Lista de Poemas
Acho que morri!
O mundo gira
Não sinto
A ansiedade
Nem o medo
Que me destroçava
Até ontem.
Não estou
Naquele mundo
Onde todos
Se conectam
Para vencer e ser vencido.
Acho que morri!
E uma parte
Do mundo mora
E morre em mim.
Pamela
Colóquios
Ontem à noite
Era
Passos
Ontem à noite
Era
Realidade
Ontem à noite
Era
Curvas
Ontem à noite
Era
Tantas e única
Ontem à noite.
Mariana
Do teu nome
Já não rima
Com o par
Dos teus olhos.
Eu marasmo
Resume-se
Em cinco inspirações,
Em alguns
Aperto de mãos
E quatro olhares.
Minha vida
Resume-se
Em três beijos,
Em seis sonetos
Que não fiz,
E algo mais
Que inspirações.
Minha vida
Resume-se
Em um sorriso pálido,
Em um olhar sólido,
E dez gritos
Na multidão.
Minha vida
Resume-se
Em uma foto
Três por quatro,
Alguns beijos
E sete abraços.
Minha vida
Resume-se
Em mil marasmos
E um orgasmo.
2001
Poema de Despedida
Deixei uma folha em branco
Para contar o que restou de nós.
Solidez II
Nem tempo
Para minha
Poesia desaguar
De amor,
Apenas sei
O que fazer.
No desespero
Sussurro teu nome,
Penso em teu rosto,
Desenho teu corpo.
E sei que é parte
De mim,
Que és metade
De mim.
O que sinto por te
Não tem cheiro
Nem cor...
E mesmo que deslembrem
Os dias que moveram se
E tudo quanto desejaram os meus olhos.
Será dito, que sou apenas
Pedaços do que senti.
1994
Elza (Solipoesia)
Ela me veio
Com um olhar sólido
Um sorriso curto
Uma estória louca.
Minha poesia correu mundos
Procurou rimas e rumos
Voltou com pedidos de desculpas.
Então
Você me veio
Com suas roupas soltas
Com seu corpo pequeno
E de sapatos baixos
Me trazia o sorriso
A paz.
Então
Você me veio
Com seus cabelos soltos
Seu olhar sólido
Habitou meu corpo
Realizou meus sonhos
Me deu o que eu não tinha
E era pouco.
Farelos
Um sabor senil na boca,
Um olhar senecto nos olhos.
Sigo por sendas
Que meu próprio
Orgasmo inventou.
O Gosto do Fim
Lábios quentes,
talvez até trêmulos.
Sangue na boca —
vida vivida e louca.
Fumaças que atravessam
Pulmões em brasa
São como facas que cortam
a carne e dilacera a alma.
Não deixo a vida,
mas ela me escapa.
E a morte, paciente, me beija
com um gosto de fim.
Agora paz e poesia
no início da noite,
ao final do dia —
onde tudo se cala
e a alma se alivia.
Não-Poema
Já não posso escrever poemas.
Não posso fazer rimas, com teu nome.
Desta vez, não fiz um poema —
Pois já sei: não posso rimar com teu nome.
Ainda se pode encontrar
Um sorriso nos meus lábios,
Agora menos hábeis.
Deixei uma frase —
Não para dizer o que senti,
Mas para dizer
Que teu olhar vale mais.
Já não posso, já não sei
Rimar com teu nome,
Nem remar no teu mar.
Comentários (2)
Eu que agradeço, por ler.
Raimundo, seus escritos são lindos, toca. Obrigado por compartilhar!
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