Lista de Poemas
CAMINHADA NA PRAIA
Caminho na praia
Sem rumo e sem tempo
Minha alma desvaira
Entre a brisa e o vento
Só as águas espumantes
Acariciam aos meus pés
As areias escaldantes
Eu já sei, são cruéis
Uma onda me convida:
- Vem comigo bailar
Eu me escondo na brisa
Finjo não a escutar
Já me atirei em outras águas
Em aventuras de amor
E em redemoinhos de mágoas
O meu sorriso afogou
Sem rumo e sem tempo
Minha alma desvaira
Entre a brisa e o vento
Só as águas espumantes
Acariciam aos meus pés
As areias escaldantes
Eu já sei, são cruéis
Uma onda me convida:
- Vem comigo bailar
Eu me escondo na brisa
Finjo não a escutar
Já me atirei em outras águas
Em aventuras de amor
E em redemoinhos de mágoas
O meu sorriso afogou
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HUMANIZAÇÃO
Buscando a harmonia da natureza
Quebrando a frieza do concreto
Do pupilar dos pássaros a beleza
O doce gorjear quis ver de perto
Instalei num cantinho da sacada
Abrigo, água, ração, alpiste e ninhos
Pra ouvir no levantar da alvorada
O doce cantar dos passarinhos
Depois de um criar bem sucedido
A rolinha arruma o ninho novamente
Quando um filho no lar busca o abrigo
Da chuva que começa de repente
Em gritos de dor o filho se desespera
Já com seu peito aberto e sangrando
Pois o bico da mãe-rola o dilacera
Num ato vil, cruel, quase humano!
Quebrando a frieza do concreto
Do pupilar dos pássaros a beleza
O doce gorjear quis ver de perto
Instalei num cantinho da sacada
Abrigo, água, ração, alpiste e ninhos
Pra ouvir no levantar da alvorada
O doce cantar dos passarinhos
Depois de um criar bem sucedido
A rolinha arruma o ninho novamente
Quando um filho no lar busca o abrigo
Da chuva que começa de repente
Em gritos de dor o filho se desespera
Já com seu peito aberto e sangrando
Pois o bico da mãe-rola o dilacera
Num ato vil, cruel, quase humano!
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MOMENTOS
Há momentos em que:
- Um abraço vale mais que um discurso;
- Uma lágrima fala mais que um alarido;
- O silêncio é a maior das expressões;
- A solidão é a melhor das companhias;
- O grito da alma é tão grande que não passa pela garganta;
- A atitude é a única voz plausível;
- A distância é única expressão de respeito;
- A alma chora, ainda que o rosto se esconda num sorriso;
- Que uma flor do campo é melhor do que as jóias.
- Um abraço vale mais que um discurso;
- Uma lágrima fala mais que um alarido;
- O silêncio é a maior das expressões;
- A solidão é a melhor das companhias;
- O grito da alma é tão grande que não passa pela garganta;
- A atitude é a única voz plausível;
- A distância é única expressão de respeito;
- A alma chora, ainda que o rosto se esconda num sorriso;
- Que uma flor do campo é melhor do que as jóias.
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AMARGO SILÊNCIO
Tu às vezes me perguntas: por que falo pouco?
Por que contenho as lágrimas e escondo minha dor?
Por que desconverso ou me faço de mouco?
Por que alimento as mágoas e não falo de amor?
É que há em teu sorriso: amor e compaixão
Falas a mim com a ternura que jamais conheci
Fazes-me viver, por instantes, livre da solidão
Temo que as minhas mazelas me afastem de ti
Meu silêncio é mesquinho, mas é o que me convém
Pois o apagar teu sorriso, me condena também.
O banzeiro de minha alma é demais pra você!
A tristeza é um caminho para o que eu sempre quis
Ter teu ombro ao meu lado e assim ser feliz.
O meu amargo silêncio é medo de te perder!
Por que contenho as lágrimas e escondo minha dor?
Por que desconverso ou me faço de mouco?
Por que alimento as mágoas e não falo de amor?
É que há em teu sorriso: amor e compaixão
Falas a mim com a ternura que jamais conheci
Fazes-me viver, por instantes, livre da solidão
Temo que as minhas mazelas me afastem de ti
Meu silêncio é mesquinho, mas é o que me convém
Pois o apagar teu sorriso, me condena também.
O banzeiro de minha alma é demais pra você!
A tristeza é um caminho para o que eu sempre quis
Ter teu ombro ao meu lado e assim ser feliz.
O meu amargo silêncio é medo de te perder!
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A Glória de Crison
Fez mais um chá de cidreira
Só não sabia que era o último
Preparou um ovo de capoeira
Só não sabia que era o último
Deu-me mais um sorriso farto
Só não sabia que era o último
Seu coração deu um infarto
Foi seu primeiro e o último
Pobre, raquítico e analfabeto
Sem tratamento ou assistência
Por do abandono um decreto
Morre de velho aos cinqüenta
Não mais a mesma é Glória
Sem de Crison o sorriso
Abram-se oh cortinas da glória
Pois ele chega ao paraíso
Só não sabia que era o último
Preparou um ovo de capoeira
Só não sabia que era o último
Deu-me mais um sorriso farto
Só não sabia que era o último
Seu coração deu um infarto
Foi seu primeiro e o último
Pobre, raquítico e analfabeto
Sem tratamento ou assistência
Por do abandono um decreto
Morre de velho aos cinqüenta
Não mais a mesma é Glória
Sem de Crison o sorriso
Abram-se oh cortinas da glória
Pois ele chega ao paraíso
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Brilho dos Olhos
Que tristeza é esta que te cobre os olhos?
Por que maculas tanto este rosto lindo?
Não já portou o Mestre: coroa de abrolhos
Pra remir-te das chagas e ver-te sorrindo?
Por que lastimas tanto os teus desenganos?
Por que não perdoas os teus próprios erros?
Já não foi imolado o rei soberano
Pra que a tua dívida tivesse um termo?
Afaste do rosto a sombra da tristeza
Brilhe nos teus olhos: luz e comunhão
Receba de Cristo a maior riqueza
A paz e a alegria, vindas do perdão!
Por que maculas tanto este rosto lindo?
Não já portou o Mestre: coroa de abrolhos
Pra remir-te das chagas e ver-te sorrindo?
Por que lastimas tanto os teus desenganos?
Por que não perdoas os teus próprios erros?
Já não foi imolado o rei soberano
Pra que a tua dívida tivesse um termo?
Afaste do rosto a sombra da tristeza
Brilhe nos teus olhos: luz e comunhão
Receba de Cristo a maior riqueza
A paz e a alegria, vindas do perdão!
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REMISSÃO
Quando vi teus olhos, quebrei minhas juras
Teu sorriso então - é da ventura a porta
Percebi que ali, pra toda mágoa há cura
Aonde a dor não chega e a saudade é morta
Que magia é esta que o teu olhar comporta?
Como há tanto encanto em um olhar humano?
Se preso em barreiras, rompe as comportas
Se desprendido fica, forma um oceano
Bendita a ventura de encontrar-te agora
Dissipar minhas mágoas neste teu sorriso
Se alguma dor eu tinha, já se foi embora
Escapei do hades e fui pra o paraíso
Teu sorriso então - é da ventura a porta
Percebi que ali, pra toda mágoa há cura
Aonde a dor não chega e a saudade é morta
Que magia é esta que o teu olhar comporta?
Como há tanto encanto em um olhar humano?
Se preso em barreiras, rompe as comportas
Se desprendido fica, forma um oceano
Bendita a ventura de encontrar-te agora
Dissipar minhas mágoas neste teu sorriso
Se alguma dor eu tinha, já se foi embora
Escapei do hades e fui pra o paraíso
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AUSÊNCIA
Você de mim sabe tudo:
O meu sorrir e os meus medos
Você ouviu meus sussurros
E todos os meus segredos
Sinceramente eu não sabia
O quanto tu eras pra mim
Hoje minha vida é vazia
Sem você perto de mim
Você sumiu na sexta-feira
E a minha vida mudou
Vivo sem eira nem beira
Já nem sei mesmo quem sou
Já nem sei se tenho amigos
Nem sei onde é que eu estou
Nem onde fica o meu abrigo
A minha memória apagou
Tratei-te com carinho e zelo
Mas já noutros braços estás
Maior que a dor de perde-lo
É saber que não voltas mais
E esse alguém que agora te usa
Que ouça o que estou a dizer-lhe
Em mim não há orgulho ou recusa
Que o impeça de a mim devolver-te
Pois desde de que eu te perdi
Em angústia, a dor me consome
Não consigo viver mais sem ti
Meu querido Smartfone
O meu sorrir e os meus medos
Você ouviu meus sussurros
E todos os meus segredos
Sinceramente eu não sabia
O quanto tu eras pra mim
Hoje minha vida é vazia
Sem você perto de mim
Você sumiu na sexta-feira
E a minha vida mudou
Vivo sem eira nem beira
Já nem sei mesmo quem sou
Já nem sei se tenho amigos
Nem sei onde é que eu estou
Nem onde fica o meu abrigo
A minha memória apagou
Tratei-te com carinho e zelo
Mas já noutros braços estás
Maior que a dor de perde-lo
É saber que não voltas mais
E esse alguém que agora te usa
Que ouça o que estou a dizer-lhe
Em mim não há orgulho ou recusa
Que o impeça de a mim devolver-te
Pois desde de que eu te perdi
Em angústia, a dor me consome
Não consigo viver mais sem ti
Meu querido Smartfone
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A visão do Jatobá
Era o ano de 1959, ele subiu num tronco de arvore tombado no meio da roça, mirou o horizonte e pensou: "este ano eu decolo". Nunca tinha visto uma lavoura de algodão tão bela. As maçãs rosadas do algodão desabrochavam em capulhos viçosos transformando o campo num esplendoroso tapete de neve. Era uma paisagem esplendorosa. Fez suas contas em silêncio e pensou: deve dar quase três toneladas por hectare, uma produtividade inimaginável para qualquer agricultor.
Era uma visão de esperança após quatro longos anos de dificuldades. A esposa adoentada, sem receber da prefeitura o mísero salário de professora rural há quase dois anos, o dono da terra desconversando os acordos da parceria na lavoura em virtude da expectativa de alta produtividade na safra. Aliado a isto estava o fato de ter se tornado indesejável a muitos pela insistência com que anunciava e defendia a sua nova fé e a renovação pentecostal. Não havia como contê-lo, abraçara a fé em Cristo e recebera o batismo com o Espírito Santo. Seu filho nascera com um sexto dedo, mas fora curado, sem passar por qualquer processo cirúrgico, mas tão somente pelo poder da oração.
Naquela noite foi dormir tarde, demorou conciliar o sono entre expectativas e preocupações. Os céus conspiraram, a temperatura caiu no pé da serra e uma forte geada se precipitou sobre a lavoura enchendo o vale de uma desolação jamais vista por ali. Quando o sol raiou, só havia destroços da plantação de algodão que tanto lhe alegrara. Foi tomado de uma profunda tristeza e desencanto que mal conseguia suspirar. Foi quando então lembrou-se do sonho que tivera na madrugada:
"Era uma mata alta fechada, com peroba, pau-de-óleo, ipês, jacarandás, aroeiras e muitas outras espécies não menos nobres, mas que precisavam ser derribadas para instalação imediata de uma nova lavoura. Cabia-lhe a tarefa, mas não sabia como começar, nem com dez homens seria possível fazê-la em tempo hábil. De repente, avistou um grande pé de Jatobá a margem da floresta, tão grande que sobressaia sobre as outras árvores como uma calda de pavão. Não perdeu tempo, deu com seu machado um pequeno pique nas árvores principais e depois pôs-se a tarefa de derrubar o Jatobá. Após algumas horas de machadadas o Jatobá tombou levando consigo toda a floresta."
Voltou rapidamente para a cozinha, rejeitou o café que estava sobre a mesa e foi com a família para o cantinho da oração. Foi então quando o Senhor lhe disse: "Alegra-te meu servo, porque há uma grande floresta esperando por ti, e grande será a derribada, quando hoje te chamarem para ir para outras terras, dispõe-te e tenha bom ânimo, porque esta é a lavoura para a qual te escolhi, e muitos Jatobás aguardam o fio do seu machado."
Naquela mesma semana, ele recebeu o dinheiro atrasado da prefeitura, mudou-se para Brasília só com os utensílios domésticos, mas foi por cerca de 50 anos, uma das colunas da igreja na capital e um grande ganhador de almas para o reino dos céus. Seu nome: Francolino Rodrigues da Mata.
Era uma visão de esperança após quatro longos anos de dificuldades. A esposa adoentada, sem receber da prefeitura o mísero salário de professora rural há quase dois anos, o dono da terra desconversando os acordos da parceria na lavoura em virtude da expectativa de alta produtividade na safra. Aliado a isto estava o fato de ter se tornado indesejável a muitos pela insistência com que anunciava e defendia a sua nova fé e a renovação pentecostal. Não havia como contê-lo, abraçara a fé em Cristo e recebera o batismo com o Espírito Santo. Seu filho nascera com um sexto dedo, mas fora curado, sem passar por qualquer processo cirúrgico, mas tão somente pelo poder da oração.
