 
Guardados nas casas a beira do caminho, 
Quase na velocidade do vento, 
Embriagado de visões taciturnas, 
Brindando a vida num cálice de amargura. 

Há muito do outro lado, 
Estradas e labirintos ociosos, 
Uma viagem de amor e ódio, 
Refeito sob as ondas do tempo, 
Malandragem da paixão incompreendida, 
Rindo-se entre as lacunas dos meus hiatos. 

Desejo mais além do arco-íris, 
Exatamente aquilo que de mim se esconde, 
Entre as paredes do meu quarto, 
Muro das minha lamentações noturnas, 
Redesenhando minh'alma a cada segundo, 
Contraponto da minha vida em flashbacks. 


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O que faz sentido?

O que faz sentido?
Viver vivendo sem saber o que se vive?
Amar amando um estranho amor?
Beijar os lábios que não te beijam?
O que faz sentido?
Viver perdido entre os sentidos da alma?
Não encontrar-se em meio a tantos encontros?
A vida tem tantos sentidos incontidos,
Que os sentidos confundem que não tem sentimento,
Deixando os ressentidos perdidos em si.
Quantos melindres trazem um coração,
Se agarrando em coisas sem sentido,
Sem sentir os que o sentidos mostram,
Nesta existência de sentidos controversos,
Tal qual a interpretação usurpada da razão,
Cegando os sentidos mendicantes.
O que não faz sentido?
Ser indiferente a dor do outro,
Espelho da nossa própria fragilidade,
Sonegada pela nossa hipocrisia,
Em nome de uma imagem ofuscada,
Pretensioso deleite da afagada imperfeição.
Milhares de bocas condenam antes da justiça,
Andando em círculo diante dos seus abismos,
Supliciando inocentes com seus deuses internos,
Infernos de si nos infernos do outro,
Cadafalsos em mãos estranhas,
Ardilosos sorrisos enfadonhos.
Onde estão os sentidos das coisas?
Sofismas de muitos ao ossos alheios,
Imaterialidade nos ombros cansados,
Arrastando-se na estrada caótica da vida,
Devorando-se nas esquinas da sobrevivência,
Tétrica promiscuidade de sentidos patéticos.
O que faz sentido na ilógica humanidade?
Nestas lunáticas inconsequentes corridas?
Aqui deixo a pena sobre a mesa,
Olhando a próxima página em branco,
Premissas invisíveis da existência,
Sob meus olhos cansados,
Antes do meu repouso noturno.
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Inolvidável

Amar é despedir-se aos poucos, 
Perceber nos detalhes da imperfeição, 
Os laços sublimes invisíveis do querer, 
Posto que o amor escuta o coração, 
Sussurrando eternidades no tempo, 
Diligência de dois seres em evolução. 
É aprender com as diferenças, 
Renascer das cinzas a cada morte, 
Trazendo a vida no perdão verdadeiro, 
Amando a beleza das coisas simples, 
Acariciando o finito saber de existir, 
Entre a essência e o destino confesso. 
É abraçar-se ao infinito, 
Perceber o tesouro do desejo no olhar, 
Mesmo no entardecer da juventude, 
Primícias da senilidade no corpo cansado, 
reminiscência da chama luzidia do amor, 
Como se houvesse acabado de se apaixonar. 
É loucura sob as razões de si, 
Desabrochando todos os dias entre as estações, 
A cada amanhecer e pôr do sol, 
Degustando cada momento de felicidade, 
No imenso vitral da vida gotejante, 
Regando a flor da memória cortejando a saudade. 
Amar é amar e amar, 
Um mar de compilações de histórias, 
Benemérito dos ancestrais em suas lutas, 
A certeza de que amar vale a pena, 
Ilustrando as emoções em cada cena, 
livro que se fecha e se aventa.
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Resistência

Te dei amor e me deste cicatrizes,
Decepou a flor do meu amor,
Me deixando apenas amarguras,
Transformou-me num deserto sem oásis,
Rasgou minh'alma feito papel,
Calou o meu grito sem piedade.

