Escritas

Lista de Poemas

VELHAS ÁRVORES

Árvore velha de esplêndida beleza
Que sombra de amor e carinho nos dá
Esguia e terna, do amor a destreza
Remanso das águas a ti vem beijar

Árvores mais novas esticam seu braços
Querem além do riacho, tocar em você
Buscam seu perfume e suas flores em cacho
Sua gênese e extrato querem absorver

Árvore frondosa em paz e ternura
As demais criaturas tu ensinas viver
Viçosa e bela em cores maduras
Quão doce ventura é abraçar a você

O sábio caminhante conhece o desvio
Que na beira do rio encontra a você
Ali deixa suas dores, seu tédio e fastio
E de mágoas vazio, então volta a viver
👁️ 487

CUMPLICIDADE

Minhas alegrias são também as tuas
As minhas vergonhas para ti estão nuas
Nas minhas tristezas, o verter de tuas lágrimas
E nos meus devaneios a razão de tuas mágoas

O meu rosto marcado, diz o quanto te amo
Nos pesadelos da noite é por você que eu clamo
Sob os teus julgamentos, sou sempre perdoado
Até mesmo quando eu me confesso o culpado

Esta cumplicidade, para muitos: loucura
Para nós é o prazer e da alegria a ventura
E que me faz tão feliz, estar a ti enlaçado

O amor contagia, contamina o parceiro
Entre muitos pecados, o amar é o primeiro
Se amar-te é desvairo, me declaro aloprado
👁️ 497

TRISTE CINZA

Eu vi o seu rosto
Na flor que brotou
Também nele o desgosto
De quem muito chorou

Sua beleza infinda
Já não pôde esconder
A amargura que ainda
Faz o seu padecer

Quem dera esta flor
Eu pudesse abrir
Afugentar esta dor
E fazê-la sorrir

Se tua face tão linda
Pudesse eu colorir
Nunca mais o tom cinza
Pousaria em ti
👁️ 578

PRESUNÇÃO

Tive a certeza do nada
Quando no nada vi tudo
O mundo, em que sou nada
Já não é nada no tudo

Todo nosso saber é nada
Perto de um nada no mundo
Toda a sabedoria é vaga
Frente à um verme ou fungo

Em tudo que já alcançamos
Vimos que nada entendemos
Senão nossa ignorância

Do tudo, em que somos nada
Nada de fato nós temos
Senão presunção e arrogância
👁️ 481

CORAÇÃO INDIVISÍVEL

Não tenhas o meu amor por suburbano
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo

Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma

Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana

Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
👁️ 682

JANGADA SEM RUMO

Musa que em noite bela
Navega sem ter direção
Flutua em jangada sem vela
Sem rumo, amor ou paixão

Pedras e ventos ligeiros
Nas sombras a te espreitar
Só o remo por companheiro
E nada mais pra confiar

Sai desse viver obscuro
Deixe a tua alma sonhar
Alegria infinda te espera

Venha em meu porto seguro
O amor e o afago encontrar
Aqui tua tristeza se encerra
👁️ 521

VISITA A XINGÓ

Vi um rio tristonho
Em represa de mágoas
E cascatas de sonhos
Na saudade a morrer

Nas pinturas rupestres
Sombras de amarguras
Que em tristes figuras
Insistem em viver

Assim como estas águas
Ali também a minha alma
Quer sua dor esquecer

Sangradouro espumante
Clama em voz retumbante
é preciso viver
👁️ 507

FRAGRÂNCIA DO AMOR

Busquei do amor o perfume na trilha da ilusão
Caminho ha muito fechado pelas malvas da dor
Assombros de amores perdidos cortados a facão
Flores de afeto pendentes, mas vazia de amor

Ventos uivantes na noite pregam-me a sedução
Folhas de paixão e carícias se espalham no ar
Galhos de sonhos desfeitos despencam no chão
Nada me indica a fragrância que anseio encontrar

Cansado da busca inútil paro pra descansar
Nada mais vejo na relva que valha mirar
Não mais a mesma é a mata em que nascia o amor

Cheiro de amor me desperta me invade o nariz
Ao lado uma flor da ventura, do esplendor a matiz
Renasce em mim a ternura, volto a ser sonhador
👁️ 495

QUANDO

Quando o céu escurece
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade

Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada

Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa

É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras

👁️ 469

OURO DE LOUCOS

Há muitas dores que a terra nutre
Nem sempre prontos a suportar
Maldiga a Deus, diz-nos o abutre
Que na aflição, vem nos tentar

Onde a tua fé enfim reside?
Na boa vida, no banquetear?
Se crês em Deus, na fé persiste
Mesmo se a dor vir te sufocar

Que maior glória aguarda o homem?
Que galardão da bonança vem?
Os que só vivem para o abdome
Perdem a glória que aguarda além

Não teve Lázaro, saradas feridas
Nem do pão farto, o sobejar
Mas recebeu, além da vida
Da glória eterna, o desfrutar

Ouro de loucos te oferecem
Os que na terra têm a visão
Atrás de dinheiro a fé perece
Longe se postam da salvação
👁️ 484

Comentários (2)

Iniciar sessão ToPostComment
2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço