Lista de Poemas
VELHAS ÁRVORES
Árvore velha de esplêndida beleza
Que sombra de amor e carinho nos dá
Esguia e terna, do amor a destreza
Remanso das águas a ti vem beijar
Árvores mais novas esticam seu braços
Querem além do riacho, tocar em você
Buscam seu perfume e suas flores em cacho
Sua gênese e extrato querem absorver
Árvore frondosa em paz e ternura
As demais criaturas tu ensinas viver
Viçosa e bela em cores maduras
Quão doce ventura é abraçar a você
O sábio caminhante conhece o desvio
Que na beira do rio encontra a você
Ali deixa suas dores, seu tédio e fastio
E de mágoas vazio, então volta a viver
Que sombra de amor e carinho nos dá
Esguia e terna, do amor a destreza
Remanso das águas a ti vem beijar
Árvores mais novas esticam seu braços
Querem além do riacho, tocar em você
Buscam seu perfume e suas flores em cacho
Sua gênese e extrato querem absorver
Árvore frondosa em paz e ternura
As demais criaturas tu ensinas viver
Viçosa e bela em cores maduras
Quão doce ventura é abraçar a você
O sábio caminhante conhece o desvio
Que na beira do rio encontra a você
Ali deixa suas dores, seu tédio e fastio
E de mágoas vazio, então volta a viver
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CUMPLICIDADE
Minhas alegrias são também as tuas
As minhas vergonhas para ti estão nuas
Nas minhas tristezas, o verter de tuas lágrimas
E nos meus devaneios a razão de tuas mágoas
O meu rosto marcado, diz o quanto te amo
Nos pesadelos da noite é por você que eu clamo
Sob os teus julgamentos, sou sempre perdoado
Até mesmo quando eu me confesso o culpado
Esta cumplicidade, para muitos: loucura
Para nós é o prazer e da alegria a ventura
E que me faz tão feliz, estar a ti enlaçado
O amor contagia, contamina o parceiro
Entre muitos pecados, o amar é o primeiro
Se amar-te é desvairo, me declaro aloprado
As minhas vergonhas para ti estão nuas
Nas minhas tristezas, o verter de tuas lágrimas
E nos meus devaneios a razão de tuas mágoas
O meu rosto marcado, diz o quanto te amo
Nos pesadelos da noite é por você que eu clamo
Sob os teus julgamentos, sou sempre perdoado
Até mesmo quando eu me confesso o culpado
Esta cumplicidade, para muitos: loucura
Para nós é o prazer e da alegria a ventura
E que me faz tão feliz, estar a ti enlaçado
O amor contagia, contamina o parceiro
Entre muitos pecados, o amar é o primeiro
Se amar-te é desvairo, me declaro aloprado
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TRISTE CINZA
Eu vi o seu rosto
Na flor que brotou
Também nele o desgosto
De quem muito chorou
Sua beleza infinda
Já não pôde esconder
A amargura que ainda
Faz o seu padecer
Quem dera esta flor
Eu pudesse abrir
Afugentar esta dor
E fazê-la sorrir
Se tua face tão linda
Pudesse eu colorir
Nunca mais o tom cinza
Pousaria em ti
Na flor que brotou
Também nele o desgosto
De quem muito chorou
Sua beleza infinda
Já não pôde esconder
A amargura que ainda
Faz o seu padecer
Quem dera esta flor
Eu pudesse abrir
Afugentar esta dor
E fazê-la sorrir
Se tua face tão linda
Pudesse eu colorir
Nunca mais o tom cinza
Pousaria em ti
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PRESUNÇÃO
Tive a certeza do nada
Quando no nada vi tudo
O mundo, em que sou nada
Já não é nada no tudo
Todo nosso saber é nada
Perto de um nada no mundo
Toda a sabedoria é vaga
Frente à um verme ou fungo
Em tudo que já alcançamos
Vimos que nada entendemos
Senão nossa ignorância
Do tudo, em que somos nada
Nada de fato nós temos
Senão presunção e arrogância
Quando no nada vi tudo
O mundo, em que sou nada
Já não é nada no tudo
Todo nosso saber é nada
Perto de um nada no mundo
Toda a sabedoria é vaga
Frente à um verme ou fungo
Em tudo que já alcançamos
Vimos que nada entendemos
Senão nossa ignorância
Do tudo, em que somos nada
Nada de fato nós temos
Senão presunção e arrogância
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CORAÇÃO INDIVISÍVEL
Não tenhas o meu amor por suburbano
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo
Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma
Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana
Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo
Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma
Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana
Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
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JANGADA SEM RUMO
Musa que em noite bela
Navega sem ter direção
Flutua em jangada sem vela
Sem rumo, amor ou paixão
Pedras e ventos ligeiros
Nas sombras a te espreitar
Só o remo por companheiro
