Escritas

Lista de Poemas

Olhos que devoram (Tua Foto)

Eu tomo um gole
Um gole que me engole.

Sigo por entalhos de letras não proferidas 
Sofrendo por amores escondidos
Por desejos entorpecidos
E indecisões ancestrais.
 
Hoje vivo de sobras 
Envolto em sombras 
Armazenado em nuvens
Subtraindo tua imagem de uma era digital.
Ainda sofro
Quando me fitas
Inerte em fotos abstrais.

Mamífero carnívoro, selênico.
Vivo entre amontoados de sons não proferidos 
Atormentado por amores escondidos
Cheio de vontades desiguais.

Essa luz na tela dos teus olhos 
Meteoros rompendo o nitrogênio
Roubando meu oxigênio.

Teu corpo é labirinto
Tua imagem é espólio de uma realidade virtual 
Fruto do furto de uma era digital.


Eu tomo outro gole...
Teus olhos me engolem.
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Entre Copos e Goles

Às vezes murmuro
Se por acaso
O que me ilude
Seria essa sua eterna inquietude
Ou esse gole que alucina.

Às vezes me pergunto
Se porventura
O que me ilude seria
Essa casa de portas abertas e
Idas sem volta
Ou seria essa vida de honrada baderna.

Mas ainda lembro
Que você sempre foi a mesma
Mesmo entre meus tropeços
E atropelos.

Às vezes exclamo
Se por acaso
O que me ilude seria
Essa sua eterna inquietude
Ou seria
Esse bar
Essa mesa...
Esse gole que me engole.
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Quando a distância é grande se vive de saudades

Ontem notei que essa paixão
Anda tão devagar e a vida tão veloz 
Que as vezes parece que o tempo vai nos atropelar.

Hoje definitivamente

Entrego os pontos
Já não me atiça
Teu feitiço.

 
Hoje decididamente
Entrego os pontos
Não lembro
Se foram teus olhos ou o teu jeito de me olhar.



Mas, hoje definitivamente

Entrego os pontos
Os fortes e os fracos.
Já não sei
Desenhar teu rosto

Já não sei
Desamarrar teus cadarços.


De que adianta o amor
Se esse fere e
Me serve seu ódio
Seu desprezo.
 
Melhor seria ter teu desprezo
Q esquecer teu beijo.


Hoje fiz e desfiz.


Hoje eu vejo que o teu desejo
É mais cruel que o teu desprezo.
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Me reconheço (Contaminado)


A fraqueza me invade
Enfermidade
Respira em mim.


Eu arrisco ou ainda tento...
A fome agora
Consome...

Outrora quem era um nobre homem.


A fraqueza me invade
Reside no meu corpo...

As vezes poeta outras vezes louco.


Não há mais resistência
Meu corpo agora é carência.
Minha dor é por essência desigual.

Duelo não há mais.
Hoje nasce uma simbiose...

Sou um poeta
Que cai e se levanta
Que corre e tropeça
Nos próprios versos.
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Pandemônio (esboço)

Meu adeus
Aos poemas que rasquei
E aos que não vomitei 
Que reste uma estrofe

São fragmentos que não se pode apagar.

Meu adeus
A quem me protegeu de mim mesmo
Que reste lembranças
Que fique o que a morte não consegue matar.
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Solipoetas

Estamos esperando
O sol nascer
Com um leve tom de poesia

Estamos esperando
A tarde cair
Com um leve som de poesia

Estamos esperando
À noite surgir
Com um pesado grito da poesia

Estamos esperando
A poesia mulher
A mulher poesia

Esperamos
Os últimos poemas
Como se eles fossem eternos.
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Entre Delírios e Devaneios

Subindo a escarpa
Da realidade
Entre folhas e capas
Da minha insanidade.

Esse silêncio desfavorável
Roubou-me um grito
E quase foi junto
Minha vida e liberdade.

Essa insanidade temporária
Restaurar-se a cada dez minutos
Agora cansei de ser tantos, muitos.

Fujo de mim mesmo
Minha insônia me serve
Poesias por debaixo
Da porta.
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Adultério

Sendo pedra a poesia
Vou afiando minha rima
Navalhando tua falta
Que me preenche por inteiro.

Tendo como inimiga
A eterna morte e a breve vida
Vou me camuflando
E habitando outro mundo.

Tendo a poesia na minha cama
Mas sendo pedra a poesia
Vou adulterando
Por agora outra sussurra no meu ouvido.
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Surto Poético

Sou
     Sol
     Solidão.

Sou
    Mar
    Mareação.

Sou
   Terra
   Terremoto.

Sou
    Vento
    Ventania.
 
Sou
    Pó
    Poesia.
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Comentários (2)

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reudes
2020-08-30

Eu que agradeço, por ler.

_tuliodias
2020-07-13

Raimundo, seus escritos são lindos, toca. Obrigado por compartilhar!