Lista de Poemas
MÃOS DA ESPERANÇA
As minhas mãos jamais darei ao que difama
Ao que oprime, ao que falseia e a dor inflama
Quero mãos limpas, sono de paz, alvo o pijama
Não me cumprimentes, cruzo as mãos por segurança
Alma cingida em pacto de fé com a esperança
De ver um país onde possa sorrir toda criança
Não vituperes em gesto vil a minha inocência
És estrupício, voz de maldade, pura excrescência
Tintura de sangue, pacto macabro com a violência
Que hoje os jovens tomem por credo esta firmeza
Não dar a larápios os lauréis de votos pela esperteza
Também assassinos matando em miséria, fome e pobreza
Ao que oprime, ao que falseia e a dor inflama
Quero mãos limpas, sono de paz, alvo o pijama
Não me cumprimentes, cruzo as mãos por segurança
Alma cingida em pacto de fé com a esperança
De ver um país onde possa sorrir toda criança
Não vituperes em gesto vil a minha inocência
És estrupício, voz de maldade, pura excrescência
Tintura de sangue, pacto macabro com a violência
Que hoje os jovens tomem por credo esta firmeza
Não dar a larápios os lauréis de votos pela esperteza
Também assassinos matando em miséria, fome e pobreza
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VELHAS ÁRVORES
Árvore velha de esplêndida beleza
Que sombra de amor e carinho nos dá
Esguia e terna, do amor a destreza
Remanso das águas a ti vem beijar
Árvores mais novas esticam seu braços
Querem além do riacho, tocar em você
Buscam seu perfume e suas flores em cacho
Sua gênese e extrato querem absorver
Árvore frondosa em paz e ternura
As demais criaturas tu ensinas viver
Viçosa e bela em cores maduras
Quão doce ventura é abraçar a você
O sábio caminhante conhece o desvio
Que na beira do rio encontra a você
Ali deixa suas dores, seu tédio e fastio
E de mágoas vazio, então volta a viver
Que sombra de amor e carinho nos dá
Esguia e terna, do amor a destreza
Remanso das águas a ti vem beijar
Árvores mais novas esticam seu braços
Querem além do riacho, tocar em você
Buscam seu perfume e suas flores em cacho
Sua gênese e extrato querem absorver
Árvore frondosa em paz e ternura
As demais criaturas tu ensinas viver
Viçosa e bela em cores maduras
Quão doce ventura é abraçar a você
O sábio caminhante conhece o desvio
Que na beira do rio encontra a você
Ali deixa suas dores, seu tédio e fastio
E de mágoas vazio, então volta a viver
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JANGADA SEM RUMO
Musa que em noite bela
Navega sem ter direção
Flutua em jangada sem vela
Sem rumo, amor ou paixão
Pedras e ventos ligeiros
Nas sombras a te espreitar
Só o remo por companheiro
E nada mais pra confiar
Sai desse viver obscuro
Deixe a tua alma sonhar
Alegria infinda te espera
Venha em meu porto seguro
O amor e o afago encontrar
Aqui tua tristeza se encerra
Navega sem ter direção
Flutua em jangada sem vela
Sem rumo, amor ou paixão
Pedras e ventos ligeiros
Nas sombras a te espreitar
Só o remo por companheiro
E nada mais pra confiar
Sai desse viver obscuro
Deixe a tua alma sonhar
Alegria infinda te espera
Venha em meu porto seguro
O amor e o afago encontrar
Aqui tua tristeza se encerra
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FRAGRÂNCIA DO AMOR
Busquei do amor o perfume na trilha da ilusão
Caminho ha muito fechado pelas malvas da dor
Assombros de amores perdidos cortados a facão
Flores de afeto pendentes, mas vazia de amor
Ventos uivantes na noite pregam-me a sedução
Folhas de paixão e carícias se espalham no ar
Galhos de sonhos desfeitos despencam no chão
Nada me indica a fragrância que anseio encontrar
Cansado da busca inútil paro pra descansar
Nada mais vejo na relva que valha mirar
Não mais a mesma é a mata em que nascia o amor
Cheiro de amor me desperta me invade o nariz
Ao lado uma flor da ventura, do esplendor a matiz
Renasce em mim a ternura, volto a ser sonhador
Caminho ha muito fechado pelas malvas da dor
Assombros de amores perdidos cortados a facão
Flores de afeto pendentes, mas vazia de amor
Ventos uivantes na noite pregam-me a sedução
Folhas de paixão e carícias se espalham no ar
Galhos de sonhos desfeitos despencam no chão
Nada me indica a fragrância que anseio encontrar
Cansado da busca inútil paro pra descansar
Nada mais vejo na relva que valha mirar
Não mais a mesma é a mata em que nascia o amor
Cheiro de amor me desperta me invade o nariz
Ao lado uma flor da ventura, do esplendor a matiz
Renasce em mim a ternura, volto a ser sonhador
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CORAÇÃO INDIVISÍVEL