E nada mais pra confiar
Sai desse viver obscuro
Deixe a tua alma sonhar
Alegria infinda te espera
Venha em meu porto seguro
O amor e o afago encontrar
Aqui tua tristeza se encerra
Navega sem ter direção
Flutua em jangada sem vela
Sem rumo, amor ou paixão
Pedras e ventos ligeiros
Nas sombras a te espreitar
Só o remo por companheiro
E nada mais pra confiar
Sai desse viver obscuro
Deixe a tua alma sonhar
Alegria infinda te espera
Venha em meu porto seguro
O amor e o afago encontrar
Aqui tua tristeza se encerra
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VISITA A XINGÓ
Vi um rio tristonho
Em represa de mágoas
E cascatas de sonhos
Na saudade a morrer
Nas pinturas rupestres
Sombras de amarguras
Que em tristes figuras
Insistem em viver
Assim como estas águas
Ali também a minha alma
Quer sua dor esquecer
Sangradouro espumante
Clama em voz retumbante
é preciso viver
Em represa de mágoas
E cascatas de sonhos
Na saudade a morrer
Nas pinturas rupestres
Sombras de amarguras
Que em tristes figuras
Insistem em viver
Assim como estas águas
Ali também a minha alma
Quer sua dor esquecer
Sangradouro espumante
Clama em voz retumbante
é preciso viver
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FRAGRÂNCIA DO AMOR
Busquei do amor o perfume na trilha da ilusão
Caminho ha muito fechado pelas malvas da dor
Assombros de amores perdidos cortados a facão
Flores de afeto pendentes, mas vazia de amor
Ventos uivantes na noite pregam-me a sedução
Folhas de paixão e carícias se espalham no ar
Galhos de sonhos desfeitos despencam no chão
Nada me indica a fragrância que anseio encontrar
Cansado da busca inútil paro pra descansar
Nada mais vejo na relva que valha mirar
Não mais a mesma é a mata em que nascia o amor
Cheiro de amor me desperta me invade o nariz
Ao lado uma flor da ventura, do esplendor a matiz
Renasce em mim a ternura, volto a ser sonhador
Caminho ha muito fechado pelas malvas da dor
Assombros de amores perdidos cortados a facão
Flores de afeto pendentes, mas vazia de amor
Ventos uivantes na noite pregam-me a sedução
Folhas de paixão e carícias se espalham no ar
Galhos de sonhos desfeitos despencam no chão
Nada me indica a fragrância que anseio encontrar
Cansado da busca inútil paro pra descansar
Nada mais vejo na relva que valha mirar
Não mais a mesma é a mata em que nascia o amor
Cheiro de amor me desperta me invade o nariz
Ao lado uma flor da ventura, do esplendor a matiz
Renasce em mim a ternura, volto a ser sonhador
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QUANDO
Quando o céu escurece
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade
Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada
Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa
É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade
Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada
Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa
É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras
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OURO DE LOUCOS
Há muitas dores que a terra nutre
Nem sempre prontos a suportar
Maldiga a Deus, diz-nos o abutre
Que na aflição, vem nos tentar
Onde a tua fé enfim reside?
Na boa vida, no banquetear?
Se crês em Deus, na fé persiste
Mesmo se a dor vir te sufocar
Que maior glória aguarda o homem?
Que galardão da bonança vem?
Os que só vivem para o abdome
Perdem a glória que aguarda além
Não teve Lázaro, saradas feridas
Nem do pão farto, o sobejar
Mas recebeu, além da vida
Da glória eterna, o desfrutar
Ouro de loucos te oferecem
Os que na terra têm a visão
Atrás de dinheiro a fé perece
Longe se postam da salvação
Nem sempre prontos a suportar
Maldiga a Deus, diz-nos o abutre
Que na aflição, vem nos tentar
Onde a tua fé enfim reside?
Na boa vida, no banquetear?
Se crês em Deus, na fé persiste
Mesmo se a dor vir te sufocar
Que maior glória aguarda o homem?
Que galardão da bonança vem?
Os que só vivem para o abdome
Perdem a glória que aguarda além
Não teve Lázaro, saradas feridas
Nem do pão farto, o sobejar
Mas recebeu, além da vida
Da glória eterna, o desfrutar
Ouro de loucos te oferecem
Os que na terra têm a visão
Atrás de dinheiro a fé perece
Longe se postam da salvação
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Comentários (2)
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2014-09-07
Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.
2014-09-06
Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço
Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
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