Lista de Poemas
NÃO, SE ÉS CONDA
Não mais se escondas na beleza do seu rosto
Nem
me seduzas com este seu sorriso vilNão use a mim como placebo ao seu desgosto
Nem exalte em mim as virtudes que não viu
Maldita a hora que te aceitei por companhia
És Conda, revelada está tua artimanha
Rastejante e vil, há muito a presa espia
Sutil como serpente, voraz como piranha
O mal cresce e implode, não há como detê-lo
As folhas amarelam, o tempo faz a monda
Quebrando a utopia, estancando o pesadelo
Desfazendo fantasias e revelando a anaconda

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O ÚLTIMO TANGO
O Sol tingiu de ouro as águas, como por encanto
Na partida de minha alma pra não mais voltar
Não que fosse eu melhor do que outros tantos
Mas fui, por certo, teu bem maior, particular
Só quando a noite desce é que se entende o dia
É quando as trevas e solidão dão asas à dor
Quando os amigos calam e a madrugada esfria
Em ouro se pesa a valia de um grande amor
Dourar-se-á também teus olhos em fartas lágrimas
Quando noutra tarde o meu barco já não vires mais
Dar-se-ia dos teus tesouros, até última drácma
Para que a sua última insensatez voltasse atrás
Balança a nau em triste valsa de despedida
O mar soluça e chora a dor que certo inda virá
Quantas paixões já viu perderem rumos na vida
E em turvas águas de estultice irem afogar
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ÁGUAS DO AMAR
Todos nós sonhamos com um amor de águas cristalinas onde névoas de carícias fluem de cascatas de sonhos. É um amor utópico, fantasioso, mas transporta a nossa alma para um mundo novo onde as nossas dores são esquecidas e tudo de belo acontece. Não é loucura são sonhos, tão necessários ao ego quanto a razão. Sem eles as esperanças morrem e o viver se torna insípido e frio. Contudo, o amor é sempre uma jornada emparelhada onde as almas se misturam lentamente em acalentos mútuos e exercícios de tolerância e compreensão. Ambas têm seus vazios ocultos, suas tristezas incubadas e suas mágoas por lavar. Caminhando juntas vão se misturando em corredeiras e turbilhões de dor. Com o tempo suas necessidades já não têm mais cores distintas, suas mágoas e sonhos se fundiram. De vez em quando, encontram o remanso de uma linda praia onde suas almas descansam e celebram o entrelaçar do amor.
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AMOR ABSOLUTO
Se queres me falar, escuto
Se aprazes em me amar, tributo
Se há algo a te manchar, indulto
Se ousam te acusar, refuto
Se buscas me agradar, computo
Se tentam te levar, eu luto
Se há algo a maquiar, oculto
Se eu te ver chorar, me culpo
Se alguém te destratar, sou bruto
Se ousam te peitar, eu truco
Se voce me magoar, desculpo
O que eu te perdoar, sepulto
O que te alegrar, eu busco
Mas se deixas de me amar, sou luto
Se aprazes em me amar, tributo
Se há algo a te manchar, indulto
Se ousam te acusar, refuto
Se buscas me agradar, computo
Se tentam te levar, eu luto
Se há algo a maquiar, oculto
Se eu te ver chorar, me culpo
Se alguém te destratar, sou bruto
Se ousam te peitar, eu truco
Se voce me magoar, desculpo
O que eu te perdoar, sepulto
O que te alegrar, eu busco
Mas se deixas de me amar, sou luto
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ÀS VEZES
Às vezes eu choro e não sei o porquê
Às vezes eu sei, mas não quero crer
Nem sempre o que sinto, consigo dizer
Mas sempre o que digo está no meu ser
Às vezes sou mágoas, às vezes paixão
Às vezes sou lágrimas e pura emoção
Às vezes dureza, frieza e razão
Às vezes amargura, dor e solidão
Às vezes eu busco por alguém melhor
Às vezes ao relento, prefiro estar só
Às vezes é triste viver sem ninguém
Às vezes esta vida é a que me convém
Às vezes eu quero o que sempre sonhei
Às vezes eu sonho com o que já deixei
Às vezes esqueço o que eu quero ser
Às vezes eu sou o que quero esquecer
Eu sempre falo o que eu devo pensar
Mas nem sempre penso antes de falar
Tenho sempre escrito o que me convém
Mas às vezes escrevo a dor que me tem
Às vezes eu sei, mas não quero crer
Nem sempre o que sinto, consigo dizer
Mas sempre o que digo está no meu ser
Às vezes sou mágoas, às vezes paixão
Às vezes sou lágrimas e pura emoção
Às vezes dureza, frieza e razão
Às vezes amargura, dor e solidão
Às vezes eu busco por alguém melhor
Às vezes ao relento, prefiro estar só
Às vezes é triste viver sem ninguém
Às vezes esta vida é a que me convém
Às vezes eu quero o que sempre sonhei
Às vezes eu sonho com o que já deixei
Às vezes esqueço o que eu quero ser
Às vezes eu sou o que quero esquecer
Eu sempre falo o que eu devo pensar
Mas nem sempre penso antes de falar
Tenho sempre escrito o que me convém
Mas às vezes escrevo a dor que me tem
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VENERAÇÃO
Afasta-te de mim, razão mesquinha
Não quero ouvir tua voz, nem mesmo a minha
Minh'alma a sós com Deus quer conversar
Não vim buscar razões, reclamar dolos
E nada peço a Ti, senão consolo
Longe de mim, Teus desígnios julgar
Nada trago a Ti, que sirva de oferenda
Sou pobre, débil e vil, alma em contenda
Nada de bom coloco em teu altar
Não anseio promessas para cobrar-te à frente
Nenhuma explicação me deves, sou indigente
Apraz-me em tuas veredas poder trilhar
Perdão se na pouca fé nasce a tristeza
Tu és minha rocha, escudo e fortaleza
Ensina-me em Tua sombra eu descansar
Não sei quão curto ou longo é meu caminho
Nem se no meu pisar há relva ou espinho
Mas basta-me a tua mão a me afagar
Não quero ter jornada esplendorosa
Vanglórias pueris ou mar de rosas
Apenas Tua paz pra eu repousar
Não quero ouvir tua voz, nem mesmo a minha
Minh'alma a sós com Deus quer conversar
Não vim buscar razões, reclamar dolos
E nada peço a Ti, senão consolo
Longe de mim, Teus desígnios julgar
Nada trago a Ti, que sirva de oferenda
Sou pobre, débil e vil, alma em contenda
Nada de bom coloco em teu altar
Não anseio promessas para cobrar-te à frente
Nenhuma explicação me deves, sou indigente
Apraz-me em tuas veredas poder trilhar
Perdão se na pouca fé nasce a tristeza
Tu és minha rocha, escudo e fortaleza
Ensina-me em Tua sombra eu descansar
Não sei quão curto ou longo é meu caminho
Nem se no meu pisar há relva ou espinho
Mas basta-me a tua mão a me afagar
Não quero ter jornada esplendorosa
Vanglórias pueris ou mar de rosas
Apenas Tua paz pra eu repousar
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AMOR MORIBUNDO
No lado esquerdo
da cama e do peito
há um vazio profundo
Já não há alegria,
calor, euforia,
nada a palpitar
O rugir de sua fonte
é o som do desmonte
de um amor moribundo
Que suspira latente
e sofre penitente
sem querer se entregar
Quando o amor vai embora,
o que fica por fora
pode até enganar,
Nas não vibra nem canta,
não abraça ou encanta,
não há como negar:
É uma trova sem rima,
sequidão na campina
esperando queimar
Triste de quem não assume
o apagar de seu lume,
para recomeçar
da cama e do peito
há um vazio profundo
Já não há alegria,
calor, euforia,
nada a palpitar
O rugir de sua fonte
é o som do desmonte
de um amor moribundo
Que suspira latente
e sofre penitente
sem querer se entregar
Quando o amor vai embora,
o que fica por fora
pode até enganar,
Nas não vibra nem canta,
não abraça ou encanta,
não há como negar:
É uma trova sem rima,
sequidão na campina
esperando queimar
Triste de quem não assume
o apagar de seu lume,
para recomeçar
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NOITE TRISTE
A chuva cai fina e constante,
é a noite chorando a ausência tua.
O vento uiva e clama a falta de ti.
Os pássaros emudecem e clamam por ti em gorjeios soturnos.
O céu em crepúsculo espanta as estrelas e se embrulha na noite
na esperança de que voltes com o amanhecer.
E eu sozinho, assim com a noite, sofro a tua falta e,
trôpego de saudade, adormeço pensando em ti.
Volta logo, pois só tu és capaz de fazer luzir a aurora
e alegrar meu viver.
é a noite chorando a ausência tua.
O vento uiva e clama a falta de ti.
Os pássaros emudecem e clamam por ti em gorjeios soturnos.
O céu em crepúsculo espanta as estrelas e se embrulha na noite
na esperança de que voltes com o amanhecer.
E eu sozinho, assim com a noite, sofro a tua falta e,
trôpego de saudade, adormeço pensando em ti.
Volta logo, pois só tu és capaz de fazer luzir a aurora
e alegrar meu viver.
👁️ 553
Grandes Sonhos
Do vôo das aves, da águia e do falcão
Mobilidade de lêmure e força de leão
Mergulho dos peixes que ao fundo vão
Do enxergar predatório em plena escuridão
Do radar do morcego, às cegas a voar
Do pombo-correio, o saber se achar
Do elefante a quilômetros, o se comunicar
Engenharia de grilo, tão longe a saltar
Sonhos milenários, ao homem a aguçar
Coisas só alcançadas de cem anos pra cá
Hoje: mundo interativo, radiante a brilhar
E meninos que pensam: tudo já estava lá
Mobilidade de lêmure e força de leão
Mergulho dos peixes que ao fundo vão
Do enxergar predatório em plena escuridão
Do radar do morcego, às cegas a voar
Do pombo-correio, o saber se achar
Do elefante a quilômetros, o se comunicar
Engenharia de grilo, tão longe a saltar
Sonhos milenários, ao homem a aguçar
Coisas só alcançadas de cem anos pra cá
Hoje: mundo interativo, radiante a brilhar
E meninos que pensam: tudo já estava lá
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AMIGO LEAL
Em cada alvorada a Deus eu bendigo
Pelo celeste amparo e também dos amigos
Bendigo a riqueza do amor fraternal
Pela doce ternura de um amigo leal
E na dor do insucesso, na amargura do fel
Como é doce a ternura de um amigo fiel
Mas se o amigo é impuro ou de caráter venal
Mui depressa o excluo e me afasto do mal
Quão mesquinho me mostro procedendo assim
Quão mais frágil o amigo, mais precisa de mim
Se assim fosse Cristo, excludente qual sou
Que seria de mim, longe do salvador?
Pelo celeste amparo e também dos amigos
Bendigo a riqueza do amor fraternal
Pela doce ternura de um amigo leal
E na dor do insucesso, na amargura do fel
Como é doce a ternura de um amigo fiel
Mas se o amigo é impuro ou de caráter venal
Mui depressa o excluo e me afasto do mal
Quão mesquinho me mostro procedendo assim
Quão mais frágil o amigo, mais precisa de mim
Se assim fosse Cristo, excludente qual sou
Que seria de mim, longe do salvador?
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Comentários (2)
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2014-09-07
Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.
2014-09-06
Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço
Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
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