Escritas

Lista de Poemas

Fortuna

Vá coração além de mim,
Declame sem medo o vento,
Cante e voe sem limites,
Espalhe minhas emoções por aí,
Volte apenas quando me encontrar.

Ao chegar estarei debruçado na janela,
Olhando a estrada além das montanhas,
Perscrutando as coisas simples,
Com uma xícara de café nas mãos,
Sorrindo ao mundo sob meus pés.

Pergunte aos pássaros meu nome,
Quando ouvir não diga nada,
Apenas siga seu caminho,
Minha singular existência te espera,
Sentando na varanda olhando o céu.

Ao avistares uma casinha no sopé da montanha,
Diga ao velho homem regando o jardim,
Que amar vale a pena até mesmo na dor,
Ao certo ele te agradecerá com um sorriso,
Siga teu destino até encontrá-lo.

Ao chegar não procure a casa,
Não estará mais lá,
Também não me procure,
Fui embora com meu amigo,
Sem nunca tê-lo deixado.

Ao partir nas aventuras da vida,
Caminhei contigo em todo tempo,
Segui o seu sábio conselho,
Aprendi a amar no silêncio,
Seguindo o por do sol para a eternidade.

Sirlânio Jorge Dias Gomes








👁️ 166

Malevolente

Eis o homem abstrata criatura selvagem, 
Lançando ao sulco da terra suas tragédias, 
Empoleirado no arco do mundo feito fera, 
Admirando seu  estranho túmulo, 
Enrugando a obscura face enfermiça. 

Eis o homem replicando homens, 
A imagem e semelhança de seu caos, 
Decompondo-se entre os excrementos do século, 
De mãos dadas ao abismo da arrogância, 
Tratando-se feito irmão, de pútrido sangue. 

Eis o homem recriado pelo deus em si, 
Plantando na terra sementes de fogo, 
A queimar a razão entediada, 
Amando donzelas desfiguradas, 
Gerando filhos bastardos. 

Eis o homem forjando lacunas, 
Amando em seu coração disfórico, 
Escravo de suas mazelas, 
Sociopata caridoso ao seu zelo, 
Odioso benemérito aplaudido. 

Eis o homem, 
Rasgando o ventre que o gerou, 
Patético filho de dúbio amor, 
Estranho ao próprio bem maculado, 
Rastejando entre os vômitos da rebeldia.

Sirlânio Jorge Dias Gomes 









👁️ 208

Jornada

Quando eu estiver dormindo,
Quero sentar no topo da lua,
Ficar lá como quem não quer nada,
Mas quer todas as coisas do mundo,
Mesmo que seja apenas de faz de conta.

Quando eu estiver sonhando,
Vou brincar de ser poeta,
Plantarei jardim de versos nos planetas,
Sairei correndo no rabo de um cometa,
Até a constelação mais próxima.

Quando eu acordar vou falar com as nuvens,
Pedi-las que guardem meu segredo,
Ser um astronauta não é fácil,
Ainda mais bêbado de ilusões,
Olhando lá de cima o mundo sem rimas.

Sirlânio Jorge Dias Gomes



👁️ 250

Mérito

Saia do seu mundo,
Deixe-me guiar teus passos,
Solte-se destas amarras viciantes,
Dê-me tuas mãos cansadas,
Sigamos juntos nesta estrada,
Ofereço-te meu imperfeito amor.

Não tenha medo de voar,
A liberdade é um sonho infinito,
Deve ser conquistada com coragem,
Antes de anoitecer em nós,
Devemos lutar contra a tempestade da vida,
Exaltando nossa vitória após o combate.

Depois de uma longa jornada de lutas,
Poderemos sermos livres,
Finalmente nos entregarmos ao amor,
Vivendo cada minuto da nossa mortalidade,
Alegrando-se com os desafios vencidos,
Surrados, porém mais fortes.

Sirlânio Jorge Dias Gomes
👁️ 185

Assunção

Num cantinho qualquer de mim, 
Olhando o imenso  mar da minha vida, 
Minh'alma feito ondas, 
Debatendo-se na areia dos meus gemidos, 
Deixando marcas invisíveis tão fortes, 
A esculpir a frágil criatura que me concebe. 
Vez ou outra admirava meu celeste véu, 
Banhado com o rosto em lágrimas, 
Imagem singular das nuvens pesadas, 
No firmamento do meu espírito, 
chovendo entre meus vícios, 
Lavando a fuligem dos meus passos, 
Delatando meu livre arbítrio maculado. 
Sem pressa olhei o profundo horizonte, 
Deixe o meu sol se pôr de mansinho, 
Cortejando a lua anjo de luz, 
Enquanto estrelas de arrependimento, 
Gotejavam sobre meu limbo, 
Sussurros de Deus ao meu lamento, 
Ressuscitando-me da minha estúpida morte.

