Escritas

Lista de Poemas

PRECE À MAMÃE




Senhor, quando o dia escurece
E todos por fim vão dormir
O meu pensamento eu elevo
E em prece agradeço a ti

Pela comida na mesa
Pelo aconchego de um lar
Por tão bela natureza
E um lindo céu a brilhar

 Pela mãezinha querida
Tão meiga a cuidar de mim
Que a tudo renega na vida
Pra ver-me feliz por fim

Sei que por ti sou querida
Não tenho como duvidar
Me deste um tesouro na vida
Que é uma mãe a me amar

 
Que o Senhor dê a ela alegria
E o direito também de sonhar
Sê com ela, oh Senhor, todo dia
Pra ela sempre feliz me abraçar
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O TRABALHAR DOR



Ele trabal
ha a dor que o consome
Chama-a stress, cansaço e outros nomes
Modela assim seu sofrer em alto estilo
Azeita as mágoas, afogando seus sibilos

Não é das rochas a poeira que fumega
É o esvair de sonhos, que a pátria lhe renega
Esperança que o tempo aos poucos quebra
Caminho de desilusão, vida em procela

Rocha talhada em sofrimento e descaso
Figura erétil, marcha servil para o trabalho,
Morrer de sonhos, estrutura em frangalhos
Pão de miséria e nada mais aos seus pirralhos
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APENAS NUVENS



Me deixei levar com as nuvens num céu azul de encantos
Com elas sonhei, construí castelos, fiz e refiz o borrão da vida

Deixei que o manto da ilusão me aquecesse em sonhos
Sem censura, sem lógica ou qualquer outro esquadrinhar da razão.

Com elas fui criança, fui insano, desvairado e fútil,
Mas também com elas fui pleno, fui livre e muito feliz.

Não me pediram nada, não me cobraram nada, nada a mim disseram,
Mas deixaram em minha boca o gosto de ser feliz, insanamente feliz, ainda que por um instante.
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UMA ÁRVORE CHAMADA SAUDADE



Em toda encruzilhada da vida nasce um sonho e morre um outro. Nasce uma esperança, mas também uma dúvida. Carregaremos sempre conosco a ilusão de que o outro ramo poderia ter nos dado uma jornada mais promissora. A saudade é, às vezes, apenas a imaginação a percorrer a árvore da nossa existência, fazendo brotar flores de ilusão em cada forquilha da vida.
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CAMINHOS



Eu jamais escreverei como você escreve, nossos sonhos foram outros e outras também as ranhuras de nossas almas. Eu não escrevo o que acho belo, apenas cuspo as mágoas que me dilaceram. Sou daltônico da vida, não vejo as mesmas cores que você. Tu não viveste as minhas decepções nem passou pelas mesmas tempestades que eu. Respeitarei os marcos dos teus caminhos e verei neles a angústia de quem sonhou e sofreu, mas por mais que eu tente, jamais poderei descrever com precisão a tua jornada. Mas na leitura de teus versos farei um paralelo da minha angústia à tua, e chorarei as tuas dores como se fossem as minhas. Viverei também ali os teus sonhos e sorrirei feliz como se lá contigo eu estivesse.
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TEU PRÓXIMO PASSO


Em teu próximo passo, definirás o teu rumo
Se esmagas o amor, ou se tomas o prumo
Já tens pés calejados, escolados na dor
Por que ainda veneras este chão de horror?

Tua sorte ou teu mal, só cabe a ti decidir
Se claudicas entre lágrimas, ou se voltas a sorrir?
Estas vestes de mágoas podes tu desfazer
Lava-te destas chagas, vá de novo viver
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UM CARINHO SÓ


Às vezes um carinho desce e toca as águas
E o lago de mágoas em amor se desfaz
A água por certo, rumo às flores não salta
Mas celebra e exalta as que o vento lhe traz

Um gesto de carinho tem poder que transcende
A dor que se ascende quando uma ofensa se faz
Mas se os galhos não baixam, é a mágoa que rende
E as vidas se prendem em amargura tenaz
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A COR DAS FLORES

Às vezes a maldade aproveita o inverno
Poe veste de noiva e faz pactos de paz
Mas vindo o verão, desabrocha o inferno
E em intriga e malícia sua cama refaz

Em águas se desmancha as juras de encanto
E tudo que foi santo, renegado será
O seu véu é trocado por escarlate manto
Que em ódio e cobiça, a tudo cobrirá

O encanto das neves é algo perigoso
Pois nevascas de sonhos ofuscam os grilhões
No frio da carência todo o discurso é ditoso
Mas hibernam em sua alma as más intenções

Não se entregue a paixão sob inverno de dores
Pois não sabe quais cores reinam em tal coração
Só na primavera, sob a sedução das flores
É que os verdadeiros odores se manifestarão
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O ECO DO BUGIO


Há um tempo em que nosso peito movido por profundos ideais se ergue à luta e enfrenta os gigantes da injustiça, fazendo retumbar sua voz como um bugio na árvore. Neste cenário, a fé supera os medos e se sente imune a hipocrisia dos homens. Ali, o eco da sua voz supera o crocitar das gralhas que o recrimina contumaz em gritos de descrença. Todavia, chega-se uma época em que nosso dorso se curva num arco de desesperança, não de indiferença, mas morre a fé nos heróis que cunharam nossos os nossos ideais. É um inverno triste, onde o bugio desce das árvores e vem para a relva fazer coro aos sapos que num coaxar soturno imitam o que dizem as gralhas. Às vezes, afasta-se em silêncio para bem longe da mata onde não mais possa ouvir o cantar do bem do bem-te-vi, que diz: eu te disse, eu te disse, eu te disse, enquanto novos e inocentes macacos escalam as árvores para discursar.
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NOSSOS SONHOS

Admiro-me das crianças por que não restringem os seus sonhos.
Desencanta-me os jovens que não querem ver a realidade.
Assustam-me os adultos que só constroem novos sonhos.
Entristecem-me ver os idosos porque já não querem mais sonhar.
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Comentários (2)

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2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço