Escritas

Lista de Poemas

INSÔNIA



Quando a angústia o peito invade e rouba-te o sono
Pergunta então a tua alma: Quem está no trono?

Sendo o Senhor o teu guia, o teu destino e teu norte
Porque te afliges minh’alma e temes assim tua sorte?

Quem no Senhor confia e tem nele a esperança

Põe nas mãos dele sua vida e assim em paz descansa

Se o teu projeto arruína e aos poucos desvanece

Desce depressa do trono e assenta nele o Mestre
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FRATERNIDADE

Abre os braços bem amplos e recebe o amigo
Que o tempo a muito de sua mente apagou.
E não franzas a testa, mas lhe esboça um sorriso.
Volta a ser o garoto que com ele brincou

Mata o frango cevado, prepara-lhe um jantar.
O melhor vinho da adega te apressa em tirar.
Não lhe conte os problemas nem os seus dissabores,
Não lhe esnobe riqueza nem lhe peça favores

Não perguntes o que quer nem o que veio fazer,
Não o inquiras acima do que ele quer te dizer.
Não censures os caminhos que tomou em sua vida.
Oferece-lhe chinelo, banho quente e dormida.

Não perguntes quanto tempo ele pretende ficar,
Nem lhe indagues a que hora pensa em se levantar.
Deixa-lhe um chave da casa, informa o seu celular,
Não restrinja os horários para ele te procurar.

Se for agradecido, devolve-lhe um abraço,
Mas se não for educado não lhe pregues um sermão,
E na sua saída, não contabilize seus gastos.
Se te perguntarem quem era, dize apenas: um irmão.

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SONHO EM SEIS SEXTOS

No primeiro sexto o sonho nasceu
Em mais dois sextos cresceu
No quarto sexto, enfadado morreu
Por todo o quinto sexto o dono sofreu
Mas no ultimo sexto esqueceu

Foto: SONHO EM SEIS SEXTOS(Samuel da Mata)No primeiro sexto nasceuEm mais dois sextos cresceuNo quarto sexto, enfadado morreuPor todo o quinto sexto sofreuMas no ultimo sexto esqueceu

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JORNADA CAPITAL

Não sei como é que cabia

Caminhão pau-de-arara, em cima as três famílias.
Lá de casa seis filhos, de outras: mais oito,
No mais, sacos de mantimentos e latas de biscoitos

Estrada, só buraco e poeira
Fronhas no rosto prá o pó e lona por cabeceira
Era de quinhentos quilômetros a estrada
Mas naquelas condições, uma eterna jornada

Saímos de madrugada, viagem difícil, a noite não tarda
Farois no carro não tinha e a caravana é parada.
Prender não resolvia, melhor cuidar da criançada,
Mingau para os lactentes, pros demais: paçoca e água

Ao clarear saímos de Anápolis, a jornada prosseguia
Mais oito horas de estrada, por fim chegamos à Brasília
Só barro vermelho e mato, no mais tragédia e agonia
O céu por acampamento e um mar de gente sem guia

Assim chegaram os candangos, nos dias de cinquenta e nove
Metade arranja um emprego, quase outra metade morre
Doenças, pestes, acidentes e por seguro um enterro
Pra poucos foi sorte grande, pra muitos só morte cedo

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CALMARIA

Às vezes o vento se aquieta para dar espaço a calmaria. As folhas secas caem e ressurgem as flores. Um branco de paz nos cobre a alma a nos lembrar que fomos feitos para amar e sorrir.

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PASÁRGADA - Atualizada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho o dinheiro que quero
E tribunos que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a decência é loucura
De tal modo inconsequente
Uma farra louca na Esplana
Com a rainha falsa e demente
Vão contratar meus parentes
E a nora que nunca tive

E como farei proezas
Andarei com gente esperta
Chamado por burro broco
Subirei a rampa cedo
Tomarei pinga no bar!

E quando estiver saciado
Ou o País tiver falido
Mando chamar a mãe-d'égua
Pra inventar falsas histórias
Viro herói pra os meninos
Contra o regime militar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a condenação
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostituta bonita
A mil gabinetes ocupar

E quando em presídio triste
De sair não tiver jeito
Simulo uma dor no peito
E vou pra casa farrear
— Lá sou amigo do rei —
Terei o dinheiro que quero
E tribunos que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

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FASES DA LUA


FASES DA LUA
(Samuel da Mata)

Eu vi a tristeza no rosto da lua
Dilacerada, sofrendo em dor
Calada e sozinha na noite escura
Nenhuma estrela a seu favor

Eu vi a esperança na face da lua
Sua boca larga, tentando sorrir
Estrelas alinhadas na volta sua
Vestido de noiva pra ela vestir

Eu vi a lua, em um sorriso crescente
Desfilando na noite em excelso glamour
Esqueceu suas dores, olhava pra frente
Passado de mágoas a muito deixou

Eu vi a lua em plena alegria 
Reluzindo no céu e sorrindo a brilhar
Refletindo nos mares cores de  fantasias
E aos amantes da noite fazendo sonhar
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SOMBRAS



No vale das sombras, a confiança é nada
Nem é luz nem é treva, visão falsificada
Vultos fantasiosos, mente apavorada
Não arrisca outro passo, mesmo vendo a estrada

Quando a mente falseia, tudo é pesadelo
Se atrasar um minuto ou se chegar mais cedo
Se fizer um agrado é consciência pesada
Mas se passas batido, é porque não quer nada

Não há hábil marujo no mar da insegurança
Todos lá enlouquecem, morrem em desesperança
Vivem eterna tormenta, mesmo em mar de bonança

Não atrele a sua alma a uma mente em tormenta  
Em turbilhão de mágoas, nenhuma poeira assenta
A jornada é loucura,  nenhum santo a aguenta
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TORRÃO DA ILUSÃO




Encantado por ti eu estendi meus braços
Buscando em teus abraços o realizar de sonhos
Mas entre eu e tu, um cruel espaço
E de alçar asas, um pavor medonho

Ah meu torrão que adoro e que me faz cativo
Que meus sonhos de amores faz desvanecer
Quem me fez seu dono em conto primitivo
Que por ti insano, pronto até a morrer?


Quimeras de sonhos e de falsas posses
Monturo de estórias contos de ilusão
Terra ingrata e triste, de minha alma entorse
Raízes das mágoas em meu coração

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ALDRAVA



Pressione-me, fazendo prevalecer o seu desejo
Sufoque a lucidez e use de artimanha atroz
Silencie minha boca com a doçura dos seus beijos
Ignore em sorrisos o admoestar de minha voz

Estique a mola ao limite de seu intento
Comprima a lucidez e escarneça da caução
Exacerbe na certeza de juras e sentimentos
E de súbito conheça os limites da razão

No esgarçar da confiança surge a ruptura
O abuso da certeza é o sepulcro da paixão
Nos braços da boa é que é se ceva a loucura
No abusar do amor é onde nasce a solidão

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Comentários (2)

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2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço