Lista de Poemas
ALQUIMIA DO AMOR
Unta bem a tua forma em carinho
Não deixes qualquer grão de mágoa
Sal de lágrimas, só um pouquinho
Carência demais ao bolo estraga
Se na dose de entrega te excedes
Cresce muito, mas logo se sola
Aos poucos se põe os mistérios
O amor tem na cautela a escola
Das ervas aromáticas não esqueças
No encanto e magia te arrisques
Nas loucuras do vinho não excedas
O amor não suporta a estultice
Não aumentes por demais o fogo
O amor se avoluma é com o tempo
Mas não deixes esfriar o teu forno
A frieza é da mágoa o fermento
Não deixes qualquer grão de mágoa
Sal de lágrimas, só um pouquinho
Carência demais ao bolo estraga
Se na dose de entrega te excedes
Cresce muito, mas logo se sola
Aos poucos se põe os mistérios
O amor tem na cautela a escola
Das ervas aromáticas não esqueças
No encanto e magia te arrisques
Nas loucuras do vinho não excedas
O amor não suporta a estultice
Não aumentes por demais o fogo
O amor se avoluma é com o tempo
Mas não deixes esfriar o teu forno
A frieza é da mágoa o fermento
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A FORMIGUINHA
Cruzou uma formiga o meu caminho
E num reflexo tolo, desviei meu pisar
Assustei-me então, vendo-me assim em seu lugar
Quantas delas já não pisei indo ou vindo?
Se ela vive ou se morre, a quem importa?
Mudará por isso, o mundo a sua rota?
Quem contabiliza as que perderam o rumo?
Quem porventura estabeleceu suas metas?
Receberá críticas ou elogios por sua tarefa?
Alguém lamentará seus infortúnios?
Há por acaso um leito vazio à sua espera?
Sentirá alguém à noite, alguma falta dela?
Olhei pra o céu, e vi-me então uma formiga
Diante do mundo e do tempo, o que é a minha vida?
Pura presunção, mancha de nada em mão vazia
Pus-me de volta ao meu caminho, feliz da vida
Pois mesmo que esqueçam a mim os que eu prezo
Vela por mim, e me acalenta um Deus eterno
E num reflexo tolo, desviei meu pisar
Assustei-me então, vendo-me assim em seu lugar
Quantas delas já não pisei indo ou vindo?
Se ela vive ou se morre, a quem importa?
Mudará por isso, o mundo a sua rota?
Quem contabiliza as que perderam o rumo?
Quem porventura estabeleceu suas metas?
Receberá críticas ou elogios por sua tarefa?
Alguém lamentará seus infortúnios?
Há por acaso um leito vazio à sua espera?
Sentirá alguém à noite, alguma falta dela?
Olhei pra o céu, e vi-me então uma formiga
Diante do mundo e do tempo, o que é a minha vida?
Pura presunção, mancha de nada em mão vazia
Pus-me de volta ao meu caminho, feliz da vida
Pois mesmo que esqueçam a mim os que eu prezo
Vela por mim, e me acalenta um Deus eterno
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Bálsamo Celeste
As vezes eu choro minhas tristezas mudas,
Que somente a minha alma sabe e conhece
Mas vem logo um sorriso a põe fim ao surto,
Pois de minhas lágrimas Deus ouviu a prece.
Não sei o porque do choro ou o do sorrir
Minha alma assim, mais leve se tornou
Espírito do divino, sempre a me assistir
Bálsamo de graça a me encher de amor
Que somente a minha alma sabe e conhece
Mas vem logo um sorriso a põe fim ao surto,
Pois de minhas lágrimas Deus ouviu a prece.
Não sei o porque do choro ou o do sorrir
Minha alma assim, mais leve se tornou
Espírito do divino, sempre a me assistir
Bálsamo de graça a me encher de amor
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O PAI BANIDO
Julgado fora em todas suas falhas
Justificativas a elas nunca houve
Não há honra, mérito ou medalha
A quem aos filhos educar não soube
Nas minhas carências, quase sempre ausente
Os meus desejos, quase sempre renegados
Aos meus sonhos, questionava mui resistente
Como se eu fosse, um burro ou retardado
Cresci revolto, tratando como a nada
A quem a vida me impôs como tutor
E seus cuidados que tanto me enojou
Só quando em paixão mui desvairada
Tornei-me de uma criança o genitor
Eu soube quanto o velho a mim amou
Justificativas a elas nunca houve
Não há honra, mérito ou medalha
A quem aos filhos educar não soube
Nas minhas carências, quase sempre ausente
Os meus desejos, quase sempre renegados
Aos meus sonhos, questionava mui resistente
Como se eu fosse, um burro ou retardado
Cresci revolto, tratando como a nada
A quem a vida me impôs como tutor
E seus cuidados que tanto me enojou
Só quando em paixão mui desvairada
Tornei-me de uma criança o genitor
Eu soube quanto o velho a mim amou
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ÍCARO
Ah se a pátria minha desses asas aos meus sonhos
E como ingênua criança eu tivesse orgulho da bandeira
Ver sua riqueza sanar a dor e o pranto dos tristonhos
Filhos seus, vazios de fé diante a tanta bandalheira
Fecho os meus olhos e grito, como quem nasce agora
Quero minha vida, de mãe pátria o carinho e afago
Sou fruto do ventre, filho legítimo, quero sem demora
Saúde, dignidade e pão dos livres e não de escravos
Não quero mais por tutores os seus amantes
Que lhe sugam as tetas, roubando-me o leite
Quero no seu regaço sonhar e ser feliz
Bote-os porta a fora, lava-te o quanto antes
Sane já a esta orgia, cruel e vil deleite
Seja-me pátria mãe, não mais a meretriz
E como ingênua criança eu tivesse orgulho da bandeira
Ver sua riqueza sanar a dor e o pranto dos tristonhos
Filhos seus, vazios de fé diante a tanta bandalheira
Fecho os meus olhos e grito, como quem nasce agora
Quero minha vida, de mãe pátria o carinho e afago
Sou fruto do ventre, filho legítimo, quero sem demora
Saúde, dignidade e pão dos livres e não de escravos
Não quero mais por tutores os seus amantes
Que lhe sugam as tetas, roubando-me o leite
Quero no seu regaço sonhar e ser feliz
Bote-os porta a fora, lava-te o quanto antes
Sane já a esta orgia, cruel e vil deleite
Seja-me pátria mãe, não mais a meretriz
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A PROCLAMA
Traz no seu corpo a bandeira
Nas cores da pátria se veste
De busto altivo, alma cheia
Seu coração jaz em prece
Cara pintada, boca em proclama
Faz ecoar os seus gritos
Justiça já! É o povo que clama:
Abaixo estes políticos malditos!
Chega de clientelismo
De corrupção, nepotismo
E população na sarjeta
Políticos podres, vendidos
Governo aliciador de partidos
E justiça vendida em maletas
Nas cores da pátria se veste
De busto altivo, alma cheia
Seu coração jaz em prece
Cara pintada, boca em proclama
Faz ecoar os seus gritos
Justiça já! É o povo que clama:
Abaixo estes políticos malditos!
Chega de clientelismo
De corrupção, nepotismo
E população na sarjeta
Políticos podres, vendidos
Governo aliciador de partidos
E justiça vendida em maletas
👁️ 448
O ANDARILHO
Nos caminhos que eu ando, sozinho e triste, encontro
Sorrisos vazios, estranheza de afetos, lágrimas sem sal
Às vezes penso que achei minha alma gêmea, que tonto
Apenas ave desgarrada, buscando abrigo em minha nau
Às vezes encontro pessoas boas, puras, de almas belas
Mas seus caminhos são outros, não mudam seu norte
Censurá-las como? São como eu, almas em sequelas
Despedimo-nos apenas, desejando ao outro: boa sorte
Os caminhos se cruzam, paramos por um momento
Com algumas vivo o pranto, de outras só o sorriso
Umas me roubam a alma, outras me dão alento
Assim na viagem prossigo: trilha, ilusão e tempo
De algumas levo saudades, quisera tê-las comigo
De outras lavo a maldade, da ambição o fermento
Sorrisos vazios, estranheza de afetos, lágrimas sem sal
Às vezes penso que achei minha alma gêmea, que tonto
Apenas ave desgarrada, buscando abrigo em minha nau
Às vezes encontro pessoas boas, puras, de almas belas
Mas seus caminhos são outros, não mudam seu norte
