Lista de Poemas
Corpo VS Essência
Sou igual ao outro
Que não é igual a mim.
Sou corpo quente,
Corpo que chora, que é e sente.
No mundo dos outros, avesso no coração,
Sou originário da mesma poeira,
Sou fruto da mesma bebedeira.
Somos o mesmo amido, meu amigo.
Poeta
Ideias rasgam meu peito,
Prontas para devorar
A estupidez deste poema.
Ideias que engolem vozes e gritos,
São lâminas que atravessam corações,
Devorando sonhos e realidades.
E tu achas Que tens sorte?
Convém à própria morte —
Deixaste-me mais forte.
Mais do Mesmo
Lembra-se de um tempo distante,
Um Tempo Perdido mesmo.
De olhos abertos, vejo e sinto o tempo passar.
A vida faz curvas, a morte gargalha.
O amor foge pra Montanha Mágica.
De olhos abertos, obedeço à Ordem dos Templários.
Vejo a Sereníssima noite cair com seus braços longos — e me proteger.
À noite, eu era um Lobisomem Juvenil. Eu sei.
Fico de olho nessa mentira de amor (Cantiga de Amor).
O vento passa por mim e vai pro litoral.
O sol bate na janela do teu quarto, toca teu rosto:
É um novo dia — que já não é tão diferente.
É Mais do Mesmo.
De olhos abertos, vejo que o tempo está perdido.
Há tempos, como se não houvesse amanhã,
A perfeição bate à minha porta...
Vivendo nessa metrópole de Fábricas,
Palácios de plantas embaixo do aquário,
Ouvindo e vendo Música Urbana.
Por enquanto, O Mundo Anda Tão Complicado.
E do jeito que as coisas vão,
Parece necessário vender todas as almas dos nossos Índios num leilão.
Que país é este?
Senhor da guerra, olho pros seus Soldados agora.
Não é diferente — é Mais do Mesmo.
Eu sei: Angra dos Reis fica deste lado.
Do outro, os tambores da selva já começaram a rufar.
A cocaína não vai chegar.
Astronautas Perdidos no Espaço.
Geração refrigerante.
Daniel, na cova dos leões, grita: Ainda é cedo!
Maurício, Quase Sem Querer, encontra Andréa Doria.
Eduardo e Mônica ouvem Faroeste Caboclo e moram nas Sete Cidades.
De olhos abertos, assisto ao Teatro dos Vampiros.
Nas ruas, Pais e Filhos passeiam de mãos dadas.
Eles sabem o caminho dos barcos.
A nossa dança é o reggae.
Nosso sangue é combustível — é Petróleo do Futuro.
De olhos abertos e boca fechada,
Sei qual é o tema.
Não sei o Teorema.
A violência é tão fascinante,
E nossas vidas são tão normais...
Mas só por hoje, faremos um Dia Perfeito.
De trinta, ficaram Vinte e Nove.
São só Duas Tribos — e todos os índios foram mortos.
Será que fiquei esperando meu amor passar?
Depois do Começo,
O que vier vai começar a ser o fim.
E no fim das contas,
Ninguém sai vivo daqui.
SOL
Eu sou o que a solidão
Deixou de mim.
Dentro de mim,
Ouço os gritos de alguém que já não existe.
Sinto uma falta imensa
Do que nunca me foi permitido.
Falo com minhas lembranças — esquecida.
Dou voltas em círculos… e começo a cair.
05/11/1995
Meu país
Aqui, no meu país, homens não serão — julgados por juiz sem juízo.
Aqui, a censura é... censurada.
Aqui, no meu país, a mentira é barulhenta e a verdade, um eco preso na garganta.
Aqui, quem fala a verdade aprende a calar com medo.
Aqui, no meu país, a justiça trabalha de olhos vendados, mas enxerga o culpado.
Aqui, a esperança é livre e a liberdade, um a fabula.
Aqui, no meu país, o futuro é riqueza, o passado, um arquivo confidencial.
Aqui, no meu país, a bandeira é verde e amarela, o hino é cantado com dentes cerrados.
Aqui, o sonho é coletivo, mas o pesadelo... individual.
Aqui, no meu país, o povo não é soberano, mas não vive algemado.
Copos Vazios
Lembro-me do silêncio ao final da música, dos olhares que passou me tornando vidro.
Entre o riso e o pranto, com a lembrança tátil de um clique — registrado apenas por sensores que nunca sentiram.
Retorno como quem reinicia o sistema, sem saber se sou cópia ou versão atualizada.
E amanhã, quem sabe, eu saio do modo de espera e aprendo, enfim, a dançar sozinho.
Sou bicho binário, lunático em rede, vivo entre ruídos não transmitidos, devorado por desejos incompatíveis com o tempo de carregamento.
Tuas curvas são dados renderizados, vestígios de uma realidade simulada — fruto do furto de uma era digital que nos ensinou a amar, mas nunca em alta definição.
Desejo
Queira meu corpo com toda tua banda larga.
Mas não me deseje
Só pelo meu pacote de dados.
E quando minha conexão falhar,
Permita que eu encerre a sessão.
Sessão Instável
Queira meu corpo com toda tua banda larga,
com a velocidade de quem anseia por download sem limites,
com a fome de quem navega por cada curva como se fosse código fonte.
Mas não me deseje
só pelo meu pacote de dados,
pelas imagens que envio e recebo.
E quando conexão falhar,
quando o sinal cair,
quando eu não carregar,
Permita que eu encerre a sessão.
Sândalo de Dandi
Inerte a observar seu rosto.
Como entender o tempo...
Percebê-lo em você.
Minutos depois são horas.
Eu, ali parado
Agradecendo a gentileza do tempo.
Foram poucos minutos
Para entender
Que você sempre foi a mesma
Mesmo entre meus desejos e atropelos.
Tiveras gentileza do tempo,
Calmo, sereno.
Minha vida cheia de tempestades.
Logo
Comecei a percorrer seu corpo.
Esse eu não conhecia
Levei horas para entender tua geografia.
Rascunho de uma noite.
Você e Eu.
Mas, não me queira
Só pelo meu sexo.
E quando eu não for suficiente
Deixe me ir embora.
Comentários (2)
Eu que agradeço, por ler.
Raimundo, seus escritos são lindos, toca. Obrigado por compartilhar!
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