Pesado suplício verteu de ti,
Odioso veneno ignóbil vertiginoso,
Mácula em meu corpo a ti enredado,
Tresloucado sentimento desvairado,
Oscúlo de espinhos em minha boca,
Agora seca lacerada ao desgosto.

Te dei amor e me reduziste a nada,
Alejou a confiança do nosso amor,
Este sentimento que agora sei,
Nunca tive deste torpe coração,
Desejo apenas do meu pensamento,
Domado a duras penas de sua infidelidade.

Te dei o que nunca te perteceu,
Até a sua falsidade abstrair meus sonhos,
Roubando a minha paz iludida,
Quebrando o espelho da minha imagem,
Fragmentado reflexo da mulher que fui,
Buscando forças para prosseguir.

Te dei amor e pego de volta meu tesouro,
Renovarei o meu destino a toda prova,
Terei ao certo um novo amor,
Serei feliz nesta selva de perigos,
Mais forte e decidida,
A ter o melhor que mereço.
 
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Imutabilidade

Convergem as nuances entre o riso e o choro, 
Dicotomia d'alma errante em sufrágios, 
Visionando a tragicomédia do espírito, 
Retalhos do tempo ao ambíguo pensamento, 
Contrapartida da vida ansiosa, 
Velejando no mar das preposições. 

Abruptamente a peregrinação acontece, 
Abstrai-se a mente existencial, 
Indagando seus dilemas interiores, 
Surreais labirintos emotivos, 
Advogando sonhos e pesadelos, 
Ao princípio da conturbada liberdade.  

O corpo adormece e amanhece, 
Ou quem sabe adormece enfim, 
Tocando a desconhecida sublimidade, 
Deixando atras de si a saudade, 
A certeza do dever cumprido, 
Acima de qualquer paradoxo juízo. 

O pássaro bateu as asas e voou, 
Ultrapassou as nuvens transcendentais, 
Pousando no infindo jardim, 
Transgredindo o absoluto silêncio, 
Sob as vibrações sobrenaturais, 
Guiado pelo enigmático amor. 
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Florescência

Amável amor desvelo da minh'alma, 
Deslumbra meu coração em tua avidez, 
Desperto sentimento de asas infinitas, 
Radiante estrela cintila meu desejo, 
Afável anjo de faces aprazíveis, 
Selando em meu peito tua eternidade. 

Os teus olhos me revela enamorado, 
Gotejando dos teus lábios confidências, 
Poético florir de pétalas vaidosas, 
Perfumando as palavras de tua boca, 
Sussurrando-me entre emoções, 
Nua declaração de afeto. 

Poetizo o cair da noite em teu céu, 
Amplidão complacente aos teus versos, 
Versejando nossos corpos em estrofes, 
Líricos sentimentos delineado amor, 
Arte finita de generoso viço, 
Metrificando-nos no silêncio de amar. 
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Eclipse

Não me aprisione com esta solidão doída, 
O mundo gira e amanhã poderá ser diferente, 
Preciso sair desta tempestade que sufoca, 
Encontrar o farol que está lá, 
Sobre a pedra do meu destino, 
Lançando raios de luz na escuridão. 

Num barco a deriva está o meu sorriso, 
Balançando no meio do oceano, 
Este teu mundo de rosas negras, 
Tão frias quanto sua forma de amar, 
Lançando sobre o mar a sua ironia, 
Lúgubre ritual de despedida. 

Há tanto sobre mim que ajoelho, 
Mas não é uma prece que faço, 
São suas mãos invisíveis que me ferem, 
Acorrentam-me ao seu vício,
Este laço mortal de sua alma, 

Beijando as cinzas do meu corpo. 

Não me aprisione com esta perfídia, 
Chegará o resgate que me libertará, 
Morrerá engasgado com o seu veneno, 
Terei de volta meu riso farto, 
Dançarei com a felicidade sob sua face, 
Serei simplesmente amor nesta jornada. 

Não aceitarei menos do que mereço, 
Sua lembrança apagarei da memória, 
Darei meus lábios ao gêmeo amor, 
Dançarei ao silêncio sob a chuva, 
Sorrindo para a liberdade tão vaidosa, 
Seduzindo a alegria que me enamora.
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!