Censurá-las como? São como eu, almas em sequelas
Despedimo-nos apenas, desejando ao outro: boa sorte
Os caminhos se cruzam, paramos por um momento
Com algumas vivo o pranto, de outras só o sorriso
Umas me roubam a alma, outras me dão alento
Assim na viagem prossigo: trilha, ilusão e tempo
De algumas levo saudades, quisera tê-las comigo
De outras lavo a maldade, da ambição o fermento
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MATERNIDADE
Um lindo sonho, a por leme em sua vida
Supera os medos, do ventre as batidas
Não mais se divide, é só dele a guarida
Nada mais importa, em afeto esta perdida
Nasce-lhe o filho, encanto e mistério
Adolescência, ali começa o vitupério
Boa a semente, mas seu broto é gaudério
Se o parto é dor, loucura é o puerpério
Um terço foi sonho, espera e ansiedade
O outro dor, da angústia a realidade
O último: desencanto, tristeza e saudade
Vida consumida, passou-se a mocidade
Sonhos perdidos - quão dura esta verdade
Olhos fechados, quisera fosse a madre
Supera os medos, do ventre as batidas
Não mais se divide, é só dele a guarida
Nada mais importa, em afeto esta perdida
Nasce-lhe o filho, encanto e mistério
Adolescência, ali começa o vitupério
Boa a semente, mas seu broto é gaudério
Se o parto é dor, loucura é o puerpério
Um terço foi sonho, espera e ansiedade
O outro dor, da angústia a realidade
O último: desencanto, tristeza e saudade
Vida consumida, passou-se a mocidade
Sonhos perdidos - quão dura esta verdade
Olhos fechados, quisera fosse a madre
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SOLUÇOS DA TARDE
Chora o rio maranhão
O seu maior aventureiro
Partiu agora o Sostão
Tal qual um vento ligeiro
Não mais seus risos festivos
Seus acampamentos insanos
Suas noites veladas ao frio
Junto a cascatas jorrando
Não mais os saltos das pedras
Suas escaladas malucas
Nem as conquistas de serras
Com suas cavernas ocultas
Não mais seus cantos a noite
Nem seu clarim na alvorada
Não mais picadas a foice
Nem represas improvisadas
Não mais contos da caserna
Nem suas piadas e anedotas
Não mais o cavar das cisternas
Nem o tirar cobras das tocas
Não mais vigílias nos montes
Nem viagens missionárias
Não mais nascentes e fontes
Findou-se aqui sua jornada
Deixa-nos a terna lembrança
De seus abraços e carinho
Sempre firme na esperança
Fez lá na glória o seu ninho
O seu maior aventureiro
Partiu agora o Sostão
Tal qual um vento ligeiro
Não mais seus risos festivos
Seus acampamentos insanos
Suas noites veladas ao frio
Junto a cascatas jorrando
Não mais os saltos das pedras
Suas escaladas malucas
Nem as conquistas de serras
Com suas cavernas ocultas
Não mais seus cantos a noite
Nem seu clarim na alvorada
Não mais picadas a foice
Nem represas improvisadas
Não mais contos da caserna
Nem suas piadas e anedotas
Não mais o cavar das cisternas
Nem o tirar cobras das tocas
Não mais vigílias nos montes
Nem viagens missionárias
Não mais nascentes e fontes
Findou-se aqui sua jornada
Deixa-nos a terna lembrança
De seus abraços e carinho
Sempre firme na esperança
Fez lá na glória o seu ninho
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REVOLTA DAS SOMBRAS
Quando a descrença a nossa alma invade
A justiça apodrece e a esperança morre
A corrupção fermenta e a violência arde
As sombras se levantam e o clamor ocorre
Jovens revoltos, unidos em desesperança
Revoltos, indomáveis, cheios de ousadia
Clamam por justiça, por sonhos e segurança
Liberdade à pátria amada, ainda que tardia
Invadem ruas, queimam e entregam fores
Sem lema definido nem partido por premissa
Despem-se, pintam-se, gritam e fazem versos
Chega de anarquia, de governos dos favores!
Querem oportunidades e confiança na justiça
Faxina já! Ordem e limpeza no congresso
A justiça apodrece e a esperança morre
A corrupção fermenta e a violência arde
As sombras se levantam e o clamor ocorre
Jovens revoltos, unidos em desesperança
Revoltos, indomáveis, cheios de ousadia
Clamam por justiça, por sonhos e segurança
Liberdade à pátria amada, ainda que tardia
Invadem ruas, queimam e entregam fores
Sem lema definido nem partido por premissa
Despem-se, pintam-se, gritam e fazem versos
Chega de anarquia, de governos dos favores!
Querem oportunidades e confiança na justiça
Faxina já! Ordem e limpeza no congresso
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Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.