Escritas

Lista de Poemas

DOCE ENCANTO

O teu rosto encanta-me como se tivesse
A doce espuma do apagar de mágoas
Qual varinha mágica a dar vida a preces
Sonhos e fantasias de contos de fadas

O que eu não faria pra este teu sorriso
Ter eu sempre perto a alegra-me a vida
Ter o aconchego do teu ombro amigo
E no teu regaço descansar da lida?

Este teu encanto, cruel e medonho
Zomba e desfila frente ao meu sofrer
Seduz a minh' alma, renova meus sonhos
Elos de doçura que prendem o meu ser
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SAUDADE

Saudade, flor branca e triste
Pétalas de amargura,
Que em dor se desfaz

Saudade, eu sei que existes
E do jardim das desventuras
Vem teu perfume assaz

Saudade, quem roubou tuas cores?
Que esperanças trazes?
Por que padeces assim?

Saudade, esqueças teus amores
Veste-te de outros trajes
Deixa esta dor ter um fim
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O SUPER PAI

Em nenhuma atenção falhou
Em problemas não se perdeu
Em nenhuma festa faltou
Nenhuma data esqueceu

Nunca perdeu as estribeiras
Nunca com um filho brigou
Nunca sua voz foi grosseira
Nem de forma errada julgou

Sempre o rei da perfeição
No agir, no ouvir e falar
Tem sempre pronta a lição
Em como um filho educar

A estultice não tolera
A irreverência, jamais!
Não dá ouvido a quimeras
Pois este nunca foi pai
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ALQUIMIA DO AMOR

Unta bem a tua forma em carinho
Não deixes qualquer grão de mágoa
Sal de lágrimas, só um pouquinho
Carência demais ao bolo estraga

Se na dose de entrega te excedes
Cresce muito, mas logo se sola
Aos poucos se põe os mistérios
O amor tem na cautela a escola

Das ervas aromáticas não esqueças
No encanto e magia te arrisques
Nas loucuras do vinho não excedas
O amor não suporta a estultice

Não aumentes por demais o fogo
O amor se avoluma é com o tempo
Mas não deixes esfriar o teu forno
A frieza é da mágoa o fermento
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A PROCLAMA

Traz no seu corpo a bandeira
Nas cores da pátria se veste
De busto altivo, alma cheia
Seu coração jaz em prece

Cara pintada, boca em proclama
Faz ecoar os seus gritos
Justiça já! É o povo que clama:
Abaixo estes políticos malditos!

Chega de clientelismo
De corrupção, nepotismo
E população na sarjeta

Políticos podres, vendidos
Governo aliciador de partidos
E justiça vendida em maletas
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MATERNIDADE

Um lindo sonho, a por leme em sua vida
Supera os medos, do ventre as batidas
Não mais se divide, é só dele a guarida
Nada mais importa, em afeto esta perdida

Nasce-lhe o filho, encanto e mistério
Adolescência, ali começa o vitupério
Boa a semente, mas seu broto é gaudério
Se o parto é dor, loucura é o puerpério

Um terço foi sonho, espera e ansiedade
O outro dor, da angústia a realidade
O último: desencanto, tristeza e saudade

Vida consumida, passou-se a mocidade
Sonhos perdidos - quão dura esta verdade
Olhos fechados, quisera fosse a madre
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ÍCARO

Ah se a pátria minha desses asas aos meus sonhos
E como ingênua criança eu tivesse orgulho da bandeira
Ver sua riqueza sanar a dor e o pranto dos tristonhos
Filhos seus, vazios de fé diante a tanta bandalheira

Fecho os meus olhos e grito, como quem nasce agora
Quero minha vida, de mãe pátria o carinho e afago
Sou fruto do ventre, filho legítimo, quero sem demora
Saúde, dignidade e pão dos livres e não de escravos

Não quero mais por tutores os seus amantes
Que lhe sugam as tetas, roubando-me o leite
Quero no seu regaço sonhar e ser feliz

Bote-os porta a fora, lava-te o quanto antes
Sane já a esta orgia, cruel e vil deleite
Seja-me pátria mãe, não mais a meretriz
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O ANDARILHO

Nos caminhos que eu ando, sozinho e triste, encontro
Sorrisos vazios, estranheza de afetos, lágrimas sem sal
Às vezes penso que achei minha alma gêmea, que tonto
Apenas ave desgarrada, buscando abrigo em minha nau

Às vezes encontro pessoas boas, puras, de almas belas
Mas seus caminhos são outros, não mudam seu norte
Censurá-las como? São como eu, almas em sequelas
Despedimo-nos apenas, desejando ao outro: boa sorte

Os caminhos se cruzam, paramos por um momento
Com algumas vivo o pranto, de outras só o sorriso
Umas me roubam a alma, outras me dão alento

Assim na viagem prossigo: trilha, ilusão e tempo
De algumas levo saudades, quisera tê-las comigo
De outras lavo a maldade, da ambição o fermento
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SOLUÇOS DA TARDE

Chora o rio maranhão
O seu maior aventureiro
Partiu agora o Sostão
Tal qual um vento ligeiro

Não mais seus risos festivos
Seus acampamentos insanos
Suas noites veladas ao frio
Junto a cascatas jorrando

Não mais os saltos das pedras
Suas escaladas malucas
Nem as conquistas de serras
Com suas cavernas ocultas

Não mais seus cantos a noite
Nem seu clarim na alvorada
Não mais picadas a foice
Nem represas improvisadas

Não mais contos da caserna
Nem suas piadas e anedotas
Não mais o cavar das cisternas
Nem o tirar cobras das tocas

Não mais vigílias nos montes
Nem viagens missionárias
Não mais nascentes e fontes
Findou-se aqui sua jornada

Deixa-nos a terna lembrança
De seus abraços e carinho
Sempre firme na esperança
Fez lá na glória o seu ninho
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REVOLTA DAS SOMBRAS

Quando a descrença a nossa alma invade
A justiça apodrece e a esperança morre
A corrupção fermenta e a violência arde
As sombras se levantam e o clamor ocorre

Jovens revoltos, unidos em desesperança
Revoltos, indomáveis, cheios de ousadia
Clamam por justiça, por sonhos e segurança
Liberdade à pátria amada, ainda que tardia

Invadem ruas, queimam e entregam fores
Sem lema definido nem partido por premissa
Despem-se, pintam-se, gritam e fazem versos

Chega de anarquia, de governos dos favores!
Querem oportunidades e confiança na justiça
Faxina já! Ordem e limpeza no congresso
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Comentários (2)

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2014-09-07

Obrigado Eusébio, espero vê-lo cheio de inspirações felizes.

2014-09-06

Que bom ler teus poemas meu amigo estive andando por ai a procura de inspiração e voltei cheio de desejos e para começar quiz ler algo novo algo que me encante assim como teus poemas um abraço