Sirlânio Jorge Dias Gomes


 
👁️ 153

Miragem


Amando-te, sou terno desejo 
Inviolável sentimento de asas imperfeitas, 
Ocupação do meu encanto a ti ofertada, 
Incumbência do meu subjugado coração, 
A queimar na luxúria do pensamento, 
Ensejo do meu corpo em chamas. 
Leva-me o tempo aos teus laços, 
Cativa loucura dos meus braços, 
Zeloso agrado de tua face que me domina, 
Roubando minha serenidade encantada, 
Acolhendo a tarde declinando no horizonte, 
Núpcias da minha prisão afogueada. 
Cobre-me a noite em teu leito, 
Iluminado pelas estrelas confidentes, 
Concubinas ilusórias cintilante afeto, 
Mãos translúcidas que me afagam, 
Aos sonhos plenos da tua acolhida, 
Utópico corpo que me abrasa. 
Amando-te sigo e nada mais, 
Beijando o vazio do meu despertar, 
Ao saber que foram apenas sonhos, 
Réplica de mim fiel loucura, 
Buscando-te nas formas singulares, 
Nas miragens do meu platônico deserto. 

Sirlânio Jorge Dias Gomes 














 

👁️ 263

Bravura

Aonde vais audaz guerreiro, 
Não despreze os perigos, 
Já é noite neste coração, 
Siga depois da aurora, 
Na beleza da luz vivificante, 
Sentindo o brilho da vitória, 
Segurança de tua alma andante. 

Bravo é o teu destino, 
Amor cortês que te revela, 
Beija a nobreza os teus passos, 
Cortejando a morte feiticeira, 
Cavalgando entre os teus olhos, 
Encruzilhadas de tua galante coragem. 

Não temas as emboscadas tua fortaleza, 
Empunhe a espada e lute, 
Deixe que o olhar altivo te guie, 
Lisonjeira honra a inusitada morte, 
Galopando entre teu pávido espírito, 
Sorrindo ao teu funeral. 

Que seja digno o último ato, 
Garboso fim ao confidente silêncio, 
Levando nas mãos teu baluarte, 
Espólio luzente do intrépido amor, 
Porta do paraíso ao último combate, 
Obstinada vitória ao céu florescido. 

Sirlânio Jorge Dias Gomes













👁️ 148

Assunção

Num cantinho qualquer de mim, 
Olhando o imenso  mar da minha vida, 
Minh'alma feito ondas, 
Debatendo-se na areia dos meus gemidos, 
Deixando marcas invisíveis tão fortes, 
A esculpir a frágil criatura que me concebe. 
Vez ou outra admirava meu celeste véu, 
Banhado com o rosto em lágrimas, 
Imagem singular das nuvens pesadas, 
No firmamento do meu espírito, 
chovendo entre meus vícios, 
Lavando a fuligem dos meus passos, 
Delatando meu livre arbítrio maculado. 
Sem pressa olhei o profundo horizonte, 
Deixei o meu sol se pôr de mansinho, 
Cortejando a lua anjo de luz, 
Enquanto estrelas do arrependimento, 
Gotejavam sobre meu limbo, 
Sussurros de Deus ao meu lamento, 
Ressuscitando-me da minha estúpida morte.

Sirlânio Jorge Dias Gomes


👁️ 187

Martírio

Desejar-te é meu vício,
Vicissitude do meu coração,
Pertinaz solicitude alquebrada,
Viajando ao tempo de tua rebeldia,
Conveniências de um execrável amor,
Transmutando-me aos grilhões da minha dor.
Querer-te é mais do que posso,
Expurgo violento da minha fraqueza,
Sublimando o meu eu que em ti se esconde,
Sem tocar o que tua alma clama,
Aborrecendo os meus sentimentos roucos,
Gritando sem que me ouças.
Meu ser em prelúdio chora,
Infortuna avidez emudecida,
Súplica retraída dos meus tormentos,
Vendo os dias sob meus olhos,
Levar-me ao fim do que amo,
Atroz destino do amor que me condena.

Sirlânio Jorge Dias Gomes




👁️ 182

Estima

Todo tempo é tempo de amar, 
Aqui e além-mar, 
Simplesmente amar, 
Amar como o infinito, 
Presente em todas as formas, 
Em seus termos universais. 

Todo tempo é tempo de se declarar, 
Ao modo natural do sentimento, 
Sem fórmulas ou convenções, 
Na simplicidade das coisas, 
Pois o amor é modesto, 
Na serenidade de um sorriso. 

Todo tempo é tempo, 
De recomeçar se assim for, 
Reencontrar o amor em outra face, 
Sentindo outros lábios, 
Olhares e sensações, 
Desvendando a felicidade. 

Todo tempo é tempo de ser, 
Verter a beleza que se esconde, 
Deixar a alma levitar, 
Dizendo a quem está ao teu lado, 
Seja por gestos ou palavras, 
Amo-te no meu jeito de amar.


Sirlânio Jorge Dias Gomes
👁️ 211

Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica
2019-08-10

Palavras que saem do coração

dionesbatista
dionesbatista
2018-11-25

Belos escritos. Adelante!