Escritas

Copos Vazios

Sândalo de Dandi

Lembro-me do silêncio ao final da música, dos olhares que passou me tornando vidro.

Entre o riso e o pranto, com a lembrança tátil de um clique — registrado apenas por sensores que nunca sentiram. 

Retorno como quem reinicia o sistema, sem saber se sou cópia ou versão atualizada. 

E amanhã, quem sabe, eu saio do modo de espera e aprendo, enfim, a dançar sozinho. 

Sou bicho binário, lunático em rede, vivo entre ruídos não transmitidos, devorado por desejos incompatíveis com o tempo de carregamento. 

Tuas curvas são dados renderizados, vestígios de uma realidade simulada — fruto do furto de uma era digital que nos ensinou a amar, mas nunca em alta definição.

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