Naquela noite foi dormir tarde, demorou conciliar o sono entre expectativas e preocupações. Os céus conspiraram, a temperatura caiu no pé da serra e uma forte geada se precipitou sobre a lavoura enchendo o vale de uma desolação jamais vista por ali. Quando o sol raiou, só havia destroços da plantação de algodão que tanto lhe alegrara. Foi tomado de uma profunda tristeza e desencanto que mal conseguia suspirar. Foi quando então lembrou-se do sonho que tivera na madrugada:
"Era uma mata alta fechada, com peroba, pau-de-óleo, ipês, jacarandás, aroeiras e muitas outras espécies não menos nobres, mas que precisavam ser derribadas para instalação imediata de uma nova lavoura. Cabia-lhe a tarefa, mas não sabia como começar, nem com dez homens seria possível fazê-la em tempo hábil. De repente, avistou um grande pé de Jatobá a margem da floresta, tão grande que sobressaia sobre as outras árvores como uma calda de pavão. Não perdeu tempo, deu com seu machado um pequeno pique nas árvores principais e depois pôs-se a tarefa de derrubar o Jatobá. Após algumas horas de machadadas o Jatobá tombou levando consigo toda a floresta."
Voltou rapidamente para a cozinha, rejeitou o café que estava sobre a mesa e foi com a família para o cantinho da oração. Foi então quando o Senhor lhe disse: "Alegra-te meu servo, porque há uma grande floresta esperando por ti, e grande será a derribada, quando hoje te chamarem para ir para outras terras, dispõe-te e tenha bom ânimo, porque esta é a lavoura para a qual te escolhi, e muitos Jatobás aguardam o fio do seu machado."
Naquela mesma semana, ele recebeu o dinheiro atrasado da prefeitura, mudou-se para Brasília só com os utensílios domésticos, mas foi por cerca de 50 anos, uma das colunas da igreja na capital e um grande ganhador de almas para o reino dos céus. Seu nome: Francolino Rodrigues da Mata.
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VOLTA AO BERÇO
Ele navega com carinho o seu mar sagrado
Sua alma flutua na imensidão do tempo
Sua memória é a bússola e seu astrolábio
A lembrança é a vela e a saudade o vento
Sua voz tremula num suspirar profundo
Sua alma mergulha, vai fundo ao passado
Seu olhar procura sombras de outro mundo
Que em cavacos ou pedras esteja registrado
Já sem esperanças, seu olhar vagueia
Nada mais existe, tudo foi desmontado
Quando de repente em meio à capoeira
Vê-se ainda ereto um mourão queimado
Em um impulso forte, corre e abraça o tronco
Como a um ente querido, beija, afaga e cheira
Em soluços fala, já em meio ao pranto
Vejam aqui meninos: o mourão da porteira
Horas em silêncio, ao tronco abraçado
Sua alma chora, imersa em lembranças
Lágrimas escorrem de olhos contristados
Onde há 80 anos, brincava a criança
Todos nós criamos a falsa esperança
De encontrar de outrora, os sonhos desfeitos
Buscar na ternura de velhas lembranças
Afago pras mágoas que apertam o peito
Sua alma flutua na imensidão do tempo
Sua memória é a bússola e seu astrolábio
A lembrança é a vela e a saudade o vento
Sua voz tremula num suspirar profundo
Sua alma mergulha, vai fundo ao passado
Seu olhar procura sombras de outro mundo
Que em cavacos ou pedras esteja registrado
Já sem esperanças, seu olhar vagueia
Nada mais existe, tudo foi desmontado
Quando de repente em meio à capoeira
Vê-se ainda ereto um mourão queimado
Em um impulso forte, corre e abraça o tronco
Como a um ente querido, beija, afaga e cheira
Em soluços fala, já em meio ao pranto
Vejam aqui meninos: o mourão da porteira
Horas em silêncio, ao tronco abraçado
Sua alma chora, imersa em lembranças
Lágrimas escorrem de olhos contristados
Onde há 80 anos, brincava a criança
Todos nós criamos a falsa esperança
De encontrar de outrora, os sonhos desfeitos
Buscar na ternura de velhas lembranças
Afago pras mágoas que apertam o peito
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Comentários (2)
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2014-09-07
Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.
2014-09-06
Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço
Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
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