Não tenhas o meu amor por suburbano
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo
Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma
Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana
Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo
Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma
Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana
Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
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VISITA A XINGÓ
Vi um rio tristonho
Em represa de mágoas
E cascatas de sonhos
Na saudade a morrer
Nas pinturas rupestres
Sombras de amarguras
Que em tristes figuras
Insistem em viver
Assim como estas águas
Ali também a minha alma
Quer sua dor esquecer
Sangradouro espumante
Clama em voz retumbante
é preciso viver
Em represa de mágoas
E cascatas de sonhos
Na saudade a morrer
Nas pinturas rupestres
Sombras de amarguras
Que em tristes figuras
Insistem em viver
Assim como estas águas
Ali também a minha alma
Quer sua dor esquecer
Sangradouro espumante
Clama em voz retumbante
é preciso viver
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TRISTE CINZA
Eu vi o seu rosto
Na flor que brotou
Também nele o desgosto
De quem muito chorou
Sua beleza infinda
Já não pôde esconder
A amargura que ainda
Faz o seu padecer
Quem dera esta flor
Eu pudesse abrir
Afugentar esta dor
E fazê-la sorrir
Se tua face tão linda
Pudesse eu colorir
Nunca mais o tom cinza
Pousaria em ti
Na flor que brotou
Também nele o desgosto
De quem muito chorou
Sua beleza infinda
Já não pôde esconder
A amargura que ainda
Faz o seu padecer
Quem dera esta flor
Eu pudesse abrir
Afugentar esta dor
E fazê-la sorrir
Se tua face tão linda
Pudesse eu colorir
Nunca mais o tom cinza
Pousaria em ti
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QUANDO
Quando o céu escurece
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade
Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada
Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa
É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade
Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada
Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa
É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras
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PRESUNÇÃO
Tive a certeza do nada
Quando no nada vi tudo
O mundo, em que sou nada
Já não é nada no tudo
Todo nosso saber é nada
Perto de um nada no mundo
Toda a sabedoria é vaga
Frente à um verme ou fungo
Em tudo que já alcançamos
Vimos que nada entendemos
Senão nossa ignorância
Do tudo, em que somos nada
Nada de fato nós temos
Senão presunção e arrogância
Quando no nada vi tudo
O mundo, em que sou nada
Já não é nada no tudo
Todo nosso saber é nada
Perto de um nada no mundo
Toda a sabedoria é vaga
Frente à um verme ou fungo
Em tudo que já alcançamos
Vimos que nada entendemos
Senão nossa ignorância
Do tudo, em que somos nada
Nada de fato nós temos
Senão presunção e arrogância
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FLERTE
O brilho dos meus olhos cruzou contra os teus
Os desviastes bem rápido, mas já aconteceu
Já não és mais a mesma, já só pensas em mim
Minha imagem a acompanha e te prende assim
Tu remexes os cabelos, o pescoço a girar
Ou te vais ao banheiro, ao rime retocar
De forma indireta quer meu rosto mirar
Pra saber os motivos deste teu palpitar
Que mistério se esconde nesta tua visão?
Recordo-te alguém, ou te incito paixão?
Que fascínio é este que desperto em ti?
Podes tu esquecê-lo e assim prosseguir?
De ficar tendes medo, de fugir o remorso
Se te negas ao destino, podes ter um troço
Ante a dúvida e vontade, o que deves fazer?
Ansiosa e corada só te pões a tremer
Os desviastes bem rápido, mas já aconteceu
Já não és mais a mesma, já só pensas em mim
Minha imagem a acompanha e te prende assim
Tu remexes os cabelos, o pescoço a girar
Ou te vais ao banheiro, ao rime retocar
De forma indireta quer meu rosto mirar
Pra saber os motivos deste teu palpitar
Que mistério se esconde nesta tua visão?
Recordo-te alguém, ou te incito paixão?
Que fascínio é este que desperto em ti?
Podes tu esquecê-lo e assim prosseguir?
De ficar tendes medo, de fugir o remorso
Se te negas ao destino, podes ter um troço
Ante a dúvida e vontade, o que deves fazer?
Ansiosa e corada só te pões a tremer
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Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.